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FM – Trabalhos Finais de Mestrado Integrado

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  • Intervenções psicológicas em casais com mulheres diagnosticadas com cancro da mama : uma revisão sistemática
    Publication . Pascoal, Madalena Alves; Barbosa, Filipe Marques da Gama
    O cancro da mama está associado a um impacto psicossocial considerável na vida das mulheres e dos seus parceiros, nos quais se reportam maiores níveis de distress psicológico, dificuldade sexual e menor satisfação marital. Atualmente, adota se uma perspetiva de impacto no casal enquanto unidade e não em cada elemento isolado, pelo facto da experiência ser conjunta e da interação relacional influenciar o distress em ambos. Assim, infere se que a abordagem dos problemas psicológicos possa ser também conjunta. O objetivo d a presente Revisão Sistemática é analisar o formato e eficácia das intervenções psicológicas em casal e determinar o seu impacto nas variáveis psicossociais, relacionais e sexuais, visando fornecer informação p ara futuras orientações nesta área. A pesquisa bibliográfica de artigos foi realizada com recurso aos motores de busca Pubmed (base de dados: MEDLINE) e EBSCOhost (bases de dados: APA PsychArticles, APA PsychInfo, Academic Search Ultimate, MEDLINE Ultimate, full text e Psychology and Behavioral Sciences Collection). A seleção de artigos foi limitada a estudos experimentais, redigidos em português ou inglês e com enfoque exclusivo em intervenções aplicadas em ambos os elementos de casais cuja mulher tinha sido diagnosticada com cancro da mama. Seguindo esta metodologia foram incluídos doze artigos. Os resultados evidenciam a existência de múltiplas modalidades de intervenções psicológicas em casal e apoiam a hipótese de que são eficazes na melhoria de fatores psicossociais e psiquiátricos relacionados com o distress , bem como na melhoria da qualidade de vida e das dinâmicas relacionais e sexuais.
  • DNA tumoral circulante (ctDNA) pré e pós operatório como marcador de prognóstico em doentes submetidos a cirurgia por adenocarcinoma ductal do pâncreas : uma revisão sistemática e meta-análise
    Publication . Pinto, Mafalda Castela Graça Silva; Borges, Filipe
    Contexto: O adenocarcinoma ductal do pâncreas (ACDP) é a quinta causa de morte por neoplasia na Europa. As opções terapêuticas são limitadas e a sobrevivência é baixa. A cirurgia é a única cura possível, mas a recorrência é comum. Objetivo: Esta revisão sistemática e meta-análise visam avaliar o valor do DNA tumoral circulante (ctDNA) presente em biópsia líquida pré e pós-cirurgia como biomarcador de prognóstico em doentes com adenocarcinoma do pâncreas. Métodos: Efectuou-se uma revisão sistemática e meta-análise de estudos identificados na Medline (via PubMed) e Web of Science. Principais Outcomes: Os outcomes primários incluem a sobrevivência livre de doença (DFS) e sobrevivência global (OS). Resultados: Identificámos 18 estudos (965 doentes) para análise. A presença de ctDNA pré-operatória foi significativamente associada a menor DFS (HR: 2.08; 95% CI: 1.63 - 2.65, p<0.00001) e OS (HR: 2.31; 95% CI: 1.66 - 3.22; p<0.00001) em 9 e 10 estudos, respetivamente. A positividade do ctDNA pós-operatório também se correlacionou com menor DFS (HR: 3.29; 95% CI: 2.10 - 5.15; p<0.00001) e OS (HR: 3.42; 95% CI: 2.06 - 5.67; p<0.00001) em 11 e 9 estudos, respetivamente. Conclusão: Tanto o ctDNA pré-operatório como o pós-operatório são marcadores prognósticos significativos em doentes com ACDP submetidos a cirurgia. A monitorização do ctDNA pode auxiliar na personalização do tratamento, especificamente na seleção de doentes para terapêutica neoadjuvante, cirúrgica e adjuvante. Estudos futuros devem focar-se na padronização dos métodos de detecção e na validação em populações diversas.
  • RANK pathway mediates a dual response to TRAIL in luminal breast cancer
    Publication . Gaio, João Henrique Dias; Casimiro, Sandra Cristina Cara de Anjo
    O cancro da mama é o cancro mais frequente nas mulheres e a principal causa de morte por cancro, tendo sido responsável por 2,3 milhões de novos casos em 2020, representando, assim, 11,7 % dos diagnósticos de cancro globalmente. O cancro da mama é uma doença bastante heterogénea, sendo o subtipo mais comum o Luminal, que apresenta expressão de recetor de estrogénios (RE), recetor de progesterona (RP), ou ambos. Adicionalmente, o cancro da mama Luminal pode ainda ser divido em Luminal A e Luminal B, estando este último associado a uma maior expressão de genes ou proteínas associadas a proliferação (maior expressão de Ki67, por exemplo), ou amplificação do recetor do fator de crescimento epidérmico humano tipo 2 (HER2). A via do recetor ativador do fator nuclear-kB (RANK), principalmente conhecida pelo seu papel na regulação da fisiopatologia óssea, apresenta-se também como um regulador da carcinogénese mamária e progressão tumoral. Desta forma, o bloqueio farmacológico de RANK ligando (RANKL) está a ser estudado independentemente da presença de metástases ósseas, quer a nível preventivo em mulheres portadoras da mutação BCRA1 que apresentam risco aumentado de desenvolver cancro da mama, quer em contexto adjuvante para prevenção de recidiva óssea, onde se observou maior eficácia em combinação com inibidores da aromatase em mulheres pós-menopáusicas. Estudos prévios do nosso laboratório demonstraram que o cancro da mama Luminal com sobre-expressão de RANK (RANK OE) pode desafiar as estratégias terapêuticas atuais, sendo resistente à quimioterapia, terapia endócrina e inibidores das cinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6). Adicionalmente, resultados preliminares sugerem que a ativação da via RANK ou a sua sobre-expressão levam a um aumento da expressão de recetores do ligando indutor de apoptose relacionado com o fator de necrose tumoral (TRAIL), recetores de morte 4 e 5 (DR4 e DR5), bem como de proteínas inibidoras da apoptose (cIAP1 e 2), sem, no entanto, se observarem alterações significativas na taxa de apoptose in vitro ou in vivo. Com base nestes resultados colocámos a hipótese de que células de cancro da mama Luminal RANK-positivas podem ser resistentes à apoptose induzida por TRAIL, uma caraterística comum das células cancerígenas.As IAPs são proteínas inibidoras das vias das caspases e, por isso, inibem a apoptose. Adicionalmente, são potentes reguladores das vias de sinalização do NF-kB e do recetor do fator de necrose tumoral (TNF), estando frequentemente sobre-expressas em cancro. A expressão de IAPs está associada a um mau prognóstico, dada a sua contribuição para a sobrevivência das células tumorais, quimiorresistência e progressão da doença. Adicionalmente, e paradoxalmente dado que o TRAIL é um potente indutor de apoptose, estudos recentes em diferentes tipos de cancro demonstraram um efeito oposto, nomeadamente proliferação induzida por TRAIL, que pode ser mediada, por exemplo, pelas vias ERK ou PI3K/Akt. Tendo em conta estas evidências, este estudo teve como objetivo investigar o efeito da sobre-expressão de RANK na resistência à apoptose induzida por TRAIL em cancro da mama Luminal, avaliando a eficácia dos antagonistas de IAPs e de inibidores do RANKL para superar essa possível resistência. Para isso, usámos duas linhas celulares humanas de cancro da mama Luminal, MCF-7 e T47D, e os seus derivados RANK OE, previamente gerados e caracterizados pelo nosso Laboratório. Para determinar a resposta intrínseca à apoptose induzida por TRAIL, as células foram mantidas na presença ou ausência de TRAIL recombinante (50, 100, 250 e 500 ng/mL) por diferentes períodos (24, 48 e 72 horas). A viabilidade celular foi avaliada através do ensaio Alamar blue, a proliferação celular através da incorporação de BrdU, e a apoptose através da expressão de anexina V e 7-AAD medida por citometria de fluxo em células tratadas durante 48h com 250 ng/mL de TRAIL. Para avaliar a eficácia terapêutica de um antagonista da cIAP (BV-6) e do bloqueio da via do RANK com um inibidor de RANKL (RANK-Fc) em combinação com o TRAIL, foi quantificada a viabilidade celular de células tratadas durante 48h com 100 ng/mL de BV-6 e/ou de RANK-Fc ± 250 ng/mL de TRAIL, através do ensaio de Alamar blue. Finalmente, para avaliar a ativação da via RANK e a proliferação após estímulo com TRAIL, analisámos a expressão de proteínas a jusante de RANK, bem como do antigénio nuclear de células proliferativas (PCNA) por Western blot, em células parentais e RANK OE estimuladas com 100 ng/mL de TRAIL por diferentes intervalos de tempo. Como esperado, a exposição ao TRAIL diminuiu a viabilidade celular de células com níveis fisiológicos de RANK, mas não de células RANK OE, onde não só se observou resistência ao TRAIL, como também um aumento da proliferação celular, mais evidente após 48 horas de tratamento com 250 ng/mL e 500ng/mL de TRAIL. Esta observação foi confirmada pela quantificação da incorporação de BrdU, e complementada pela avaliação da apoptose induzida por TRAIL, com as células parentais MCF-7 a apresentarem uma resposta apoptótica significativamente mais elevada após o tratamento com TRAIL e as células MCF-7 RANK OE a apresentarem uma resposta negligenciável (tanto na apoptose precoce como na tardia). Estes resultados suportam a hipótese de que a sobre-expressão de RANK diminui a sensibilidade à apoptose induzida pelo TRAIL em linhas celulares de cancro da mama Luminal. No entanto, apesar de estudos anteriores em diversos tipos de cancro sugerirem a implicação das vias ERK ou PI3K/Akt na resistência à apoptose induzida por TRAIL, não observámos diferenças na expressão destas proteínas, motivo pelo qual será importante realizar estudos adicionais neste sentido. Relativamente ao potencial do bloqueio da via RANK e utilização de antagonistas da cIAP para sensibilizar células RANK OE à apoptose induzida por TRAIL, nenhum dos compostos (BV-6 ou RANK-Fc) em monoterapia afetou significativamente a viabilidade celular na presença de TRAIL, sugerindo que a resistência à apoptose induzida pelo TRAIL é independente das cIAP. No entanto, a terapia combinada (BV-6 + RANNK-Fc) inibiu a proliferação induzida por TRAIL nas células RANK OE, sugerindo uma possível ligação entre as cIAPs e a proliferação mediada por TRAIL observada nestas células. Em suma, utilizando uma abordagem in vitro, confirmámos que a sobre-expressão de RANK induz resistência intrínseca à apoptose induzida pelo TRAIL, que parece ser independente das cIAP. Por outro lado, o TRAIL é indutor da proliferação em linhas celulares RANK OE, que pode ser impedida com recurso a antagonistas das cIAP em combinação com inibidores do RANKL. O cancro da mama Luminal com sobre-expressão de RANK representa um desafio terapêutico, e a inibição farmacológica da via RANK é um tema de particular relevância. Dados pré-clínicos sugerem que a quimioterapia, terapia endócrina e inibidores de CDK4/6 serão menos eficazes neste subgrupo de doentes, devido às alterações moleculares que ocorrem concomitantemente com a sobre-expressão de RANK. Sendo a resistência à apoptose induzida pelo TRAIL outra característica de tumores RANK OE, serão necessários estudos complementares de forma a explorar novas formas induzir apoptose, tendo como objetivo final melhorar os resultados daquela que é uma das patologias mais relevantes atualmente.
  • Tabela nacional da funcionalidade, a sua aplicabilidade e a importância para a comunidade e para medicina geral e familiar : estudo observacional numa população da Associação Novamente
    Publication . Timóteo, Joana Filipa Martins; Ribeiro, Cristina; Nicolau, Leonor Bacelar
    Introdução: A Tabela Nacional de Funcionalidade (TNF) visa equalizar políticas de saúde, sociais e de emprego, focando-se na funcionalidade de indivíduos com doenças crónicas e incapacidades. O Médico de Família, cuidador primário, tem o papel fundamental de conhecer a condição clínica e funcional dos seus utentes. Isto é particularmente útil para os poder ajudar a lidar com a sua situação com o auxílio de parcerias a instituições a que os utentes possam recorrer e é nesta perspetiva que surge este trabalho. A Associação Novamente (AN) é uma instituição que apoia vítimas de Dano Cerebral Adquirido (DCA) e suas famílias, melhorando a sua qualidade de vida. Este estudo investiga a influência de fatores sociodemográficos na funcionalidade dos associados da AN. Objetivos: Avaliar a funcionalidade de indivíduos da Associação Novamente e identificar os determinantes de saúde sociodemográficos e clínicos mais associados, como género, idade, grau de escolaridade, situação profissional, estado civil, local de residência, seguimentos por Médico de Família e por outro profissional especializado, tipo de DCA, e tempo desde a ocorrência do DCA. Métodos: Este estudo observacional, descritivo e transversal consistiu na aplicação de um questionário sobre dados sociodemográficos e clínicos e da TNF a associados da AN. Estes dados foram recolhidos em sessões online e por via telefónica, garantindo a privacidade e o anonimato dos participantes. Aplicaram-se metodologias estatísticas uni e bivariadas descritivas (médias, medianas, desvio-padrão, intervalões interquartis para variáveis quantitativas e frequências absolutas e percentagens para qualitativas, coeficientes de correlação de Spearman) e inferenciais (testes de Mann-Whitney e testes exatos de Fisher-Freeman-Halton). Resultados: A amostra inclui 30 participantes, maioritariamente homens (60,0%) e com idade média de 40,0 ± 10,8 anos. Houve associações estatisticamente significativas entre a situação profissional e os graus de funcionalidade nas competências gerais, mostrando que indivíduos ativos profissionalmente têm níveis de funcionalidade superiores aos inativos. Também se observou que indivíduos com DCA por eventos internos apresentam funcionalidade mais comprometida. Embora outras variáveis não apresentassem resultados estatisticamente significativos, notaram-se tendências, especialmente entre homens, menores de 35 anos, com escolaridade até ao ensino secundário e residentes em áreas rurais, que mostraram maiores dificuldades em várias dimensões da TNF. Conclusões: Os fatores sociodemográficos influenciam a funcionalidade dos indivíduos com DCA. Estes achados reforçam a necessidade de estratégias personalizadas para a reintegração social e profissional desses pacientes, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida.
  • Vasopressin in refractory septic shock : a retrospective analysis
    Publication . Naves, João Miguel Teixeira Pimenta Maldonado; Gonzalez, Filipe
    Introdução: O choque séptico é uma causa significativa de morbi-mortalidade globalmente. A noradrenalina é unanimente considerada como o vasopressor de primeira linha, e a vasopressina é o agente de segunda linha recomendado. No entanto, ainda existem incertezas quanto à eficácia, timing e segurança da vasopressina. Objetivo: Determinar se a combinação de vasopressina à noradrenalina em pacientes com choque séptico está associada a diferenças na evolução dos parâmetros hemodinâmicos e metabólicos, na necessidade de suporte orgânico, mortalidade e eventos adversos. Métodos: Este estudo retrospetivo unicêntrico avaliou pacientes admitidos na UCI Polivalente do Hospital Garcia de Orta entre Outubro de 2022 e Outubro de 2023 com choque séptico tratados com noradrenalina, com ou sem adição de vasopressina. Foram avaliados os parâmetros hemodinâmicos e metabólicos nas primeiras 24 horas, mortalidade e necessidade de suporte orgânico. Foram efetuadas análises de subgrupos para a resposta à vasopressina e para doses de noradrenalina superiores ou inferiores a 0,5 μg/kg/min. Resultados: A perfusão de vasopressina reduziu as necessidades de noradrenalina em 25 % nas primeiras 8 a 12 horas e em 54,5% ao longo das primeiras 24 horas (P=0,006 and P=0,002, respetivamente) e também diminuiu a frequência cardíaca nas primeiras 8 a 12 horas e durante as primeiras 24 horas (P=0,015 and P=0,013, respetivamente). A resposta à vasopressina associou-se a uma diminuição da frequência cardíaca (P=0,004 para 8 a 12 horas; P=0,031 para as 18 a 24 horas). O uso de vasopressina não se associou a um aumento da incidência dos eventos adversos nem a diferenças na mortalidade. Conclusão: A perfusão de vasopressina reduziu as necessidades de noradrenalina e a frequência cardíaca, mas não se associou a diferenças na mortalidade e eventos adversos.
  • Glucocorticoides na esclerose sistémica
    Publication . Luís, Joana Raquel Ferreira; Santos, Maria José Parreira dos; Abreu, Ana Catarina Pereira
    Introdução: A esclerose sistémica (ES) é uma doença heterogénea relativamente às suas manifestações clínicas e imunológicas, evolução e prognóstico. Apresenta elevada morbimortalidade, sobretudo quando estão presentes complicações de órgão major, pelo que a abordagem a estes doentes é um grande desafio médico. Ao contrário de outras doenças imunomediadas em que os glucocorticoides (GC) são amplamente usados com evidência clínica robusta, o seu papel na ES é controverso. Embora os GC possam ser úteis no controlo de algumas manifestações inflamatórias, o seu uso tem sido associado a um risco aumentado de Crise Renal Esclerodérmica (CRE). Como resultado, existe uma grande variabilidade na prescrição de corticosteroides entre os reumatologistas. Objetivos: Caracterizar o padrão de utilização de GC nos doentes com ES, os motivos da sua prescrição, os seus benefícios e riscos, nomeadamente de desenvolvimento de CRE. Métodos: Estudo retrospetivo de doentes com diagnóstico de ES de acordo com os critérios ACR/EULAR 2013, seguidos na consulta de reumatologia do Hospital Garcia da Orta e registados na plataforma Reuma.pt. Foi realizada uma análise descritiva para caracterização dos tratamentos realizados com GC. Os doentes com o diagnóstico de ES foram divididos em dois grupos, um de doentes que realizou pelo menos um tratamento com GC e outro de doentes nunca medicados com GC. A comparação entre os dois grupos foi realizada através do teste qui-quadrado, T-student ou de Mann-Whitney, conforme apropriado. A significância estatística foi determinada para valor-p inferior a 0.05. Resultados: Foram incluídos 157 doentes com ES, dos quais 47.1% realizaram tratamento com GC sistémicos. Os doentes medicados com GC apresentavam mais frequentemente fenótipo de ES de síndrome de sobreposição, úlceras digitais, miosite e diabetes mellitus. Os doentes sob GC realizaram mais frequentemente outros tratamentos imunossupressores. A maioria dos doentes realizou apenas um ciclo de tratamento com GC, contudo 36.6% dos doentes realizaram dois ou mais, totalizando 111 tratamentos. A formulação mais frequentemente utilizada foi a prednisolona oral e a indicação mais frequente para o tratamento foi o envolvimento musculoesquelético. Neste envolvimento bem como no cutâneo utilizaram-se preferencialmente doses baixas (≤7.5mg/dia) e intermédias (>7.5mg/dia e ≤30mg/dia) de GC, ao contrário do envolvimento pulmonar em que se utilizaram principalmente doses altas (>30mg/dia). A serosite foi a manifestação com melhor resposta clínica aos GC. Apenas se verificou um caso de CRE num doente não medicado com GC. Conclusão: Apesar das preocupações com a segurança, os GC são frequentemente utilizados para tratar a ES, particularmente as manifestações musculoesqueléticas, cutâneas e pulmonares. Os nossos dados sugerem um benefício terapêutico dos GC no tratamento da ES e a sua utilização não se associou ao desenvolvimento de CRE nesta coorte.
  • Associação entre regulação emocional e adição a videojogos : estudo transversal em jovens adultos
    Publication . Graterol, João Henrique Portugal Pires Leça; Barbosa, Miguel Marques da Gama; Santos, Osvaldo
    Introdução: O crescente uso excessivo de videojogos é um problema de saúde pública emergente, problema este que se carateriza por um padrão recorrente de comportamentos aditivos. Associado a estes comportamentos estão muitas vezes dificuldades na regulação emocional, pelo que é importante reforçar a necessidade de se identificarem fatores associados ao comportamento aditivo a videojogos e compreender o seu impacto na saúde dos indivíduos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo caraterizar sintomas de adição a videojogos, de dificuldades na regulação emocional, e as suas associações com variáveis sociodemográficas e clínicas em jovens adultos portugueses. Método: 146 adultos portugueses preencheram o Internet Addiction Test (IAT), o Portuguese Internet Gaming Disorder Scale – Short-Form (IGDS9-SF) e a Escala de Dificuldades na Regulação Emocional – Versão Reduzida (EDRE-VR). Resultados: Os resultados indicam uma frequência moderada de sintomas de adição à internet e de dificuldades na regulação emocional. Verificaram-se também correlações positivas entre adição a videojogos e dificuldades na regulação emocional. Conclusão: As dificuldades na regulação emocional associam-se a frequência de sintomas de adição a internet e adição a videojogos. Estas associações e possíveis estratégias de prevenção e intervenção neste tipo de comportamentos aditivos merecem ser alvo de investigação.
  • Temporal progression and utility of the Shanghai Score in Brugada Syndrome risk stratification
    Publication . Neves, Joana Maria Judas Ribeiro da Cunha; Cortez-Dias, Nuno
    Introdução: Apesar do conhecimento sobre a Síndrome de Brugada (SBr) ter evoluído nas últimas três décadas, abrangendo a sua origem genética, a sua fisiopatologia e as suas características clínicas, persistem áreas de incerteza, principalmente quanto à estratificação de risco destes doentes. O Score de Shanghai foi desenvolvido como ferramenta para padronizar o diagnóstico da SBr. Objetivos: Avaliar a progressão temporal do Score de Shanghai numa coorte de doentes com SBr e explorar sua utilidade como estratificador de prognóstico. Métodos: Realizamos um estudo prospetivo num único centro hospitalar de doentes com SBr. O Score de Shanghai foi inicialmente calculado no momento do diagnóstico e posteriormente recalculado anualmente ao longo do tempo. Foi considerada para análise a última determinação do Shangai Score anterior à ocorrência de eventos arrítmicos malignos. O outcome principal considerado foi a ocorrência de eventos arrítmicos malignos, definidos como morte súbita, fibrilhação ventricular ou taquicardia ventricular durante o seguimento. Foram utilizadas as análises de sobrevida de Kaplan-Meier para avaliar a associação do outcome com o Score de Shanghai inicial e, também, da última avaliação anual pré-evento. Resultados: Foi caracterizada uma população constituída por 163 doentes (48 ± 13 anos; 68,7% do sexo masculino), 74,7% assintomáticos e 63,8% com padrão tipo 1 induzido por prova farmacológica. No total, 18,5% dos doentes apresentavam história de síncope, potencialmente arrítmica em 6,8%, e 4,3% tinham história de paragem cardiorrespiratória abortada. Durante um seguimento médio de 57 meses, a mediana do score de Shanghai aumentou significativamente de 3,0 para 3,5 (P < 0,001). O score de Shanghai associou-se significativamente ao risco arrítmico a longo prazo, tendo o mesmo sido determinado na avaliação inicial [Hazard ratio (HR): 1,93; intervalo de confiança (IC) 95%: 1,18 – 3,15; P = 0,009], ou na última consulta (HR: 1,88; 95% CI: 1,26 – 2,79; P = 0,002). A sobrevivência livre de eventos arrítmicos malignos foi significativamente pior entre os doentes com diagnóstico definitivo de SBr,particularmente baseado no score de Shanghai determinado na última consulta (P-valor log rank Mantel-Cox: 0.049). Conclusões: Este estudo confirma a utilidade do score de Shanghai na estratificação prognóstica dos doentes com SBr. Além disso, demonstrou o caráter dinâmico da SBr, traduzido na modificação da sua expressão fenotípica ao longo do tempo, repercutido no aumento do score de Shanghai. Por isso, realça a importância da reavaliação periódica do risco ao longo do tempo.
  • Influência da dose dos anticoagulantes de ação direta (DOACs) na taxa de recorrência de tromboembolismo venoso e risco hemorrágico
    Publication . Augusto, João Pedro Castelo Branco; Aguiar, Patrício Ricardo da Terra
    Introdução: O tromboembolismo venoso (TEV) é uma das síndromes cardiovasculares agudas mais prevalentes a nível global, manifestando-se segundo duas entidades principais: trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP). A terapêutica anticoagulante é um pilar central no tratamento do TEV, recomendando os anticoagulantes de ação direta (DOACs) como primeira linha de tratamento. A definição da dose ideal de DOAC a ser prescrita enquanto profilaxia secundária (padrão vs. reduzida) ainda permanece em discussão. Dado que as guidelines para o tratamento de TEV não especificam quais os doentes que devem ser medicados com a dose reduzida de um DOAC, os profissionais acabam por tomar essa decisão tendo por base os critérios de redução de dose estabelecidos para os casos de fibrilhação auricular (FA). Objetivos: Avaliar os hábitos de prescrição de DOACs em doentes com um diagnóstico inicial de TEP, apurando qual a influência da dose utilizada (padrão vs. reduzida) sobre taxa de recorrência de TEV e risco hemorrágico associado, bem como fatores que possam influenciar a escolha e dosagem terapêutica. Métodos: Estudo observacional, retrospetivo. Foram incluídos 92 doentes internados em um serviço de medicina de um hospital universitário e terciário, com o diagnóstico de TEP, durante o período compreendido entre janeiro de 2017 e dezembro de 2018. Os dados foram recolhidos através da consulta de notas de alta. Foi definido como outcome primário um outcome composto da taxa de recorrência de TEV e risco hemorrágico, perante dois grupos de doentes, consoante a dose de DOAC que lhes fora prescrita (padrão vs. reduzida), durante um período de follow-up de 12 meses. Resultados e discussão: A população em estudo é predominantemente idosa (mediana de idades de 75 anos) e apresenta múltiplas comorbilidades, com destaque para a doença renal crónica (DRC) (categoria ≥ 2 em 66,3% dos doentes). A maioria dos doentes é do sexo feminino (66,3%), com uma diferença de idades estatisticamente significativa entre os sexos, sendo as mulheres significativamente mais velhas (mediana de idades de 80 anos), em comparação com os homens (mediana de idades de 70 anos), aquando do diagnóstico inaugural de TEP (p = 0,007). Uma grande proporção dos doentes foi medicada com apixabano (43,5%) e rivaroxabano (31,5%), enquanto o dabigatrano foi o DOAC menos prescrito (1,1%). Observou-se que 72,8% dos doentes receberam uma dose padrão, enquanto 27,2% foram tratados com uma dose reduzida. Todavia, apenas 13,0% cumpriam os critérios necessários para redução de dose, averiguando-se que 18,4% dos doentes não foram tratados conforme seria expectável. No grupo de doentes medicados com uma dose padrão, 16,0% apresentaram episódios de recorrência de TEV ou eventos hemorrágicos, comparativamente aos 8,0% verificados no grupo medicado com uma dose reduzida, embora esta diferença não se tenha mostrado estatisticamente significativa entre os dois grupos (p=0,251). A taxa de recorrência de eventos hemorrágicos foi de 13,4% no grupo medicado com a dose padrão e nula no grupo ao qual fora prescrita uma dose reduzida, sendo esta diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos (p=0,049). Considerando a presença ou ausência de fatores de risco major reversíveis, as taxas de recorrência de TEV ou eventos hemorrágicos foram de 40,0% e 11,0%, respetivamente, sendo esta diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos (p=0,032). Conclusão: A utilização da dose padrão de DOACs está associada a um aumento do risco hemorrágico, sugerindo que doses reduzidas possam ser mais seguras. Doentes com fatores de risco major reversíveis apresentam maior tendência para recorrência de TEV ou eventos hemorrágicos, levantando a hipótese dos dados colhidos não espelharem completamente a realidade da adesão à terapêutica anticoagulante por parte de alguns doentes. Devido ao tamanho reduzido da amostra, é difícil obter conclusões estatisticamente significativas, o que limita uma análise mais aprofundada.
  • Associação entre vinculação e saúde mental em jovens dos 10 aos 17 anos
    Publication . Cabral, Matilde Rodrigues de Seixas; Barbosa, Miguel Marques da Gama; Sobral, Filipa
    Introdução: A qualidade da vinculação da criança aos cuidadores e amigos tem repercussão em vários domínios da vida do adolescente. A vinculação segura está associada a melhor ajustamento escolar, saúde física e saúde mental, enquanto a vinculação insegura está associada a psicopatologia, com mais problemas de internalização e externalização. Objetivo: Avaliar a associação entre a vinculação e a saúde mental dos jovens. Método: Participaram 161 jovens entre os 10 e os 17 anos, de uma escola da região do Norte de Portugal, que responderam a Pessoas na Minha Vida - Escala de Vinculação aos Pais e aos Pares para Crianças e Adolescentes (PMV) e Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ-por). Resultados: Verificou-se uma correlação entre a vinculação e a saúde mental dos jovens. Uma vinculação segura associou-se a menores dificuldades e a menor incidência de problemas comportamentais interiorizados e exteriorizados.Conclusão: Os resultados demonstram a forte associação entre a qualidade da vinculação e a saúde mental dos jovens. Uma vinculação segura associou-se a maior capacidade social e a um índice mais reduzido de dificuldades, com menor incidência de problemas comportamentais, tanto de interiorização como de exteriorização. Estas conclusões reforçam a importância da vinculação para o bem-estar e para a adaptação social destes indivíduos ao longo da vida.