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ISCSP - Teses de Doutoramento

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  • Women, Drugs, Prison. Profile and pathways of women incarcerated in Italy and Portugal
    Publication . Montanari, Marialinda; Analia Maria Cardoso Torres; Emma Plugge
    Background Women commit fewer and different crimes than men, often non-violent and drug-related. They make up around 5% of the European prison population, have a social marginal background and frequently experienced gender-based violence (GBV). Imprisonment impacts on their condition, especially becasue of the separation from children and reintegration. Aim This study examines profiles, risk factors, and life trajectories of incarcerated women with drug-related problems in four prisons in Italy and Portugal, using a gender lens and feminist criminology approaches. Method A mixed-methods approach was adopted: 309 structured questionnaires and 48 semi-structured interviews with women, nine with prison staff, were conducted. Quantitative data were analysed using SPSS (descriptive and multivariate cluster analyses), and thematic analysis was used to exmaione the qualitative information with MAXQDA. Findings were triangulated and supported by context observations. Results Participants were on average 42 years old, with low levels of education, from disadvantaged backgrounds, and most were mothers. Many were foreign nationals of the country where the prison was located or from ROMA community. A large proportion experienced GBV, often since childhood and repeated during the life course. Most were incarcerated for property or drug-related crimes. Drug use and mental health issues were prevalente across the sample, with many women reporting histories of trauma, self-harm, and suicide attempts. Imprisonment had a negative impact on most women, although for some represetned a potential positive turning point. Four types of women were identfied: (a) drug-connected, (b) vulnerable, (c) ROMA, and (d) imprisoned for violent crimes. Conclusions The study hilights the need to address the intersections of gender, drus, and prison, recognising a key role of gender, gender based violence, social vulnerability, and drug issue. Further research with a gender approach is needed to better understand the needs of incarcerated women.
  • Cenários para a Cooperação Energética entre a China e a Turquia: Uma abordagem da Teoria dos Jogos
    Publication . Bartos, Gerardo Pablo Encinas; Isabel Alexandra De Oliveira David; Pedro Veiga Vaz Da Silva Goulart
    Esta tese analisa as condições para uma efectiva cooperação energética sino-turca, centrando-se no papel da Ásia Central. Explora a forma como as necessidades energéticas, os interesses mútuos e os desafios moldam esta parceria, avaliando o significado estratégico e geopolítico de iniciativas como a Belt and Road Initiative e a Organização de Cooperação de Xangai na sua cooperação. Os interesses geopolíticos divergentes contribuem para o sucesso limitado da cooperação energética entre a China e a Turquia. Estes factores incluem a o foco da China na Ásia Central, a posição geopolítica histórica da Turquia entre o Ocidente e o Oriente, os desafios associados às infra-estruturas energéticas da Turquia e o financiamento necessário. O papel da Turquia como um importante centro energético, o fato de a aTurquia ser membro da NATO, os desequilíbrios comerciais com a China, a concorrência na Ásia Central e as influências de potências como os Estados Unidos, a Rússia, a União Europeia e o Irão impedem ainda mais uma cooperação eficaz. O enquadramento teórico desta tese é o institucionalismo neoliberal, uma teoria que destaca a forma como as instituições internacionais influenciam o comportamento dos Estados e incentivam a cooperação. O institucionalismo neoliberal mostra como estas instituições se alinham com as preferências dos países, criam incentivos ao cumprimento das regras e oferecem enquadramentos de controlo e aplicação. Facilitam o fluxo de informação, reduzem as barreiras à comunicação e resolvem conflitos, conduzindo a acordos mutuamente benéficos. No âmbito deste quadro teórico, a tese analisa o papel potencial de várias instituições na promoção da cooperação energética e estratégica entre a China e a Turquia, nomeadamente a Belt and Road Initiative e a Organização de Cooperação de Xangai. A escolha destas instituições pode ser justificada por vários factores. A Belt and Road Initiative, por um lado, reforça o desenvolvimento de infra-estruturas e o investimento, impulsionando a conetividade regional. Reforça o crescimento económico e a influência global da China, apoiando simultaneamente a parceria energética com a Turquia. A Organização de Cooperação de Xangai, por outro lado, proporciona uma plataforma para a segurança energética, o comércio e o investimento, promovendo projectos e iniciativas energéticas conjuntas. Apoia a cooperação sustentável entre fornecedores e consumidores de energia e coopera com países e organizações internacionais para enfrentar desafios energéticos comuns. Além disso, a Organização de Cooperação de Xangai tem como objetivo criar um panorama energético seguro e interligado na sua área de influência. Para além do Institucionalismo Neoliberal, esta tese utiliza também a Teoria dos Jogos como quadro teórico, a fim de examinar as interações estratégicas entre decisores racionais na cooperação e na concorrência internacionais. Ao modelar e prever comportamentos, avaliar resultados e analisar a tomada de decisões na cooperação energética entre a China e a Turquia, a Teoria dos Jogos identifica possíveis cenários de cooperação, potenciais barreiras e incentivos ao cumprimento, servindo como uma ferramenta valiosa para analisar esta cooperação energética. A tese apresenta dois argumentos. Em primeiro lugar, argumenta que o acordo energético de 2009 - o Memorando de Entendimento - entre a China e a Turquia, embora significativo, não garante uma cooperação energética bilateral efectiva. O Memorando de Entendimento mostra a vontade dos dois países de cooperar no sector da energia e destaca os investimentos em países terceiros como parte desta parceria. No entanto, carece de uma estratégia de aplicação clara. O Memorando de Entendimento requer disposições para um empenhamento sustentado e medidas de criação de confiança para transformar efetivamente as intenções numa cooperação energética substancial e duradoura. O segundo argumento da tese é que os interesses partilhados nos recursos energéticos da Ásia Central e a importância estratégica desta região podem facilitar a cooperação sino-turca através de investimentos conjuntos, alinhando os seus objectivos de segurança energética e geopolíticos, ao mesmo tempo que tiram partido de forças complementares para aproveitar o potencial económico da região, criando confiança mútua e promovendo a estabilidade regional. Em termos metodológicos, a tese parte de um paradigma positivista. Utiliza uma metodologia mista, integrando métodos qualitativos e quantitativos. Por um lado, esta tese utiliza a Teoria dos Jogos como método quantitativo, a fim de identificar relações causais através da análise de variáveis. A variável independente são as condições de cooperação e a variável dependente é a cooperação energética. Este método avalia o impacto da variável independente na variável dependente e fornece provas para apoiar ou refutar os argumentos acima referidos. Ao utilizar a Teoria dos Jogos, esta tese analisa quantitativamente as interações estratégicas e a tomada de decisões entre actores racionais, nomeadamente a China e a Turquia. A Teoria dos Jogos ajuda a compreender o comportamento cooperativo e competitivo, simula resultados baseados em estratégias racionais e nas preferências dos países, e avalia cenários de cooperação energética. A Teoria dos Jogos permite compreender a viabilidade e as limitações de várias estratégias de cooperação, possibilitando uma análise pormenorizada das alternativas de cooperação energética entre a China e a Turquia. Para examinar os comportamentos não cooperativos e a racionalidade da tomada de decisões na cooperação energética entre a China e a Turquia, a tese utiliza dois modelos da Teoria dos Jogos, nomeadamente a Batalha dos Sexos e o Dilema do Prisioneiro. Estes modelos ajudam a ilustrar e a analisar as interações estratégicas, os conflitos de interesses e o potencial de colaboração ou de concorrência entre os dois países. O modelo da Batalha dos Sexos mostra situações em que os actores concordam com um objetivo mas divergem na sua execução. Trata-se de dois actores que colaboram para um objetivo comum, apesar de preferências diferentes. No contexto da Batalha dos Sexos, a tese simula dois resultados: tanto a China como a Turquia investem na Ásia Central, com a Turquia a considerar os investimentos domésticos locais em energia como uma opção secundária, ou ambos os países se concentram nos investimentos na Turquia, levando a China a abandonar o projeto energético na Ásia Central. Uma vez que estes resultados não reflectem uma situação de cooperação viável, a tese explora variações adicionais do modelo da Batalha dos Sexos para identificar condições efectivas de cooperação, nomeadamente através da integração de várias simulações no âmbito do Equilíbrio de Nash. Para avaliar a sustentabilidade de um acordo energético através de investimentos na Ásia Central e, em alternativa, na Turquia, a tese utiliza o Dilema do Prisioneiro. O modelo do Dilema do Prisioneiro sublinha que os actores que agem em interesse próprio consideram frequentemente a cooperação desvantajosa, principalmente quando um coopera e o outro não. Isto resulta num resultado menos favorável para o jogador que coopera do que se ambos tivessem agido de forma egoísta. Esta situação evidencia um conflito entre a racionalidade individual e a racionalidade colectiva, em que a atração de desertar para obter um ganho pessoal mais elevado quando o outro jogador coopera é mais convincente, apesar dos benefícios mútuos da cooperação. Por outro lado, a tese emprega uma metodologia qualitativa, baseada numa análise aprofundada da literatura secundária relativa ao estudo de caso da parceria energética entre a China e a Turquia, a fim de obter informações pormenorizadas e examinar as condições para uma colaboração energética eficaz. Esta abordagem melhora a compreensão das relações causais, identifica caraterísticas distintivas e contribui para uma compreensão abrangente da parceria energética entre os dois países. O estudo de caso sobre a cooperação energética entre a China e a Turquia permite uma análise aprofundada da dinâmica, dos desafios e das oportunidades da relação, oferecendo uma visão pormenorizada do contexto único e das complexidades desta parceria bilateral, ao mesmo tempo que avança implicações práticas para a cooperação energética internacional. As conclusões da presente tese e os contributos para a literatura são múltiplos. Em primeiro lugar, uma cooperação energética eficaz entre a China e a Turquia na Ásia Central exige que a Turquia reforce o seu papel estratégico no Middle Corridor, aproveitando os laços históricos e culturais regionais e forjando alianças através de investimentos e projectos conjuntos mutuamente benéficos. Para ser bem sucedida na Ásia Central, a Turquia deve navegar habilmente na complexa região geopolítica, gerindo as suas relações com actores influentes como a Rússia e o Irão, ao mesmo tempo que se deve esforçar por melhorar a sua posição regional e evitar consequências adversas por parte da China. Em segundo lugar, a China e a Turquia devem harmonizar os seus objectivos na Ásia Central. A tese recomenda que se enfrentem os desafios da cooperação reforçando a posição geoestratégica da Turquia, formando alianças com os países da Ásia Central, atraindo o investimento chinês em infra-estruturas energéticas e gerindo o complexo ambiente geopolítico da Ásia Central. Dada a localização estratégica da Turquia e a sua participação ativa em iniciativas como o Middle Corridor, é crucial para ambos os países não só alinharem-se com a Blt and Road Initiative da China, mas também assegurarem a implementação eficaz dos objectivos da Belt and Road Initiative. Em terceiro lugar, a China pode promover a cooperação energética com a Turquia, investindo nas infra-estruturas energéticas nacionais turcas, nomeadamente nas energias renováveis, e oferecendo apoio tecnológico para a diversificação, em consonância com a Belt and Road Initiative. Os projectos de investimento conjunto na exploração, produção e transporte de energia na Ásia Central podem reforçar a cooperação, respondendo a desafios como a concorrência, a presença económica limitada da Turquia e o financiamento da reestruturação das infra-estruturas energéticas da Ásia Central. A Belt and Road Initiative e a Organização de Cooperação de Xangai proporcionam enquadramentos para a cooperação, enquanto que as reservas de energia da Ásia Central e a importância do Middle Corridor criam um ambiente favorável para a cooperação. Em quarto lugar, a China pode, independentemente da Turquia, aceder aos recursos energéticos da Ásia Central. No entanto, a cooperação com a Turquia é útil devido aos laços históricos e ao potencial da Turquia como rota de trânsito para as exportações de energia para a Europa, em consonância com os objectivos geopolíticos da China. A Turquia depende da China para cobrir as suas necessidades energéticas e aceder aos recursos da Ásia Central. A influência significativa da China na Ásia Central permite à Turquia diversificar as suas importações de energia, reduzindo a sua dependência da Rússia. Os investimentos e a experiência chineses em infra-estruturas energéticas podem ajudar a Turquia a desenvolver um acesso eficaz à energia da Ásia Central, reforçando a segurança energética e os objectivos de desenvolvimento turcos. Ao combinar a Teoria dos Jogos e o Institucionalismo Neoliberal, esta tese contribui para as lacunas da literatura sobre a cooperação energética entre a China e a Turquia. Em primeiro lugar, vai além da tradicional perspetiva centrada no Ocidente relativamente ao papel das instituições internacionais, testando a aplicabilidade do Institucionalismo Neoliberal a instituições não ocidentais. De facto, a tese desafia a noção de independência institucional, analisando a influência da política externa chinesa na Belt and Road Initiative e na Organização de Cooperação de Xangai, salientando a forma como as instituições afetam a diversidade política e cultural dos países não ocidentais. Em segundo lugar, recorrendo aos modelos da Batalha dos Sexos e do Dilema do Prisioneiro, a tese aplica pela primeira vez a Teoria dos Jogos para analisar os processos de tomada de decisão estratégica da China e da Turquia e para elaborar condições para uma cooperação energética efectiva.
  • A Diplomacia Pública Anticorrupção: uma análise comparativa
    Publication . Santos, Niedja de Andrade e Silva Forte dos; Sandra Maria Rodrigues Balão; José Luís De Moura Martins Jacinto
    A corrupção impacta o desenvolvimento sustentável, gerando consequências económicas e político-sociais para a sociedade global. A diplomacia pública afigura-se relevante nesta área porque promove interações internacionais entre agentes estatais e não estatais. Contudo, a diplomacia pública anticorrupção ainda é um conceito pouco explorado e compreendido. Com uma ontologia anti-fundacionalista, uma epistemologia interpretativista e uma perspetiva sócioconstrutivista das relações internacionais, esta investigação, de forma inovadora, explicita este conceito utilizando os métodos de revisão bibliográfica estruturada, de intersecção por matriz e de tridimensionalismo conceptual. O argumento é de que a diplomacia pública anticorrupção transcende a função de um mero instrumento de política externa, configurando um processo interativo e bidirecional que molda e é moldado internacionalmente pela identidade do Estado. Através da socialização internacional, os Estados adotam esta norma como parte da identidade nacional, influenciam e redefinem normas e práticas globais, englobando uma extensa rede de agentes estatais e não estatais. A comparação entre Dinamarca, Nova Zelândia, Estados Unidos e Coreia do Sul permitiu extrair generalizações contingentes sobre o processo de diplomacia pública anticorrupção, focando em elementos como identidades, interesses, agentes, vínculos de representação, atividades, e fatores materiais, imateriais e ideacionais. Apesar da diversidade de objetivos, variando ao sabor de identidades e interesses estatais, existe um certo grau de previsibilidade nessas dinâmicas. A diplomacia pública anticorrupção emerge como uma ferramenta crucial para promover a norma global anticorrupção e redefinir práticas internacionais, com uma perspetiva estratégica que reflete a capacidade dos Estados de mobilizar diferentes recursos. Os resultados sugerem que a abordagem processual da diplomacia pública anticorrupção favorece a disseminação de valores e fortalece a norma coletiva anticorrupção, ao criar uma ponte entre as dimensões doméstica e internacional, facilitando a compreensão mútua entre variados agentes. Assim, promove interações que podem beneficiar não apenas a luta anticorrupção, mas também os interesses dos Estados.
  • Políticas e Práticas do Controlo da Mobilidade: Etnografia do quotidiano na fronteira portuguesa
    Publication . Carapeto, Adriana Mafalda Quintino; Maria de Fátima Calça Amante; Francesco Vacchiano
    Esta tese pretende ser um contributo para o estudo das fronteiras do estado e o seu governo. Tem como objetivo investigar o modo como, na contemporaneidade, o estado português governa a sua fronteira e a mobilidade através dela. O seu foco estará, portanto, nas políticas e nas práticas de controlo, nomeadamente nos procedimentos, mecanismos e dispositivos que a cada momento são acionados para permitir, ou não, o acesso dos viajantes a Portugal e à Europa. Cedo se tornou claro que para compreender estes imperativos era indispensável que pudesse estar junto dos profissionais que têm a responsabilidade de fazer o controlo da fronteira portuguesa. Para tal, realizei pesquisa etnográfica, na instituição do estado português que, até 2023, centralizou em si o controlo da mobilidade: o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Entre junho de 2021 e abril de 2022, acompanhei o quotidiano dos inspetores num aeroporto em Portugal. Sugere-se que para analisar como o controlo dos viajantes é pensado, interpretado e, principalmente, operacionalizado, é necessário compreender que o SEF ocupa uma posição relacional dentro das várias hierarquias, formais e informais, que operam, dentro e fora, do aeroporto. Por um lado, a ação dos inspetores é moldada não só pela sobreposição dos vários interesses e entidades, públicas e privadas, como também pelos recursos, humanos e materiais, necessários ao desenvolvimento das suas funções. Por outro, o modo como são contemporizadas a sua autoridade e a agência dos viajantes coloca em evidência o largo espectro de subjetividades envolvidas, reforçando e alavancando a contingência como um ativo central do processo de decisão. A ação dos inspetores não está, assim, dissociada de disposições económicas, securitárias e sociais mais amplas, embora também tenha observado uma autonomia considerável. São estes os aspetos que configuram o posto de fronteira num campo social particularmente relevante para entender o que designarei de práticas contingenciais.
  • Parcerias Públicas com o Setor Social: relação entre as Misericórdias e o Estado na prestação de cuidados de saúde em Portugal entre 1974 e 2020 - o caso dos Hospitais (des)nacionalizados
    Publication . Reis, Fernando Nuno Fernandes Ribeiro dos; Alexandre Manuel Martins Morais Nunes; Maria Helena Gonçalves Costa Ferreira Monteiro; Diogo Filipe da Cunha Ferreira
    As relações de parceria entre o Estado e as Misericórdias para a prestação de cuidados de saúde estão em contínua mudança, uma vez que a complexidade e a ambiguidade dos contextos político, económico e social, influenciados por impulsos externos e/ou internos conduzem os Estados e seus Parceiros à procura de novos modelos de prestação de serviços e da sua gestão, por forma a assegurar a acessibilidade, a qualidade e a sustentabilidade da prestação de cuidados. Este estudo teve como objetivo geral avaliar em que medida as relações de parceria Estado-Misericórdias têm contribuído para os objetivos das opções políticas de Saúde. Em termos metodológicos, procedeu-se a uma análise da literatura existente e a uma exaustiva recolha de dados, recorrendo-se à técnica Data Envelopment Analysis (DEA) para avaliar a eficiência e ao índice de Hicks-Moorsteen para determinar os resultados de produtividade das unidades hospitalares desnacionalizadas. Em complemento realizaram-se entrevistas aos principais intervenientes nestes processos, analisadas com recurso à técnica da análise de conteúdo, de forma a aprofundar a leitura e análise dos dados. Em função dos resultados obtidos, concluiu-se que os hospitais das Santas Casas de Misericórdia devolvidos à gestão da respetiva Misericórdia, após nacionalização em 1974-1975, apresentaram melhores níveis de eficiência do que os restantes 28 hospitais em análise, embora a diferença não seja significativa; os hospitais desnacionalizados apresentam maior produtividade do que a média dos hospitais do SNS, diferença essa mais acentuada no período pós-devolução. Na globalidade, as relações entre o Estado e as Misericórdias para a prestação de serviço público têm um histórico relevante, abrangem diversos setores e, também na área da saúde, designadamente na área hospitalar e das unidades cuja gestão foi devolvida na última década, os resultados alcançados reforçam essas parcerias como opção política válida em termos de sustentabilidade e acesso aos cuidados de saúde pelos utentes.
  • Contributo dos atores-chave da saúde e dos fatores de contexto para a origem e evolução do Plano Nacional de Saúde português
    Publication . Cabral, Francisco Pedro Simões Coimbra Dinis; Ricardo João Magro Ramos Pinto; Maria Helena Gonçalves Costa Ferreira Monteiro
    O estudo caracteriza o processo de formação de agenda de uma política pública de saúde em Portugal à luz dos modelos Multiple Streams e Advocacy Coalition Framework. O objeto de estudo é o Plano Nacional de Saúde, fundamento da política de saúde que define orientações estratégicas, esperando-se resultados de saúde, apontando as recomendações internacionais no sentido da saúde em todas as políticas, dado o seu impacto e das determinantes da saúde na expetativa de vida com saúde das pessoas. Esta política possibilita comparabilidade entre países, quer estes adotem Beveridge e Serviço Nacional de Saúde (como Portugal) quer não. A política pode ser explicada com a ajuda dos modelos MS e ACF combinados. Há atores-chave e instituições internacionais como a WHO com contributos decisivos, especialistas académicos e políticos atuando como empreendedores. Identificam-se stakeholders ativos e dinâmicos (ordens profissionais, sindicatos, indústria, opinião pública). O modelo ACF ajudou a interpretar os resultados que mostram que há coligações de defesa e interesses com um papel ativo, dificilmente se percebendo se os resultados decorrem de atuações legítimas ou ilegítimas. Há atores visíveis e invisíveis e há fatores de contexto com contributo. Com ajuda do modelo MS, interpretámos resultados que permitiram identificar 3 fluxos: problemas, da política e político, assim como a confluência destes fluxos para abertura de uma janela de oportunidade. O agendamento da política aconteceu num contexto de viragem política e ambiente tecnocrático. A sua motivação teve cariz económico, uma vez que os decisores políticos possuíam uma visão de instrumento de gestão e de cumprimento de objetivos e metas mais do que de política de orientação estratégica de saúde.Empreendedores agiram para que o PNS entrasse em agenda. As diferentes visões, experiência internacional e perceções da importância do PNS na preservação do SNS foram impulsionadores e geradores do seu agenda-setting e determinantes na formulação.
  • O cuidado de pessoas idosas entre famílias, Estado e mercado: o discurso nas políticas sociais brasileiras
    Publication . Fontoura, Natália de Oliveira; Maria Paula Pestana De Freitas Da Silva Faria De Campos Pinto; Flavia Biroli
    O envelhecimento populacional é uma realidade crescente no Brasil. Neste cenário, é preciso repensar a organização social dos cuidados, para que as pessoas idosas mais frágeis sejam atendidas em suas necessidades. O tradicional arranjo que delega às famílias essa responsabilidade mostra-se cada vez mais insustentável. Com isto, muitas disputas colocam-se, que expressam o estágio da democracia, o entendimento sobre o papel do Estado e sobre a concepção de justiça. Essas disputas traduzem-se em discurso. O objetivo da tese é analisar, no espaço discursivo das políticas sociais, a temática do cuidado de pessoas idosas com dependência. A partir do arcabouço teórico-metodológico da análise crítica do discurso e da metodologia proposta pela análise da representação de problemas, foram examinados documentos oficiais do Executivo federal publicados entre 1994 e 2020 nas áreas da Saúde, da Assistência Social e dos Direitos da Pessoa Idosa. Parte-se do debate conceitual sobre cuidados, seguido das concepções acerca do envelhecimento e da construção dos conceitos de autonomia e dependência e apresentam-se dados sobre a situação deste grupo no Brasil hoje. Em seguida, são analisados os documentos (com suporte do software Atlas TI), nos quais são examinados, no que tange às pessoas idosas: o que é cuidado, quem deve receber cuidado e quem deve garantir seu provimento. São, então, analisados mais pormenorizadamente três documentos, de três décadas e governos diferentes, no campo da saúde da pessoa idosa. As conclusões são de que, apesar da escassez de documentos específicos, percebe-se um sutil adensamento do conceito de cuidado. O papel da família nos cuidados das pessoas idosas é tido como primordial e o do Estado é secundário; contudo, há certa ambiguidade neste entendimento. Nos documentos mais recentes, são realçadas as transformações e as dificuldades familiares em cuidar e ressalta-se o papel do Estado, ainda que seja no apoio às famílias.
  • Antecedentes e Consequentes do Balanço Trabalho-Família: Proposta de um modelo estrutural
    Publication . Maroco, Ana Lúcia Ricardo Baleia; Fernanda Maria Duarte Nogueira; Sónia Marisa Pedroso Gonçalves Bogas
    Esta tese desenvolveu um modelo estrutural que integra o balanço trabalho-família, seus antecedentes e consequentes, com especial foco no teletrabalho. Utilizando uma combinação de revisão da literatura, recolha de dados e análise, a pesquisa identificou fatores essenciais que influenciam o balanço trabalho-família e as suas implicações para organizações, para os trabalhadores e para as suas famílias. A tese contribui para a compreensão da relação complexa entre trabalho e família em diferentes contextos laborais, sublinhando a necessidade de futuras investigações, incluindo estudos longitudinais e a integração de práticas de gestão de recursos humanos em contextos organizacionais específicos. O modelo proposto foi suportado na teoria dos papéis balanceados e na teoria dos recursos e exigências de trabalho. Os resultados demonstraram que o balanço trabalho-família é crucial para o bem-estar das organizações, dos indivíduos e das famílias. Antecedentes como o Time stress, apoio social da organização e da família revelaram-se fundamentais para alcançar e manter este balanço. O teletrabalho não apresentou um impacto significativo no balanço trabalho-família, contrariamente ao que tem sido reportado na literatura. Os fatores sociodemográficos estudados, não apresentaram um impacto significativo no balanço trabalho-família. A tese oferece, assim, uma compreensão mais detalhada de como diversos fatores interagem para afetar o balanço trabalho-família, fornecendo insights valiosos para académicos e profissionais interessados na melhoria dos resultados organizacionais e individuais num panorama de trabalho em evolução.
  • The Constitution is Dead, Long Live the Constitution. Critical Perspective on the EMU Neoliberal Monetary and Financial Governance and the 2012 Revision of the Constitution of the Italian Republic
    Publication . Silipigni, Andrea Antonino; Isabel Alexandra De Oliveira David; Carla Margarida Barroso Guapo Da Costa
    Esta dissertação examina a agência dos Estados-Membros na UEM na formulação do neoliberalismo e sua lógica inerente de competição internacional, empregando um paradigma de teoria crítica. Baseada em uma ontologia que vê as estruturas econômicas e políticas como mutuamente constitutivas, e em uma epistemologia que enfatiza o papel das relações de poder na formação do conhecimento, este estudo adota uma metodologia crítica para investigar a interação entre as ações dos estados e as políticas neoliberais dentro da UEM. Aplicando a estrutura teórica de Leo Panitch e Sam Gindin, a dissertação explora como a UEM – e especificamente a Comissão Europeia – representa apenas um estandarte político para o compromisso dos Estados-Membros com o neoliberalismo, em vez de uma verdadeira organização supranacional capaz de impor parâmetros fiscais específicos. Em consonância com esta perspetiva, a dissertação investiga como os estados agem não apenas como implementadores passivos de reformas neoliberais, mas como agentes ativos na construção e perpetuação do neoliberalismo.O estudo de caso principal foca na Itália, analisando como as autoridades italianas têm navegado pelas oportunidades da adesão à UEM para implementar reformas neoliberais. O caso italiano é particularmente ilustrativo das contradições entre a disciplina fiscal supranacional e o clima de negócios competitivo nacional, demonstrando que as autoridades nacionais, embora operando com déficits excessivos, podem ganhar a confiança dos investidores internacionais para atrair capital. Para enriquecer a análise, Alemanha e França são examinadas como estudos de caso comparativos. As autoridades alemãs e francesas têm sido capazes de criar um clima de negócios favorável para os investidores internacionais enquanto operam com dívida pública e déficit público geral excessivos. A dissertação, portanto, destaca a importância da agência estatal no projeto neoliberal, chamando por uma apreciação mais crítica e nuançada da agência dos Estados-Membros na formação da ordem neoliberal baseada no mercado competitivo dentro da UEM.
  • A Iniciativa Faixa e Rota (BRI) na Construção da China como Grande Potência: A Perspetiva Geoeconómica
    Publication . Wenwen, Lyu; Carla Margarida Barroso Guapo Da Costa
    Face ao uso crescente de instrumentos económicos na construção e projeção de poder, esta investigação visa explorar a relação entre a geoeconomia e o poder estrutural, de forma a contribuir para as lacunas na literatura. Assim, esta investigação teve como objetivo geral analisar como a China, através dos instrumentos geoeconómicos no contexto da BRI, constrói o seu poder estrutural para corresponder ao desejado estatuto de “Grande Potência”. Com base na análise teórica e empírica, a investigação desencadeia-se a partir das estratégias geoeconómicas da China implementadas nos países da BRI, no período compreendido entre 2013 e 2019. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, que consistiu no estudo de processos geoeconómicos relevantes e na análise estatística complementada pela Análise de Rede Social. O estudo desenvolveu-se no quadro analítico da geoeconomia, combinado com o enquadramento teórico do poder estrutural de Susan Strange. Quanto aos resultados, verifica-se que a China construiu e reforçou o poder estrutural nas dimensões de produção, conhecimento, finanças, comércio, transporte e energia, através de instrumentos geoeconómicos nos domínios de investimento, 2 financiamento, internacionalização de moeda, inovação tecnológica e comércio. Constata-se ainda que os países do Sudeste Asiático e da Ásia Central são os principais destinos da construção de poder estrutural da China. O setor energético domina as estratégias geoeconómicas na BRI, facto que é consistente com a insegurança energética da China. A análise destaca o modelo capitalista de Estado na realização das estratégias geoeconómicas da China. No entanto, e no contexto de relações cada vez mais tensas com o Ocidente, e do abrandamento económico da China, a construção do poder estrutural chinês através da estratégia geoeconómica sob a égide da BRI enfrenta ainda desafios muito significativos.