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  • Association between Aelurostrongylus abstrusus infection and coproscopical evidence of predation in shelter cats in the Netherlands
    Publication . Freire, Inês Alexandra Peixe de Brito; Faculty of Veterinary Medicine; Nijsse, Rolf; Carvalho, Luís Manuel Madeira de
    As infeções parasitárias respiratórias continuam a representar uma preocupação importante na saúde dos gatos domésticos, especialmente em abrigos, onde coexistem animais com diferentes origens e condições de saúde. Aelurostrongylus abstrusus, o parasita pulmonar felino, é o nematode respiratório mais comum nos gatos e é transmitido principalmente através da ingestão de hospedeiros intermediários ou paraténicos infetados. Este estudo teve como objetivo investigar a associação entre a infeção por A. abstrusus e indicadores coprológicos de predação em gatos admitidos em abrigos e programas de captura-esterilização-devolução (TNR) nos Países Baixos. O presente estudo seguiu um desenho observacional transversal. Amostras fecais de 95 gatos foram analisadas utilizando a técnica de Baermann e o método de centrifugação sedimentação-flutuação (CSF) para detetar a presença de A. abstrusus e de parasitas gastrointestinais. Adicionalmente, foi realizada uma observação microscópica para identificar pelos não felinos e fragmentos de penas que, em conjunto com a presença de parasitas adquiridos através do consumo de presas, constituem evidência indireta de predação. A prevalência global de A. abstrusus foi de 10% (9/90), valor superior ao anteriormente reportado em populações de gatos de abrigo nos Países Baixos. A infeção foi mais frequente em gatos com menos de seis meses de idade (p = 0,04). Verificou-se uma associação significativa entre a infeção por A. abstrusus e a coinfeção com outros parasitas geralmente adquiridos através da predação, como Toxocara cati, Ancylostoma tubaeforme e Eucoleus aerophilus (p < 0,001). No entanto, não foi observada uma correlação estatisticamente significativa entre a infeção por A. abstrusus e a presença de pelos ou penas nas amostras fecais (p = 0,64). A associação estatisticamente significativa com coinfeções sugere que a transmissão de A. abstrusus está ligada ao comportamento de predação, apoiando o pressuposto de que a atividade de caça aumenta o risco de aquisição do parasita através da ingestão de hospedeiros paraténicos infetados. Este estudo contribui para a compreensão da epidemiologia da infeção pelo parasita pulmonar felino e destaca o papel dos fatores comportamentais e ecológicos na dinâmica da sua transmissão
  • Implicações anatómicas da morfologia vertebral na ocorrência de hérnias discais toracolombares em Canis familiaris
    Publication . Viana, Mariana Barreiros; Faculdade de Medicina Veterinária; Pereira, Hugo Miguel de Brito Ramos; Carreira, Luís Miguel Alves
    A hérnia discal toracolombar (TL-IVDH) em cães é uma das causas mais comuns de disfunção neurológica nesta espécie, resultando de uma interação complexa entre fatores genéticos, degenerativos e anatómicos. Entre estes, a morfologia vertebral tem sido frequentemente identificada como um possível determinante da predisposição para o desenvolvimento de hérnias discais em humanos, embora o seu papel específico em cães permaneça ainda pouco esclarecido. O presente estudo retrospetivo teve como objetivo caracterizar morfometricamente as vértebras torácicas e lombares, relativamente às dimensões do comprimento do corpo vertebral, e largura e altura das extremidades articulares, determinando se existem ou não diferenças nas proporções dimensionais dos corpos das vértebras entre animais com e sem hérnia de disco. O desenho do estudo considerou a avaliação de imagens de tomografia computorizada (TC), do segmento toracolombar (T11–L3) de uma amostra de 40 cães condrodistróficos e não condrodistróficos (n=40), divididos em dois grupos: grupo de estudo (GE) - cães com diagnóstico de TL-IVDH (n=28), e grupo de controlo (GC) - cães saudáveis (n=12); nos quais se realizou a avaliação morfométrica das dimensões vertebrais e as suas relações. A análise estatística permitiu comparar os diferentes rácios morfométricos entre GE e GC, e avaliar o efeito combinado da presença de hérnia e do fenótipo condrodistrófico. Nos resultados obtidos, o rácio entre as larguras das extremidades articulares vertebrais (rácio 2/4) apresentou diferenças estatisticamente significativas (p < 0,05), com os indivíduos do GE não condrodistróficos a apresentarem valores inferiores aos do GC, sugerindo assim que as proporções anatómicas alteradas da coluna vertebral poderão influenciar a distribuição de cargas e a dinâmica biomecânica, contribuindo para a degenerescência discal e para o desenvolvimento de hérnias em cães não condrodistróficos. O trabalho reforça também a importância de incluir parâmetros anatómicos no desenvolvimento de estratégias de prevenção, identificação e tratamento da doença do disco intervertebral
  • Doença renal crónica em gatos : estudo retrospetivo de 50 casos
    Publication . Pessoa, Luís Ricardo Soares de Vasconcelos; Faculdade de Medicina Veterinária; Brito, Maria Teresa da Costa Mendes Victor Villa de; Pereira, Elsa Maria Rodrigo
    A Doença Renal Crónica (DRC) em gatos é uma doença irreversível e progressiva, geralmente de origem idiopática, que afeta a qualidade de vida dos gatos e dos seus tutores. Este estudo visou caracterizar a DRC idiopática em 50 gatos, com foco no diagnóstico, gestão clínica e identificação de indicadores de prognóstico por estadio. Registos clínicos (2018–2023) do Hospital Veterinário da Universidade de Lisboa foram analisados retrospectivamente. A seleção baseou-se nos doseamentos de creatinina e de DMAS séricas elevadas (estadios II IV, da IRIS). Gatos com doenças extra-renais foram excluídos. Um grupo de conveniência do estadio I foi incluído. A classificação seguiu as diretrizes IRIS 2023. Foram determinados o tempo mediano até progressão de estadio (mPE) e o tempo de sobrevivência (mTS), com significância estatística a p < 0,05. No estadio I (n=6), sem sinais clínicos, observou-se apenas alterações ecográficas (100%) e D.U.<1035 (50%). O mPE foi 943 dias (IQT 488-1434) e o mTS 1678 dias (IQT 1129-2349). No estadio II (n=28), todos apresentaram azotémia, D.U<1035, seguido de alterações ecográficas (96,4%), PU/PD (57,4%), desidratação (50%), proteinúria (46,4%), hiporexia (42,9%), letargia (36%), perda de peso (32,1%), vómito (19%), anorexia (10%), hiperfosfatémia (10,7%) e sinais neurológicos (3,6%). Hospitalizações: 1 a 2 vezes e com duração mediana 3 dias por internamento; mPE e mTS: 848 dias (IQT 488-1464) e 885 dias (IQT 488-1159) respetivamente. No estadio III (n=10), todos os animais tinham azotémia, D.U.<1035, desidratação, proteinúria, alterações ecográficas, além de perda de peso (80%), letargia (70%), hiperfosfatémia (70%), vómito (50%), PU/PD (57,1%), anorexia (50%), hiporexia (20%), sinais neurológicos (20%) e hipocalcémia (10%). Hospitalizações: 1 a 2 vezes com duração mediana 4 dias por internamento e mPE: 336 dias (IQT 182-366), mTS: 345 dias (IQT 214-519) respetivamente. No estadio IV (n=6), observou-se anorexia, azotémia, desidratação, perda de peso, D.U.<1035, alterações ecográficas e hiperfosfatémia, seguidas de hipocalcémia (83,3%), letargia (83,3%), vómito (50%), proteinúria (46,4%), sinais neurológicos (33,3%) e PU/PD (16,7%). Hospitalizações: 3 a 5 vezes, com uma duração mediana 5 dias por internamento e com mPE e mTS: 114 dias (IQT 110-150). Fatores associados aos estadios III e IV incluíram anemia, anorexia, sinais neurológicos, perda de peso, hiperfosfatémia e hipocalcémia. Estes dados reforçam a importância do diagnóstico precoce, dado o agravamento dos sinais, hospitalizações mais frequentes e redução da sobrevivência com a progressão da doença. São necessários mais estudos que comprovem a eficácia das terapêuticas e apoiem igualmente o desenvolvimento de estratégias preventivas adequadas
  • Brain lesions in alzheimer’s disease 5XFAD mice fed DHA enriched diets
    Publication . Silva, Maria do Rosário Rocha da; Faculty of Veterinary Medicine; Lopes, Paula Alexandra Antunes Brás
    A doença de Alzheimer é uma forma de demência, sendo o ácido docosahexaenóico (DHA, 22:6n-3) fundamental na função cerebral, este estudo visa explorar novas fontes sustentáveis em DHA para suplementação alimentar humana a fim de prevenir a DA. Quarenta ratinhos macho 5×FAD, 5 semanas de idade, alocados a 5 grupos alimentares, 8 ratinhos cada, alimentados com ração AIN-93M durante 6 meses. Dieta ração controlo não suplementada, restantes dietas com fração lipídica suplementada, 2% de: óleo linhaça (ALA, 18:3n-3); óleo fígado bacalhau com DHA e ácido eicosapentaenóico (EPA, 20:5n-3); óleo microalga Schizochytrium sp. 40% DHA; óleo DHASCO comercial 70% DHA. Parâmetros de crescimento não foram influenciados pela dieta (p > 0,05). Perfil bioquímico do plasma foi afetado pelas dietas, colesterol total (p < 0,001), lípidos totais (p < 0,001), reduzidos com suplementação n-3 LCPUFA. Inflamação sistémica não foi detetada em ratinhos 5×FAD. Dieta óleo de peixe sobrevivência neuronal (p < 0,05), deposição de placas β-amiloides (p < 0,01). Número de células Tau (p < 0,05) reduzida na dieta Schizo, marcador de neuroinflamação IBA1 (p < 0,05) favorável nas dietas enriquecidas com DHA. Os resultados mostram modulação benéfica de dietas enriquecidas em DHA na incorporação n-3 PUFA, sobretudo de DHA no cérebro
  • Contribuição para a implementação de boas práticas de higiene em unidades de produção primária de mel
    Publication . Assis, Francisco Silva Sabino de; Faculdade de Medicina Veterinária; Ferreira, Marília Catarina Leal Fazeres; Ferradeira, Cristina da Conceição Soares; Arco, Helena
    A apicultura tem assumido uma crescente importância no setor agroalimentar, não apenas pela contribuição das abelhas para a segurança alimentar e equilíbrio dos ecossistemas ambientais, mas pela importância do mel e outros produtos apícolas como fonte de alimento natural, de grande valor nutricional e económico. Os locais destinados à extração, processamento e armazenamento de mel e outros produtos apícolas provenientes da própria exploração, designados por Unidades de Produção Primária, constituem o centro da atividade apícola e representam uma parte importante de investimento do apicultor. Contudo, as Unidades de Produção Primária apresentam desafios específicos na implementação efetiva de Boas Práticas de Higiene, fundamentais para assegurar a qualidade e segurança dos produtos apícolas. O presente estudo teve como objetivo avaliar o grau de implementação de Boas Práticas de Higiene em Unidades de Produção Primária no Algarve e desenvolver um guia prático de apoio à sua implementação, destinado aos Médicos Veterinários Oficiais e aos Apicultores. O estudo baseou-se em inquéritos presenciais estruturados realizados em 18 Unidades de Produção Primária, e recolheram-se dados sobre as características sociodemográficas dos apicultores, características das instalações, práticas de higienização, higiene pessoal e registos de controlo. Os dados obtidos demonstraram que todos os apicultores eram do sexo masculino, com mais de 40 anos de idade e experiência apícola superior a 10 anos, atividade exercida maioritariamente de forma secundária. A maioria (61%) possuíam formação certificada em higiene alimentar e conhecimento de boas práticas apícolas (83%). Verificou-se que 22% nunca tinham sido fiscalizados. Embora as infraestruturas e equipamentos apresentassem condições satisfatórias para a realização das atividades, identificaram-se falhas na higienização, ausência de registos escritos e uso irregular de vestuário exclusivo, refletindo uma insuficiente implementação das Boas Práticas de Higiene e um desconhecimento dos trabalhadores. Os resultados evidenciam a necessidade de sensibilização e formação dos apicultores, e do reforço da fiscalização. O guia elaborado constitui um instrumento prático de harmonização e melhoria das práticas de higiene, promovendo a conformidade com a legislação vigente e a valorização do setor apícola nacional
  • Urinary cortisol to creatinine ratio (UCCR) as a monitoring tool for cortisol levels in dogs with hypoadrenocorticism under replacement therapy
    Publication . Faria, Beatriz Maria Neves; Faculty of Veterinary Medicine; Leal, Rodolfo Assis Oliveira
    O rácio cortisol-creatinina urinário (RCCU) foi recentemente considerado um teste fiável para o diagnóstico de hipoadrenocorticismo (HA). Embora o diagnóstico possa ser realizado de forma relativamente simples, a monitorização do tratamento do HA assenta apenas na avaliação dos sinais clínicos e em exames laboratoriais de rotina. Os imunoensaios são técnicas rotineiramente utilizadas para medir o cortisol urinário (CU) e, apesar de ser reconhecido que a prednisolona oral poderá induzir reação-cruzada com estes testes, a conhecimento do autor, o RCCU ainda não foi estudado em cães com HA sob tratamento. Este estudo tem como objetivo avaliar o RCCU nestes cães, analisando a sua potencial associação com a estabilização clínica. Foi efetuado um estudo prospectivo transversal incluindo um grupo de cães com diagnóstico de HA (grupo HA) a realizar tratamento com prednisolona +/- pivalato de desoxicorticosterona (DOCP) e um grupo de cães sem HA (grupo NHA), mas sob tratamento com prednisolona por outras razões médicas. Foram colhidas amostras de urina a todos os cães por cistocentese ou por colheita livre. O CU foi medido através de um imunoensaio enzimático de quimioluminescência (Immulite 2000; Siemens Healthcare) e posteriormente normalizado com a creatinina, para calcular o RCCU. Os detentores do grupo HA responderam a uma adaptação de um questionário previamente desenvolvido, centrado nos sinais clínicos, permitindo obter uma pontuação individual de controlo clínico. Foram igualmente registadas as doses diárias de prednisolona administradas. Os valores de RCCU foram comparados entre os cães dos dois grupos. No grupo HA, os valores de RCCU foram correlacionados com as pontuações clínicas e com a dose de prednisolona. Foi incluído um total de 26 cães: 15 no grupo HA e 11 no grupo NHA. Os valores de RCCU (mediana [intervalo interquartil]) do grupo HA (4.55 [2.76–13.51] x 10-6) foram significativamente inferiores aos do grupo NHA (13.86 [9.58–191.24] x 10-6). Não se verificou correlação estatisticamente significativa entre as pontuações clínicas e os valores de RCCU (P=0.133). As doses de prednisolona não se correlacionaram com os valores de RCCU ou com as pontuações clínicas. O CU foi comparado com o limite de deteção recentemente estabelecido para o screening de HA (< 2 µg/dL). Todos os cães do grupo HA, exceto um, apresentaram valores de CU abaixo do limite de deteção. Este estudo sugere que o RCCU não é um marcador fiável para monitorizar o HA em cães. Contudo, os resultados do CU indicam que os cães com HA permanecem abaixo do limite de deteção, mesmo sob tratamento, propondo este teste como um possível método de confirmação do diagnóstico em casos dúbios ou já previamente submetidos a prednisolona
  • Antibiotic resistance and virulence profiles of Escherichia coli isolated from captive non-domestic felids
    Publication . Caramujo, Sofia Alexandra Quelhas; Faculty of Veterinary Medicine; Oliveira, Maria Manuela Castilho Monteiro de
    À medida que as iniciativas globais promovem a inclusão do conceito Uma Só Saúde na gestão integrada da saúde humana, animal e ambiental, compreender a resistência aos antimicrobianos (RAM) na vida selvagem continua a ser um passo essencial para a proteção da saúde pública e para a conservação da biodiversidade. Populações mantidas em cativeiro representam uma interface importante entre ambientes naturais e sob gestão humana, permitindo explorar como estes podem influenciar o perfil de resistência de bactérias sentinelas e potenciais riscos zoonóticos. Este estudo pretendeu caracterizar os perfis de resistência e de virulência de isolados de Escherichia coli obtidos a partir de amostras fecais de felídeos selvagens mantidos em cativeiro. Foram incluídas neste estudo um total de 41 amostras fecais pertencentes a 11 espécies: leões (Panthera leo, n = 8), tigres (Panthera tigris, n = 5), jaguares (Panthera onca, n = 3), leopardos (Panthera pardus, n = 5), leopardos-das-neves (Panthera uncia, n = 4), chitas (Acinonyx jubatus, n = 3), pumas (Puma concolor, n = 3), servais (Leptailurus serval, n = 2), caracal (Caracal caracal, n = 1), gato-ferrugem (Prionailurus rubiginosus, n = 1), e leopardo nebuloso (Neofelis nebulosa, n = 1). Após inoculação em meio selectivo, os isolados com morfologia compatível com E. coli foram identificados através do teste IMViC e caracterizados quanto ao seu perfil de suscetibilidade antimicrobiana relativamente a doze antibióticos, utilizando o método de difusão em disco. Os perfis de virulência dos isolados foram determinados fenotipicamente, através da deteção de produção de seis fatores de virulência: protease, DNase, gelatinase, lecitinase, hemolisinas e biofilme. Foi possível isolar Escherichia coli a partir das 41 amostras em estudo (100%). Os isolados apresentaram níveis de resistência mais elevados relativamente à tetraciclina (19,4%) e à ampicilina (10,2%), sendo suscetíveis a metade (6/12) dos antibióticos testados. Um perfil de multirresistência foi observado em 9,3% dos isolados. A formação de biofilme (8,3%) foi o único fator de virulência detectado neste estudo. Associações estatisticamente significativas foram observadas entre o sexo do hospedeiro, a exposição antropogénica e as condições de alojamento no santuário, e o perfil de resistência a antibióticos específicos. Os resultados sugerem que a manutenção em cativeiro influência os perfis de resistência antimicrobiana em felídeos selvagens, sublinhando a importância de integrar programas de vigilância da RAM e de adotar práticas de maneio que minimizem pressões seletivas e riscos de transmissão nestes contextos
  • Avaliação do impacto de fatores predisponentes no grau de doença periodontal em cães
    Publication . Bértolo, Vera Alexandra Garcês; Faculdade de Medicina Veterinária; Lopes, Hugo Luís Couto; Mestrinho, Lisa Alexandra Pereira
    A doença periodontal é uma das condições mais comuns em cães, afetando cerca de 80% dos indivíduos a partir dos três anos de idade. Trata-se de uma doença inflamatória que afeta o periodonto, isto é, os tecidos de suporte do dente. A acumulação de placa bacteriana, associada à resposta inflamatória do hospedeiro, conduzem a uma sequência de eventos que culminam na manifestação dos sinais clínicos da doença, os quais refletem a perda clínica do ligamento periodontal. Apesar da sua elevada prevalência, trata-se de uma doença prevenível e controlável mediante o adequado controlo da placa bacteriana, sendo a escovagem diária considerada o padrão da profilaxia. O presente estudo teve como objetivo avaliar a influência de fatores predisponentes - sexo, idade, peso, raça e estado reprodutivo - no grau de doença periodontal apresentado por cães submetidos a avaliação oral e tratamento periodontal. Foi realizada a análise de uma amostra de 70 cães que compareceram ao hospital veterinário AllVetCare entre setembro de 2023 e março de 2024. Todos os animais foram submetidos a exame oral consciente, exames pré-anestésicos, radiografias intraorais e tratamento periodontal. Os dados clínicos foram extraídos do software hospitalar e analisados estatisticamente através dos programas Microsoft® Excel® 2019 e RStudio, considerando P<0,50 como nível de significância. A maioria dos cães apresentava graus avançados de doença periodontal (39% em grau 3 e 47% em grau 4). Verificou-se associação positiva e significativa entre idade e gravidade da doença, bem como associação negativa entre peso e grau. Não foram encontradas associações entre grau de doença e sexo ou estado reprodutivo. As raças de pequeno porte, em especial Yorkshire Terrier, destacaram-se pela elevada prevalência e gravidade da doença. Dentro das limitações do estudo, os resultados confirmam que cães mais velhos e de pequeno porte são aqueles que mais frequentemente desenvolvem doença periodontal grave. Além disso, evidencia-se que a procura por atendimento veterinário ocorre, na maioria dos casos, em fases avançadas da doença. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção, incluindo educação dos detentores, como medida fundamental para melhorar a qualidade de vida dos cães
  • Avaliação do uso do índice de atividade canina modificado (MCAI) como ferramenta para prever a morte em cães com pancreatite : a propósito de 248 casos clínicos
    Publication . Oliveira, João Fernandes de; Faculdade de Medicina Veterinária; Filipe, Ana Isabel Pinto; Correia, José Henrique Duarte
    O prognóstico da pancreatite canina é variável e de difícil previsão: alguns animais apresentam evolução benigna, enquanto outros progridem para quadros graves, frequentemente associados a elevada mortalidade. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar o Índice de Atividade Canina Modificado (MCAI) numa amostra de 248 cães com pancreatite, como ferramenta para prever a mortalidade. Este índice, baseado nos sinais clínicos observados, revelou-se particularmente adequado para aplicação num estudo retrospetivo. Depreendeu-se que a utilização do MCAI pode ser de grande utilidade para o médico veterinário, por ser rápido, não invasivo e baseado em variáveis facilmente obtidas durante a consulta, como a atividade, apetite, vómito, dor abdominal cranial, desidratação, consistência e presença de sangue nas fezes. Cada variável recebe uma pontuação entre 0 e 3, com exceção da presença de sangue nas fezes, cuja pontuação varia entre 0 e 1. Após a definição de um cut-off ideal, através da construção e análise de uma curva ROC (Receiver Operating Characteristic), obtiveram-se os seguintes resultados: 60 verdadeiros positivos e 97 falsos positivos, resultando num valor preditivo positivo de 38%, IC 95% [34%-42%]. Foram ainda identificados 81 verdadeiros negativos e 10 falsos negativos, correspondendo a um valor preditivo negativo de 90%, IC95% [83%-94%]. Desse modo, o MCAI demonstrou uma sensibilidade de 87%, IC 95% [77%-94%] e uma especificidade de 45%, IC 95% [38%-53%] na previsão de um desfecho fatal nesta amostra. Tais resultados permitem concluir que o MCAI é especialmente adequado como exame de triagem em animais com suspeita de pancreatite. Valores abaixo do cut-off de 5 associaram-se a maior probabilidade de sobrevivência, enquanto valores iguais ou superiores a 5 indicaram risco acrescido de morte
  • Utilização de gráficos de pontos na classificação e auxílio diagnóstico da anemia em gatos e cães
    Publication . Barata, Beatriz Arruda de Sousa e Silva; Faculdade de Medicina Veterinária; Sousa, Laura Maria Vasconcelos Machado de Faria e Maia Almeida e; Brito, Maria Teresa da Costa Mendes Victor Villa de
    A anemia é o achado hematológico mais comum na clínica de pequenos animais, e pode ser definida como uma diminuição da massa eritrocitária, a sua etiologia é por vezes de difícil identificação. Os gráficos de pontos obtidos através do analisador hematológico ProCyte One* estão validados e comprovados e são uma ferramenta de potencial de auxílio de diagnóstico, mas que continua a ser subvalorizada, muitas vezes dando-se apenas preferência aos hemogramas tradicionais. As informações fornecidas nestes gráficos têm o potencial de facilitar o diagnóstico, tornando-o mais rápido e económico para os tutores, agilizando assim a chegada a um diagnóstico adequado e a seleção de um plano terapêutico apropriado e eficaz, melhorando o prognóstico dos animais. O presente trabalho consiste num estudo retrospetivo realizado numa clínica da ilha de São Miguel, nos Açores, com uma amostragem de 32 animais, 19 gatos e 13 cães, que visa demonstrar a utilidade da utilização de gráficos de pontos na classificação da anemia e no seu consequente diagnóstico, utilizando o analisador hematológico ProCyte One*, da IDEXX, quando comparada com a utilização do cálculo da percentagem corrigida de reticulócitos e com a contagem absoluta de reticulócitos, na classificação da anemia em regenerativa e não regenerativa. A classificação da anemia como regenerativa e não regenerativa através dos gráficos de pontos mostrou-se concordante com a classificação obtida tanto através do cálculo da percentagem corrigida de reticulócitos, como com a contagem absoluta de reticulócitos em todas as 32 amostras. Deste modo, a análise dos dados deste trabalho permitiu averiguar a fácil classificação da anemia como regenerativa e não regenerativa através da utilização dos gráficos de pontos, quando comparada com outros métodos mais utilizados. E explora ainda 3 casos clínicos de forma a melhor ilustrar as vantagens da análise dos gráficos de pontos obtidos com um analisador hematológico de citometria de fluxo