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Formas de vida ou comunidades interpretativas : uma crítica cavelliana da teoria da interpretação de Fish

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Esta dissertação examina duas conceções não-fundacionalistas da interpretação, situando-as no contexto mais amplo da filosofia da linguagem de Wittgenstein: a abordagem institucionalista de Stanley Fish e a conceção de interpretação como exploração recíproca de Stanley Cavell. Através destes autores, mostram-se as implicações inerentes a duas formas de conceber a normatividade em interpretação: uma baseada nas comunidades interpretativas, com as suas convenções internas, e outra baseada em formas de vida, com critérios partilhados e continuamente renovados. Em particular, argumenta-se que a noção de critérios em Cavell, enquanto estruturantes das práticas, oferece uma alternativa à conceção convencionalista de Fish, em que estes aparecem como produtos das crenças. O objetivo é explicitar como estas noções implicam uma compreensão distinta do escopo e processo da interpretação. A análise parte de uma discussão da filosofia da linguagem de Wittgenstein, procurando-se compreender a normatividade enquanto fenómeno não-fundacionalista, apenas inteligível quando entendido em função da prática, e não como imposição externa. Em seguida, dá-se uma análise comparativa das posições de Fish e Cavell. Discutem-se os seus principais conceitos e as suas implicações para uma teoria da interpretação, como as formas de vida e comunidades interpretativas, os critérios, a inteligibilidade, e a subjetividade. O argumento central é que a conceção de Fish aponta para uma forma de projeção pré-determinada por um sistema de crenças, enquanto a de Cavell abre espaço para as noções de reciprocidade, aprendizagem e compreensão significativas. No terceiro capítulo, reflete-se sobre como alguém se torna um intérprete autónomo, alargando a discussão para temas como a aprendizagem, a crítica e a arte. O argumento final é que a interpretação não pode ser compreendida como um mero aplicar de regras acrítico, mas que implica, como condição, a autonomia e o juízo do intérprete em todos os momentos da sua interação com o que lhe é exterior.
This dissertation examines two non-foundationalist conceptions of interpretation, situating them within the broader context of Wittgenstein’s philosophy of language: Stanley Fish’s institutionalist approach and Stanley Cavell’s conception of interpretation as reciprocal exploration. Through these authors, the dissertation brings to light the implications inherent in two different ways of conceiving normativity in interpretation: one grounded in interpretive communities, with their internal conventions, and another grounded in forms of life, with criteria that are shared and continually renewed. In particular, it is argued that Cavell’s notion of criteria, as structuring practices, offers an alternative to Fish’s conventionalist conception, in which they appear as products of beliefs. The aim is to make explicit how these notions entail a distinct understanding of the scope and process of interpretation. The analysis begins with a discussion of Wittgenstein’s philosophy of language, seeking to understand normativity as a non-foundational phenomenon, intelligible only when grasped in relation to a practice, rather than as an external imposition. A comparative analysis of Fish’s and Cavell’s positions then follows. Their central concepts and their implications for a theory of interpretation are discussed, such as forms of life and interpretive communities, criteria, intelligibility, and subjectivity. The central argument is that Fish’s conception points to a form of projection pre-determined by a system of beliefs, whereas Cavell’s opens a space for the notions of reciprocity, learning, and meaningful understanding. The third chapter reflects on how one becomes an autonomous interpreter, extending the discussion to themes such as learning, criticism, and art. The final argument is that interpretation cannot be understood as a mere uncritical application of rules, but rather requires, as its condition, the autonomy and judgment of the interpreter at every moment of their engagement with what lies beyond them.

Descrição

Mestrado em Teoria da Literatura.

Palavras-chave

Contexto Educativo

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