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Orientador(es)
Resumo(s)
A presença da escola e da educação manifesta-se aos
mais diferentes níveis da acção humana, fazendo convergir
diferentes actores e áreas do conhecimento de tal forma que a
investigação educacional ganha outros espaços quando se lhes
confere uma dimensão cada vez mais complexa.
A investigação educacional ao ocupar-se do estudo das
práticas resultantes das múltiplas solicitações e impasses gerados na
realidade escolar, coloca-se perante a evidência de um conjunto de
necessidades de produção, transformação e reconstituição de
saberes, que alimentam e dão sentido a essas práticas, sejam elas
individuais ou colectivas, dirigidas à turma, à escola ou à
comunidade em sentido amplo.
Os profissionais da educação são obrigados a confrontar-se,
quotidianamente, com problemas de grande complexidade
técnica e científica e, neste contexto, no entendimento da urgência
da criação de uma "nova" escola, produtora de saberes, talvez
encontremos a razão da importação para a cena educativa de
modelos contruídos (com sucesso) noutros domínios e que passam
pela colaboração e articulação de diferentes profissionais,
organizados em equipas multiprofissionais, na linha dos estudos de
Litle (1981, 1984) sobre o "staff development".
Assim, verificamos que noutros contextos, que não o da educação, aparecem equipas constituídas por profissionais de vários
ramos do saber chamados a participar na elaboração, concepção e
execução de projectos de grande complexidade e, não menos
frequente hoje, mesmo naqueles que se nos afiguram mais simples,
como forma de "utilização regular de recursos intelectuais de
qualidade que incorporam quase automaticamente o nosso
reportório pedagógico" (Huberman, 1990, p. 58).
A riqueza do confronto de ideias, posturas e saberes, é
hoje, cada vez mais indiscutível e necessária a vários níveis,
ganhando vulto "as discussões"(Moscovici e Doise, l991) e a
articulação de profissionais.
Se, por analogia, imaginarmos uma peça de teatro e se
observarmos o elenco que faz o percurso desde a concepção à
realização e que vem a palco no final do espectáculo, verificamos o
elevado e diversificado número de actores sociais, profissionais que
intervêm e de cuja cooperação depende de algum modo um produto
final enriquecido (Fullan, 1990).
Cabe aqui interrogarmo-nos porque razão é que esta
cooperação entre diversos profissionais de áreas de saber
diversificadas funciona.
O que tem acontecido na escola é que, quando se
pretende introduzir diferentes profissionais num contexto educativo
porque o professor e a escola não conseguem por si só resolver os
problemas do quotidiano, os resultados não se têm alterado
significativamente e o produto final tem ficado aquém do desejável
e/ou esperado. É esta constatação que Huberman (1973, p. 12) explicita
quando afirma que "na educação os grupos interdisciplinares de
especialistas ainda não encontraram linguagem comum, métodos de
pesquisa comuns e modos comuns de percepção que lhes permitam
convergir sobre os problemas da educação".
O modelo escolar que caracteriza a escola portuguesa não
se pauta por modelos de cooperação entre "diferentes profissionais",
vive quase exclusivamente à custa do professor na sua sala de aula,
"peculiaridade da forma social de exercer o trabalho" (Sacristán,
1989, p. 333). assim como as estruturas educativas não ensinam
aquilo que, no mundo de hoje e no de amanhã surgirá cada vez
mais como essencial: a comunicação e o trabalho de vários,
ampliando a profissionalidade a "dimensões colectivas" (Sacristán,
1989).
Por outro lado, a experiência tem-nos demonstrado que a
presença de diferentes profissionais, actuando individualmente ou
integrados em equipas, em vez de tornar mais eficaz a escola, tem
também levantado outro tipo de problemas que, em ultima análise,
tem contribuído para a fragilização do professor e dos próprios
profissionais.
Daí que se coloquem questões que vão no sentido de
entender: como têm sido concebidas estas equipas; o que mobiliza os
diferentes profissionais a constituir-se em equipa de trabalho; que
importância lhes tem sido atribuída no contexto do sistema,
educativo; que tipo de relações internas de poder estabelecem; o
que condiciona: o seu funcionamento, a sua organização, os níveis de
colaboração e a eficácia da intervenção.(...)
Descrição
Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1993
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1993 Processos e estruturas educativas Formação profissional
