REIT - Teses de Doutoramento (Enfermagem)
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- Abordagem sistémica do cuidado à família : impacto no desempenho profissional do enfermeiroPublication . Santos, M Luísa; Wright, Lorraine M.; Basto, Marta LimaA Enfermagem de família emerge como um fenômeno distinto quer para a prática de enfermagem generalista quer avançada. Os fundamentos teóricos estão alicerçados no pensamento sistêmico e interacional. Argumenta-se que as intervenções de enfermagem acontecem reciprocamente com a família, em contextos de intersubjetividade e complexidade, e advoga-se uma abordagem sistémica do cuidado à família para garantir cuidados competentes e de excelência. Assim, o modo como os enfermeiros envolvem a família nos cuidados recebe especial ênfase nesta investigação. A exigência e a obrigação de avaliações e intervenções eficientes, desenvolvidas em contextos relacionais únicos, apresentam-se como desafios aos enfermeiros de todo o mundo. Todavia, ajudar a família a descobrir novas soluções face a processos de saúde/doença e a reduzir o seu sofrimento emocional, físico e espiritual, nem sempre é efetivo ou identificado nos contextos clínicos. A evidência do hiato teórico-prático ao nível da prática da enfermagem de família levou ao estudo do efeito de uma intervenção educativa, sobre a abordagem sistémica do cuidado à família, no desempenho profissional de um grupo de enfermeiros. A investigação, norteada por um desenho de natureza quasi-experimental de séries temporais, foi realizada num contexto de cuidados de saúde primários onde os enfermeiros trabalham com as famílias. Dez dos doze enfermeiros da prática direta de cuidados integraram um programa de intervenção educativa, sobre a abordagem sistémica do cuidado à família, segundo os referenciais teóricos dos modelos de avaliação e intervenção na família de Calgary (Wright & Leahey, 2009). Os resultados evidenciaram mudanças positivas e efetivas na atitude e no comportamento dos enfermeiros face ao modo como envolvem a família nos cuidados. Enfatiza-se uma atitude favorável, independente da idade, do tempo de profissão e desenvolvimento profissional, e uma elevada perceção de autoeficácia no trabalho com as famílias. A eficácia do programa de intervenção educacional indica a transferência de conhecimento e portanto poderá ser recomendado e útil em contextos de enfermagem semelhantes.
- Acompanhamento do adulto jovem em fim de vida : experiência vivida do cônjugePublication . Neves, Sandra Cristina da Silva; Velez, Maria Antónia Miranda Rebelo Botelho Alfaro; Oliveira, Célia Maria Gonçalves Simão DeEste estudo procurou responder à questão de investigação “Qual a experiência vivida do acompanhamento do cônjuge do adulto jovem em fim de vida?”. Teve como objetivo compreender a experiência vivida do acompanhamento do cônjuge do adulto jovem em fim de vida. Para o efeito enveredou-se por uma metodologia qualitativa, de desenho fenomenológico-hermenêutico, orientado pelas premissas conceptuais de Heidegger e Gadamer. Com o apoio da equipa de cuidados paliativos da instituição onde decorreu a colheita de dados (Instituição hospitalar especializada em oncologia da região centro-sul do país), selecionaram-se potenciais participantes (amostragem intencional). Posteriormente chegou-se aos participantes deste estudo, 7 cônjuges de adultos jovens em fim de vida, a quem se realizou entrevistas fenomenológicas, cujas narrativas foram analisadas segundo a perspetiva Gadameriana, orientada por Fleming, Gaidys & Robb (2003) e Smythe (2019). O fenómeno acompanhamento do adulto jovem em fim de vida desvelou-se ao longo de oito temas comuns aos participantes: “Acompanhar como compromisso humano”, “Antecipar a perda”, “Estabelecer limites”, “Navegar sob a sombra da morte pelos serviços de saúde”, “Afastar a sombra da morte infundindo vida”, “Estar com”, “Encetar passo a passo o caminho desconhecido, procurando reerguer-se e coconstruir-se”, “A subjetividade e paradoxalidade do tempo vivido”. Esta experiência vivida revela-se, para estes cônjuges, como a mais desafiadora, até ao momento, dado se confrontarem inopinadamente com a ameaça de morte extemporânea numa fase de vida em que o futuro assumia preponderância. Perante a ameaça emerge o compromisso para com o outro, que os impele a estar e ser presentes, demonstrando-se diligentes no cuidado e proteção do companheiro, procurando não somente proporcionar mais tempo de vida, mas também uma vida com sentido. Não obstante, esta é uma experiência buliçosa, pautada por múltiplas perdas, geradora de sofrimento que deixa marcas na existência do cônjuge que se manifestavam até momento das entrevistas e condicionavam o modo como perspetivava o presente e o futuro. Este estudo deu voz a estes cônjuges e tornou visível a singularidade da experiência humana de acompanhamento. Esta experiência vivida desvela necessidades e especificidades singulares que podem constituir-se como fonte de conhecimento para profissionais de saúde e especialmente para os enfermeiros que nele encontrem sentido.
- Adesão ao regime medicamentoso em idosos na comunidade : eficácia das intervenções de enfermagemPublication . Henriques, Maria Adriana Pereira, 1959-; Costa, Maria Arminda S. Mendes, 1949-; Cabrita, José, 1954-A não adesão à medicação é considerada como um aspecto de saúde relevante para a prática de enfermagem, que afecta grande parte dos idosos. Estudar a adesão à medicação foi o modo de percebermos como as pessoas idosas gerem a sua medicação e como os enfermeiros os podem ajudar no processo de gestão da doença crónica. Realizámos o Estudo I, observacional, transversal e descritivo, com pessoas com 65 ou mais anos, que residiam na comunidade, em domicílio familiar, em meio urbano, inscritos num Centro de Saúde Lisboa; Estudo II, de intervenção, não farmacológico, do tipo experimental, em que a exposição foi a participação do idoso polimedicado num plano individualizado de intervenções de enfermagem; Estudo III, focus group que permitiu compreender as necessidades que os idosos tinham na gestão do regime medicamentoso e na adesão à medicação. Os 341 idosos incluídos no estudo I apresentaram uma média de 76 anos de idade, em que 7% tinha mais de 85 anos, 72,4% eram mulheres, apresentavam baixa escolaridade, fraco estado de saúde percepcionado, excesso de peso, sem quedas no último ano, autónomas na locomoção, na autonomia física e instrumental, com insatisfatório estado emocional, bom estado cognitivo, insatisfatório estado social e com hábitos (exercício e alimentação) satisfatórios. A qualidade de vida geral percepcionada apresentou uma média de 55,9, no domínio físico 59,8, no psicológico 63,1, nas relações sociais 75,50 e no ambiente 57,78. Declararam uma média de 2,82 doenças auto-relatadas (DP=1,59;Min= 0 e Max = 7), em que as doenças mais prevalentes são hipertensão (61,5%), hipercolesterolémia (50,6%), doenças osteo-articulares (40,6%) e diabetes (15,6%). Os idosos inquiridos têm uma média 5,61 medicamentos prescritos (DP = 3,13; Min=0 e Max =18) e 72,1% tomam 4 ou mais medicamentos, sendo por isso considerados polimedicadas. Dos 1902 medicamentos prescritos, os grupos de medicamentos mais utilizados são: sistema cardiovascular 41%, sistema nervoso 20,4%, tracto gastrointestinal 14,2% e músculo-esquelético 9,6%. O Índice de Complexidade Medicamentosa (ICM) tem um valor médio de 13,25 (DP= 7,87; Min = 0 e Max = 40) com fraca associação com o número de doenças auto-relatadas (r de Spearman = 0,37, p <0,001). Cerca de 87% dos idosos declaram aderir à medicação. Os preditores de adesão são a autonomia física (p=0,012;OR = 0,28; IC = 0,10-0,84), a polimedicação (p = 0,011;OR = 0,47;IC=0,26-0,86), conhecimentos dos medicamentos (p=0,035;OR= 1,90; IC= 1,02-3,51), as multipatologias (p = 0,047; OR = 0,53;IC = 0,28-0,98) e a doença auto-declarada – hipercolesterolémia (p=0,014;OR = 0,50; IC = 0,28-0,87). Das razões de não adesão à medicação, o esquecimento surge em 60,5% dos inquiridos, 24,4% não os tinha consigo na hora da toma, 14,5% considera que não tomar de vez em quando não faz mal, 12,8% não tinha dinheiro para os comprar e 7,6% tentou poupar dinheiro. A necessidade de ajuda para gerir a medicação é declarada por 36,1% das pessoas idosas. O estudo II permite concluir que as intervenções de enfermagem (aconselhamento sobre os medicamentos, controlo dos medicamentos e ensino sobre os medicamentos) revelam eficácia no aumento de adesão ( Χ2 =33,70; p <0,001). RR =5,33; IC (95%) = [2,50-11,37]). O score de adesão no grupo de intervenção, no momento final é de 4,6 e 4,4 no grupo de controlo. Não se verifica diferença entre o grupo de intervenção e o grupo de controlo, na qualidade de vida das pessoas idosas e nas idas às urgências e internamento hospitalar. O Estudo III permitiu identificar e compreender, dando “voz” às pessoas idosas, que viver com medicamentos é um processo dinâmico e complexo, que tomar medicamentos é percepcionado pelas pessoas idosas como uma consequência da idade, integrando essa acção na sua vida como um hábito que implica mudanças nas rotinas da vida diária. As crenças que as pessoas têm sobre os medicamentos explicam uma parte da não adesão. A disponibilidade do profissional de saúde, nomeadamente o enfermeiro, para ouvir e ajudar as pessoas de forma individualizada e continuada são consideradas pelos idosos como ajudas úteis na gestão da doença, da medicação e podem contribuir para o aumento da adesão à medicação. A consulta de enfermagem como contexto de cuidados, onde as intervenções de enfermagem contribuíram para um aumento de adesão à terapêutica nas pessoas idosas, deve ser integrada na organização dos cuidados de enfermagem, em cuidados de saúde primários, no cuidado à pessoa idosa. Este contexto de cuidados permite individualizar um plano de intervenção de cuidados de enfermagem às pessoas idosas. O nosso trabalho evidência que a adesão à medicação é um indicador sensível aos cuidados de enfermagem, onde a intervenção do enfermeiro, numa unidade de cuidados de saúde primários, privilegia a qualidade da comunicação e relação com os idosos e os ajuda a melhorar a gestão da sua medicação e do seu estado de saúde, sendo por eles reconhecida.
- A adesão aos medicamentos em pessoas idosas na transição hospital-casa : desenvolvimento de uma intervenção de enfermagemPublication . Félix, Isa Brito; Henriques, Maria Adriana PereiraAs intervenções de adesão aos medicamentos em pessoas idosas com multimorbilidade e polimedicadas na transição hospital-casa mostram efetividade limitada. O objetivo geral desta investigação é desenvolver uma intervenção de enfermagem de adesão aos medicamentos nesta população. A investigação suporta-se no enquadramento publicado pelo Medical Research Council e no Behaviour Change Wheel (BCW). Utilizaram-se métodos mistos para avaliar a adesão e identificar os determinantes do comportamento. Seguidamente, as barreiras à adesão foram selecionadas e mapeadas em funções de intervenção (FI) e técnicas de mudança comportamental normalizadas (BCTs), de acordo com o modelo COM-B (Capacidade, Oportunidade e Motivação), integrado no BCW. No estudo transversal, foram considerados para análise 245 participantes; 43.7% eram aderentes aos medicamentos. O modelo de regressão linear indicou que a depressão (β = − .142, p = .031), as crenças sobre a necessidade da medicação (β = .306, p = .001) e as preocupações sobre os medicamentos (β = − .204, p = .001) têm valor preditivo da adesão. As entrevistas qualitativas (n=8) identificaram determinantes da adesão em todos as componentes do COM-B, como limitações físicas, esquecimento, preocupações com os medicamentos, crenças sobre as consequências da não adesão e priorização de medicamentos considerados mais importantes. Mapearam-se as barreiras à adesão em cinco FI (e.g. treino, capacitação, persuasão) e 25 BCTs para integrar a intervenção de adesão (e.g. adicionar objetos ao ambiente (12.5), automonitorização do comportamento (2.3), estímulos/sinais (7.1), planeamento da ação (1.4)). Desenvolveu-se uma intervenção de enfermagem de adesão aos medicamentos em pessoas idosas com multimorbilidade e polimedicadas, de forma sistematizada, com base na teoria e na evidência. A explicitação dos componentes ativos da intervenção (i.e., BCTs) constitui um ponto de partida para o desenvolvimento de intervenções similares. Investigação futura deverá explorar a aceitabilidade das componentes de intervenção com as principais intervenientes: enfermeiros e idosos polimedicados.
- Alimentando a vida : um processo de harmonização do cuidado de enfermagem com a pessoa em fim de vidaPublication . Alves, Patrícia Vinheiras; Oliveira, Célia Maria Gonçalves Simão de; Frade, Marta Hansen Lima Basto CorreiaIntrodução: A alimentação pode tornar-se um dos principais problemas da pessoa em fim de vida (PFV) devido às alterações que surgem decorrentes do avançar da doença, constituindo-se, muitas vezes, um ponto de divergência entre o que esta pessoa deseja e aquilo que a família pensa ser adequado, criando também dilemas aos profissionais de saúde. A evidência científica é escassa quanto às intervenções do enfermeiro no cuidado alimentar à PFV, pelo que delineámos a questão de investigação: “Qual o processo de cuidados de enfermagem à pessoa em fim de vida no desempenho da atividade de vida (AV) comer e beber?”. Os objetivos deste estudo são: caraterizar o processo de cuidados de enfermagem à PFV hospitalizada no desempenho da AV comer e beber; identificar os fatores que condicionam este processo; identificar as estratégias de ação/interação do enfermeiro à PFV no desempenho desta AV e as suas consequências; construir uma explicação teórica do fenómeno em estudo. Metodologia: Investigação qualitativa, raciocínio abdutivo, perspectiva orientadora do interaccionismo simbólico e método da Grounded Theory Strausseriana. Os participantes são: enfermeiros que cuidam da PFV em internamento de Cuidados Paliativos; doentes em fim de vida, conscientes, cuidados por aqueles enfermeiros e sua família/pessoas significativas. As técnicas de colheita de dados são: observação participante e entrevista semi-estruturada. Achados: As categorias de condição neste processo são: ir conhecendo a pessoa e família; ser enfermeiro: aptidão, sensibilidade e convicção; hospital flexível. As categorias de ação/interação neste processo são: gerir a alimentação; trabalhar em equipa; educar e guiar; ilimitar o cuidado; gerir o seu sentir. As consequências são: vivência melhorada da pessoa e família; vivência profissional melhorada. O processo estudado é explicado por quatro subprocessos articulados: Harmonizar a alimentação a: (1)hábito e preferência, (2)atividade, (3)capacidade e dolência, (4)desejo da pessoa, constituindo-se como categoria central deste processo: “Harmonizar a alimentação com a PFV”. Conclusão: O enfermeiro harmoniza a alimentação com a PFV, priorizando a harmonização da alimentação ao seu desejo, desde que a segurança seja mantida. Para que isto ocorra é essencial o enfermeiro conhecer aprofundadamente a pessoa e família. As ações/interações do enfermeiro na harmonização da alimentação com a pessoa têm consequências positivas para os envolvidos. Assiste-se ao desmedicalizar da alimentação, à promoção de carpe diem e a um cuidado centrado na pessoa.
- Aliviando o sofrimento : o processo de acompanhamento de enfermagem ao doente em final de vidaPublication . Martins, Maria Clara Sales Fernandes Correia, 1955-; Basto, Marta LimaNa fase final de vida, a dor e o sofrimento correm parelhas e são uma constante. A enfermeira é o elemento da equipa de saúde que mais de perto e durante mais tempo lida com o sofrimento do doente. Ela tem a seu cargo a sua avaliação, compreensão e alívio. A literatura, no entanto, não propicia uma clara evidência sobre a forma como as enfermeiras o fazem. Compreender a forma como se desenvolve o processo de intervenção de enfermagem no alívio do sofrimento do doente em final de vida, internado numa unidade hospitalar, é o objectivo central deste estudo. Desenvolveu-se uma investigação de natureza qualitativa, utilizando-se o método da Grounded Theory e uma triangulação de dados obtidos através de diversas técnicas: observação participante, entrevistas formais e informais, análise de registos de enfermagem, transcrição de uma passagem de turno e notas de campo. Participaram no estudo 19 enfermeiros de uma unidade hospitalar, 9 doentes internados na mesma unidade e 19 familiares.. Os achados revelam que a intervenção de enfermagem para o alívio do sofrimento do doente em final de vida desenvolve-se através de um processo de acompanhamento de enfermagem que é interaccional, dinâmico, integral e sistemático. Numa primeira fase, os enfermeiros percepcionam, identificam e avaliam este tipo de sofrimento e descrevem-no como uma experiência dramática e multidimensional, caracterizada por sentimentos de dor, medo, ansiedade, angústia, inquietação, impotência, tristeza e desespero, e que está relacionado com a consciencialização da situação terminal. a ausência de futuro, a incerteza do devir, o medo de morrer. Na segunda fase, os enfermeiros intervêm (1) ajudando o doente a viver os últimos dias de vida, ao proporcionar-lhe conforto físico, ao ajudá-lo a aceitar a realidade, ao apoiá-lo emocionalmente, ao harmonizar o ambiente à sua volta e ao proporcionar-lhe a presença dos amigos e familiares e (2) ajudando-o a morrer, ao satisfazer os seus últimos desejos e necessidades espirituais, ao proporcionar-lhe a presença e conforto dos familiares, e ao confortá-lo no momento de morrer. Ao confrontar-se com o sofrimento e morte do doente, o enfermeiro sofre também, porque toma consciência da sua própria finitude e sente-se impotente face à morte, mas através da relação profunda que estabelece com cada doente que acompanha no sofrimento e no processo de morrer, o enfermeiro aprende, cresce e amadurece tornando-se mais apto para lidar com o sofrimento e a morte.
- A alta hospitalar do doente dependente no autocuidado:decisões, destinos, padrões de assistência e de utilização dos recursos:estudo exploratório sobre o impacte nas transições do doente e do familiar cuidadorPublication . Petronilho, Fernando; Silva, Abel Avelino de Paiva e; Pereira, Filipe Miguel SoaresA investigação que apresentamos, situa-se no domínio de duas áreas centrais da enfermagem: a transição da pessoa associada à dependência no autocuidado e a transição para o exercício do papel de prestador de cuidados. Objetivos: 1) identificar os critérios de decisão utilizados sobre o destino dos doentes dependentes no autocuidado no momento da alta hospitalar (Estudo I); 2) conhecer o destino dos doentes dependentes no autocuidado no momento da alta hospitalar, bem como, conhecer o seu perfil em função dos diferentes destinos (Estudo II); 3) conhecer a evolução da condição de saúde dos dependentes, a evolução do processo de tomar conta dos familiares cuidadores, bem como, a evolução dos recursos utilizados (Estudo III). Metodologia: foram realizadas entrevistas exploratórias a 18 profissionais de saúde (Estudo I). Foi identificada uma amostra de 273 dependentes com alta hospitalar, internados em seis hospitais da região norte de Portugal, tendo sido aplicado um instrumento de avaliação (Estudo II). Numa perspetiva longitudinal, esta amostra de 273 dependentes, foi acompanhada durante os primeiros 3 meses após a alta hospitalar tendo sido aplicado o formulário “Famílias que integram dependentes no autocuidado” (Estudo III). Resultados: os critérios envolvidos na decisão sobre o destino dos dependentes no momento da alta hospitalar estão, fundamentalmente, focalizados: no próprio dependente; no familiar cuidador; no contexto da família; nos recursos da comunidade e, por fim, nas respostas dos serviços de saúde. Quanto ao destino após a alta hospitalar, 58,6% dos dependentes regressou a casa, 28,2% foi referenciada para os serviços de internamento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, 9,5% para os lares e 3,7% para as famílias de acolhimento. Existem diferentes perfis em função do destino do dependente após a alta hospitalar. Globalmente, há uma evolução negativa no nível de dependência e nas complicações associadas aos processos corporais. Relativamente à transição para o exercício do papel de prestadores de cuidados dos familiares, verificou-se ligeira evolução positiva na perceção de autoeficácia e uma estabilização no perfil de cuidados assegurados, bem como, um ligeiro aumento dos recursos utilizados, todavia, insuficientes. Conclusão: Os enfermeiros podem constituir um recurso significativo na ajuda dos dependentes, a preservar a sua capacidade de desempenho nas atividades do dia-a-dia e a melhorar a sua autonomia. Este suporte pode ser fornecido, quer através do desenvolvimento de competências nos próprios dependentes, quer através do desenvolvimento da mestria nos familiares para o exercício do papel de prestadores de cuidados. Todavia, parte significativa dos cuidados que os dependentes necessitam e assegurados pelos familiares cuidadores, revestem-se de grande complexidade e intensidade, apontando para a grande relevância dos cuidados de enfermagem, facilitadores das transições saudáveis nesta população-alvo.
- Ambiente da prática de enfermagem e a satisfação dos clientes com os cuidados de enfermagem em contexto hospitalarPublication . Agostinho, Paula Maria Tavares Ribeiro; Gaspar, Maria Filomena Mendes; Potra, Teresa Maria Ferreira Santos
- O amor na relação terapêutica em enfermagem : experiência vivida do enfermeiro de saúde mentalPublication . Pereira, Patrícia Silva, 1967-; Botelho, Maria Antónia Rebelo, 1955-O amor é uma pequena palavra que encerra muitos e grandes sentidos. No dia-a-dia usamo-la sem estarmos preocupados com o sentido atribuído, pois ele é intuído dependendo do objeto a que nos referimos. O amor em enfermagem é considerado um dos pilares da ciência do cuidar. Contudo esta assunção não está isenta de mal-entendidos. Importa clarificar o âmbito do amor numa relação terapêutica e perceber como se manifesta. Esta pesquisa tem como finalidade a compreensão da experiência vivida do amor pelos enfermeiros de saúde mental na relação terapêutica em enfermagem. A pesquisa situa-se numa metodologia qualitativa, fenomenologia da prática que está radicada na filosofia, usando métodos filosóficos, filológicos e das ciências humanas.Foram colhidos relatos experiencias junto de dez enfermeiros de saúde mental. Resulta desta reflexão que o amor se manifesta por ver o invisível; pela impossibilidade da não ação; por gestos securizantes; por fazer “1km extra”; por estar em sintonia; por estar ligado; por deixar que o outro apareça; por hospedar o outro em mim; como uma experiência pática; por um custo pessoal. A compreensão destes sentidos e significados do fenómeno teve por base uma reflexão radical, por meio da epoché e redução. O amor é um ingrediente transformador da experiência relacional terapêutica. Esta pesquisa é uma possível compreensão do fenómeno do amor na relação terapêutica em enfermagem. É um contributo para clarificar e desmistificar alguns estereótipos e despoletar reflexões acerca do quotidiano relacional em enfermagem que poderá estimular compreensões que tornem a prática de cuidados mais sensível e próxima do mundo de cada pessoa cuidada.
- O autocuidado higiene:conhecimento científico e ritualPublication . Penaforte, Maria Helena de Oliveira, 1959-; Martins, Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva; Bastos, Cristiana, 1959-O estudo partiu da preocupação com a discrepância entre o ideal e a prática dos cuidados de enfermagem à pessoa internada com dependência para o autocuidado higiene pessoal/banho, questionando, se as concepções e práticas dos enfermeiros no ritual desses cuidados, traduziam ganhos em satisfação nos doentes, atendendo às exigências actuais da qualidade dos cuidados. Avançamos num estudo utilizando a triangulação de métodos. Iniciamos por um estudo de inspiração etnográfica, realizado num serviço de Medicina e outro de Cirurgia, seguido de um estudo “antes-após”, centrado num processo formativo, que emergiu a partir dos resultados do primeiro estudo, onde se controla, entre outras variáveis a “satisfação dos doentes”. As técnicas utilizadas decorreram sequencialmente, conforme a natureza dos estudos: observação participante; entrevista; e questionário. As amostras também sofreram variações, no primeiro estudo participaram 33 enfermeiros e 12 doentes e no segundo, 250 doentes. O processo formativo realizou-se num serviço, utilizando várias técnicas pedagógicas, cujos temas foram o banho, a água e o conforto. Da abordagem etnográfica emerge a construção processual do banho, associado a construtos performativos: anunciar do banho; celebração do banho e usos e efeitos do banho, marcados por dimensões performativas articuladas naquele, com efeito sistémico, numa relação com outros cuidados, actividades e ritmo de turno. O uso da “gestão das oportunidades” e do diálogo com os elementos de cuidar no banho, simboliza conhecimento em movimento, ajustamento da sequência dos gestos no banho, traduzindo bem-estar no doente, e a contribuir para manter unidos os enfermeiros. A expressão da satisfação dos doentes, depois da intervenção formativa, traduziu o forte impacto desta nos comportamentos e performances dos enfermeiros. A evolução revela ganhos em satisfação no doente: informação adaptada às necessidades individuais; mais esclarecimento; segurança no atendimento; respeito na sua opinião, intimidade e ambiente de banho; comunicação e envolvimento no processo terapêutico.
