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Educação alimentar : práticas e discursos dos médicos de clínica geral

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Resumo(s)

Hoje em dia um dos maiores problemas que se põe a nível mundial em termos de saúde, tem a ver com o aumento da longevidade das populações que levanta enormes e complexos desafios às sociedades ditas desenvolvidas. Trata-se do problema das doenças crónicas, de entre o quais as doenças cárdio-vasculares ocupam os primeiros lugares em termos de mortalidade geral, com elevados custos e pesados sofrimentos humanos. Os conhecimentos adquiridos na prevenção e promoção de saúde levam a que a Medicina se veja cada vez mais confrontada com a necessidade de controlar as doenças através do comportamento das populações. A educação dos estilos de vida, nomeadamente a educação alimentar toma-se assim numa das áreas prioritárias de prevenção e promoção das doenças em geral, e das doenças cárdio-vasculares em particular. Contudo, e apesar de actualmente os conhecimentos adquiridos em prevenção e promoção de saúde serem já bem conhecidos, a sua aplicação à prática clínica e aos comportamentos das pessoas ainda está muito longe de produzir os efeitos desejados. Existem várias razões para este facto, e uma delas tem a ver com os próprios profissionais. Os profissionais que hoje exercem clínica, não tiveram formação no sentido de serem envolvidos em práticas de educação alimentar, razão pela qual não têm utilizado o potencial de conhecimentos e de instrumentos educacionais que têm à sua disposição para este tipo de abordagem. Hoje em dia aponta-se para a utilização de estratégias múltiplas adaptadas individualmente, e em que a auto-concepção é um dos factores importantes que está na base da tomada de decisão para a adopção de comportamentos saudáveis (Eraker 1984) (Savage 1990) (Homedes 1991). Dentro do problema da prevenção das doenças cárdio-vasculares, a nossa problemática insere-se ao nível da educação dos estilos de vida, nomeadamente da educação alimentar na consulta de clínica geral. Escolhemos a alimentação pelo facto dos estudos epidemiológicos apontarem para a alimentação como um dos factores mais importantes na prevenção das doenças cárdio-vasculares. Optámos ainda pela consulta de clínica geral, porque apesar de não ter sido um local de investimento em termos de educação por parte do médico, pensa-se que seja um local priviligiado para este tipo de educação, porque permite uma abordagem individual, personalizada e um tipo de relação mais próxima e de confiança (Slama, Redman, Cockbum e Sanson-Fisher 1989). Apesar de se dar tanta importância à educação alimentar na prevenção das doenças cárdio-vasculares, o que sabemos nós do que se faz em educação alimentar na consulta? Cada vez mais a Medicina tem a ver com educação dos comportamentos, e consequentemente com o modo como se comunica a mensagem educativa. Tornar a comunicação clara entre os sistemas, sejam eles interno (individual) ou externo (social), tal como nos refere Sfez (1982) no seu livro da crítica da comunicação, é o papei, que se pretende que o médico desempenhe na clínica.(...)

Descrição

Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Pedagogia da Saúde), apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1993

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1993 Medicina Pedagogia da saúde Modelos de saúde Educação alimentar Médicos Clínica geral

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