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Motivações, estratégias e abordagens à aprendizagem em estudantes do ensino técnico brasileiro : relações com o sucesso escolar e a qualidade da aprendizagem

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Resumo(s)

Esta investigação, de cariz exploratório e enquadrada na perspetiva SAL – Students’ Approaches to Learning, objetivou investigar as orientações motivacionais e as estratégias de aprendizagem de estudantes de ensino técnico brasileiro, assim como da relação delas entre si e com o sucesso escolar e a qualidade da aprendizagem desses estudantes. A investigação envolveu em primeiro lugar uma revisão de literatura sobre a investigação SAL que incide nas orientações motivacionais para a aprendizagem (i.e., motivação intrumental, motivação intrínseca e motivação de realização) e nas estratégias de aprendizagem (i.e., estratégia de superfície, estratégia de profundidade, estratégia de organização e estratégia intermédia), que constituem as componentes das abordagens à aprendizagem. De seguida, foi realizada uma revisão de literatura sobre a investigação SAL que incide nas abordagens à aprendizagem (i.e., os tipos de abordagens; a sua avaliação; a sua frequência relativa; a sua variação e consistência; e as suas relações com as características dos estudantes, com o contexto de aprendizagem e com o produto da aprendizagem). Em terceiro lugar, igualmente na linha dos objetivos estipulados, a investigação implicou uma revisão de literatura sobre o tema da aprendizagem no ensino técnico e o seu contexto. Para alcançar os objetivos previstos foram igualmente realizados três estudos empíricos, sendo os dois primeiros com metodologia qualitativa e o terceiro, com metodologia quantitativa. O primeiro estudo procurou investigar as orientações motivacionais para a aprendizagem dos estudantes participantes, caracterizando as variações de diferentes dimensões daquelas orientações: Intenção (motivos pessoais da aprendizagem); Investimento (quantidade de energia normalmente empregue na aprendizagem); Perceção da tarefa (perceção usual das tarefas de aprendizagem); Avaliação do tempo (valorização habitual do tempo empregue na aprendizagem); Satisfação (grau usual de satisfação com a aprendizagem) e Contexto preferido (contexto preferido de aprendizagem). Foi igualmente estudada a incidência das variações destas dimensões das orientações motivacionais e as suas relações. O segundo estudo procurou investigar as estratégias de aprendizagem dos mesmos estudantes, caracterizando as variações das diferentes dimensões daquelas estratégias: Intenção (o que normalmente procura-se fazer para aprender); Atenção (enfoque habitual da atenção quando se aprende); Modo (modo habitual de aprendizagem); Crítica (grau de análise crítica normalmente empregada na aprendizagem). Neste estudo também foi verificada a incidência das variações das estratégias de aprendizagem e as suas relações. Em ambos os estudos atrás referidos a recolha de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas atendendo às referidas dimensões. Em ambos os estudos, a análise dos dados ocorreu por meio de uma análise do conteúdo temática (para a caracterização das orientações motivacionais e estratégias de aprendizagem), foi calculada a fequência relativa de cada categoria na amostra de casos e foram estudadas as relações das categorias e metacategoria encontradas por meio de tabelas de contingência e teste de Qui-quadrado de independência ou teste de Fisher (para o estudo das relações entre categorias). Verificou-se no primeiro estudo a replicação das orientações motivacionais normalmente encontradas pelos estudos enquadrados na teoria SAL: motivação instrumental (i.e., relacionada ao evitamento do fracasso, através de uma correspondência mínima às exigências, visto que o conteúdo da aprendizagem é tido como desinteressante, sem relação com os interesses pessoais, e como imposto exteriormente); motivação intrínseca (i.e., envolvimento na aprendizagem em função da satisfação em relação a ela, tida como forma de atualização de interesses de desenvolvimento pessoal); e motivação de realização (i.e., relacionada à obtenção de classificações ou resultados elevados, no sentido de fortalecer o autoconceito académico através da exibição da excelência pessoal). A motivação de realização foi o tipo de orientação motivacional com maior incidência. Foi encontrada também no primeiro estudo, uma nova meta-categoria, o padrão degradado de motivação (i.e., motivação para o convívio social na escola ou para o seu abandono), que foi o tipo de orientação motivacional com menor incidência. Observou-se no segundo estudo a replicação das estratégias de aprendizagem normalmente encontradas pelos estudos enquadrados na teoria SAL: estratégia de superfície (i.e., estratégia passiva onde os conteúdos são aprendidos de forma sequencial e desintegrados de outros conhecimentos e com atenção focada no símbolo ao invés do significado); estratégia de profundidade (i.e., comportamento ativo diante do conteúdo, compreensão e análise crítica do significado, e relacionação com outros conhecimentos); estratégia de organização (i.e., investigação a priori do que é necessário para alcançar uma avaliação de sucesso, direcionando a atenção sobre os critérios e conteúdos da avaliação); e estratégia intermédia (i.e., conjugação da compreensão e memorização). A estratégia de profundidade foi o tipo de estratégia de aprendizagem com maior representatividade e a estratégia de organização foi a que teve menor representatividade. O terceiro estudo explorou as inter-relações entre as orientações motivacionais, as estratégias de aprendizagem, as abordagens à aprendizagem e o desempenho académico (i.e., o sucesso escolar e a qualidade da aprendizagem) dos mesmos estudantes. Neste estudo, a abordagem à aprendizagem foi constituída, como conceptualizado pela teoria SAL, pelo cruzamento entre as orientações motivacionais e estratégias obtidas nos dois primeiros estudos. O sucesso escolar foi considerado em termos das classificações escolares, e a qualidade da aprendizagem foi avaliada por dois instrumentos de caracterização holística do resultado da aprendizagem – baseados na taxonomia SOLO (Biggs & Collis, 1982), aplicados correspondentemente aos estudantes participantes e aos seus professores. As inter-relações entre estas variáveis foram estudadas por meio de tabelas de contingência e teste de Qui-quadrado de independência ou teste de Fisher. Em consonância com os resultados de outros estudos da teoria SAL, apurou-se uma associação entre a motivação instrumental para a aprendizagem e resultados escolares mais reduzidos e entre uma perceção de um tempo de aprendizagem acelerado e classificações mais elevadas. Foi encontrada também uma relação que não vai ao encontro ao esperado pela teoria SAL, entre a perceção negativa das tarefas de aprendizagem e classificações significativamente elevadas. No que diz respeito às relações dos processos de aprendizagem avaliados com a qualidade da aprendizagem, encontrou-se uma associação entre uma menor qualidade de aprendizagem e tanto um elevado investimento de energia na aprendizagem e como uma estratégia de compreensão ou memorização dos conteúdos em função da necessidade. A investigação envolveu em último lugar uma conclusão contendo a apresentação integrada dos objetivos e dos resultados, uma discussão geral e, finalmente, uma reflexão sobre as limitações da investigação e as suas aplicações práticas.

Descrição

Tese de doutoramento, Psicologia (Psicologia da Educação), Universidade de Lisboa e Universidade de Coimbra, 2019

Palavras-chave

Teses de doutoramento - 2019

Contexto Educativo

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