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DPAUD - Teses de Doutoramento / Ph. D. Thesis

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  • A habitação social no horizonte da sustentabilidade
    Publication . Canova, César Renato; Faria, Hugo José Abranches Teixeira Lopes; Sllva, Geovany Jessé Alexandre da, coorientador
    A habitação social no horizonte da sustentabilidade: um metaprojeto a partir de espaços coletivos do habitar em Porto Alegre e Lisboa na segunda metade do século XX A sustentabilidade é tida como paradigma qualitativo para a habitação social na atualidade. No entanto, a ineficiente tradução de suas características verbais em sugestões físicas resulta em habitações sociais insustentáveis no âmbito da Arquitetura, especificamente quanto à dimensão social da sustentabilidade. Esse problema é entendido à luz da definição da Arquitetura enquanto arte que se vale de comunicação não-verbal para a significação. Reconhecendo-se que os significados verbais de sustentabilidade social urbana apontam para características coletivas do habitar, propõese a hipótese de que é possível determinar parâmetros de sustentabilidade social que qualifiquem os conjuntos de habitação social, delimitando-se como contextos de análise as cidades de Lisboa, Portugal, e Porto Alegre, Brasil, na segunda metade do século XX. A hipótese é comprovada pelo cumprimento do objetivo geral, tido como a elaboração de um metaprojeto. O metaprojeto é proposto a partir da bibliografia, com indicadores de configuração física (significado não-verbal) que, correlacionados, dão origem a indicadores de significado (significado verbal). Os indicadores são revisados ao longo da investigação, a partir da análise dos casos de estudo. Somam-se procedimentos metodológicos mistos, que combinam análise histórica, análise correlacional, análise estrutural e análise estatística. Caracterizam-se seis casos de estudo, oferecendo um panorama das duas cidades em três momentos do recorte temporal: o momento central que corresponde às políticas públicas do Sistema de Apoio Ambulatório Local (em Portugal) e do Banco Nacional da Habitação (no Brasil); os momentos posterior e anterior a esse. Seleciona-se como casos os projetos contextualizados para: Célula A do Bairro dos Olivais Norte, SAAL Fonsecas e Calçada e PER Calhariz de Benfica, em Lisboa; Conjunto Residencial do Passo d’Areia, Condomínio Conjunto Residencial Felizardo Furtado e Condomínio dos Anjos, em Porto Alegre. Reconhecem-se traços espaciais reprodutíveis nos casos de estudo, os quais tratam de conjuntos de habitação social em diferentes escalas e com espaços coletivos do habitar. Esses traços espaciais são correlacionados pela análise estatística, dando origem aos parâmetros de que trata a hipótese. Uma vez aplicado o metaprojeto enquanto análise, torna-se possível compreendê-lo como síntese dos resultados para os contextos delimitados. Finalmente, sugere-se o metaprojeto como um roteiro com vinte passos para o projeto de conjuntos de habitação social mais sustentáveis.
  • Arquitetura da casa contemporânea e o lugar
    Publication . Andrade, Ulisses Morato de; Matos, Maria Madalena Aguiar da Cunha; Carsalade, Flávio de Lemos, coorientador
    No presente século, as arquiteturas brasileira e portuguesa mantêm a visibilidade internacional alçada por suas notáveis realizações no decurso do século XX, sendo que as casas contemporâneas de referência da Área Metropolitana de Lisboa (AML) e da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) contribuem com tal fenômeno. Por outro lado, embora essas regiões encerrem um valoroso passado partilhado, elas carecem de estudos comparativos de suas arquiteturas pós-coloniais, sobretudo no tocante às suas casas contemporâneas. Pressupondo que a prática de projetar com especial atenção ao lugar é um importante modus operandi da arquitetura luso brasileira, esta investigação indaga sobre as estratégias de projeto adotadas na criação da casa contemporânea de referência na AML e RMBH, tendo como parâmetro suas interfaces com o lugar. Assim, considerando a casa como o epicentro da observação, o presente estudo analisa os modos de intercâmbio do edifício com o lugar enquanto a topografia que o sustém; os horizontes que o definem; e a paisagem arquitetônica que o caracteriza. Para isso, construiu-se a hipótese de que, em estratégias opostas, as casas da AML são acomodadas à topografia e introvertidas em relação aos seus horizontes, e as casas da RMBH são elevadas e extrovertidas; e em estratégias convergentes, ambas estabelecem ruptura com as paisagens arquitetônicas tradicionais ou continuidade às paisagens contemporâneas. A verificação dessa hipótese através do estudo de casos em vinte obras erguidas no âmbito birregional confirmou os seus termos. Observou-se que o anseio pela privacidade é uma forte componente no projeto da casa contemporânea da AML, por estar tanto na motivação das estratégias de introversão quanto naquelas de acomodação. Por outro lado, se o usufruto da paisagem é a razão das estratégias de extroversão e da transparência mural no projeto da casa da RMBH, suas estratégias de elevação apresentam causas dispersas. Constatou-se, ainda, que as respostas ao lugar dadas pela arquitetura das casas estudadas não compõem narrativas de afirmação de identidades arquitetônicas regionais ou nacionais; além disso, elas rompem os diálogos com as linguagens pré-modernas e vernaculares, mas os preservam quanto às suas idiossincráticas modernidades. Por fim, fato marcante, identificaram-se significativos fluxos de conhecimentos e influências arquitetônicas binacionais entre os arquitetos autores das casas contemporâneas da AML e RMBH.
  • As artes e a arquitetura na Praça Pedro II
    Publication . Garrido, Rosilan Mota; Gomes, Maria Marques Calado de Albuquerque; Zenkner, Thaís Trovão dos Santos, coorientador
    A origem da Praça Pedro II data de 1612, com os franceses, comandados por Daniel de La Touche, que escolheram o local para fundação da vila que seria a França Equinocial. Quando os franceses chegaram encontraram os índios tupinambás, depois vieram os portugueses que expulsaram os franceses para recuperar a terra que lhes pertencia. A Praça Pedro II localiza-se a oeste, na ilha de São Luís, no estado do Maranhão- Brasil, na ponta de uma colina, a cerca de 30 metros de altura em relação ao nível do mar. Desde sua criação conserva um papel fundamental para a cidade por concentrar diversas camadas da história, ser o centro do poder constituído desde então e exibir monumentos artísticos e arquitetônicos de interesse geral. Nesta investigação nos propusemos compreender e interpretar a Praça considerando as disciplinas Artes e Arquitetura, para entender como as duas áreas se conjugam, como coexistem na Praça e adjacências, se são percebidas como uma experiência sensível e se a referida Praça pode ser considerada um lugar no mundo.
  • Design paradigmas in Porto's public and cooperaqtive housing in and aroud the portuguese revolutionariry period
    Publication . Pereira, Catarina Ruivo; Raposo, Isabel Ortins de Simões; Varoudis, Tasos, coorientador
    Com o processo de industrialização do país e subsequente concentração populacional nos grandes centros urbanos, emergem, desde o início do século XX, programas públicos de habitação. As primeiras tipologias adotadas durante o Estado Novo para as populações oriundas de zonas rurais pobres, adaptam-se à perceção tradicionalista do regime de um modo de vida português. Os conjuntos habitacionais de grande escala que lhes sucederam visavam responder ao modelo de urbanização que se afirmava com a intensificação da industrialização do país. Nos finais dos anos 1960, o investimento público em habitação permitiu um forte desenvolvimento da investigação teórica e empírica marcada por preocupações sociais e previsões sobre o futuro. Concebida como um mecanismo espacial com consequências sociais, a habitação era pensada como um instrumento de progresso. Em documentos e relatórios de investigação científica deste período, encontram-se repetidas referências à emancipação da mulher, ao desenvolvimento de laços e sentimentos de comunidade e à resposta às necessidades do momento e às aspirações futuras. Este pensamento progressista emergiu nalgumas instituições estatais permitindo algumas transformações institucionais no último período do Estado Novo, ao longo dos anos 1960 e início dos anos 1970. Todavia, os programas de habitação então desenvolvidos foram limitados, tanto na sua escala como no leque de populações a que se dirigiam, e os conjuntos habitacionais públicos implementados eram entendidos pelo poder político dominante como instrumento de controlo social. Com o golpe militar do 25 de Abril de 1974, operou-se uma maior transformação do aparelho de estado associada ao fim da guerra colonial e à transformação do modelo económico do país, gerando alterações profundas no balanço de forças e permitindo a organização de movimentos populares fortes, alguns dos quais centrados no direito à habitação. Neste contexto, a promoção habitacional ganhou novos contornos ao nível quantitativo e qualitativo. Esta dissertação foca a sua atenção neste período, estudando um conjunto de empreendimentos habitacionais de promoção pública e cooperativa construídos na cidade do Porto nos anos que antecedem e sucedem ao 25 de Abril de 1974. Incluem-se nesta leitura quatro grupos de empreendimentos: (i) os que integram a segunda fase do Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto, construídos maioritariamente entre 1969 e 1974; (ii) os que são desenvolvidos no âmbito do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL) durante o período revolucionário de 1974-1976; (iii) e aqueles que foram construídos para associações de moradores, no mesmo período mas dentro de outros enquadramentos legais; (iv) os conjuntos promovidos pela Câmara Municipal do Porto, pelo Fundo Fomento da Habitação e os que resultam da articulação entre estas duas entidades, desenvolvidos desde antes do 25 de Abril de 1974 até 1982; (v) e, por último, as cooperativas de habitação económica construídas ao longo deste período. Ao fazê-lo, pretende-se trazer para o campo da investigação em arquitetura casos de estudo que têm sido descurados pela disciplina. Simultaneamente, pretende-se proporcionar uma visão global deste período que possa representar um contraponto à crítica de que a promoção pública de habitação de grande escala tem frequentemente sido alvo. Uma crítica que se tem tendencialmente focado nas suas características urbanas e arquitetónicas, apresentando-as como causa da segregação social dos seus residentes. A dissertação começa por explorar reflexões de autores que se referem à relação recursiva entre a habitação e a sociedade que a produz. A habitação é entendida como um produto social, o qual tem a capacidade de agir sobre as relações sociais. Isto ocorre de duas formas: o mercado imobiliário atua na diferenciação de classe, determinando quem tem acesso às infraestruturas e equipamentos urbanos e em que condições; a habitação organiza espacialmente a atividade humana - socialmente determinada e atribuída a diferentes indivíduos e grupos - no sistema de sistemas que compõem o conjunto “casa-assentamento”, como definido por Rapoport. Com base na leitura de diversos autores (Harvey, Bourdieu, Lefebvre), considera-se que esta interação assume formas coerentes com a reprodução das relações de produção. Embebida no aparelho ideológico, esta interação materializa-se na educação, gosto e prática arquitetónica. Esta ideia de recursividade na relação entre o espaço e a sociedade é explorada aproveitando a dualidade interna da metodologia da “sintaxe espacial”, desenvolvida inicialmente por autores como Hillier e Hanson. Em primeiro lugar, procura demonstrar-se que as características espaciais dos espaços domésticos influenciam, até certo ponto, a forma como as pessoas vivem. Para o efeito, sistematiza-se a informação produzida por inquéritos sobre dinâmicas familiares realizados durante o período estudado, ao longo dos anos 1970 e 1980. Estes dados são explorados preliminarmente no sentido de perceber de que forma diferentes organizações das atividades domésticas nos fogos se podem refletir em variações nas suas formas de uso pela família. Demonstra-se que é possível detetar características mais ou menos potencializadoras de uso coletivo ou individual dos diferentes espaços da casa, e com maior ou menor potencial para contrariar tendências de segregação e diferenciação de uso por género verificadas dentro das famílias estudadas. Explora-se também a capacidade da investigação em “sintaxe espacial” realizada nas últimas décadas de relacionar atributos espaciais com padrões de uso do espaço. Tendo em conta essas relações, articulam-se conceitos espaciais da “sintaxe espacial” com as hipóteses de diferenciação residencial desenvolvidas por Harvey. Através de uma leitura de outros autores (Bourdieu, Marcuse, Gros), constroem-se e analisam-se nos casos estudados os conceitos sócio-espaciais de segregação, “outro” (othering), hierarquização, domesticação e adaptabilidade. Argumenta-se que é através destes conceitos que a habitação funciona como regulador dos padrões de interação entre indivíduos, grupos e classes sociais na cidade, e dessa forma também de conformação de diferentes vivências. Em segundo lugar, a análise sintática é utilizada para encontrar padrões espaciais no conjunto dos empreendimentos habitacionais estudados, que são posteriormente descritos de acordo com os conceitos sócio-espaciais definidos. Estes padrões são comparados entre os diferentes programas habitacionais estudados - programas dirigidos a problemas específicos de diferentes populações, com preocupações e propósitos diferentes entre eles - com o objetivo de identificar paradigmas de projeto diferentes ou contrastantes que, através da sua contextualização histórica, possam ser relacionados com transformações sociais. Desta forma, procura-se compreender o papel desses conjuntos e programas habitacionais como parte de um processo de transformação social e urbana. Embora os grandes conjuntos habitacionais dos anos 1960 tenham sido construídos fora do centro, sendo intencionalmente segregados, a investigação mostra que eles se encontram em zonas da cidade que hoje estão bem integradas no tecido urbano. Com a transformação do contexto social, o regulamento moral e político, que no Estado Novo acentuava o papel da casa como mecanismo de controlo, foi extinto, alterando-se o significado social da localização dos edifícios na malha urbana, organizados no período anterior de forma a facilitar a vigilância dos seus moradores. Na promoção pública de habitação após o 25 de Abril são também identificados constrangimentos e contradições. Por um lado, a promoção habitacional continuou, em grande parte, a expressar uma estratégia de expansão urbana necessária ao crescimento da cidade capitalista, criando conjuntos residenciais muitas vezes ligados a áreas industriais, mas, por outro lado, a habitação produzida nos primeiros anos de democracia tornou-se mais acessível e de forma geral mais articulada com o tecido urbano existente. Os fogos tornaram-se maiores, embora descurando relações espaciais anteriormente consideradas importantes. A habitação pública nos empreendimentos produzidos nesses primeiros anos de democracia afastou-se do paradigma de isolamento e clara marcação do “outro”, embora mantendo uma ideia espacial de comunidade local. Demonstra-se que o crescimento da cidade do Porto no período estudado esteve, em grande medida, articulado com o desenvolvimento público de habitação, e que isto só pode ser percebido a uma escala global. A habitação - como todo o espaço socialmente produzido - é simultaneamente um produto do seu tempo com consequências sociais imediatas e um conjunto de artefactos cujo significado social é transformado por mudanças que lhe são externas.
  • Arquitetura na rota das Cachoeiras
    Publication . Pereira, Marielle Rodrigues; Morais, João Gabriel de Sousa; Monteiro, Filipa Maria Salema Roseta Vaz, coorientador
    A hipótese dessa tese é a possibilidade de atribuir valor à arquitetura vernacular, não apenas sobre a sua materialidade, mas sobretudo incorporar a sua dimensão imaterial, traduzida pelas tradições construtivas, cujos valores – material e imaterial, são indissociáveis e que garantem a manutenção da singularidade dos lugares.Tal hipótese surgiu a partir de pesquisas realizadas em Taquaruçu, Distrito do Município de Palmas, localizado no Estado do Tocantins. Esse lugar permitiu descortinar a possibilidade de incorporar outros valores à arquitetura vernacular. A permanência de tradições construtivas vernaculares na atualidade, ancoradas pelos atributos ecológicos e humanos, dão sentido de existência à paisagem e constituem o caráter do lugar. Nesse sentido, o estudo procurou dar respostas sobre a existência de valores imateriais na arquitetura vernacular, a partir dos argumentos que embasam a evolução do conceito de paisagem, bem como a identificação de territórios que elucidam tradições construtivas e que constituem o universo de comunidades tradicionais. Para tanto, optou-se pela pesquisa qualitativa em Taquaruçu, baseada nos aspectos físicos e fenomenológicos associados ao estudo dos componentes naturais e históricos, para que se pudesse dar respostas aos elementos que constituem a territorialidade arquitetônica construtiva – material/imaterial, natural/cultural, fundamentada nos princípios ecológicos, vernaculares e humanos. Através do estudo desses três elementos da paisagem, propõe-se diretrizes que contribuem para um diagnóstico de atribuição de valor material e imaterial associados à arquitetura vernacular e aos detentores culturais da paisagem. Essa tese não pretende diminuir a alçada do valor material tradicionalmente incorporado à arquitetura, ao contrário, aponta uma terceira opção de atribuição de valor à arquitetura vernacular, onde ambos valores – material e imaterial, constituem a base fundamental da existência de determinados lugares.
  • Arquétipos de morar ludovicenses do século XXI
    Publication . Dualibe, Giavanna Jansen; Filho, José Jorge Boeri; Panet, Rose-France de Farias, coorientador
    Esta investigação tem como objetivo principal identificar os arquétipos de morar do século XXI da classe média ludovicense (pessoa que nasce em São Luís - Maranhão, Brasil), a partir de seus novos arquétipos sociais dominantes e, igualmente, propõem-se a identificar e caracterizar seus espaços de morar, usos, significados e símbolos. Para esta investigação, um levantamento sobre o comportamento, hábitos e costumes da sociedade em cada época e o morar histórico até os dias atuais foi realizado a fim de melhor compreender o morar atual. Algumas referências que tratam da imaterialidade dos espaços de morar e estudos sobre a relação pessoa- ambiente, bem como sobre métodos de avaliação e análise foram utilizados como base para as análises realizadas. Para a metodologia, optou-se por um arranjo quantitativo e qualitativo, que se utilizou dos métodos survey e estudo de casos. Questionário, entrevistas e walkthrough pela investigadora foram utilizados como instrumento de coleta de dados na fase da pesquisa de campo. Para seleção da população a ser estudada, fez-se um recorte geográfico e socioeconômico, a partir de critérios escolhidos com base em análises de métodos de classificação. Os resultados analisados mostraram que a população de classe média alcançada pela investigação ainda vive como o arquétipo do homem moderno citado por Tramontano (1998), só que mais globalizado, enquanto seus integrantes mais jovens já são cidadãos contemporâneos. Quanto às suas personas, os papeis de pai, mãe, filhos e parentes, foram os que mais provocaram diferenças quanto ao uso e significados dos cômodos de um lar. As casas se mostravam coletivas, com uso acentuado das áreas comuns e como um instrumento feminino de domínio sobre os familiares. Ela é mais ninho do que concha, considerando Bachelard (1993), pois funciona como molde coletivo e não individual. A cozinha apresenta papel fundamental na construção e manutenção desse lar de classe média ludovicense e enquanto as casas continuam regionalizadas, os apartamentos já se nacionalizaram.
  • São Luís e a rota do moderno
    Publication . Nascimento, Lúcia Moreira do; Farias, Hugo José Abranches Teixeira Lopes
    A presente tese investiga a produção arquitetônica moderna em São Luís do Maranhão, Brasil, entre 1930 e 1960. Busca-se compreender a materialização da imagem da autoridade do Estado, com destaque desde a gestão de Getúlio Vargas (1930-1945) até à inauguração da nova Capital Federal, Brasília (1960), pelo Presidente Juscelino Kubitscheck (1956-1960). Este recorte caracteriza-se pela disseminação dos princípios do Movimento Moderno no Brasil e pelas intervenções arquitetônicas e urbanísticas promovidas pelo Estado. Este intervalo traz marcas da implantação de planos urbanísticos que definiram o desenho de novas avenidas e a ampliação da malha viária em novos eixos de movimento. Para que essas transformações fossem executadas, diversas edificações foram demolidas: casarões coloniais e ecléticos. Nos vazios urbanos surgiram novas soluções espaciais com outro vocabulário arquitetônico. Na contemporaneidade, a linguagem moderna permanece desvalorizada em relação à colonial, há um lento processo de descaraterização, aliado à ausência de legislação de proteção adequada, o que causa o prematuro desaparecimento do acervo. Realiza-se um estudo sistemático apoiado numa metodologia não intervencionista, de base qualitativa e quantitativa, que privilegiou uma abordagem histórica, descritiva e de caráter exploratório de edificações presentes na Rota do Moderno, para verificar a importância dessa arquitetura num território fortemente marcado pela linguagem colonial. Conclui-se que, a Rota do Moderno tem vindo a sofrer profundas descaracterizações.
  • Reabilitação energética de quarteirões
    Publication . Duarte, Carlos Filipe Chambel; Morais, António José
    Os edifícios antigos representam até 40% do consumo total de energia do parque edificado da União Europeia. Qualquer ação com o objetivo de aumentar o desempenho térmico e energético dos edifícios antigos tem influência no consumo de energia à escala nacional. Contudo, existem dúvidas quanto à compatibilização e aplicação do conceito de “edifício com necessidades quase nulas de energia” (NZEB), disposto na diretiva EPBD 2010/31/EU, em edifícios antigos e património edificado. São levantadas questões acerca da profundidade/agressividade versus eficiência da intervenção, já que o impacte no valor patrimonial do edifício tem que ser residual ou nulo, enquanto o desempenho energético tem de aumentar significativamente. O quarteirão Pombalino do século XVIII, elemento que dá corpo ao Plano de Reconstrução de 1758 da zona baixa da cidade de Lisboa, atualmente designada de “Baixa Pombalina”, sofreu ao longo do tempo um conjunto de alterações que contribuíram para a progressiva delapidação do seu património tecnológico, tendo igualmente consequências nefastas no seu desempenho térmico e energético. Todavia, observámos que o seu desenho inicial possui características arquitetónicas e construtivas com potencial para alcançar o nível NZEB, caso seja adotada uma estratégia de reabilitação energética à escala do quarteirão, ao invés da abordagem usual por edifício ou fração singular. Assim, esta tese demonstra que uma estratégia assente em pacotes de intervenção de âmbito passivo e ativo, aplicada em dois casos de estudo [Q-H & T], reduz a necessidade e o consumo de energia primária para níveis NZEB com um impacte residual no seu valor patrimonial. Para tal, simulámos e comparámos os resultados de 35 pacotes, nos quais combinámos soluções de AVAC, AQS e aproveitamento FER local, com medidas aplicadas no corpo construído, utilizando uma metodologia Building Energy Simulation em dois Building Information Models usando o motor de simulação dinâmica EnergyPlus inserido no software Cypetherm Eplus. Os resultados mostram que um pacote de âmbito passivo otimizado reduz a necessidade energética para climatização em cerca de 56%, enquanto estratégias de ventilação noturna aumentam, aproximadamente 44%, o conforto térmico na estação quente. Na estação fria, observou-se que não é possível o aumento expressivo do conforto térmico apenas com soluções de âmbito passivo. No âmbito ativo, o pacote AVAC bomba de calor Ar-Ar/equipamento a biomassa sólida regista o consumo de energia primária mais baixo, enquanto os sistemas de aproveitamento FER se revelam fundamentais para alcançar um desempenho NZEB. Por fim, o Q-T [lado maior orientado N-S] regista melhor desempenho que o Q-H [lado maior orientado E-O] na generalidade dos parâmetros, alcançando nível NZEB em 7 pacotes versus 3 pacotes, respetivamente. Destes, apenas 3 pacotes são financeiramente viáveis, com um período de retorno do investimento inicial adicional inferior a 9 anos.
  • Modelo de habitação adaptativa a custos reduzidos : proposta de um modelo de base para o projeto de arquitetura de habitação adaptativa para os países em desenvolvimento
    Publication . Ramalhete, Inês Marques; Farias, Hugo José Abranches Teixeira Lopes
    A presente tese de doutoramento aborda a problemática da habitação a custos reduzidos nos países em desenvolvimento através do desenvolvimento de um modelo de habitação adaptativa a custos reduzidos. Este modelo visa a criação de uma ferramenta para o projecto de arquitectura da habitação, de fácil entendimento por projectistas e promotores, e cujos princípios possam ser replicados em diferentes geografias. Face a uma situação de referência que tem demonstrado um elevado grau de insucesso das soluções desenvolvidas, nomeadamente devido à desadequação destas ao contexto onde se inserem, tornou-se pertinente repensar o conceito de habitação adequada. Diversos autores apresentam diferentes perspectivas sobre este conceito, cujo teor comum assenta na adequação da habitação ao longo do tempo, a qual foi considerada, no âmbito da investigação, como um processo de adaptabilidade. De uma maneira intrínseca, a adaptabilidade do espaço habitacional foi uma constante ao longo da evolução da habitação dita social, focada principalmente em premissas económicas mas com apontamentos relativos a preocupações de adequação social e ambiental. É neste processo evolutivo, que na presente tese se centra no caso português e em alguns casos internacionais já desenvolvidos e analisados, que surge o enquadramento teórico para a criação de um modelo de base para o projecto da habitação a custos reduzidos. Uma das principais questões centra-se no entendimento da sobrelotação do espaço habitacional e na procura de um indicador que possa ser replicado, e aceite, em qualquer contexto socioeconómico. O modelo é composto por um conjunto de princípios e critérios para a adaptabilidade da habitação onde se conjugam os elementos que a compõem, desde a organização, disposição funcional, até aos processos construtivos e materialidade. Estes elementos encontram-se, contudo, dependentes de parâmetros de base que reflectem as características socioeconómicas principais do público-alvo, bem como das condicionantes ambientais onde se insere o projecto. O modelo é acompanhado por uma matriz gráfica do que é necessário considerar para o projecto da habitação adaptativa, cabendo depois ao projectista fazer a sua própria arquitectura. De modo a compreender a aplicação e o modo como se comporta o modelo a diferentes contextos, a presente investigação considerou dois casos de estudo: o primeiro, de cariz rural/peri-urbano, predominantemente composto por habitação unifamiliar, em Pante Macassar, Timor-Leste; o segundo, de carácter urbano, num contexto de habitação plurifamiliar na cidade da Praia, em Cabo Verde. A aplicação a ambos os casos demonstrou pontos comuns e diferenças, na qual os primeiros se referem à flexibilidade passiva e as segundas à flexibilidade activa. É de evidenciar o papel da multifuncionalidade e o impacte desta na formulação das soluções, adicionando um elevado grau de complexidade no processo criativo. O modelo proposto não se assume como uma ferramenta restritiva no processo criativo da concepção arquitectónica, mas sim como uma ferramenta de apoio para a criação do projecto da habitação adaptativa, no contexto dos países em desenvolvimento.
  • Understanding of baston castles in the XVII century in Galicia region
    Publication . Tikhonova, Olha; Pereira, Michel Toussaint Alves
    Na complexidade deste fenómeno, único na história da arquitetura renascentista, a origem do palácio fortificado representa um problema específico. Apesar de extensas destruições ao longo dos séculos, motivadas por guerras, transformações e as chamadas restaurações, um número considerável de exemplos ainda subsiste pela Europa fora. Não é possível apontar para qualquer outra região da Polónia que possa gabar-se de ter tantos exemplos de palácios fortificados como a Galícia. Quando procuramos saber quais os factos históricos a que este fenómeno poderia estar ligado, ou pelo menos com os quais poderíamos explicá-lo em parte, encontramos escassas informações sobre esse assunto. Pensava-se que os castelos medievais do século XVII já não eram adequados para a vida de luxo e para a proteção contra as armas de pólvora, e é por isso que eles se decompuseram em dois tipos. Um corresponde a estruturas defensivas tais como fortes modernos e fortalezas com bastiões, o outro a edifícios abertos (sem características defensivas e com forte conexão com a paisagem) que são palácios. No entanto, naquela época, apareceu também o tipo híbrido que combina esses dois tipos e mostra que uma espécie de castelo ainda poderia existir e fornecer a proteção e boa qualidade de vida ao mesmo tempo. Este tipo híbrido apareceu em Itália com os primeiros exemplos construídos para a família Medici, mas ganhou outras características tipológicas na República da Polónia no século XVII, e foi difundido especialmente na Galícia. Não tem havido um único nome específico para este tipo na teoria arquitetónica, e faltou conhecimento sobre suas variedades tipológicas ou características precisas. A maioria destas estruturas já desapareceu ou foi convertida em palácios, perdendo as suas defesas militares. Apenas alguns exemplos podem ainda ser estudados. Mas com uma vantagem significativa na nossa seleção de casos em dois países diferentes, Ucrânia e Polónia, com a Galícia foi dividida entre eles desde meados do século XX. Tal implica uma variedade que ajudou a ter diferentes visões sobre o fenómeno do palácio fortificado e estudar os respetivos complexos arquitetónicos em diferentes estados e transformações, já que a parte polaca da Galícia era um pouco mais calma que a da Ucrânia. Ao mesmo tempo, provavelmente, esta divisão da região entre dois países diferentes, cada uma com a sua língua, resultou até agora em estudos, pelos investigadores, de exemplos separados em cada parte da região e não em toda a região. O objetivo desta pesquisa foi estabelecer a classificação tipológica destes específicos complexos arquitetónicos (palácio fortificado) e sua possível origem e história. A metodologia apresentada aqui não se baseia apenas em documentação pura e evidência histórica, mas também no próprio complexo arquitetónico como fonte primária e no contexto sociopolítico e arquitetónico. A investigação partiu de uma procura dos casos de estudo mais adequados, analisando as melhores fontes para encontrar os palácios fortificados na Galícia: o primeiro levantamento militar realizado no século XVIII, focando as estruturas militares. Todos os palácios fortificados encontrados foram revisados, aqueles que permanecem pelo menos em ruínas foram examinados, e suas condições foram descritas. Os seis mais diversos e os mais bem preservados foram escolhidos para posterior estudo detalhado: Brody, Pidhirtsi, Zbarazh, Zheshov, Lanchut e Lodygovice. A investigação sobre os casos selecionados incluiu a história dos complexos arquitetónicos, análise das proporções das fortificações abaluartadas e da parte civil, composição das partes residenciais e das defesas, comparação com os modelos dos tratados de Arquitetura encontrados, que descrevem palácios fortificados, e descrição do complexo arquitetónico no respetivo sítio e paisagem, com conclusões finais sobre a classificação tipológica. As fontes primárias para análise foram os materiais originais dos arquivos de Cracóvia, Varsóvia, Zheshov e Viena e observações de campo. A definição de padrões semelhantes ajudou a entender os principais modelos que representam esse tipo, e as diferenças ajudaram a detectar as variedades no tipo (subtipos). A partir de várias fontes percebe-se que o principal corpo residencial (palácio), cercado pelas fortificações, foi construído seguindo as proporções de Palladio e Serlio, pelo menos em planta. No entanto, ninguém tentou definir quais as relações de proporção utilizados dentro dos edifícios residenciais dos palácios fortificados até esta pesquisa. Além disso, muitos pesquisadores afirmaram que os palácios fortificados na Galícia foram feitos de acordo com o sistema holandês antigo, mas as análises comparativas proporcional e de ângulos das fortificações não tinha sido feita até ao presente estudo. Além disso, a componente jardim nos palácios fortificados nunca foi abordada por outros investigadores, exceto numa pesquisa do ucraniano Remeshylo-Rybchynska, que estudou as componentes principais dos conjuntos de residências nobres, mencionando os jardins do palácio fortificado de Pidhirtsi como característica importante. Nenhum dos pesquisadores ucranianos e polacos antes do presente estudo interessou-se pela conexão visual dos espaços internos dos palácios com os respetivos jardins. O estudo crítico, de casos bem preservados, usando a análise complexa, revelou as características fundamentais dos palácios fortificados na Galícia, as semelhanças e diferenças de padrões, nos casos estudados e palácios fortificados projetados ou construídos noutros países europeus. Antes deste estudo, apenas dois exemplos eram conhecidos e citados como fonte entre os estudiosos, que abordaram os palácios fortificados na Galícia. Um é a villa Caprarola, construída na Itália, e o outro um projeto para o palácio fortificado de Zbarazh, na Galícia, descrito no tratado de Vincenzo Scamozzi L'Idea della Architettura Universale. No entanto, encontrámos os manuscritos originais de seis tratados que se referem aos palácios fortificados e oferecem uma visão geral, bem como vários exemplos de projetos, construídos ou não, dos palácios fortificados que pertencem ao tipo italiano “palazzo in forteza”. Além disso, revelamos as diferenças entre o tipo italiano e o palácio fortificado na Galícia. A maioria dos palácios fortificados da Galícia tomou como modelo para a sua componente defensiva, dos Países Baixos, o bem desenvolvido sistema de fortificações abaluartadas holandesas (exceto Zbarazh, o exemplo projetado segundo o tipo italiano "palácio em fortezza") é por isso que a forma daqueles é diferente. Ainda mais, se compararmos os exemplos italianos e sicilianos de palácios fortificados do século XVII com os da Galícia, a ligação entre palácio e baluartes é diferente. As semelhanças que podem ser encontradas com exemplos da Galícia são apenas em aparência geral e somente em três casos (um sub-tipo): Pidhirtsi, Zheshov e Zbarazh. O palácio fortificado do tipo italiano “palazzo in fortezza”, em contraste com aqueles três na Galícia, não tem uma cortina separada, e as paredes do palácio formam defesas. O palácio fortificado de Pidhirtsi tem semelhanças mais aparentes com o tipo italiano “palazzo no fortezza” porque as paredes traseiras da sua parte residencial situam-se diretamente sobre da fortificação como no tipo italiano. No entanto, a parte da frente de Pidhirtsi tem um sistema de bastiões bem desenvolvido, e a componente residencial é desviada para trás. Os palácios fortificados de Zheshov e Zbarazh têm ainda menos semelhanças. Os seus corpos residenciais não ficam diretamente sobre as muralhas, eles recuam. Os outros três casos de estudo, ou seja, Brody, Lanchut e Lodygovice, pertenciam a um tipo totalmente diferente: o seu palácio é separado das fortificações. Após as análises, classificámos os palácios fortificados na Galícia em dois tipos principais: um complexo integrado que consiste num palácio ligado a baluartes bem desenvolvidos; e um complexo com um palácio independente e cercado por fortificações maciças e robustas de baluartes construídos em terra e reforçadas por paredes de alvenaria. Cada um desses tipos tem dois subtipos. O primeiro subtipo integrado parte de um modelo francês projetado por Perret. Neste modelo, o corpo residencial está sobre a parede da fortificação em frente à entrada do complexo e tem um pátio em frente ao palácio. É semelhante à construída Palazzina del Forte di Belvedere da Medici no século XVI. O segundo subtipo integrado é baseado num exemplo francês projetado por Jacques Androuet du Cerceau (a primeira proposta para Verneuil). O projeto determina um palácio de planta retangular com um pátio interno que fica no topo da plataforma abaluartada e tem uma composição central. Este subtipo pode ser detetado até mesmo num exemplo mais antigo, a villa di Cafaggiolo da Medici, do século XV. O segundo tipo, a que chamamos de composto, tem também dois subtipos. Um subtipo baseado nos modelos de Serlio e outro nas regras prescritas, para o projeto do palácio fortificado, pelo arquiteto polonês Naronowicz-Naroński. A origem deste tipo pode ser encontrada até à villa di Poggio a Ciano, do século XV, projetada por Giuliano da Sangallo. Por último, mas não menos importante, definimos as razões para o aparecimento de palácios fortificados na Galícia e encontrámos semelhanças com as causas do aparecimento dos primeiros e ainda incipientes palácios fortificados em Itália. Eles são políticos - concentração do poder nas mãos de famílias nobres; insegurança - a possibilidade da rebelião de pessoas para se opor ao poder dessas famílias e o medo de assaltantes aleatórios ou ameaças militares; e também a vontade, por parte dos seus proprietários, em ter uma representatividade arquitetónica do seu estatuto social. Estes entendimentos trazem novos pontos de vista não somente à questão do palácio fortificado na Galícia, como contribuem para o conhecimento do fenómeno dos palácios fortificados na Europa antes do século XIX.