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Publicação

A dessacralização do mundo na era da tecnica. O sagrado no pensamiento de Martin Heidegger

datacite.subject.fosHumanidades::Filosofia, Ética e Religiãopt_PT
dc.contributor.advisorBlanc, Guiomar Mafalda Faria
dc.contributor.authorCrego Bonhomme, Hernán
dc.date.accessioned2024-04-10T15:05:06Z
dc.date.available2024-04-10T15:05:06Z
dc.date.issued2024-03-25
dc.date.submitted2023-11-20
dc.description.abstractEl tema de lo sagrado ha ocupado un lugar central en la segunda etapa del pensamiento de Heidegger. Su tratamiento ofrece la posibilidad de reflexionar de una manera más profunda acerca del ser. Esto quiere decir que pensar lo sagrado ofrece un camino para una mayor comprensión acerca del ser que, asegura, representa la gran omisión de la metafísica occidental. A partir de esto, se fundamentará que la dimensión de lo sagrado, al igual que el arte, se corresponde con un modo de manifestación del ser que entra en conflicto con el predominio del dispositivo técnico y, por esto, se retira y sustrae al ocultamiento. Por eso se requiere problematizar el reduccionismo técnico instrumental que impera en el pensamiento occidental pues, con la retirada de lo divino opera, también, toda una comprensión de la naturaleza como mera reserva de energía dispuesta para la explotación humana que, en la época actual, ha alcanzado niveles preocupantes. Tanto el arte como la dimensión de lo sagrado, desde una perspectiva heideggeriana, son capaces de manifestar todo un excedente que sobrepasa el dominio de la realidad efectiva hacia la cual se orientan las ciencias. Ese excedente se corresponde con la dimensión no presente del Ser que para Heidegger ocupa el lugar del Fundamento. Por eso lo Sagrado se reconoce con una ausencia que integra la estructura temporal del ser y cuyo análisis no puede ser reducido a experiencias rituales, ni a representaciones religiosas, sino a la temporalidad del ser. Recuperar la reflexión sobre estas áreas del Ser excluidas por el dispositivo técnico dominante que reduce la realidad a la mera presencia, permite una comprensión más completa del ser y, a su vez, la posibilidad de alcanzar formas de vida más auténticas y originarias.pt_PT
dc.description.abstractO tema do sagrado ocupou um lugar central na segunda fase do pensamento de Heidegger. O seu tratamento oferece a possibilidade de refletir de forma mais profunda sobre o Ser. Isto significa que pensar o sagrado oferece um caminho para uma maior compreensão sobre o Ser, o que, argumentamos, representa a grande omissão da M etafísica ocidental. A partir disso, fundamentar se á que a dimensão do sagrado, tal como a arte, corresponde a uma forma de manifestação do ser que entra em conflito com o predomínio do dispositivo técnico e, por isso, se retrai e escapa ao ocultamento. Embora a Modernidade pode ter exacerbado o problema, a dessacralização provem de mais longe e não depende exclusivamente do desenvolvimento científico tecnológico que se radicalizou nesse período, senão que é consequência do que Heidegger reconheceu como a principal falta da metafísica ocidental que se corresponde com a questão do Ser. Ao contrário da maioria dos estudos sobre o sagrado que enfatizam o seu contraste com o desenvolvimento técnico moderno, a abordagem heideggeriana compreenderá a dessacralização como o resultado de um fenómeno muito mais profundo que se corresponde com o esquecimento do ser. É por isso que a dessacralização não se reduz a uma perda de fé ou mesmo a uma substituição de paradigmas, onde o pensamento científico conseguiu substituir as explicações religiosas sobre a realidade por ser capaz de oferecer verdades rigorosamente contrastadas. Como veremos, o esquecimento da questão do Ser significou o estabelecimento de um estilo de reflexão que visava determinar o ente na sua totalidade, lançando as bases de um essencialismo que conquistou a cultura ocidental. Dessa forma, com o nascimento da filosofia na Grécia Antiga, ocorre um desvio na história do Ser em que se concederá um privilégio não explicitado à dimensão presente representada pelo ente, deixando no impensado todo o excedente relativo ao modo não presente de ser. É por isso que, parafraseando a Heidegger, somente a partir da verdade do Ser pode se pensar a essência do sagrado. Com esta frase encontramos um roteiro para nossa pesquisa que indica que devemos pensar o fenómeno da dessacralização no marco do que Heidegger denominou o Esquecimento do Ser. Dito de outra maneira, vai ser a partir da formulação deste assunto central na filosofia de Heidegger, que vamos tentar compreender que a redução do sagrado no mundo responde à redução óntica efetuada sobre o Ser por parte metafísica ocidental. A crítica dessa interpretação metafisica do Ser, será o principal eixo da obra de Heidegger a partir da qual o Ser poderá ser pensado de maneira originaria. Para isto, foi necessária uma verdadeira desconstrução do modelo onto teológico que reduz o fundamento do ser a uma “causa primeira” responsável inicial do movimento da natureza e do ente na sua totalidade. Por isto, Heidegger tentará oferecer uma leitura diferente ao pensar o Nada, não desde um plano óntico, senão a partir da natureza temporal do Ser no seu movimento de des velamento através do ente, o qual procede do não presente e continua em direção, outra vez, a ele. Isto quer dizer que o Fundamento não pode ser redutível a um ente particular cuja determinação essencial revele os limites de um racionalismo antropológico, senão que, do que se trata, é de recuperar a dimensão temporal do ser no mistério do aparecimento. Por isso é necessário problematizar o reducionismo técnico instrumental que prevalece no pensamento ocidental, pois, com a retirada do divino do mundo, opera também uma exclusão de outros modos como o ser se manifesta. Tanto a arte como a dimensão do sagrado, numa perspetiva heideggeriana, são capazes de manifestar todo um excedente que ultrapassa o domínio da realidade efetiva para o qual as ciências se orientam. Esse excedente corresponde à dimensão não presente do Ser que para Heidegger ocupa o lugar do Fundamento. É por isso que o Sagrado é reconhecido com uma ausência que integra a estrutura temporal do ser e cuja análise não pode ser reduzida às experiências rituais, nem às representações religiosas, mas à temporalidade do ser. O problema da técnica será entendido a partir da noção do Dispositivo técnico a escala global, que compreende o conjunto de todos os modos de disposição do ente como objetividade por parte da subjetividade humana. A partir deste movimento o “Gestell”, segundo o termo alemão, interpela ao ser humano a desocultar provocativamente a Natureza a maneira da exploração de um fundo de energia disponível. Dando conta desta forma de alienação por parte do dispositivo técnico, tentaremos recuperar o sentido da antiga palavra grega Teckné para dar conta que o que ela nomeia se corresponde mais com um modo de saber, em vez de com o mero produzir ou fabricar. Isto quer dizer que como modo de saber refere se à αλέθεια enquanto traz diante de si o presente, retirando o da ocultação e encaminhando o para o desvelamento do seu aspeto. A causalidade própria da instrumentalidade técnica não quer dizer, simplesmente, um provocar algo senão com o movimento da própria Poiesis, enquanto atividade produtiva conforme o movimento da Physis, que traz diante o que não estava, que traz à presença o não presente. É por esta ração que a causalidade está associada à Aleteia, ou seja, ao desvelamento da verdade, no sentido de trazer ao presente, retirando o da ocultação e encaminhando o para o desvelamento do seu aspeto. Ao contrário da ideia que considera a técnica como produto da vontade humana, é a própria técnica no seu impulso poiético produtivo que utiliza o homem como ferramenta para trazer à luz aquilo que a Physis não realiza por ela própria. O sagrado, e a poesia por igual, correspondem se com um modo de Ser que remete a ausência e que, por isto, entra em conflito com o paradigma técnico científico dominante. Isto quer dizer que o sagrado e a poesia abrem caminho para pensar o Ser de maneira originaria desde que ambos transcendem o modo presente e remetem a um fundamento inobjetivável que permanece na ausência. Para abordar isto, argumentaremos a favor da natureza poética da arte. Isto quer dizer que toda forma de arte é essencialmente poética no sentido de ser capaz de trazer a luz a verdade do ente. Por isso a arte tem a ver com o acontecimento da verdade em lugar de uma questão relativa à estética ou ao gosto, como habitualmente é considerada. A natureza da verdade, para Heidegger, é manifesta na obra como resultado do combate entre mundo e terra como expressões da clareira e a ocultação. A Terra é o que permite que algo seja, pois o protege e o mantém no seu ser, protegendo o da sua dissolução no devir do aberto. O Mundo é aquela abertura onde o ente é reconhecido como tal na sua pertença ao ser. Portanto, de acordo com Heidegger, as duas características essenciais da obra de arte são criar um mundo e trazer a terra aqui, que manifestam a natureza da verdade como clareira e ocultação. A partir disto, podemos dizer que a essência da verdade é, no fundo, não verdade, no sentido de que o fenómeno da mostração e vinda a presença, esta dominado pela ocultação da qual procede. A não verdade é a origem e o destino da verdade que se preserva na ausência. Mas isto nunca é a ausência de verdade no sentido comum de falta de verdade ou falsidade, mas antes a condição de possibilidade da sua existência. E é justamente essa palavra que procura o poeta que, como veremos, tenta cantar os silêncios e as noites. Finalmente podemos afirmar que tanto a linguagem poética como a dimensão do sagrado, são capazes de superar o objetivismo técnico que reduz o fenómeno da verdade a uma forma de correção com a mera presença, desde que ambas se correspondem com um dizer que ao tempo que traz a presença, remetem a ocultação da qual provem, conservando assim o mistério da temporalidade do ser. Recuperar a reflexão sobre estas áreas do Ser excluídas pelo dispositivo técnico dominante que reduz a realidade à mera presença, permite uma compreensão mais completa do ser e, por sua vez, a possibilidade de alcançar formas de vida mais autênticas e originais.pt_PT
dc.identifier.tid203567927pt_PT
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10451/64123
dc.language.isospapt_PT
dc.titleA dessacralização do mundo na era da tecnica. O sagrado no pensamiento de Martin Heideggerpt_PT
dc.typemaster thesis
dspace.entity.typePublication
rcaap.rightsopenAccesspt_PT
rcaap.typemasterThesispt_PT
thesis.degree.nameMestrado em Filosofíapt_PT

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