FPCE - Dissertações de Mestrado
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- A força da emoção : transgressões, emoções e perdão em crianças de 5-6 e 7-8 anosPublication . Fonseca, Maria Estela Pinto, 1969-; Lourenço, Orlando Martins, 1944-Nos últimos dez anos, tem havido um interesse crescente dos investigadores pela compreensão de emoções por parte da criança, nomeadamente pelas emoções que ela atribui aos transgressores em actos de vitimização. Uma descoberta relativamente sólida é que, comparadas com as crianças mais velhas, as mais novas tendem a cair no que se chama o padrão do vitimizador feliz: esperar que um transgressor se sinta bem e feliz, não mal e infeliz, após ter cometido um acto imoral, embora desejado. Até aqui. tem sido geralmente assumido que se a atribuição de emoções positivas a um vitimizador representa um padrão imoral, a atribuição de emoções negativas, ao invés, representa um padrão moral. Alguns estudos, contudo, mostram que a mudança na atribuição de emoções positivas para negativas com o desenvolvimento não é tão linear quanto se tem assumido e, mais ainda, que é necessária mais investigação se quisermos compreender o significado moral geralmente atribuído aos fenómenos do vitimizador feliz e do vitimizador infeliz. O objectivo central desta dissertação foi contribuir para uma melhor compreensão das emoções atribuídas pelas crianças em actos de vitimização, articulando essa atribuição com o fenómeno do perdão, um fenómeno que, tal como o do vitimizador feliz/infeliz, envolve também vítimas e vitimizadores. De modo mais preciso, esta dissertação pretendeu contribuir para a compreensão do significado moral da atribuição de emoções positivas e negativas pela criança em actos hipotéticos de vitimização, examinando se, comparadas com as crianças que atribuem emoções positivas ao vitimizador (i.e., vitimizadores felizes), as que lhe atribuem emoções negativas (i.e., vitimizadores infelizes) têm maior propensão para esperar que a vítima perdoe o transgressor e que o transgressor peça perdão à vítima. A amostra experimental foi constituída por 40 crianças de 5-6 anos e por 40 de 7-8 anos. As crianças foram confrontadas inicialmente com duas transgressões morais: roubar um brinquedo de um colega; empurrá-lo de um baloiço para ocupar nele o seu lugar. Perguntou-se depois às crianças para (a) atribuírem emoções positivas ou negativas ao transgressor; (b) anteciparem a propensão da vítima para perdoar ou não o transgressor; (c) anteciparem a propensão do transgressor para pedir ou não perdão à vítima; e (d) justificarem todas as atribuições e escolhas. Os resultados mostram que (1) embora as crianças mais novas tenham atribuído mais emoções segundo o padrão do vitimizador feliz e as mais velhas mais segundo o do vitimizador infeliz, houve já diversos vitimizadores infelizes entre as crianças de 5-6- anos e ainda diversos vitimizadores felizes entre as de 7-6 anos; (2) enquanto as emoções positivas tenderam a ser justificadas por razões orientadas para os resultados tangíveis provenientes da transgressão em causa, as negativas foram justificadas sobretudo por razões de índole moral; (3) comparativamente com as crianças que atribuíram emoções positivas, as que atribuíram emoções negativas anteciparam não só mais propensão da vítima para perdoar o transgressor, como também mais propensão do transgressor para pedir perdão à vítima; (4) tal como aconteceu com as antecipações relativas ao perdoar e ao pedir perdão, foi sobretudo o tipo de emoções atribuídas, não a idade das crianças ou a categoria de transgressão em causa, que de modo geral, influenciou as justificações dadas pela crianças para tais antecipações; (5) as crianças que atribuíram emoções negativas foram as que, de modo geral, apelaram para razões mais avançadas em termos de perdoar e de pedir perdão: e (6) enquanto as antecipações de perdão e de não perdão ocorreram quase com a mesma frequência em qualquer Idade, as antecipações de pedidos de perdão foram significativamente mais frequentes do que os não pedidos de perdão. No seu todo, os resultados da nossa dissertação parecem revelar ser o tipo de emoções atribuídas ao vitimizador, não a idade das crianças ou a transgressão em causa, que assume um papel preponderante nas antecipações e justificações que as crianças atribuem à vítima para perdoar o transgressor e ao vitimizador para pedir perdão à vítima. A nosso ver, estes resultados ajudam a compreender o significado moral do fenómeno do vitimizador feliz/infeliz e também o próprio desenvolvimento sócio-moral da criança.
- O bem-estar psicológico na idade adulta avançadaPublication . Figueiras, Vilma Marina, 1975-; Silva, Maria Eugénia Duarte, 1951-Na presente investigação analisam-se as perspectivas teóricas susceptíveis de oferecerem contribuições relevantes para a compreensão do Bem-Estar Psicológico na idade adulta avançada no contexto da saúde mental, tomando como referencial teórico-empírico o modelo de Bem-Estar Psicológico de Ryff. O objectivo principal é o de realizar um estudo exploratório sobre o Bem-Estar Psicológico na idade adulta avançada, procurando identificar e caracterizar configurações especificas deste Bem-Estar. A investigação visa ainda procurar entender qual o papel da percepção do Suporte Social na avaliação que estes adultos idosos fazem do seu Bem-Estar Psicológico. Para o efeito, é estudada uma amostra de sujeitos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 65 anos, em condições de inserção normal na comunidade e sem doenças físicas ou perturbações psicológicas. A metodologia utilizada integra duas escalas de auto-avaliação, as Escalas de Bem-Estar Psicológico e a Escala Instrumental e Expressiva do Suporte Social, e um Questionário Sócio-Demográfico. Numa primeira etapa, caracterizam-se os aspectos psicológicos da amostra global em estudo. Numa segunda etapa, com base na auto-avaliação do Bem-Estar Psicológico, constituem-se dois grupos de participantes com níveis diferenciados de Bem-Estar (Bem- Estar Psicológico Reduzido e Bem-Estar Psicológico Elevado) e caracterizam-se os aspectos psicológicos específicos de cada um destes grupos, efectuando uma comparação diferencial. Os resultados são discutidos em função do quadro teórico apresentado e revelam que o Bem-Estar Psicológico é possível na fase mais tardia da vida, verificando-se uma homogeneidade na avaliação das suas diferentes componentes. A família (satisfação com o agregado familiar) e a percepção de Suporte Social (sentimento de possuir suporte em caso de necessidade) parecem constituir factores determinantes na avaliação mais positiva ou mais negativa de Bem-estar Psicológico, na idade adulta avançada.
- Stress profissional e qualidade de vida em alunos de pós-graduação : um estudo exploratórioPublication . Ferreira, Fabiana Bozelli Alves, 1976-; Rafael, Manuel, 1962-A investigação fundamenta-se no modelo do estado-traço do stress profissional (Spielberger & Vagg, 1999) e no modelo do contentamento perante a vida da qualidade de vida (Frisch, 1994), tendo como objectivos identificar e caracterizar acontecimentos causadores de stress e os graus de importância e de satisfação relacionados com a qualidade de vida; estabelecer a relação entre stress profissional e qualidade de vida; comparar resultados obtidos nesta.investigação com amostras portuguesas e de outros países; contribuir para o estudo das características metrológicas dos instrumentos utilizados. Para a concretização dos objectivos, utilizou-se o Inventário sobre o Stress Profissional (Rafael, 2001; Spielberger & Vagg, 1999) e o Inventário da Qualidade de Vida (Fagulha. Duarte & Miranda, 2000; Frisch, 1994), numa amostra constituída por 85 participantes de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 23 e os 65 anos. Foram estudadas algumas características psicométricas que, no seu conjunto, indicaram coeficientes de precisão bastante satisfatórios para os dois instrumentos. As estruturas factoriais encontradas são semelhantes às de estudos anteriores, no que se refere à qualidade de vida, o mesmo não ocorrendo no que se refere ao stress profissional. Analisaram-se os efeitos das variáveis sexo, nacionalidade, habilitação escolar e área de especialização da formação, cujos resultados indicam que estas variáveis têm pouca importância na determinação de diferenças entre grupos. As correlações entre os dois instrumentos mostraram a existência de relações baixas e inversas entre variáveis do stress profissional e da qualidade de vida. Em síntese, os resultados sugerem novas direcções para futuras investigações e algumas pistas para a intervenção, prevenção e «combate» ao stress profissional e uma melhoria da qualidade de vida.
- Escritos em branco : rupturas da ciência e da pedagogia no Portugal Oitocentista : o ensino para cegos no Asilo-escola António Feliciano de Castilho (1888-1930)Publication . Amado, Maria do Castelo Teixeira Malta Romeiras da Costa, 1966-; Ó, Jorge Ramos do, 1962-Em 1888 foi instituído o Asilo-Escola António Feliciano de Castilho, por iniciativa da Associação Promotora para o Ensino dos Cegos. O tema que abordo neste percurso é o da educação de cegos para a autonomia, tendo escolhido este estudo de caso por ser o primeiro projecto de cariz não asilar em Portugal. Portadores de uma filosofia de integração, utilizando as técnicas pedagógicas trazidas através do Dr. Sigaud do Instituto Haüy de Paris, bem como a legitimação que lhes era dada pela medicina oftalmológica em crescimento e pela renovação social e política portuguesa, os seus promotores encontraram nesta área de intervenção uma oportunidade de exercício de poder. O maior dos poderes, o de transformar identidades. É nesse sentido que desenvolvo as questões que surgem, cuidadosamente, desde a preparação das instalações, à ligação de investigação médica sobre a visão, bem como às técnicas de comunicação e ensino a alunoscidadãos privados de um sentido, mas não das suas capacidades cognitivas, exemplares para a aplicação das teorias desenvolvidas de recuperação e integração social, surpreendentes pela forma como se associaram e aproveitaram a oportunidade dada, formando um crescendo, ele próprio associativo, que resultaria na actual participação e autonomia dos nossos dias. Interrogo as circunstâncias micro e macro deste projecto, e as suas consequências directas para alunos e promotores, em termos identitários. Interrogo, finalmente, a correspondência entre os objectivos propostos e alcançados pelos educadores, cientistas e educandos e a resposta social externa em termos de mentalidades alteradas.
- O papel do reconhecimento do acaso no raciocínio indutivoPublication . Ferreira, Mário B.; Marques, Leonel Garcia, 1958-Uma das mais importantes actividades de resolução de problemas em que as pessoas normalmente se envolvem é o raciocínio indutivo. Ou seja, chegar a proposições gerais a partir de proposições particulares. A qualidade dos raciocínios indutivos por nós realizados é normalmente avaliada em função de algum modelo normativo a partir do qual se estabelecem critérios que possibilitam distinguir raciocínios correctos de raciocínios incorrectos. Genericamente, considera-se que o raciocínio indutivo, para ser correcto, deve satisfazer certos princípios estatísticos. Por exemplo, devemos ter mais confiança em generalizações baseadas num grande número de instâncias (desde que estas instâncias constituam uma amostra representativa da população) do que em generalizações baseadas num número pequeno de instâncias (lei dos grandes números). 1 • 1 • A Investigação Psicológica sobre o Raciocínio Indutiva Dado o carácter central do raciocínio indutivo no quotidiano de todos nós, é, no mínimo, perturbador verificar que muita da investigação psicológica neste domínio pareça indicar que as pessoas, face a tarefas de escolha ou tomada de decisão em condições de incerteza, usam heurísticas (processos simplificados de decisão) que não satisfazem os princípios estatísticos requeridos. De facto, a linha de investigação iniciada por Kahneman e Tversky no início dos anos 70 (para uma revisão ver Einhom & Hogarth, 1981; Kahneman, Slovic. & Tversky, 1982; Nisbett & Ross 1980), parece mostrar que as pessoas negligenciam de forma consistente variáveis estatísticas como o tamanho da amostra, os Base-Rates , a regressão à média, etc., quando tentam resolver problemas que envolvem raciocínio indutivo. Os estudos de Tversky e Kahneman foram alvo de críticas a diversos níveis. Aqueles que defendem uma perspectiva evolucionista argumentaram que o mecanismo de selecção natural dos mais aptos que subjaz à evolução, deverá garantir a produção de princípios de raciocínio altamente eficazes e correctos e que, portanto, a investigação psicológica nesta área seria de alguma forma enganadora (e.g. Cohen, 1979). Uma outra critica de relevo questiona até que ponto os resultados destas investigações terão de facto demonstrado que as pessoas falham na aplicação do que supostamente são as regras inferenciais correctas ou se os próprios investigadores estarão enganados relativamente à natureza destas regras (Cohen, 1981). Outros autores avançaram também a hipótese de que os sujeitos participantes nestas experiências foram levados a cometer erros inferenciais devido a circunstâncias ilusórias ligadas às próprias condições de laboratório cujo interesse e significado se perdem quando se considera a actuação das pessoas em situações do quotidiano (Einhom & Hogarth, 1981; Nisbett & Ross, 1980). No inicio dos anos 80, Nisbett, Krantz, Jepson e Kunda (1983), embora reconhecendo que as diversas heurísticas (que violam princípios estatísticos) identificadas por Tversky e Kahneman têm um importante papel no raciocínio indutivo, argumentaram que, em certas circunstâncias, as pessoas baseiam as suas inferências em intuições que respeitam princípios estatísticos. Ou seja, paralelamente às heurísticas não estatísticas descritas por Kahneman e Tversky, Nisbett e os seus colegas consideram a existência de heurísticas estatísticas. De facto, durante a década de 80, Nisbett e outros investigadores desenvolveram um esforço de investigação sistemático não só no sentido de mostrar que as pessoas, por vezes, raciocinam recorrendo a heurísticas que levam em consideração aspectos importantes de certos princípios estatísticos, mas sobretudo com o objectivo de determinar em que circunstâncias as pessoas demonstram sensibilidade a variáveis de natureza estatística (Nisbett, Krantz, Jepson & Kunda, 1983; Jepson Krantz & Nisbett, 1983). Com o reconhecimento de que, paralelamente às heurísticas não estatísticas, existem também heurísticas estatísticas, o trabalho de investigação sobre raciocínio indutivo ganhou novas perspectivas. Assim, mais do que perguntar porque é que os erros indutivos ocorrem ou se esses erros são ou não "reais", torna-se talvez mais frutuoso levantar questões como por exemplo: que factores facilitam ou dificultam o raciocínio indutivo baseado em princípios estatísticos?, em que domínios é que o raciocínio estatístico é mais ou menos provável de ocorrer?; será possível promover o uso de heurísticas estatísticas através do treino formal?.(...)
- Movimentação e diferenciação narrativa ao longo do processo terapêutico no modelo de complementaridade paradigmática : um estudo de caso qualitativo longitudinalPublication . Ferreira, Joana Fojo; Sá, Maria Isabel Real Fernandes de, 1959-Há muito que se atribui às narrativas dos pacientes potencial de avaliação e de intervenção terapêuticas, sendo frequentemente consideradas o meio por excelência de reconhecimento e de reorganização da experiência interna dos pacientes. O presente estudo recorre às narrativas para analisar o funcionamento interno de uma paciente, verificar movimentos nesse funcionamento ao longo de três fases da componente sequencial de sete fases do Meta-modelo de Complementaridade Paradigmática (fases dois, três e quatro), e ensaiar a identificação de marcadores narrativos que possam auxiliar a tomada de decisão clínica fase-a-fase. São definidos, reconhecidos e analisados processos narrativos a nível molecular (a partir da revisão de literatura em narrativa) e a nível molar (a partir da teoria do modelo supra-referido). Em ambos os casos, há um esforço de afastamento em relação aos conteúdos, no sentido tradicional do termo, enfatizando as formas e capacidades de processamento da informação, privilegiando, não o que é feito em si, mas o que é feito com isso. Os resultados dão conta de diferenciação e movimentação entre as fases consideradas para processos moleculares e molares, e nestes últimos reconheceu-se um padrão de progressão narrativa de acordo com a sequencialidade proposta pelo modelo, para as fases em estudo. Discutem-se as possibilidades e a pertinência de categorizar e hierarquizar os processos narrativos, e conclui-se apontando limitações do estudo e implicações dos resultados para a teoria, treino e prática psicoterapêutica. São ainda efectuadas considerações metodológicas e sugeridas novas vertentes de investigação.
- Influência do apoio social e factores da personalidade materna no desenvolvimento de depressão pós-partoPublication . Faustino, Ricardo Jorge Patrício, 1977-; Moreira, João Manuel, 1964-; Justo, João Manuel Rosado de Miranda, 1958-O campo da psicologia da gravidez e da maternidade é um território específico dentro do campo da Saúde, e que toma por objecto a mulher grávida saudável, ainda que em situação de crise vivencial. O período de pós-parto é uma das fases mais complexas desse território, apelando para a realização de novas tarefas desenvolvimentais e a resolução de tarefas antigas por parte da mulher. Dessa forma, o pós-parto é multas vezes vivenciado pela mulher de uma forma depressiva, induzindo dificuldades psicológicas de alguma gravidade. As perturbações psicopatológicas do puerpério mais frequentes são os blues pós-parto, a psicose puerperal e a depressão pós-parto. A investigação que apresentamos analisa a depressão pós-parto, através de um método correlacional de investigação, considerando a sua relação com o apoio social e com a estrutura da personalidade da grávida, sem esquecer a sua caracterização sócio-demográfica. Utilizámos 117 mulheres grávidas, e a investigação foi delineada de forma a que a avaliação realizada junto da amostra não acontecesse num único momento temporal, mas por forma a avaliar a mulher grávida em três momentos; a) fim da gravidez - entre o 7º e o 9º mês de gravidez; b) duas a três semanas de pós-parto e, c) um mês e meio a dois meses de pós-parto. Utilizámos como instrumentos um Questionário de Caracterização da Amostra, a EPDS - Escala de Edimburgo para Avaliação da Depressão Pós-parto, na versão normal e numa versão Pré-parto, modificada para o estudo, o NEO Pl-R (Avaliação Estrutural da Personalidade), a EPS (Escala de Provisões Sociais), o QRI-r (Inventário de Qualidade das Relações) e a ESP - Escala de Stress Percebido Os dados obtidos no nosso estudo Indicam-nos que o relacionamento interpessoal tem um importante papel no ajustamento da mulher à gravidez, assim como alguns factores da sua personalidade. Foi também analisada a correlação entre a existência de depressão no período pré-parto e o desenvolvimento de depressão pós-parto. assim como a correlação entre o Stress Percebido e a existência de Depressão, quer no período pré, quer no período pós-parto. Finalmente, analisámos algumas variáveis sócio-demográficas avaliadas e a sua correlação com o desenvolvimento de depressão pós-parto. Todos os dados e resultados obtidos são analisados e discutidos no fim da Investigação.
- A mãe e o bebé : quando o bebé frequenta o infantário e quando está permanentemente com a mãePublication . Duque, Sónia Fernanda Barreiras Parreira, 1975-; Silva, Maria Eugénia Duarte, 1951-O presente trabalho procura esclarecer em que medida o percurso seguido pela criança, no primeiro ano de vida - estar apenas aos cuidados da mãe, ou frequentar o infantário - influencia o desenvolvimento psicomotor do bebé, a auto-estima materna e o afecto materno. Fizeram parte do estudo 39 crianças, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 meses, divididas em dois grupos. O primeiro grupo é constituído por 20 bebés e foi recolhido em três infantários. O segundo, constituído por 19 bebés que sempre estiveram com as mães, foi recolhido através de contactos pessoais. Foram utilizados quatro instrumentos de recolha de informação: um questionário de dados sócio-demográficos, construído para a presente investigação; a Escala de Desenvolvimento Psicomotor da Primeira Infância, de Brunet e Lézine (1976); o Inventário da Auto-estima Materna, de Shea e Tronick (1988); e o Inventário do Afecto Materno, de Muller (1994). A amostra em estudo apresenta um desenvolvimento psicomotor dentro da média para a sua faixa etária, assim como resultados elevados para a auto-estima e o afecto matemos. Contudo, verifica-se a existência de diferenças significativas, entre os dois grupos, relativamente ao quociente de desenvolvimento da linguagem e ao afecto materno, sendo favorecidos os bebés que estão com as mães. Constata-se, ainda, no que diz respeito aos bebés, que os quocientes de desenvolvimento da linguagem e da coordenação óculo-motora se constituem como os melhores discriminadores dos dois grupos. Em relação às mães, o afecto materno, a capacidade de cuidar do bebé e os sentimentos respeitantes à gravidez, são as variáveis que melhor discriminam os dois grupos. Assim, este trabalho permitiu verificar que o percurso seguido pelas crianças avaliadas, no primeiro ano de vida, influencia quer o seu desenvolvimento, quer a intensidade da ligação entre mães e filhos, com benefício para as crianças que estão apenas aos cuidados das mães.
- Coping social em bombeiros : intervenção em emergência vs intervenção na catástrofePublication . Duque, Mónica Teresa Sales, 1975-; Pinto, Alexandra Marques, 1963-; Chambel, Maria José, 1962-Os trágicos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001, obrigaram a repensar a vulnerabilidade de todos nós a acontecimentos traumáticos e catástrofes, bem como alertaram para a realidade dos profissionais de ajuda, dos quais fazem parte os bombeiros, sujeitos a situações indutoras de stress frequentes que se podem transformar em traumas. Os dados da literatura revelam uma prevalência elevada de perturbação pós stress traumático nestes profissionais a par com informação insuficiente acerca do modo como lidam com as situações com que se deparam na sua prática profissional. Tendo como referência a recente orientação dos estudos do coping para a área social, e em particular a criação do Modelo Multi-Axial do Coping, ao qual se encontra associado um instrumento de avaliação (Strategic Approach to Coping Strategies), pretendeu-se efectuar um estudo comparativo exploratório e descritivo, entre dois grupos emparelhados constituídos no seio dos Bombeiros Sapadores de Lisboa: grupo experimental (N=28) com profissionais com participações internacionais em situações de catástrofe e grupo de controlo (N=28) com profissionais que actuam unicamente em situações de emergência. O estudo teve o objectivo de identificar e caracterizar a orientação das estratégias de coping utilizadas por estes profissionais de acordo com o modelo multi-axial, relacionando a sua eficácia com níveis de ansiedade, depressão e perturbação pós stress traumático. Ao nível metodológico foram utilizados o Strategic Approach to Coping Strategies, Inventário Depressivo de Beck, State-Trait Anxiety Inventory - STAI (Form Y-1) e Post-traumatic Diagnostic Scale (versão adaptada para bombeiros). Os resultados não revelaram diferenças significativas entre os dois grupos, sendo as estratégias de coping do grupo predominantemente orientadas para a dimensão activa e prosocial e a ansiedade a perturbação mais significativa.
- Estudo desenvolvimentista das significações dos seropositivos para VIH/SIDAPublication . Grilo, Ana Isabel Rodrigues Monteiro, 1972-; Moniz, Luís Manuel Joyce, 1945-Esta tese teve como principal objectivo a aplicação do modelo desenvolvimentista de Joyce-Moniz (1993) à população dos seropositivos para VIH e doentes com SlDA. Tratou-se de uma investigação, essencialmente, qualitativa, para a qual foram utilizados vinte pacientes (dez seropositivos assintomáticos e dez sintomáticos). No que se refere à metodologia, através de uma entrevista semi-estruturada, procedeu-se à caracterização dos níveis sócio-cognitivos e das operações dialécticas para um conjunto de temáticas associadas à infecção por VIH/SIDA; Adaptação à condição de seropositividade; A quem revelar a condição de seropositividade; Discriminação; Dependência / Perda de Autonomia: Vivência da Sexualidade; Cuidados Médicos; Planos para o Futuro e Confronto com a Morte. A avaliação desenvolvimentista da entrevista semi-estruturada foi comparada com a efectuada a partir de situações dilemáticas criadas para cada temática. Procedeu-se ainda à avaliação do grau de perturbação percepcionado, por cada paciente, para cada uma das temáticas abordadas. Finalmente, para cada paciente, efectuou-se uma intervenção breve, de orientação construtivo-desenvolvimentista, com duas das temáticas abordadas. Em termos de resultados, procedeu-se à caracterização desenvolvimentista dos níveis sócio-cognitivos encontrados para cada temática. Para além disto, foi possível, a partir da avaliação desenvolvimentista, a construção de uma semi-escala, com a ordenação das temáticas abordadas e os indivíduos estudados. A ordenação das temáticas, oferece indicadores precisos para futuras investigações/intervenções clínicas. A avaliação das situações dilemáticas permitiu considerar a possibilidade da utilização de medidas de papel e lápis para a avaliação desenvolvimentista de algumas das temáticas tratadas. De todas as temáticas e sub-temáticas tratadas destacam-se as de Dependência / Perda de Autonomia e do Confronto com a Morte por serem aquelas em que os pacientes utilizaram significações de níveis mais elevados e operações dialécticas mais complexas. Para além disto, estas foram as duas sub-temáticas percepcionadas, pelos pacientes, como mais perturbadoras.
