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Out of sight is not out of mind : associations between perceived maternal attachment and self-representations of youth in residential care moderated by individual and relational variables

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Resumo(s)

The present study aims to explore the associations between perceived maternal attachment security and self-representation of youth in residential care, considering the potential moderator role of individual (i.e., youth’s sex and age), and relational variables (i.e., length of separation from the family and frequency of contact with the family). To this end, a sample of 734 youth (52.7% males) from standard residential care settings in Portugal, with ages between 11 and 25 years old (M = 16.17, SD = 2.24), filled out self-report questionnaires to evaluate their perceptions of maternal attachment and self-representations. Results indicated that youth’s perception of an insecure maternal attachment was associated with lower levels of relational and global positive self-representations and with higher levels of emotional, behavioral, misfit and global negative self-representations. Moreover, compared to males, females with lower levels of secure maternal attachment reported higher emotional and global negative self representations. Additionally, youth with lower levels of secure maternal attachment reported higher emotional self-representations only for low and medium levels of frequency of phone contacts with the family. No moderation effects were found for age and length of separation from the family. This study contributes to the literature with evidence regarding the role of attachment relationships on the self-representations and the moderating role of youth’s sex and frequency of contact with their family, which informs the development of interventions with this vulnerable and under-investigated population.
O desenvolvimento do self é influenciado pelas experiências precoces que os jovens têm com os seus cuidadores (Kim & Cicchetti, 2004). Especificamente, experiências adversas no contexto familiar podem levar ao desenvolvimento de representações negativas sobre os cuidadores (i.e., pais) e sobre o self (Cicchetti, 2016; Fonagy et al., 2007; Stronach et al., 2011). A investigação tem revelado que os jovens em acolhimento residencial estão em maior risco para o desenvolvimento de uma vinculação insegura (Barroso et al., 2017; Lionetti et al., 2015; Muzi & Pace, 2021; van den Dries et al., 2009). Estes jovens, expostos a diversos riscos pré e durante o acolhimento, também tendem a desenvolver uma imagem de si negativa (Ackerman & Dozier, 2005; Magalhães & Lopes, 2011; Turner et al., 2017). De acordo com a hipótese looking glass self de Colley (LGSH; 1902), as interações com outros significativos têm um papel central na construção de autorrepresentações. A teoria da vinculação segue a mesma linha, salientando o papel único desempenhado pelas figuras de vinculação primárias (i.e., pais). Segundo esta teoria, as crianças, através dos padrões de interação precoces com as figuras de vinculação, formam representações internas sobre os outros e sobre o self (Carmichael et al., 2007). Estas representações são generalizadas para relações futuras (Bretherton, 1985; Carmichael et al., 2007; McWey, 2004) e servem como um modelo através do qual se avaliam e percecionam (Paulus et al., 2018). Se a criança percecionar a figura de vinculação como disponível e responsiva (i.e., vinculação segura) é provável que crie uma representação de si positiva. Por outro lado, se a criança percecionar a figura de vinculação como indisponível e não responsiva (i.e., vinculação insegura) poderá criar uma representação de si negativa (Bretherton, 1985; Bretherton & Munholland, 2008; Bowlby, 1980; Paulus et al., 2018). Estudos empíricos revelam a existência de uma relação entre vinculação materna e diferentes variáveis relacionadas com o self (e.g. autoestima, autoconceito, autorrepresentações) (e.g., Arbona & Power, 2003; Isabella & Diener, 2010; Paulus et al., 2018; Waniel, 2006, 2008). Contudo, tanto quanto é do nosso conhecimento, o estudo da relação entre a perceção da vinculação materna e autorrepresentações especificamente no contexto de jovens em acolhimento residencial carece de investigação. Desta forma, o objetivo principal deste estudo foi explorar esta relação com jovens em acolhimento residencial em Portugal. Neste estudo, também pretendemos analisar o padrão de associação entre a perceção de vinculação materna e autorrepresentações destes jovens considerando o papel moderador de variáveis individuais (i.e., idade e sexo dos jovens) e variáveis relacionais (i.e., tempo de separação da família e frequência de contato com a família). Com efeito, a investigação tem revelado diferenças individuais nas autorrepresentações em função do sexo (e.g., Calheiros et al., 2020) e da idade (e.g., Salley et al., 2010) dos jovens. Outros estudos apontam para a influência do tempo de separação da família ou tempo de acolhimento (e.g., Attar-Schwartz, 2008) e da frequência de contactos com a família (i.e., visitas da família à instituição, visitas dos jovens a casa e contactos telefónicos) (e.g., McWey & Cui, 2021). Com base no enquadramento teórico e empírico referido, esperamos que níveis mais elevados de vinculação materna segura estejam associados a níveis mais elevados de autorrepresentações positivas e a níveis mais baixos autorrepresentações negativas nos jovens em acolhimento residencial. (Hipótese 1). Adicionalmente, espera-se que essas associações sejam moderadas por variáveis individuais e relacionais destes jovens. Especificamente, esperamos que essas associações sejam mais forte para as raparigas do que para os rapazes (Hipótese 2) e mais fortes à medida que a idade aumenta (Hipótese 3). Embora os estudos existentes revelem resultados inconsistentes (e.g., Attar-Schwartz, 2009, 2019), espera-se também que o tempo de separação da família (Hipótese 4) e a frequência de contacto com a família (Hipótese 5) atuem como fatores protetores na relação entre a vinculação materna percebida e as autorrepresentações, amplificando as associações diretas delineadas na hipótese 1. Neste estudo, incluído num projeto mais amplo, participaram 734 jovens (52.7% rapazes) que residem em casas de acolhimento residencial em Portugal com idades compreendidas entre os 11 e 25 anos (M = 16.17, SD = 2.24). Os jovens preencheram questionários de autorrelato que analisavam as autorrepresentações e a perceção da vinculação materna. As informações sobre as variáveis sociodemográficas e variáveis moderadoras foram providenciadas pelos gestores de caso dos jovens. Os resultados suportaram a primeira hipótese revelando que jovens que relatam níveis mais elevados de vinculação materna segura tendem a descrever-se com níveis mais elevados de autorrepresentações positivas globalmente e na dimensão relacional e a descrever-se de forma mais negativa em termos globais, como mais desajustados e com mais problemas emocionais e comportamentais. Estes resultados revelam o possível papel protetor da vinculação no desenvolvimento das autorrepresentações destes jovens, sendo consistente com a teoria da vinculação e a LGSH, bem como com estudos empíricos que revelam a presença de uma relação positiva entre vinculação materna e variáveis relacionadas com o self (e.g., Isabella & Diener, 2010; Waniel, 2006, 2008). Relativamente às análises de moderação, foram encontrados efeitos de interação significativos apenas para o sexo e a frequência de contatos telefónicos com a família. Considerando o papel moderador do sexo, os resultados revelaram que as raparigas com níveis mais baixos de vinculação materna segura tendem descrever-se de forma mais negativa em termos globais e com mais problemas emocionais. Estes resultados suportam a segunda hipótese e são consistentes com estudos anteriores que revelam que raparigas em acolhimento residencial tendem a descrever-se com mais problemas emocionais (Calheiros et al., 2020; Patrício et al., 2016). Em relação à frequência de contactos com a família, foi encontrado um efeito apenas para a frequência de contactos telefónicos com a família. Especificamente, os resultados revelaram que jovens com níveis mais baixos de vinculação materna segura tendem a representar-se com mais problemas emocionais apenas quando existe uma menor frequência de contactos telefónicos com a família. Estes resultados não são consistentes com estudos anteriores que revelam o impacto positivo que uma maior frequência de contatos familiares tem em jovens separados das suas famílias (Huefner et al., 2015; McWey et al., 2010; McWey & Cui, 2018, 2021). Contudo, estes resultados podem ser explicados pelo facto de os contactos telefónicos poderem promover a manutenção de relações disfuncionais família-jovens que podem prejudicar o desenvolvimento de autorrepresentações mais positivas (Cicchetti, 2016; Harter, 1998, 2015; Stronach et. al., 2011). As hipóteses relativas ao papel moderador da idade, tempo de separação da família e frequência de outros tipos de contatos com a família na relação não foram sustentadas pelos resultados. No entanto, surgiram efeitos principais significativos para essas variáveis. Relativamente à variável idade, os resultados revelaram que os jovens mais velhos tendem a descrever-se com níveis mais elevados de autorrepresentações positivas globalmente e na dimensão competência e com menos problemas comportamentais. Este resultado é consistente com um estudo anterior desenvolvido no mesmo contexto (Calheiros et al., 2020). Para além disso, jovens que estão separados da família há mais tempo, reportaram níveis mais elevados de autorrepresentações positivas globalmente e na dimensão competência e a descrevem-se de forma menos negativa globalmente e com menos problemas comportamentais. Este resultado é consistente com estudos que revelam o papel protetor do acolhimento (Calheiros et al., 2020; Kendrick, 2013; Neagu & Sebba, 2019; Silva & Calheiros, 2022). Por último, os jovens com uma maior frequência de visitas a casa reportaram níveis mais baixos de autorrepresentações negativas globalmente e descrevem-se com menos problemas emocionais. Este resultado é consistente com estudos prévios que revelam um impacto positivo das visitas presenciais em jovens em acolhimento (Barber & Delfabbro, 2009; Corval et al., 2017; Huefner et al., 2015), especificamente na promoção de um desenvolvimento psicológico positivo destes jovens (Hess, 1987; Huefner et al., 2015; McWey et al., 2010; McWey & Cui, 2018, 2021). O presente estudo contribui para a literatura existente sobre vinculação materna percebida e autorrepresentações de jovens em acolhimento residencial, tendo em consideração a influência de fatores individuais e relacionais. Contudo, devem ser salientadas algumas limitações. Primeiramente, este estudo segue um design correlacional, não permitindo estabelecer causalidade nas associações testadas. Para além disso, foram utilizados questionários de autorrelato que podem estar limitados à compreensão verbal e competências linguísticas de alguns jovens, bem como sujeitos a desejabilidade social. Por fim, neste estudo apenas exploramos a vinculação materna percebida. Estudos futuros poderão incluir outras figuras de vinculação, como o pai. Os resultados encontrados salientam a necessidade de intervenções específicas com jovens que percecionam uma vinculação insegura como alvo principal na prevenção da construção de autorrepresentações negativas, bem como na promoção de práticas que promovam o desenvolvimento de autorrepresentações positivas e adaptativas em contexto de acolhimento residencial. Para além disso, deve ter-se em consideração a especial vulnerabilidade das raparigas no desenvolvimento das suas autorrepresentações neste contexto. Concluindo, os programas de intervenção com esta população devem ainda considerar o papel central das famílias dos jovens acolhidos no seu desenvolvimento para que o contato com a família sirva como fator de proteção para a construção de autorrepresentações positivas. Para tal, torna-se indispensável atuar na promoção de relações positivas entre os jovens e a sua família.

Descrição

Dissertação de mestrado, Psicologia Clínica e da Saúde (Área de Especialização em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e Integrativa), 2022, Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia

Palavras-chave

Vinculação materna Autorrepresentação Adolescentes Acolhimento residencial Relações familiares Dissertações de mestrado - 2022

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