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Manual de Poesia: tradição literária e modernidade em textos metadiscursivos portugueses, de setecentos a novecentos

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«O que então conscienciosamente escrevi»: Camilo Castelo Branco sobre a crítica de Poesia
Publication . Nobre, Ricardo Miguel Guerreiro
Written and published by Camilo Castelo Branco from 1849 through 1865, the texts included in Esboços de Apreciações Literárias (1865) reflect the author’s evolution of thought and theoretical reflection on the phenomenon that is literature. In spite of an abundant presence of poetical guidelines, it appears to be clear that the theoretic model which encompasses both critical and terminologically Camilo’s criticism is based on doctrines inherited from Classical Antiquity. It is through this connection — mainly to Aristotle — that in this paper I intend to describe and analyse the meta-poetical texts of Esboços de Apreciações Literárias.
Alencar ou o testamento do romantismo : a propósito de Os Maias, de Eça de Queirós
Publication . Nobre, Ricardo Miguel Guerreiro
Se Os Maias são o “testamento do romantismo” português ( J.-A. França), Alencar é o seu representante mais fiel. Assim, apesar de se tratar de uma personagem-tipo, ele beneficia de uma evolução ao longo do romance, concentrando as características e mutações da própria estética romântica (coincidindo, grosso modo, com as três “fases” delimitadas nas histórias da literatura), mantendo embora traços físicos e comportamentos característicos (como a generosidade ou o gosto pela bebida). Este artigo estuda a figura de Alencar como personagem d’Os Maias que, no enredo, ajuda a desencadear a tragédia (Pedro vê por acaso Maria Monforte, mas Alencar dá-lhe as primeiras informações sobre ela); na focalização, problematiza a perspectiva (e objectividade) do narrador (se “é Carlos da Maia quem observa em Alencar as marcas de uma feição sombriamente romântica” (C. Reis), na discussão sobre literatura durante o jantar no Hotel Central o narrador é claramente crítico do romantismo); na organização do discurso, modula a economia da narrativa.
As “fontes inexauríveis dos escritores da Antiguidade” na História da República Romana (1885), de J. P. Oliveira Martins
Publication . Nobre, Ricardo Miguel Guerreiro
Inserida na “Biblioteca das Ciências Sociais” (de que viria a ser o último volume, publicado em 1885), a História da República Romana responde ao objectivo específico delineado por Oliveira Martins: difundir conhecimento por um vasto público. Será, porventura, esse propósito que justifica alguma contenção e certa simplicidade com que se citam ou referem autores antigos, capacidade que neste ensaio se estuda para concluir acerca do proveito que Oliveira Martins tirou dos testemunhos da literatura greco-latina: verificar-se-á que a insistência com que se recorre a Valério Máximo ou Suetónio como fontes históricas é uma singularidade admirável, sobretudo em contraste com a parcimónia com que são mencionados quer historiadores como Tito Lívio, Dionísio de Halicarnasso ou Plutarco, quer testemunhos contemporâneos da última parte da História da República Romana como o de Júlio César; citações de Tácito e dos Evangelhos parecem deslocados do contexto e cronologia, enquanto Cícero configura um caso inteiramente à parte, pois a sua convocação é frequente, sobretudo para demonstrar antipatia pela personagem; identificam-se versões latentes de Apiano, Díon Cássio ou Séneca; e assinalam-se discursos poéticos de Horácio, Propércio, Virgílio e de Catulo usados como fonte histórica. Em muitos casos, porém, os contextos originais foram distorcidos ou manipulados.
Almeida Garrett, familiar com Virgílio
Publication . Nobre, Ricardo Miguel Guerreiro
No prólogo, claramente encomiástico, da 2.ª edição das Viagens na Minha Terra, afirma-se que o seu autor é um erudito “educado na pureza clássica da antiguidade, e versado depois em todos as outras literaturas”. Em concreto, diz-se que Almeida Garrett é “igualmente familiar com” trinta e quatro escritores e poetas de diversas épocas, correntes artísticas e nacionalidades. Nomeados dicotomicamente ao lado de espanhóis, franceses, ingleses, alemães e italianos (a que se acrescentam os enciclopedistas, “os Santos Padres”, a Bíblia e as “tradições sânscritas”), Homero, Platão, Tucídides, Horácio, Eurípides e Virgílio representam simultânea e exemplarmente a estética e os principais géneros literários e ramos do conhecimento (“Orador e poeta, historiador e filósofo”) em que o romancista português se dizia entendido. Neste texto estuda-se de que modo a literatura clássica aparece figurada e transformada, por meio de virtuosos artifícios discursivos, na obra do primeiro romântico português publicada até àquele ano de 1846. Havendo espaço para uma reflexão alargada sobre outros poetas latinos, a presença de Virgílio na Lírica de João Mínimo e nas Viagens será cuidadosamente analisada.

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SFRH/BPD/115195/2016

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