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A dessacralização do mundo na era da tecnica. O sagrado no pensamiento de Martin Heidegger

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Resumo(s)

El tema de lo sagrado ha ocupado un lugar central en la segunda etapa del pensamiento de Heidegger. Su tratamiento ofrece la posibilidad de reflexionar de una manera mÔs profunda acerca del ser. Esto quiere decir que pensar lo sagrado ofrece un camino para una mayor comprensión acerca del ser que, asegura, representa la gran omisión de la metafísica occidental. A partir de esto, se fundamentarÔ que la dimensión de lo sagrado, al igual que el arte, se corresponde con un modo de manifestación del ser que entra en conflicto con el predominio del dispositivo técnico y, por esto, se retira y sustrae al ocultamiento. Por eso se requiere problematizar el reduccionismo técnico instrumental que impera en el pensamiento occidental pues, con la retirada de lo divino opera, también, toda una comprensión de la naturaleza como mera reserva de energía dispuesta para la explotación humana que, en la época actual, ha alcanzado niveles preocupantes. Tanto el arte como la dimensión de lo sagrado, desde una perspectiva heideggeriana, son capaces de manifestar todo un excedente que sobrepasa el dominio de la realidad efectiva hacia la cual se orientan las ciencias. Ese excedente se corresponde con la dimensión no presente del Ser que para Heidegger ocupa el lugar del Fundamento. Por eso lo Sagrado se reconoce con una ausencia que integra la estructura temporal del ser y cuyo anÔlisis no puede ser reducido a experiencias rituales, ni a representaciones religiosas, sino a la temporalidad del ser. Recuperar la reflexión sobre estas Ôreas del Ser excluidas por el dispositivo técnico dominante que reduce la realidad a la mera presencia, permite una comprensión mÔs completa del ser y, a su vez, la posibilidad de alcanzar formas de vida mÔs auténticas y originarias.
O tema do sagrado ocupou um lugar central na segunda fase do pensamento de Heidegger. O seu tratamento oferece a possibilidade de refletir de forma mais profunda sobre o Ser. Isto significa que pensar o sagrado oferece um caminho para uma maior compreensĆ£o sobre o Ser, o que, argumentamos, representa a grande omissĆ£o da M etafĆ­sica ocidental. A partir disso, fundamentar se Ć” que a dimensĆ£o do sagrado, tal como a arte, corresponde a uma forma de manifestação do ser que entra em conflito com o predomĆ­nio do dispositivo tĆ©cnico e, por isso, se retrai e escapa ao ocultamento. Embora a Modernidade pode ter exacerbado o problema, a dessacralização provem de mais longe e nĆ£o depende exclusivamente do desenvolvimento cientĆ­fico tecnológico que se radicalizou nesse perĆ­odo, senĆ£o que Ć© consequĆŖncia do que Heidegger reconheceu como a principal falta da metafĆ­sica ocidental que se corresponde com a questĆ£o do Ser. Ao contrĆ”rio da maioria dos estudos sobre o sagrado que enfatizam o seu contraste com o desenvolvimento tĆ©cnico moderno, a abordagem heideggeriana compreenderĆ” a dessacralização como o resultado de um fenómeno muito mais profundo que se corresponde com o esquecimento do ser. Ɖ por isso que a dessacralização nĆ£o se reduz a uma perda de fĆ© ou mesmo a uma substituição de paradigmas, onde o pensamento cientĆ­fico conseguiu substituir as explicaƧƵes religiosas sobre a realidade por ser capaz de oferecer verdades rigorosamente contrastadas. Como veremos, o esquecimento da questĆ£o do Ser significou o estabelecimento de um estilo de reflexĆ£o que visava determinar o ente na sua totalidade, lanƧando as bases de um essencialismo que conquistou a cultura ocidental. Dessa forma, com o nascimento da filosofia na GrĆ©cia Antiga, ocorre um desvio na história do Ser em que se concederĆ” um privilĆ©gio nĆ£o explicitado Ć  dimensĆ£o presente representada pelo ente, deixando no impensado todo o excedente relativo ao modo nĆ£o presente de ser. Ɖ por isso que, parafraseando a Heidegger, somente a partir da verdade do Ser pode se pensar a essĆŖncia do sagrado. Com esta frase encontramos um roteiro para nossa pesquisa que indica que devemos pensar o fenómeno da dessacralização no marco do que Heidegger denominou o Esquecimento do Ser. Dito de outra maneira, vai ser a partir da formulação deste assunto central na filosofia de Heidegger, que vamos tentar compreender que a redução do sagrado no mundo responde Ć  redução óntica efetuada sobre o Ser por parte metafĆ­sica ocidental. A crĆ­tica dessa interpretação metafisica do Ser, serĆ” o principal eixo da obra de Heidegger a partir da qual o Ser poderĆ” ser pensado de maneira originaria. Para isto, foi necessĆ”ria uma verdadeira desconstrução do modelo onto teológico que reduz o fundamento do ser a uma ā€œcausa primeiraā€ responsĆ”vel inicial do movimento da natureza e do ente na sua totalidade. Por isto, Heidegger tentarĆ” oferecer uma leitura diferente ao pensar o Nada, nĆ£o desde um plano óntico, senĆ£o a partir da natureza temporal do Ser no seu movimento de des velamento atravĆ©s do ente, o qual procede do nĆ£o presente e continua em direção, outra vez, a ele. Isto quer dizer que o Fundamento nĆ£o pode ser redutĆ­vel a um ente particular cuja determinação essencial revele os limites de um racionalismo antropológico, senĆ£o que, do que se trata, Ć© de recuperar a dimensĆ£o temporal do ser no mistĆ©rio do aparecimento. Por isso Ć© necessĆ”rio problematizar o reducionismo tĆ©cnico instrumental que prevalece no pensamento ocidental, pois, com a retirada do divino do mundo, opera tambĆ©m uma exclusĆ£o de outros modos como o ser se manifesta. Tanto a arte como a dimensĆ£o do sagrado, numa perspetiva heideggeriana, sĆ£o capazes de manifestar todo um excedente que ultrapassa o domĆ­nio da realidade efetiva para o qual as ciĆŖncias se orientam. Esse excedente corresponde Ć  dimensĆ£o nĆ£o presente do Ser que para Heidegger ocupa o lugar do Fundamento. Ɖ por isso que o Sagrado Ć© reconhecido com uma ausĆŖncia que integra a estrutura temporal do ser e cuja anĆ”lise nĆ£o pode ser reduzida Ć s experiĆŖncias rituais, nem Ć s representaƧƵes religiosas, mas Ć  temporalidade do ser. O problema da tĆ©cnica serĆ” entendido a partir da noção do Dispositivo tĆ©cnico a escala global, que compreende o conjunto de todos os modos de disposição do ente como objetividade por parte da subjetividade humana. A partir deste movimento o ā€œGestellā€, segundo o termo alemĆ£o, interpela ao ser humano a desocultar provocativamente a Natureza a maneira da exploração de um fundo de energia disponĆ­vel. Dando conta desta forma de alienação por parte do dispositivo tĆ©cnico, tentaremos recuperar o sentido da antiga palavra grega TecknĆ© para dar conta que o que ela nomeia se corresponde mais com um modo de saber, em vez de com o mero produzir ou fabricar. Isto quer dizer que como modo de saber refere se Ć  αλέθεια enquanto traz diante de si o presente, retirando o da ocultação e encaminhando o para o desvelamento do seu aspeto. A causalidade própria da instrumentalidade tĆ©cnica nĆ£o quer dizer, simplesmente, um provocar algo senĆ£o com o movimento da própria Poiesis, enquanto atividade produtiva conforme o movimento da Physis, que traz diante o que nĆ£o estava, que traz Ć  presenƧa o nĆ£o presente. Ɖ por esta ração que a causalidade estĆ” associada Ć  Aleteia, ou seja, ao desvelamento da verdade, no sentido de trazer ao presente, retirando o da ocultação e encaminhando o para o desvelamento do seu aspeto. Ao contrĆ”rio da ideia que considera a tĆ©cnica como produto da vontade humana, Ć© a própria tĆ©cnica no seu impulso poiĆ©tico produtivo que utiliza o homem como ferramenta para trazer Ć  luz aquilo que a Physis nĆ£o realiza por ela própria. O sagrado, e a poesia por igual, correspondem se com um modo de Ser que remete a ausĆŖncia e que, por isto, entra em conflito com o paradigma tĆ©cnico cientĆ­fico dominante. Isto quer dizer que o sagrado e a poesia abrem caminho para pensar o Ser de maneira originaria desde que ambos transcendem o modo presente e remetem a um fundamento inobjetivĆ”vel que permanece na ausĆŖncia. Para abordar isto, argumentaremos a favor da natureza poĆ©tica da arte. Isto quer dizer que toda forma de arte Ć© essencialmente poĆ©tica no sentido de ser capaz de trazer a luz a verdade do ente. Por isso a arte tem a ver com o acontecimento da verdade em lugar de uma questĆ£o relativa Ć  estĆ©tica ou ao gosto, como habitualmente Ć© considerada. A natureza da verdade, para Heidegger, Ć© manifesta na obra como resultado do combate entre mundo e terra como expressƵes da clareira e a ocultação. A Terra Ć© o que permite que algo seja, pois o protege e o mantĆ©m no seu ser, protegendo o da sua dissolução no devir do aberto. O Mundo Ć© aquela abertura onde o ente Ć© reconhecido como tal na sua pertenƧa ao ser. Portanto, de acordo com Heidegger, as duas caracterĆ­sticas essenciais da obra de arte sĆ£o criar um mundo e trazer a terra aqui, que manifestam a natureza da verdade como clareira e ocultação. A partir disto, podemos dizer que a essĆŖncia da verdade Ć©, no fundo, nĆ£o verdade, no sentido de que o fenómeno da mostração e vinda a presenƧa, esta dominado pela ocultação da qual procede. A nĆ£o verdade Ć© a origem e o destino da verdade que se preserva na ausĆŖncia. Mas isto nunca Ć© a ausĆŖncia de verdade no sentido comum de falta de verdade ou falsidade, mas antes a condição de possibilidade da sua existĆŖncia. E Ć© justamente essa palavra que procura o poeta que, como veremos, tenta cantar os silĆŖncios e as noites. Finalmente podemos afirmar que tanto a linguagem poĆ©tica como a dimensĆ£o do sagrado, sĆ£o capazes de superar o objetivismo tĆ©cnico que reduz o fenómeno da verdade a uma forma de correção com a mera presenƧa, desde que ambas se correspondem com um dizer que ao tempo que traz a presenƧa, remetem a ocultação da qual provem, conservando assim o mistĆ©rio da temporalidade do ser. Recuperar a reflexĆ£o sobre estas Ć”reas do Ser excluĆ­das pelo dispositivo tĆ©cnico dominante que reduz a realidade Ć  mera presenƧa, permite uma compreensĆ£o mais completa do ser e, por sua vez, a possibilidade de alcanƧar formas de vida mais autĆŖnticas e originais.

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