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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Resultado de uma complexa convergência entre os resultados e conclusões dos seus estudos sobre o Brasil e o modo português de colonizar os trópicos, e de suas observações quando do convite do governo português para conhecer o seu ultramar no início dos anos 1950, Gilberto Freyre formulou e sintetizou, no início desta mesma década, o conceito de lusotropicalismo. A partir das publicações do autor brasileiro que coroam esta viagem, pelo seu conteúdo e teor, o conceito passa a ser instrumentalizado pelo Estado Novo como elemento justificador e legitimador da sua presença colonial ultramarina. Posto que neste contexto o lusotropicalismo exercera uma função de constituição de uma consciência geopolítica eurocentrada semelhante ao que o orientalismo saidiano fizera, perguntamo-nos, aqui, quais seriam as relações entre os conceitos. Teria Freyre tido contato com autores orientalistas e, com isso, desenvolvido uma forma particular de orientalismo? Estaria o orientalismo inserido na tessitura do lusotropicalismo freyreano que permeou os discursos nacionais oficiais e oficiosos sobre a Questão de Goa (1954-1961)? Para respondermos a estas perguntas, empreendemos uma análise do desenvolvimento e da omplexificação do conceito de orientalismo, o qual constituiu nosso referencial teórico; uma verificação das interlocuções de Freyre com autores orientalistas; identificamos tropos orientalistas em suas obras; propomos uma abordagem conjunta que denominaremos Lusotropicalismo Orientalista e, lançando-nos da metodologia de Norman Fairclough de análise de discurso, analisamos as edições do jornal Diário de Notícias de todo o período em causa (abril de 1954 a dezembro de 1961). Nossa conclusão é a de que, a partir das formulações de Freyre, o lusotropicalismo emergiu e foi instrumentalizado como uma versão revisitada e adaptada ao caso português de orientalismo.
Descrição
Doutoramento em História: mudança e continuidade num mundo global.Universidade de Lisboa, ISCTE, Universidade Católica de Lisboa, Universidade de Évora, 2025
Palavras-chave
Lusotropicalismo Orientalismo Gilberto Freyre Questão de Goa
