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Orientador(es)
Resumo(s)
A linguagem é uma característica específica da espécie humana. Mais do que
qualquer outro atributo ela distingue os seres humanos dos animais.
Assim não surpreende, para certos povos africanos, que uma criança só seja
considerada uma pessoa (muntu) após a aquisição da língua: até esse momento
não passa de uma coisa (kuntu).
A linguagem é também um poderoso sistema de comunicação humana, sem o
qual, a vida em grupo seria impensável.
Para o sucesso da comunicação são necessárias convenções. Segundo
Grice (1967; ap. Eysenck e Keane, 1995, p. 332) a cooperação que deve existir
entre o falante e o ouvinte é a chave principal deste sucesso e constitui o "princípio
cooperativo".
Segundo o mesmo autor são várias as regras de procedimento que o emissor
deve obedecer: ser tão informativo quanto necessário, mas não mais ("máximo de
quantidade"); verdadeiro ("máximo de qualidade"); dizer coisas relevantes para a situação ("máximo da relação") e proceder de forma a que seja facilmente entendido
("máximo na maneira de ser").
Um dos pressupostos básicos para que haja entendimento verbal é a partilha
da mesma língua. Mas o que significa conhecer uma língua?
Conhecer uma língua implica conhecer o sistema que associa as duas formas
de representação que são os sons e os significados; significa ser capaz de traduzir
sons em significados e estes em pronúncias.
Para além do conhecimento dos respectivos sons da língua, e sistemas de
sons, outro aspecto emerge como fundamental: que as diferentes sequências de
sons representam conceitos diferentes. Ao adquirirmos o conhecimento da língua
portuguesa aprendemos que os sons representados (na sua forma escrita) por
"mão" significam o conceito «MÃO». Se soubermos inglês o mesmo conceito é
representado por "hand", no francês por "main", no Twi por "nsa", no russo por
"ruka" e no castelhano por "mano". O que isto quer dizer é que os sons das
palavras, ou determinada sequência de sons, apenas têm significado na língua em
que ocorrem.
Os sons elementares da língua oral associados ao conjunto de regras que
descrevem as sequências possíveis e aceitáveis desses mesmos sons constituem o
denominado sistema fonológico de uma língua natural.
Várias são as características, ou propriedades comuns, que definem a
linguagem humana. Os linguistas denominam-nas de universais linguísticos.
Vejamos alguns desses factos universais da linguagem:
- Universalidade: onde há seres humanos existe linguagem;
- Evolução: todas as línguas passam por uma mudança, ou sucessão gradual
de transformações, o que pressupõe que ela evolui através do tempo; - Complexidade: se na origem a simplicidade, no seu sentido rudimentar,
pode ser uma característica de qualquer sistema, a evolução pressupõe
complexidade; "não existem línguas «primitivas», elas são igualmente complexas e
igualmente capazes de exprimir uma ideia do universo. O vocabulário de qualquer
língua pode ser alargado de forma a incluir novas palavras para novos conceitos"
(Fromkin e Rodman, 1993, p. 17);
- Sistema Finito: quando aprendemos uma língua aprendemos qualquer coisa
finita; por mais vasto que seja um vocabulário, ele é finito; todas as línguas
humanas utilizam um sistema finito de sons que, ao combinarem-se, formam
unidades com significado (as palavras), estas por sua vez combinam-se formando
um sistema infinito de frases possíveis;
- Sistema Aberto/Generatividade: o conhecimento de uma língua não é a
memorização infinita de frases, mas o conhecimento de um sistema de regras que
permite que um elenco mínimo de unidades (os sons significativos de cada língua)
formem unidades maiores (morfemas e palavras), e estas, por sua vez, produzam
um número ilimitado de frases ou expressões;
- Carácter Descontínuo: as unidades da língua (sons e palavras) não variam
de forma contínua para expressar variações contínuas de significado (Brito-Mendes,
1989, p. 11);
- Força Irresistível da Linguagem: toda a criança normal, não privada de
experiência linguística, é capaz de aprender qualquer língua;
- Dupla Articulação da Linguagem: de acordo com Martinet (ap. Brito-
Mendes, op. cit., p. 11 e 29; Sampson, 1985, p. 32; Blanche-Benveniste e Chervel,
1969, pp. 26-27) esta característica universal da linguagem resulta do facto da
língua se organizar a dois níveis, a saber: no primeiro as palavras combinam-se
segundo determinadas regras sintácticas dando origem às frases; no segundo nível os sons combinam-se segundo certas regras fonológicas dando origem aos
morfemas (unidades mínimas com significado).
- Arbitrariedade: trata-se de um princípio fundamental que caracteriza a
linguagem e está subjacente à relação entre os sons e os significados, isto é, para a
maior parte das palavras de uma língua natural a relação entre a forma (sons) e o
sentido é arbitrária.(...)
Descrição
Tese de Mestrado em Psicologia (Psicologia Cognitiva), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1997
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1997 Processo educativo Processo de aprendizagem Escrita Ortografia Normas Ensino básico
