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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Santarém insere-se num sistema alargado com uma escala peninsular – o Tejo.
Entendemos que a cidade é um ponto nesta estrutura e começamos a pensar o
território a partir daí. O rio que liga a cidade e o mar, e que liga os homens a
este território. Numa segunda escala de aproximação entramos no âmbito do
baixo-Tejo e da lezíria. A lezíria é uma extensa área de produção – uma
paisagem construída ao longo do tempo através do controlo da água. Perde-se
no tempo a origem das valas, canais e diques que servem para a drenagem e
contenção da água. A lezíria é uma grande várzea, espaço de domínio hídrico
– é, portanto, um território da água pensado como espaço de produção e
transporte. A lezíria é uma paisagem idealizada e construída.
É a partir do Tejo que se forma a imagem da cidade de Santarém – pelo Tejo
se chega a Santarém. O grande número de iconografia disponível é exemplo
da importância que a via fluvial teve no desenvolvimento e na criação de um
imaginário sobre esta cidade.
A Ribeira e Alfange serviam como os núcleos ribeirinhos que actuavam como
interfaces entre a cidade e o rio, mas nunca chegam a assumir o seu potencial
enquanto ribeira – construir uma frente de rio urbana.
Com estes pressupostos em mente, o lançamento deste exercício de projecto
tem como premissa repor o rio como meio de chegada à cidade, recuperando
a navegabilidade, de forma a tornar Santarém num ponto terminal de
navegação contínua mar-interior.
A memória do cais dos barcos da Ribeira serve como referência para imaginar
uma nova relação deste território com a água. A Ribeira de Santarém é no nosso
entender um núcleo urbano com vocação ribeirinha, mas cuja transformação
em ribeira nunca se chegou a cumprir. Propomo-nos desenvolver uma ribeira
para Santarém, procurando ir de encontro a esta vocação do espaço.
Para reaproximar de novo este núcleo urbano que se foi progressivamente
afastando do rio e se apresenta agora numa situação insólita, utiliza-se a vala
de Alvisquer, redesenhando a sua foz. Nesta operação alarga-se e reposicionase
a vala, criando um canal que volta a trazer a água do Tejo à cidade e lhe
devolve uma frente de rio.
Descrição
Palavras-chave
Tejo Lezíria Limite Margem Ribeira
Contexto Educativo
Citação
Duarte, José - Repensar o limite : Da forma da cidade à resignificação do lugar : O caso de Santarém. - Lisboa : FA, 2021. Dissertação de Mestrado
Editora
Universidade de Lisboa, Faculdade de Arquitetura
