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Hipertensão arterial grave em recém-nascido com suspeita de trombose da artéria renal : a propósito de um caso clínico

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Resumo(s)

A hipertensão arterial neonatal é uma entidade gradualmente mais reconhecida e diagnosticada ao longo dos últimos anos. Tal pode atribuir-se a melhorias nos cuidados intensivos neonatais, avanços na compreensão da fisiologia neonatal e implementação de novas terapias, levando a uma maior sobrevida dos recém-nascidos de risco. As causas mais comuns de hipertensão arterial neonatal compreendem tromboembolismo associado ao cateterismo dos vasos umbilicais, displasia broncopulmonar e doença renal parenquimatosa. A trombose da artéria renal como etiologia é rara, mas surge frequentemente associada à cateterização da artéria umbilical. Nestes casos, a hipertensão pode ocorrer na ausência de hematúria, proteinúria e azotémia. Múltiplos fatores são importantes na determinação da PA no período neonatal. Entre eles, idade gestacional, peso ao nascer, idade pós-menstrual e alguns fatores maternos. Não obstante, a informação relativa aos intervalos de referência deste parâmetro continua a ser limitada. O tratamento destes doentes permanece ainda um desafio, uma vez que informação sobre a utilização de fármacos anti-hipertensivos neste grupo etário é limitada. Os dados disponíveis atualmente sugerem bons resultados a longo prazo, com resolução da hipertensão na maioria dos casos. Neste trabalho, apresenta-se um caso clínico de hipertensão arterial grave num recémnascido de termo com obstrução da artéria renal em contexto de provável trombose, assim como o seu seguimento, investigação e abordagem. Pretende-se fazer uma revisão da literatura existente sobre hipertensão arterial neonatal e, particularmente, sobre trombose da artéria renal neste contexto, com enfoque nas alternativas de tratamento existentes, quais os seus riscos, perspetivas de recuperação e prognóstico.
Neonatal hypertension has become increasingly more recognized and diagnosed over the past few years. This can be attributed both to improvements in neonatal intensive care units, advances in the understanding of the neonatal physiology and the implementation of new therapies, leading to increased survival of newborns at risk. Most common causes of neonatal hypertension include renal vessel thromboembolism related to umbilical catheterization, bronchopulmonary dysplasia and parenchymal renal disease. Renal artery thrombosis as an etiology is rare, but often appears associated with umbilical artery catheterization. In these cases, hypertension may occur in the absence of hematuria, proteinuria and azotemia. Multiple factors are important in determining blood pressure in the neonatal period. Among them, gestational age, birthweight, post-menstrual age and some maternal factors. However, information regarding the reference intervals on this vital parameter remains limited. Treating these patients remains a challenge, since information on the use of antihypertensive drugs in this age group is limited. Currently available data suggest good long-term results, with resolution of hypertension in most newborns. In this work, a clinical case of severe hypertension associated with renal artery obstruction in a 38-week-old child is presented, as well as its investigation and approach. We intend to review the existing literature on arterial hypertension in this context, focusing on existing treatment alternatives, their risks, prospects for recovery and prognosis.

Descrição

Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2021

Palavras-chave

Hipertensão arterial Pressão arterial Neonatal Trombose artéria renal

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