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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Uma das mais importantes actividades de resolução de problemas em que as pessoas
normalmente se envolvem é o raciocínio indutivo. Ou seja, chegar a proposições gerais a
partir de proposições particulares.
A qualidade dos raciocínios indutivos por nós realizados é normalmente avaliada em
função de algum modelo normativo a partir do qual se estabelecem critérios que
possibilitam distinguir raciocínios correctos de raciocínios incorrectos.
Genericamente, considera-se que o raciocínio indutivo, para ser correcto, deve satisfazer
certos princípios estatísticos. Por exemplo, devemos ter mais confiança em generalizações
baseadas num grande número de instâncias (desde que estas instâncias constituam uma
amostra representativa da população) do que em generalizações baseadas num número
pequeno de instâncias (lei dos grandes números).
1 • 1 • A Investigação Psicológica sobre o Raciocínio Indutiva
Dado o carácter central do raciocínio indutivo no quotidiano de todos nós, é, no mínimo,
perturbador verificar que muita da investigação psicológica neste domínio pareça indicar
que as pessoas, face a tarefas de escolha ou tomada de decisão em condições de incerteza,
usam heurísticas (processos simplificados de decisão) que não satisfazem os princípios
estatísticos requeridos. De facto, a linha de investigação iniciada por Kahneman e Tversky
no início dos anos 70 (para uma revisão ver Einhom & Hogarth, 1981; Kahneman, Slovic.
& Tversky, 1982; Nisbett & Ross 1980), parece mostrar que as pessoas negligenciam de
forma consistente variáveis estatísticas como o tamanho da amostra, os Base-Rates , a
regressão à média, etc., quando tentam resolver problemas que envolvem raciocínio
indutivo. Os estudos de Tversky e Kahneman foram alvo de críticas a diversos níveis.
Aqueles que defendem uma perspectiva evolucionista argumentaram que o mecanismo de
selecção natural dos mais aptos que subjaz à evolução, deverá garantir a produção de
princípios de raciocínio altamente eficazes e correctos e que, portanto, a investigação
psicológica nesta área seria de alguma forma enganadora (e.g. Cohen, 1979). Uma outra critica de relevo questiona até que ponto os resultados destas investigações
terão de facto demonstrado que as pessoas falham na aplicação do que supostamente são
as regras inferenciais correctas ou se os próprios investigadores estarão enganados
relativamente à natureza destas regras (Cohen, 1981).
Outros autores avançaram também a hipótese de que os sujeitos participantes nestas
experiências foram levados a cometer erros inferenciais devido a circunstâncias ilusórias
ligadas às próprias condições de laboratório cujo interesse e significado se perdem quando
se considera a actuação das pessoas em situações do quotidiano (Einhom & Hogarth,
1981; Nisbett & Ross, 1980).
No inicio dos anos 80, Nisbett, Krantz, Jepson e Kunda (1983), embora reconhecendo que
as diversas heurísticas (que violam princípios estatísticos) identificadas por Tversky e
Kahneman têm um importante papel no raciocínio indutivo, argumentaram que, em certas
circunstâncias, as pessoas baseiam as suas inferências em intuições que respeitam
princípios estatísticos. Ou seja, paralelamente às heurísticas não estatísticas descritas por
Kahneman e Tversky, Nisbett e os seus colegas consideram a existência de heurísticas
estatísticas.
De facto, durante a década de 80, Nisbett e outros investigadores desenvolveram um
esforço de investigação sistemático não só no sentido de mostrar que as pessoas, por
vezes, raciocinam recorrendo a heurísticas que levam em consideração aspectos importantes de certos princípios estatísticos, mas sobretudo com o objectivo de determinar
em que circunstâncias as pessoas demonstram sensibilidade a variáveis de natureza estatística (Nisbett, Krantz, Jepson & Kunda, 1983; Jepson Krantz & Nisbett, 1983).
Com o reconhecimento de que, paralelamente às heurísticas não estatísticas, existem
também heurísticas estatísticas, o trabalho de investigação sobre raciocínio indutivo
ganhou novas perspectivas. Assim, mais do que perguntar porque é que os erros indutivos
ocorrem ou se esses erros são ou não "reais", torna-se talvez mais frutuoso levantar
questões como por exemplo: que factores facilitam ou dificultam o raciocínio indutivo
baseado em princípios estatísticos?, em que domínios é que o raciocínio estatístico é mais
ou menos provável de ocorrer?; será possível promover o uso de heurísticas estatísticas
através do treino formal?.(...)
Descrição
Tese de Mestrado em Psicologia (Psicologia Cognitiva), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1996
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1996 Psicologia cognitiva Processos cognitivos Raciocínio indutivo Estatística Tomada de decisão
