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Entradas recentes
- A Casa de D. Mariana Vitória de Bourbon (1718-1781) : Espaços, servidores e patrocinatoPublication . Borges,Mariana Inácio; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Lourenco,Maria Paula MarcalA 27 de dezembro de 1727, a infanta espanhola D. Mariana Vitória de Bourbon casase com o príncipe português D. José. Esta união concretizou a vontade dos países ibéricos em voltar a aliar-se por laços familiares fortes, após vários anos das Guerras da Restauração. Quando chega a Portugal, a princesa do Brasil encontra um imenso conjunto de pessoas ao seu dispor, que acaba por aumentar quando se torna rainha consorte, em 1750 e, quando a sua sogra morre, em 1754. E é, precisamente, sobre os diferentes ofícios que compunham a Casa das Rainhas, que este estudo pretende debruçar-se, estudando-os. A Casa de D. Mariana Vitória de Bourbon (1718-1781). Espaços, servidores e patrocinato é o nosso tema de investigação com vista a identificar como estes oficiais – homens e mulheres – se relacionavam a nível familiar, como se posicionavam hierarquicamente na organização da instituição e quais os cargos que desempenharam, anteriormente, nesta ou noutras estruturas palatinas. Além de se explorar várias áreas da Casa das Rainhas, acompanhamos, primeiramente, a trajetória vivida pela consorte de D. José que, apesar de não ser tão conhecida quanto outras rainhas, viveu momentos decisivos e de significado relevante da História de Portugal, ao longo do século XVIII.
- Rage, Class, and the "Inconvenience of Other People" : Analyzing Beef through the Lens of Affective PoliticsPublication . Silva,Marcela Polo Minguete e; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Mendes,Ana Cristina FerreiraEsta dissertação analisa a série da Netflix Beef (Treta, 2023), criada por Lee Sung Jin, à luz da teoria do afeto e, em particular, do pensamento de Lauren Berlant. O objetivo principal é explorar de que modo a série dramatiza o conceito de inconvenient sociality e, em paralelo, como as trajetórias das personagens refletem tensões culturais e políticas mais amplas no contexto do neoliberalismo contemporâneo. A partir desta perspetiva, Beef não é lida apenas como um objeto narrativo ou estético, mas como um texto afetivo que torna visível as formas como ideologias dominantes — sobretudo as promessas de sucesso e prosperidade associadas ao Sonho Americano— estruturam vidas, relações e afetos de maneira precária e insustentável. Beef é uma minissérie de dez episódios produzida pela A24 e lançada em abril de 2023, protagonizada por Steven Yeun e Ali Wong (também produtores executivos). O ponto de partida é aparentemente banal: um incidente de trânsito num parque de estacionamento entre Danny Cho e Amy Lau que rapidamente se transforma numa espiral de obsessão e vingança. Inspirada por uma experiência pessoal do criador, a série combina humor ácido e drama psicológico, explorando temas como raiva, identidade, frustração e desconexão. Através das suas personagens centrais, a série encena as contradições da vida sob o neoliberalismo. Danny, um empreiteiro falido, está obcecado em construir uma casa para os pais como prova de sucesso e de respeito familiar. Amy, empresária de sucesso em vias de vender a sua empresa de bem-estar, procura na ascensão social e no controlo pessoal uma saída para a sua exaustão. Ambos são movidos por formas de um otimismo cruel (Cruel Optimism, Berlant, 2011): apegam-se a desejos e objetos — casa, família, carreira, estabilidade — que parecem garantir uma boa vida, mas que na prática se tornam obstáculos à sua realização e, por vezes, ameaças à sua própria sobrevivência. O encontro acidental entre ambos não gera apenas conflito; transforma-se numa espécie de vínculo, uma ligação inconveniente que os arrasta para uma espiral de raiva e dependência mútua. A partir de Berlant, compreender Beef não significa apenas decifrar a mensagem que a série transmite enquanto media, mas perceber como esta reflete as condições do presente. Como lembra Ingraham, Berlant é menos uma teórica de media do que uma intérprete da mediação enquanto processo através do qual os muitos objetos de atenção ou fixação de uma vida adquirem a sua força afetiva (Ingraham, 2023, p. 156). Isto sugere que Beef deve ser lida como encenação de atmosferas afetivas do presente histórico, mostrando como certas fantasias — sucesso, mobilidade social, respeito — moldam não só o que desejamos, mas também o modo como sentimos os nossos desejos. Danny e Amy não representam patologias individuais, mas exemplos de como sujeitos racializados e precarizados navegam as pressões sistémicas que configuram o seu mundo. Neste enquadramento, a dissertação centra-se em duas questões fundamentais: de que modo Beef dramatiza a inconvenient sociality de Berlant? E como é que as trajetórias emocionais das personagens refletem tensões culturais e políticas mais amplas? Estas questões foram trabalhadas através de uma análise detalhada da série, apoiada numa revisão crítica da teoria do afeto e numa leitura atenta das narrativas, performances e atmosferas de Beef, articulando autores como Raymond Williams (1977) e a sua noção de structures of feeling, Brian Massumi (2002, 2015) sobre a diferença entre afeto e emoção, Ben Anderson (2009) sobre atmosferas afetivas e Anna Tsing (2024) sobre fricção. No plano teórico, Berlant fornece as principais ferramentas. O conceito de inconvenient sociality (2022) remete para a experiência quotidiana de viver com outros em condições de proximidade não soberana: o incómodo constante de ajustar-se, resistir, acomodar e negociar a coexistência. Em Beef, esta inconveniência é dramatizada na insistência de Danny e Amy em permanecer ligados pelo conflito: uma ligação tóxica, mas que dá energia e forma às suas vidas. Os capítulos da dissertação foram estruturados em torno de cinco categorias afetivas centrais que organizam o campo emocional da série: despossessão e precariedade, suicidation (processo suicidário sob pressão estrutural) e dissociação, raiva, melancolia racial e planura. Estas categorias permitem mapear o modo como os afetos em Beef não são apenas individuais, mas respostas incorporadas a estruturas de desigualdade. A despossessão e a precariedade revelam-se nas condições materiais instáveis de Danny e na pressão de Amy para corresponder às expectativas do mercado e da família. A suicidation e dissociação surgem em momentos de retraimento psíquico, como no episódio inicial em que Danny pondera o suicídio através do monóxido de carbono. A raiva torna-se força central, destrutiva e ao mesmo tempo vital, interrompendo a anestesia da rotina. A melancolia racial a expõe a posição ambígua das personagens asiático-americanas perante o mito da assimilação: a promessa de inclusão na branquitude nunca se cumpre plenamente, gerando ressentimento e alienação. Por fim, a planura é analisada como uma forma de expressão emocional minimalista que funciona tanto como sobrevivência num contexto que exige legibilidade afetiva, como como recusa da normatividade emocional. Outro eixo conceptual é o de morte lenta (Berlant, 2007), que descreve a erosão quotidiana da vida sob condições estruturais de exploração e negligência. Tanto Danny como Amy vivem formas distintas de morte lenta: ele na exaustão física e económica de trabalhos precários e mal pagos, ela na alienação espiritual de um estilo de vida de “morte da alma” (soul killing, Berlant, 2007), centrado na produtividade e na performance de bem-estar. A referência a Henry David Thoreau e a sua ideia de “vidas de silencioso desespero” (2021, p. 3) ajuda a contextualizar historicamente esta crítica, mostrando que a frustração e o desgaste da vida sob capitalismo não são fenómenos novos, mas adquirem contornos específicos em cada época. É neste contexto que a dissertação articula Beef com o Sonho Americano. Desde James Truslow Adams (1931), que o definiu como a promessa de uma vida melhor e mais plena para todos mediante o esforço individual, este sonho tem moldado a cultura política e social dos Estados Unidos. Contudo, como nota Berlant, trata-se de uma forma popular de otimismo político, que exige que os indivíduos invistam no trabalho e na família com a expectativa de que a nação lhes assegurará dignidade e valor (1997, p. 4). O problema é que esta promessa depende da ocultação das instabilidades do capitalismo e das desigualdades estruturais. Assim, o Sonho Americano funciona como uma espécie de otimismo cruel: um objeto de desejo que mantém as pessoas ligadas a uma fantasia que obstrui a possibilidade de prosperar (Berlant, 2011, p. 2). Danny e Amy encarnam esta crueldade de formas diferentes. Danny deseja restaurar o prestígio da família, provar-se competente e respeitável; Amy aposta no empreendedorismo e na ascensão social através da proximidade à riqueza e à branquitude. Ambos acreditam que o esforço, o sacrifício e a obediência aos códigos sociais trarão estabilidade e felicidade. Mas o que encontram é frustração, exaustão e alienação. A sua disputa é, assim, também um espelho do conflito com o próprio sonho americano, que lhes exige continuamente mais investimento sem nunca cumprir as suas promessas. O episódio final da série torna-se central para esta leitura. Após um acidente violento, Danny e Amy ficam juntos num estado de vulnerabilidade física e emocional. O diálogo que se segue, fragmentado entre memórias, pensamentos e brincadeiras, recusa qualquer fecho narrativo convencional. Não há reconciliação nem rutura definitiva, mas um processo de metabolização do afeto, em que hostilidade, ternura, exaustão e reconhecimento coexistem sem resolução. Trata-se de um momento de suspensão em que a convivência com a inconveniência do outro se torna condição de sobrevivência. Na análise final, Beef encena a inconvenient sociality como sintoma e contraponto do otimismo cruel. Sintoma, porque emerge da frustração e das falhas que o sonho americano produz; contraponto, porque através do atrito (friction, Tsing, 2005) gera momentos de conexão que escapam às vias convencionais do trabalho, da família e da respeitabilidade. Estes momentos são precários e instáveis, mas oferecem uma densidade afetiva ausente nas fantasias de mobilidade social. O conflito, a raiva e a proximidade incômoda tornam-se, paradoxalmente, fontes de vitalidade. Deste modo, a dissertação contribui para o debate académico sobre afeto, raça e precariedade neoliberal, mostrando como a cultura popular pode funcionar como meio de mediação do presente histórico. Através da leitura de Beef, é possível perceber como as narrativas audiovisuais contemporâneas encenam a experiência de viver em condições em que a promessa de prosperidade está sempre adiada, mas onde a fricção e a inconveniência das relações continuam a oferecer possibilidades, ainda que frágeis, de vida em comum.
- “Entre as nuvens suspenso o nobre pranto” : os sentimentos nos elogios da autoria do 4.º conde da Ericeira (1673-1743)Publication . Fernandes,Iuri Alexandre Pires; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Braga,Isabel Maria Ribeiro Mendes DrumondDescendente de uma geração de intelectuais consagrados, o 4.º conde da Ericeira, D. Francisco Xavier José de Meneses (1673-1743) destacou-se pela sua dedicação à cultura portuguesa e pelo fomento académico do seu tempo, tendo sido fundador e diretor de diversas instituições, enquanto na Academia Real da História, desempenhou o cargo de censor. Ao longo da sua vida, escreveu dezenas de obras, tendo Diogo Barbosa Machado contabilizado mais de seis dezenas de textos. O Palácio da Anunciada, residência ancestral dos condes da Ericeira em Lisboa, assumiu um importante polo de difusão cultural. A biblioteca privada do paço contava com mais de dezoito mil volumes, quinze mil dos quais adquiridos em vida do 4.º conde da Ericeira. Neste espaço, diversas sessões académicas e serões intelectuais foram levados a efeito. A produção laudatória de D. Francisco Xavier José de Meneses, maioritariamente produzida em âmbito académico, destacou-se pelos elogios fúnebres a membros da casa real, da nobreza e, embora com menor representação, a membros do clero. Através desta dissertação, pretende-se perscrutar o impacto da produção literária do 4.º conde da Ericeira nos âmbitos político, social e religioso do século XVIII. Por outro lado, os sentimentos expressos nos elogios fúnebres e a sua utilização para destacar os enaltecidos representaram um objetivo de elevada importância. Em último lugar, interessa realçar que a investigação permitiu desvendar diversas realidades sobre a vida e a obra do aristocrata, desconhecidas até ao presente, mormente através da correspondência trocada.
- Cônsules e comunidades espanholas e portuguesas em Lisboa, Cádis e Sevilha : trajectórias, identidades e práticas mercantis entre os tratados de Utrecht e o terramoto de LisboaPublication . Carvalho,João Manuel Oliveira de; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Rodrigues,José Manuel damião SoaresA dependência comercial de Portugal e de Espanha em relação a outras potências durante o século XVIII fez com que as relações comerciais entre as duas formações políticas ibéricas não tenham merecido a devida atenção por parte das historiografias. Enquanto os dois reinos ibéricos mantinham uma tensa linha de cordialidade, estes tentavam, simultaneamente, fomentar a balança comercial comum a seu favor e desenvolver os seus próprios interesses. Neste contexto, dependiam em grande parte da iniciativa dos próprios comerciantes de se instalarem nos portos que mais favorecessem as suas ambições, encontrando, no reino português, a cidade de Lisboa como a melhor oportunidade para o desenvolvimento dos seus negócios e, em Espanha, o porto de Cádis como genuíno sucessor do proeminente empório comercial que representou Sevilha na exploração do comércio com as Américas. É, pois, assim, que encontramos núcleos (“colónias” ou “nações”) de portugueses e espanhóis participando na vida económica do reino contrário, tendo os respectivos governos nomeado cônsules para aqueles portos com o objectivo de proteger e assistir os seus nacionais em todos os aspectos necessários. A sua presença e posterior integração no mundo social e económico da cidade foram também aproveitadas para compilar informações sobre os movimentos comerciais (e de outra índole) e para facilitar a aquisição de determinados produtos que sofriam carências pontuais nos seus respectivos reinos. Este estudo pretende contribuir para a identificação dos cônsules espanhóis em Lisboa e portugueses em Sevilha e Cádis durante a primeira metade do século XVIII; da sua capacidade para se integrarem em mundos altamente competitivos, marcados pela presença de importantes comunidades estrangeiras ligadas ao comércio; e da respectiva jurisdição e acções, analisando como responderam a diferentes conjunturas e contextos e como essas respostas podem ter contribuído para o desenvolvimento das instituições consulares ibéricas e a eventual construção de identidades.
- O uso do vídeo/cinema no ensino de PLE a estudantes universitários na China InteriorPublication . Li,Wen; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Gaspar,Catarina Isabel SousaCom o desenvolvimento contínuo da ciência e da tecnologia no século XXI, os produtos de tecnologia moderna surgem em um fluxo interminável. Existem cada vez mais novos métodos que podem ser usados na aprendizagem e no ensino de línguas. Os métodos tradicionais de ensino são constantemente complementados e preenchidos por novos conteúdos multimédia, que englobam o vídeo e o cinema de animação. O objetivo principal desta dissertação é identificar que uso é feito de cinema de animação e/ou de vídeos e séries de televisão no ensino de PLE na China Interior. De acordo com o objetivo principal enunciado acima, a dissertação discute três questões: identificar como é que os professores o utilizam - em que disciplinas e em que níveis de ensino de PLE; identificar quais são as vantagens e desvantagens, ou melhor as facilidades e dificuldades que os professores identificam na sua utilização; e perceber em que medida é que o uso do vídeo e do cinema contribui para o ensino do português como língua pluricêntrica e de diversidade cultural. Esta pesquisa terá como informantes os professores da língua portuguesa que lecionam os níveis A2 e B1 a alunos universitários chineses que aprendem na China Interior. Para a elaboração da dissertação, do ponto de vista metodológico, irá utilizar-se a pesquisa documental de estudos sobre o tema, bem como a elaboração de um corpus de filmes de animação utilizados e análise da aplicação de alguns deles em contexto de sala de aula e também fora dela. Neste tópico, tentamos desenvolver os novos métodos de ensino-aprendizagem com os materiais audiovisuais. Integrar materiais audiovisuais na sala de aula de ensino e aprendizagem de língua portuguesa em diferentes formas. O objetivo final é resolver dificuldades da vida real, enriquecer o método educacional e estimular o interesse dos alunos, tornando assim a sala de aula mais dinâmica e motivadora. Além disso, também se pode assim contribuir para construir ativamente um tipo de sala de aula que integre totalmente os materiais audiovisuais.
- Caracterização Agrícola do concelho de Moura entre 1933 e 1974Publication . Santiago,Miguel Filipe Marina; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Nunes,Teresa Maria e SousaO concelho de Moura, situado no Distrito de Beja, estende-se pela margem esquerda do rio Guadiana, fazendo fronteira com Espanha. A sua paisagem é marcada por extensos olivais, zonas de montado, arvores de frutos e gado. Na época a estudar nesta investigação, o concelho contava com 7 freguesias sendo cinco delas rurais: São João Batista e Santo Agostinho localizadas em Moura, Povoa de São Miguel, Amareleja, Safara, Santo Aleixo da Restauração e Sobral da Adiça. A presente investigação apresenta como objeto de estudo o Concelho de Moura, durante os anos de 1933 a 1974, estando vigente em Portugal o Estado Novo, objetivando mostrar por quais razões o concelho em estudo seria caracterizado como um meio rural, não só baseado no principais pilares da economia do concelho que eram a agricultura e a olivicultura, mas também observar outros aspetos como as vias de comunicação, o ensino e a fraca urbanização do concelho, também serão analisados quais eram os problemas que o concelho enfrentava e se foi possível encontrar soluções para os mesmos.
- Os agentes da Profecia na Mesopotâmia. A Mediação entre os deuses e a humanidadePublication . Nunes,Ana Virgínia Gonçalves; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Rosa,Maria de Fátima Castanheira da SilvaDesde o seu alvor que a Humanidade evidencia um fascínio, temperado com o temor, pelo incognoscível – sendo o desejo de descortinar o futuro a sua máxima expressão. Acreditando que somente os deuses poderiam ter acesso a informações sobre o devir, as sociedades antigas divisaram a criação de métodos que lhes permitissem obter conhecimento junto das suas divindades. Neste sentido, observamos a instituição da profecia como forma de comunicação com o plano divino e, por conseguinte, como uma via de obtenção de conhecimento apenas reservado às divindades. Assim, a figura do profeta assume-se como fundamental neste processo, na qualidade de mediador entre a esfera divina e a esfera humana. A presente dissertação tem, pois, como foco principal os agentes da profecia, tomando como caso de estudo as sociedades da Antiga Mesopotâmia, mais concretamente o reino de Mari (séc. XVIII a.C.) e o Império Neo-Assírio (sécs. VIII-VII a.C.). Através da análise dos testemunhos textuais presentes nos dois arquivos reais, esta dissertação procura compreender quem eram estes indivíduos e o papel social que lhes era reservado, atendendo à sua função de mediação entre os dois planos e, especialmente, ao seu papel com as estruturas de poder e com o monarca.
- O Emigrante (1970-1974) : Um jornal para os portugueses fora do paísPublication . Folgado,Julie Levy; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Braga,Isabel Maria Ribeiro Mendes DrumondO presente trabalho pretende abordar a história da emigração portuguesa para França e a Alemanha através do ponto de vista do jornal O Emigrante durante os anos de 1970 a 1974. Depois de evocar a história do jornal e o impacto da censura do Estado Novo na imprensa, analisei os artigos deste jornal evocando a situação dos portugueses em França e na Alemanha e fazer um retrato sobre as condições de vida dos emigrantes.
- Distopia em comparação : dois cenários pós-apocalípticos em Nausicaä do Vale do Vento (1984) de Hayao Miyazaki e Akira (1988) de Katsuhiro OtomoPublication . Verdugo,Catarina Isabel Cagarrinho; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Pinto,Marta Pacheco; Morais,Ana Bela dos Ramos da ConceiçãoRedescobrir um termo já tão abordado no mundo das artes, como é o caso da distopia, num fenómeno cultural como o anime evidencia que as matérias nunca se esgotam, multiplicando-se, em vez disso, das mais variadas formas. O conceito de distopia teve origem no ocidente, mas floresce no Japão na atração pelas temáticas apocalípticas, na experiência da bomba atómica e no fascínio pelo fim do mundo. A presente dissertação analisa a relação entre os filmes de animação Nausicaä do Vale do Vento (1984) de Hayao Miyazaki e Akira (1988) de Katsuhiro Otomo em torno do conceito de distopia, que ambos ilustram, o primeiro enquanto distopia crítica e o segundo como distopia clássica. Abordam-se as principais características destes objetos fílmicos – de que são exemplo a tecnologia, os cenários e as cores – como se fossem representantes das diferentes fases de vida pelas quais uma distopia passa, nomeadamente o nascimento, a maturação, a reprodução e a morte. Pensar a distopia como um ser vivo permite que se interpretem nuances pertinentes ao longo de ambas as obras, gerando um ciclo que acolhe perfeitamente os conceitos de distopia crítica e distopia clássica.
- Espectros de Complexidade : entre Antologias e Arquipélagos. Arquipelagicidade e comparativismo a partir de 'Macaronésia'Publication . Marques,Francisco Carlos Martins Anjo Dinis; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Mata,Inocencia Luciano dos Santos; Moniz,Ana Isabel Ferreira da SilvaEsta investigação articula uma reflexão simultaneamente teórica e prática sobre a complexidade, a arquipelagicidade literária e o comparativismo, usando a Macaronésia como caso de estudo. Ao abordar a região através das suas práticas literárias, em particular, as antologias, exploramos as interdependências entre os conceitos de parte e todo, excerto e totalidade, ilha e arquipélago. Através de uma abordagem comparatista e interdisciplinar, propõem-se novas formas de pensar as complexidades que definem não só a Macaronésia, mas os próprios processos de construção literária e identitária em contextos arquipelágicos. Esta investigação é antes de mais uma reflexão que se concebe em torno da complexificação dos modelos de organização epistemológica, motivados por um recentrar de atenções estratégicas no espaço intersticial entre elementos isolados, sejam eles ilhas ou elementos parafrásticos. Assim como os Isolatoes de Melville, que, embora isolados nas suas individualidades, se reúnem num único casco movidos por um propósito comum, as antologias literárias podem ser entendidas como arquipélagos literários, onde cada texto é uma ilha, com sentido próprio, mas que adquire novos significados no contexto do conjunto. Tal como a Macaronésia, que sistematiza uma pluralidade insular em torno de uma identidade regional complexa, as antologias articulam fragmentos textuais, promovendo interdependências narrativas e simbólicas. A analogia que aqui se traça entre arquipélagos físicos e antologias literárias torna- se particularmente relevante no contexto da Macaronésia, onde a ideia de conjunto é simultaneamente questionada e enriquecida pelas singularidades de cada arquipélago constitutivo, sem que a eles se substitua. Ao analisar como as antologias reflectem e reconfiguram essas dinâmicas, a investigação propõe uma leitura da arquipelagicidade não apenas como um fenómeno geográfico, mas como um modelo para compreender e organizar sistemas culturais complexos, em que o todo emerge da interação constante entre as partes.
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