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O termo talassémia engloba um grupo de patologias hereditárias e heterogéneas com origem em mutações nos genes que codificam as cadeias a- e ß-globina da hemoglobina (Hb), ou as suas regiões reguladoras, causando uma alteração de ordem quantitativa dessas cadeias e consequente anemia microcítica e hipocrómica. Os diferentes tipos de mutações talassémicas determinam o grau de desequilíbrio de síntese de cadeias a- e ß-globínicas e produzem fenótipos clínicos e hematológicos de gravidade variável. As formas mais comuns de talassémia com relevância clínica são as a- e ß-talassémias, distinguindo-se as formas a? e ß? talassémicas, quando a síntese das cadeias a- e ß-globina é parcialmente reduzida, e as formas aº e ߺ quando a produção das respetivas cadeias é ausente. A síntese das cadeias a- e ß-globina é determinada geneticamente por quatro genes localizados nos dois cromossomas 16 e dois genes nos cromossomas 11, respetivamente. Os genes a têm maior tendência para deleções comparativamente às mutações que ocorrem nos genes ß-globínicos, que frequentemente resultam da substituição de um ou mais nucleótidos ou deleções curtas. Na a-talassémia, a síntese de cadeias a decresce em proporção do número de genes delecionados. A deleção de um, dois ou três genes a determinam o estado de portador silencioso, traço a-talassémico e doença da HbH. A deleção extrema dos quatro genes produz a síndrome da Hb de Bart ou hidropisia fetal de Bart, frequentemente fatal. Clinicamente, a ß-talassémia apresenta-se sob três formas de gravidade crescente: ß-talassémia minor (assintomática), intermédia e major (dependente de transfusões sanguíneas). Para além da história clínica e exame físico do doente, o diagnóstico laboratorial das talassémias abrange a caracterização analítica do fenótipo, através de métodos hematológicos, que incluem o hemograma e a análise das hemoglobinas, a análise da síntese das cadeias de globina e a caracterização do genótipo, por meio de técnicas de biologia molecular. A prevenção das talassémias assenta na deteção dos portadores, aconselhamento genético dos portadores e casais em risco e, quando necessário, diagnóstico pré-natal. Nas formas major e intermédia, o tratamento dos sintomas consiste na terapia transfusional associada à terapêutica quelante de ferro, de modo a evitar a toxicidade do ferro livre no organismo. Atualmente, o transplante de medula óssea (TMO) representa o único tratamento curativo da talassémia. Novas e promissoras abordagens terapêuticas têm sido desenvolvidas, incluindo a manipulação da expressão dos genes globínicos.
Descrição
Trabalho Final de Mestrado Integrado, Ciências Farmacêuticas, Universidade de Lisboa, Faculdade de Farmácia, 2014
Palavras-chave
Etiologia/Diagnóstico/Terapêutica/Epidemiologia Ta Genes globínicos Hemoglobinopatias Mestrado Integrado - 2014 Mutações a/ß- globina A-/ß-Talassémia
