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A experiência da ida ao cinema nos subúrbios de Lourenço Marques

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Nos subúrbios de Lourenço Marques, a ida ao cinema incluía-se entre os consumos culturais de um espaço urbano precário e instável, que crescia sob o domínio colonial português. Baseado num conjunto de testemunhos de indivíduos que durante o período colonial habitaram os bairros suburbanos da capital de Moçambique colonial, este texto procura interpretar o significado destes consumos, as suas funções e usos quotidianos.1 As imagens que chegavam às telas suburbanas dependiam das escolhas dos distribuidores e exibidores cinematográficos, bem como da ação dos vários mecanismos de censura mobilizados pela administração portuguesa. Nesta periferia, a ida ao cinema foi ainda condicionada por obstáculos materiais e preconceitos morais, que afastaram muitos habitantes das salas. Apesar destes bloqueios, a ida ao cinema foi para alguns dos moradores dos bairros suburbanos uma experiência extraordinária. As leituras e reações suscitadas por estes filmes nos bairros suburbanos revelam como a receção cinematográfica se encontrava incrustada nas práticas, representações e expectativas dos espectadores locais. Neste sentido, o subúrbio de Lourenço Marques foi um lugar de apropriação e ressignificação dos produtos de um comércio global.

Descrição

Palavras-chave

Contexto Educativo

Citação

Domingos, N. (2021). A experiência da ida ao cinema nos subúrbios de Lourenço Marques. In Domingos, N. (Ed.), Cultura Popular e Império: as lutas pela conquista do consumo cultural em Portugal e nas suas colónias, pp. 363-466. Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais.

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