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Orientador(es)
Resumo(s)
A relação trabalho-família tem sido tema de investigação prevalente nas últimas
décadas (Eby, Casper, Lockwood, Bordeaux e Brinley, 2005; Liu, Wang e Li, 2019) dada a
clara importância que ambos os domínios têm sobre o bem-estar de grande parte dos
indivíduos (Michel, Kotrba, Mitchelson, Clark e Baltes, 2011), podendo inclusivamente
surgir “incompatibilidades mútuas entre as pressões do trabalho e da família” (Greenhaus
& Beutell, 1985) que acabam por se tornar numa “batalha” recorrente na vida dos
trabalhadores (Kossek, Noe e DeMarr, 1999; Somech & Drach-Zahavy, 2007).
Especificamente o estudo das fronteiras trabalho-família e a sua gestão por parte dos
indivíduos tem ganho relevo na atualidade (Allen, Cho e Meier, 2014). Esta teoria, de acordo
com Clark (2000), surgiu com o intuito de preencher lacunas identificadas em investigações
anteriores em matéria da relação trabalho-família, “explicando como os indivíduos gerem e
negoceiam as esferas do trabalho e da família e as fronteiras entre estas, de forma a alcançar
o equilíbrio”. Assim, torna-se importante salientar a dualidade de perspetivas que engloba a
gestão de fronteiras, podendo considerar-se, segundo Allen, Cho e Meier (2004), a
perspetiva individual (isto é, a estratégia que o indivíduo utiliza para gerir os papéis no
trabalho e na família) e, no sentido oposto, a perspetiva organizacional (as políticas que a
empresa dispõe para auxílio da gestão de fronteiras).
Um dos conceitos preponderantes na teoria da gestão de fronteiras, e onde incidirá o
foco principal da presente investigação, é aquilo que Nippert-Eng (1996) refere como o
“espectro segmentação-integração” onde se inserem as ações a que os indivíduos recorrem
e as suas preferências para gerir as fronteiras entre a sua vida pessoal e profissional.
Podemos assim, em termos teóricos, distinguir dois polos opostos do espectro: o da
segmentação, onde o indivíduo tem preferência e/ou mantém o trabalho e a vida pessoal em
domínios separados, e o caso da integração, onde os indivíduos preferem e/ou mantêm uma
interação constante entre os dois domínios (Bulger, Matthews e Hoffman, 2007). Ademais,
como refere Ammons (2013), para uma melhor compreensão da gestão de fronteiras é
necessário ir para além do estudo dos estilos ou estratégias que podem ser adotados para
esta gestão, analisando-se se de facto as preferências que os indivíduos têm e a realidade da
gestão das fronteiras se encontram alinhadas ou não, uma vez que esta análise torna mais
fácil explicar a influência que a gestão de fronteiras tem na saúde e bem-estar dos
indivíduos. (...)
Descrição
Tese de mestrado, Psicologia (Área de Especialização em Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2020
Palavras-chave
Trabalho-família Bem-estar no trabalho Teses de mestrado - 2020
