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Projeto de investigação
Portuguese Coastal Monitoring Network
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Bayesian approach to ecological monitoring data: latent growth curve models
Publication . Oliveira, Pedro Miguel da Conceição; Bermudez, Patrícia Cortés de Zea,1966-; Costa, José Lino Vieira de Oliveira,1964-
Os efeitos da influência antropogénica no meio ambiente têm-se manifestado, cada vez mais, como uma das principais razões que contribui para a alteração e redução da biodiversidade local e global. Face ao constante aumento populacional, é expectável que, se não forem adotadas medidas de cariz urgente, muitas espécies fiquem em risco ou em última instância, tais processos nefastos poderão conduzir à sua extinção. Com vista a reverter este processo, ecologistas de todo o Mundo têm vindo a trabalhar continuamente no sentido de desenvolver mecanismos para deteção de riscos variados. Apoios institucionais têm-se revelado fulcrais no decorrer da implementação destes planos, providenciados tanto por autoridades de mitigação, como por entidades de proteção ambiental. No entanto, é importante salientar o papel fulcral
da intervenção das comunidades locais. Uma das principais causas da destruição maciça de habitats a nível global tem por base a emissão de substâncias de caráter poluente no meio ambiente. Dentro dos diferentes tipos de substâncias prejudiciais, a matéria orgânica proveniente de descargas de efluentes não tratados em áreas urbanas assume um papel importante na perturbação do equilíbrio e da estabilidade dos ecossistemas circundantes. Por forma a reduzir este tipo de contaminação nos sistemas aquáticos, induzida pela influência antropogénica, mecanismos de tratamento de águas urbanas e industriais têm vindo a ser desenvolvidos e aperfeiçoados, bem como as infraestruturas responsáveis por estes mesmos tratamentos, conhecidas como Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). De forma a proceder à monitorização da atividade destas estações especializadas, diferentes planos foram desenhados, implementados e melhorados para avaliar se ao longo do tempo se verifica um efeito prejudicial da construção e funcionamento das infraestruturas supracitadas no meio ambiente. Várias colaborações entre instituições governamentais e especialistas ambientais têm vindo a ser feitas de forma a dar resposta a este tipo de problemas. Mais concretamente, em 2001 deu-se início a uma parceria entre a Câmara Municipal de Almada e o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), com o principal objetivo de avaliar o impacto ambiental da construção de ETARs municipais drenantes no estuário do Tejo nas comunidades ribeirinhas do concelho de Almada. Em 2003, foi construída uma ETAR no Portinho da Costa, com o propósito de desativar um emissário de efluentes não tratados localizado no Porto do Buxo. Tendo sido obtidos dados relativos a este sistema, o seu tratamento e análise revelou-se necessário. Contudo, os métodos utilizados até então apenas descreviam as principais conclusões possíveis de deduzir, bem como a determinação da qualidade ecológica das águas numa janela temporal restrita através da utilização de um índice de qualidade ecológica. Um índice usado com bastante frequência na Europa é o Índice Biótico Marinho (AMBI - AZTI’s Marine Biotic Index), que se baseia em dois conceitos principais para caracterizar os locais de amostragem, Coeficiente Biótico e Índice Biótico. Com a acumulação de dados ao longo dos anos, para os diferentes locais de amostragem definidos previamente, tornou-se possível uma análise longitudinal dos dados, que permite a descrever tendências e a quantificar alterações nas comunidades biológicas existentes. Neste trabalho serão utilizados estes dados recolhidos entre 2004 e 2011 (completando 8 anos de dados) para a descrição de três importantes variáveis biológicas (Abundância Total de organismos, Riqueza Taxonómica e Coeficiente Biótico). Os Modelos Latentes de Curvas de Crescimento são uma ferramenta estatística frequentemente utilizada na análise de dados longitudinais, uma vez que permitem descrever e quantificar as alterações de uma determinada variável ao longo do tempo. Apesar destes modelos serem maioritariamente usados em Estatística Clássica, têm vindo a ser desenvolvidas abordagens do ponto de vista bayesiano. À luz desta forma de pensamento estatístico, os dados observados são considerados como entidades fixas e os parâmetros são variáveis aleatórias, que possuem a sua própria distribuição de probabilidade. Para a aplicação do método bayesiano, é necessário atribuir uma distribuição inicial aos parâmetros, distribuição a priori, através da informação que se tem até ao momento. A partir desta, e em conjugação com a função de verosimilhança dos dados, uma outra distribuição, denominada distribuição a posteriori, pode ser obtida por meio do Teorema de Bayes. Esta última, fornece a informação renovada acerca dos parâmetros do modelo, após se terem observado os dados. Habitualmente a distribuição a posteriori dos parâmetros é bastante complexa, tendo, por isso, que se recorrer a metodologias de simulação estocástica, tais como o método de Metropolis-Hastings e o método de amostragem de Gibbs, ambos baseados no conceito de cadeias de Markov. Para a aplicação dos Modelos Latentes de Curvas de Crescimento, é necessário ter a medição repetida de uma variável de interesse ao longo do tempo para a mesma unidade experimental. Com estas medições podem ser estimados o nível inicial (L) e o declive inicial (S) para cada unidade experimental. O caráter diferencial desta metodologia quando comparada com os Modelos Lineares Generalizados é a inclusão de
um parâmetro extra denominado parâmetro de forma (a). A simplicidade destes modelos permite uma descrição detalhada da variável de interesse utilizando os parâmetros latentes (não observados) acima mencionados. Para a realização deste trabalho foram selecionados os dados referentes a dois locais, Porto do Buxo e Portinho da Costa. Nestes locais, foram definidos radiais e transetos de forma a cobrir uma maior área. Como consequência desta decisão obtiveram-se 9 estações de amostragem no Porto do Buxo (3 transetos e 3 radiais) e 15 no Portinho da Costa (5 transetos e 3 radiais), perfazendo um total de 24 estações de amostragem.
Após uma análise detalhada dos dados, algumas decisões foram tomadas com o intuíto de obter
resultados mais adequados. Resumidamente, de forma a eliminar o enviesamento provocado por um evento externo (alteração não explicada que ocorreu de igual forma para todas as estações de amostragem) identificado em 2007, for feito um corte aos dados iniciais ficando apenas com os últimos quatro anos (2008 a 2011). Além disso, foram separadas as estações do ano de forma a eliminar o efeito da sazonalidade presente nos dados, ou seja, para cada uma das variáveis de interesse, foram ajustados quatro modelos diferentes, um para cada estação do ano. Para o ajustamento dos modelos, foram geradas 5 cadeias de Markov para cada parâmetro. De forma a não influenciar muito o resultado das simulações, foram utilizadas distribuições a priori vagas para que se pudesse deixar que "os dados falem". Relativamente aos resultados obtidos, de uma forma geral pode-se dizer que, ao longo dos quatro anos em estudo e para todas as estações do ano, os modelos propostos ajustaram-se bem em relação às tendências observadas. Resumidamente, para a abundância total de organismos e a riqueza taxonómica em cada estação do ano e em todas as estações de amostragem, é possível encontrar uma tendência crescente bem definida, com alguma variação em termos do declive. Embora isto pudesse significar que as comunidades biológicas estariam a caminhar para uma melhor saúde no geral, tal não se verifica, uma vez que foi possível encontrar uma tendência crescente no coeficiente biótico, ainda que com um declive reduzido. Por fim, com este trabalho foi possível avaliar a capacidade de ajustamento destes modelos a dados ecológicos. De um modo geral, estes modelos são úteis para a descrição e previsão de tendências em variáveis biológicas. No entanto, é necessário ter em atenção que, para que os resultados sejam o mais corretos possível, efeitos externos ao objeto principal da investigação devem ser atenuados ou eliminados, como foi o caso da sazonalidade. A possibilidade de inclusão de uma componente de sazonalidade no modelo não foi contemplada, ficando essa questão em aberto.
Activity patterns and tridimensional space use by the European catfish (Silurus glanis) in Belver reservoir
Publication . Santos, Gil Saraiva; Quintella, Bernardo Silva Ruivo; Ribeiro, Filipe Manuel Vidas
The European catfish (Silurus glanis) is a non-native species with invasive character to Iberian freshwaters. Being the largest fish species in its introduced range, possessing high fecundity rates, a large life expectancy and an extraordinary predatory potential, S. glanis has all the indicators that it could be exerting a dangerous pressure on native fish communities. Albeit there are some studies regarding the activity and depth use of this catfish, many of them are restricted to its native range and do not portrait the circadian and annual behaviours in detail. Moreover, no studies have compared the longitudinal space use between adults and juveniles in a recently invaded territory. To fill these knowledge gaps, this study resorts to acoustic biotelemetry technology to track a set of 25 fish (10 adults and 15 juveniles) with an array of fixed receivers in a Tagus River reservoir. The adults’ tags include a 3D-accelerometer and pressure sensors that allow obtaining information on activity and depth use for over a year. The results show that S. glanis is active throughout the year but with higher activity levels in summer and minimal in autumn, and with a crepuscular and nocturnal increase in activity. Silurus glanis occupies shallower depths in spring/summer, while in autumn/winter roams at relatively deeper waters. Circadian vertical movement patterns were identified; however, they vary seasonally and have some individual variability. The areas used by the adults are larger than juveniles’ and increase in warmer months. Adult preferences in the use of specific areas across the year and a possible migration to a spawning site were identified. Such findings will support the development of more effective control measures, for instance, by providing information on how to allocate the fishing efforts in space and time to maximize the efficiency of mass removal actions of this invasive fish.
Tools for the management and conservation of the European eel (Anguilla anguilla): an application to Santo André lagoon
Publication . Correia, Maria João; Costa, José Lino Vieira de Oliveira; Domingos, Isabel Maria Madaleno; De Leo, Giulio
The critical status of the European eel (Anguilla anguilla) population is an ongoing concern for fisheries and environmental managers. The European Eel Regulation approved in 2007 established the framework for the eel recovery, although incomplete knowledge about the stock hampers management that ensure the species’ sustainability.
The present research investigated the dynamics of the European eel in a coastal lagoon, contributing to increase the knowledge about the species and to the assessment of the status of the stock in Portuguese inland waters. The information gathered on eel recruitment, and on the species exploitation and life history traits in a Portuguese brackish system, the Santo André lagoon, provided relevant data to develop stock assessment tools, and to analyse and understand the impact of management decisions on the local eel stock.
Data on glass eel from the rivers Minho and Lis provide insights on recruitment trends in Portugal in recent decades and on the drivers of glass eel ingress into Portuguese coastal systems and were used as a proxy to the recruitment dynamics in Santo André lagoon.
Results suggest that eel recruitment shows no evidence of a dramatic decline in Portugal, compared to trends reported for other European rivers. The dynamics of the eel population in continental waters was studied from a socio-economic and biological perspective in Santo André lagoon, where the eel yield is significant. The fishery statistics since the 1980’s and the field work conducted in 2011/12 and in 2015/16 have made possible to gather relevant information on the exploitation and biology and have provided the necessary data to characterize the local eel population. Data collected were used to calibrate a Bayesian state-space Integral Projection Model (SSIPM) that described the eel dynamics in the lagoon and estimated relevant eel biomass indicators.
The eel population in the lagoon is male-skewed and characterized by a relatively young population (average age is 2.3 years), with only 13.7 % of individuals above 350 mm (13.7%). Eel growth in the lagoon is among the fastest reported for the species and explains the early onset of maturity in males, which metamorphose into silver eels, on average, at three years of age. The male dominance in the lagoon is most likely related to the high eel density estimates obtained with the SSIPM, ranging between 6 and 139 kg ha-1 in the years studied (2008-2017). The high productivity of the system supports one of the highest eel fishing yields in the species’ range, which represents a substantial share (50%) of local fishermen’s income.
The increase in the catch per unit effort between 2006 and 2017 obtained from fisheries statistical data, was hypothesized to be a consequence of fishing effort reduction under the eel regulation, combined with an increase in natural recruitment. These results point out to the positive signs of the adaptive approach adopted in local fisheries management, although the eel regulation targets (silver eel biomass escapement) may be compromised.
The closed nature of the lagoon translates into a late escapement of silver eels, which occurs only in the spring when the connection to the sea is artificially re-established, making them very vulnerable to capture by the fishery. Despite being an illegal activity, silver eel fishing occurs, showing that the management system must be improved. There are conditions to implement fisheries co-management in this socio-ecological system, and the estimated fishing yield and silver eel escapement under different management scenarios suggest that there are opportunities to improve the sustainability of the local European eel population.
The SSIPM developed proved to be a useful tool to describe the European eel population in Santo André lagoon and can be used to support the evaluation of the Portuguese eel management plan, particularly in coastal brackish systems. The framework can be adapted to other eel habitats where eel abundance time-series are available, ideally incorporating information on sex ratio, growth, and length at silvering of the local population, since those life history traits are environmentally dependent.
Trace metals in the Sado estuary and their implications on the environmental quality
Publication . Almeida, José Miguel Vaz de; Brito, Ana Cristina Florindo de; Palma, Carla
Ao longo do tempo, os estuários têm sido áreas de eleição para o estabelecimento de comunidades
humanas, nomeadamente devido à proximidade do oceano, essencial para o comércio, abastecimento de
água potável do rio, de alimentação, e uma certa estabilidade do clima ao longo do ano. Com o
desenvolvimento da agricultura e da indústria, a poluição destes ambientes tem sido uma preocupação
nas últimas décadas, levando à implementação de programas de monitorização da qualidade das várias
matrizes (água, sedimento, biota) dos estuários e zonas costeiras. Um dos contaminantes estudados são
os metais e semimetais, que estão presentes naturalmente no meio ambiente, como parte de ciclos
biogeoquímicos. No entanto, as atividades antropogénicas têm vindo a introduzir metais no meio
ambiente, alterando as suas concentrações naturais. Além disso, podem acumular-se nos sedimentos,
bioacumular na biota ou ser transportados para o oceano através das correntes.
Na segunda metade do século XX começou a surgir a necessidade de prevenir e controlar as ameaças
ambientais, através da aprovação de legislação relativa a programas de monitorização, padrões de
qualidade e programas de medidas. Em relação ao continente europeu, a Diretiva Quadro da Água
tornou-se o primeiro enquadramento legal sobre a qualidade da água nas regiões hidrográficas dos
estados membros. Foram definidos Padrões de Qualidade Ambiental por entidades europeias e nacionais
no contexto da Diretiva, para proteger as águas recetoras dos efeitos nocivos de contaminantes. No caso
dos metais, o cádmio, o mercúrio, o chumbo e o níquel foram considerados substâncias prioritárias,
sendo os dois primeiros considerados perigosos. Além do aspeto legislativo, também foram
desenvolvidos índices de poluição para auxiliar na avaliação da qualidade ambiental dos diversos
contaminantes. Existem várias abordagens para metais, desde as diretas, comparando as concentrações
com os padrões de qualidade ambiental, até às mais complexas, nas quais as concentrações de metais
são normalizadas através de concentrações de fundo ou agentes normalizadores, a fim de melhor
entender os possíveis enriquecimentos ou contaminações.
O estuário do Sado localiza-se a cerca de 40 km a sul do estuário do Tejo, pertencendo à Bacia
Hidrográfica do Sado. O estuário tem uma área total de cerca de 23560 ha, uma área alagada de cerca
de 150 km2
, e uma profundidade média de 10 m. O canal de Alcácer, apesar de ser a principal entrada
de água doce no sistema, apresenta um caudal baixo e sazonalmente variável, resultando num estuário
predominantemente influenciado pela maré. O estuário pode ser classificado como um estuário bem
misturado, com muito pouca estratificação e uma homogeneidade vertical relativamente alta, e com
circulação nos canais Norte e Sul. O fundo do estuário é dominado por areias, que tendem a ser
transportadas para a foz do estuário, resultando na necessidade de dragagens constantes para manter
uma profundidade adequada ao tráfego de navios. O estuário pode caracterizar-se pela convergência de
várias pressões, desde urbanas, industriais, agrícolas e de lazer, dragagens recorrentes devido ao acesso
ao porto, bem como interesses naturais, culturais e científicos. Para equilibrar esses componentes, o
estuário foi considerado como Reserva Natural em 1980.
Decorreram campanhas de amostragem entre 2018 e 2020, com recolha de amostras de água e
sedimentos em 7 estações na bacia central e nos canais do estuário. Foram realizadas um total de treze
campanhas para as amostras de água e três campanhas para as amostras de sedimentos. Uma quarta
campanha foi feita em 2018 para amostrar sedimentos em 35 estações ao longo do estuário e a montante
de ambos os canais, a fim de ter uma perspetiva espacial mais ampla. As concentrações de metais
dissolvidos foram analisadas para todas as amostras. Além disso, o teor de matéria orgânica e a
granulometria foram analisados em certas amostras de sedimentos. Os resultados mostraram que os
valores médios anuais e máximos admissíveis da maioria dos metais nas amostras de água não
superaram os padrões de qualidade ambiental definidos, com exceção de algumas concentrações mais
altas de cádmio, e o valor médio anual de zinco, que superou regularmente o valor médio anual de
referência. Em termos espaciais, há uma diminuição das concentrações das estações internas para as externas. Em relação às amostras de sedimentos, de 2018 a 2019 houve aumento nas concentrações de
arsénio, cobre, chumbo e zinco, principalmente numa das estações internas e noutra próxima da área
industrial. No ano de 2019 também houve uma percentagem elevada incomum de sedimentos mais finos
(silte e argila) nas duas estações mencionadas. Na campanha com as 35 estações, as amostras localizadas
a jusante do canal de Alcácer e a montante do canal da Marateca apresentaram as maiores percentagens
de matéria orgânica e sedimentos mais finos, enquanto as da bacia do estuário apresentaram as menores
percentagens. Houve concordância entre as estações com maiores percentagens de matéria orgânica e
sedimentos mais finos e com as maiores concentrações de metais.
Para avaliar a variação de longo prazo, os dados de 2018 a 2020 foram comparados com um conjunto
de dados históricos, recolhidos entre 1986 e 2010 pelo Instituto Hidrográfico. A maioria das
concentrações de metais na água diminuiu em comparação com os últimos anos do conjunto de dados
históricos (na década de 2000-2010), principalmente os de ferro, mercúrio e chumbo, à exceção do
arsénio, que se manteve estável durante o período de amostragem. Houve também uma maior
proximidade entre as concentrações das várias estações nos dados recentes em comparação com os dados
históricos. Em relação aos sedimentos, as concentrações no período 2018-2020 estabilizaram no mesmo
intervalo de valores dos últimos anos do conjunto de dados históricos, com exceção dos valores mais
elevados em 2019 mencionados anteriormente.
A partir da análise entre as concentrações de metais nos sedimentos, a granulometria e o conteúdo
orgânico, obteve-se uma correlação forte das concentrações de alguns dos metais com os sedimentos
mais finos, nomeadamente para as estações do canal de Alcácer e próximas da zona industrial. Os índices
de poluição aplicados aos resultados demonstraram que os sedimentos da estação em frente à área
industrial tiveram o pior desempenho em termos de enriquecimento e contaminação, enquanto a estação
próxima da foz do estuário e a mais abrigada no canal da Marateca tiveram um melhor desempenho.
Relativamente à campanha de 35 estações, obteve-se uma correlação positiva elevada entre as
concentrações da maioria dos metais e as percentagens de sedimentos mais finos e matéria orgânica,
com as estações a jusante do canal de Alcácer e a montante do canal da Marateca a apresentarem os
maiores enriquecimentos e contaminações. Estes locais foram estudados previamente quanto às suas
condições para aquacultura, leitos naturais e para criação de embriões e juvenis, tendo já sido registadas
algumas preocupações com o aumento das pressões antropogénicas e focos de contaminação que afetam
a fauna e a flora que habitam o estuário. Para além da contaminação industrial e histórica da exploração
mineira na Bacia Hidrográfica do Sado, foi também considerado o contributo de uma ponte no canal de
Alcácer, uma vez que a campanha de 35 estações mostra uma diferença nas concentrações de metais
antes e depois da ponte.
O presente estudo permitiu caracterizar as concentrações de metais no estuário do Sado e nos seus
dois canais principais, com várias campanhas num período de três anos. A comparação com o conjunto
de dados históricos põe em perspetiva os valores obtidos e a sua variação ao longo do tempo, num
período em que novas legislações e programas de monitorização foram implementados, visando
melhorar ou manter a qualidade do estuário e da fauna e flora que o habitam.
European catfish (Silurus glanis) movements and diet ecology in a newly established population in the Tagus drainage
Publication . Ferreira, Marco Alexandre Morgado Frade; Ribeiro, Filipe Manuel Vidas,1975-; Quintela, Bernardo Silva Ruivo,1976-
As invasões biológicas são uma das principais causas da perda de biodiversidade à escala mundial. O fenómeno da introdução de espécies afeta quase todos os ecossistemas. Os ecossistemas de água doce são altamente biodiversos, contendo cerca de 50% das espécies de peixe conhecidas e sendo vitais para o desenvolvimento da sociedade. No entanto, estão sob tremenda pressão, entre as consequências das alterações climáticas, da poluição, e regulação dos sistemas fluviais (e.g. barragens) que os deixaram vulneráveis, as espécies introduzidas têm tido maior facilidade em se estabelecer, tornando estes ambientes nuns dos mais fortemente afetados por espécies introduzidas. As espécies introduzidas afetam uma multitude de aspetos a diferentes escalas, de genes ao ecossistema. Ameaçam a biodiversidade única encontrada nestes ambientes aquáticos através da hibridação, a introdução de novos agentes patogénicos, competição e predação. Nos ambientes aquáticos portugueses, estão identificadas 20 espécies de peixe invasoras com novas espécies a serem detetadas a um ritmo sem precedentes de uma nova espécie a cada dois anos. O Peixe-gato-europeu, foi uma das introduções mais recentes. Este predador de topo, nativo da Europa Central e de Leste, foi primeiro introduzido em Espanha tendo dispersado ao longo do Tejo até chegar a Portugal, provavelmente ajudado por meios humanos. O facto de se tratar de uma chegada recente representa uma oportunidade de estudar os primeiros estágios de invasão e de como esta espécie pode vir a moldar a comunidade faunística aquática à sua volta. Este trabalho foca-se em dois aspetos dos hábitos desta espécie para tentar medir o seu potencial impacto na fauna que ocorre nas águas doces portuguesas: movimentos e dieta. Os resultados deste estudo sugerem que esta espécie se encontre mais ativa durante os meses de Verão (Área utilizada teve o seu máximo a 2,79km2) e mais letárgica durante o Inverno (Área utilizada desceu a um mínimo de 0,45km2). O nível de atividade revelado por esta espécie parece ser altamente condicionado pela temperatura e caudal, com outras variáveis testadas a não demonstrarem influência significativa sobre a extensão da área utilizada. Esta espécie exibiu grande fidelidade espacial (84%), mas, no entanto alguns indivíduos (16%) mostraram-se capazes de movimentos de longa distância (até 11.5km) que podem ajudar à sua dispersão. Uma tendência para a agregação durante o período de reprodução foi também observada. A análise ao nível da utilização de habitat ao longo da coluna de água, através da obtenção do registo de profundidades utilizadas por um dos indivíduos marcados, indica que esta espécie poderá fazer uso de habitats mais superficiais do que previamente pensado. Também apontou para um nível estável de atividade durante todo o dia na Primavera, Verão e Outono, mas atividade quase exclusivamente noturna no Inverno. Os hábitos alimentares observados com o estudo da dieta são preocupantes. Esta espécie tem a capacidade de predar sobre todo o espetro de presas disponíveis, exibindo dietas distintas nos habitats lênticos e lóticos. Nas secções lóticas do Tejo uma grande percentagem, da sua dieta é composta por peixes nativos e camarão-de-água-doce. A predação sobre Enguia-europeia e Lampreia-marinha representa uma fonte de pressão adicional sobre estas espécies ameaçadas. Os peixes-gato de habitats lênticos, por oposição, alimentaram-se quase exclusivamente de crustáceos (camarão-de-água-doce e lagostim-vermelho) com muito poucos peixes, que eram na sua maioria não-nativos. No geral, indivíduos mais pequenos também se alimentavam de presas mais pequenas. Observou-se grande variação ontogénica na dieta do Peixe-gato-europeu. Nos sistemas lênticos, a piscívoria só foi observada em indivíduos de grande porte, no entanto, nos sistemas lóticos, a classe mais pequena de peixes já incluía outras espécies de peixe como parte da sua dieta. Em suma, os resultados deste trabalho podem ser importantes para perceber a capacidade de dispersão desta espécie em Portugal e dos seus impactos na fauna nativa. As conclusões apresentadas deverão provar-se instrumentais aquando da criação de planos de mitigação dos impactos desta espécie, ou para qualquer plano de conservação direcionado para as espécies que coabitam com o Peixe-gato-europeu. Por exemplo, as agregações durante o período de reprodução podem representar uma oportunidade para a remoção de grandes quantidades de indivíduos.
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Entidade financiadora
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Programa de financiamento
9444 - RNIIIE
Número da atribuição
PINFRA/22128/2016
