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What can a body do? Emergent embodied creativity : interdisciplinary investigation and case study on contact improvisation and social presencing theater

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Esta tese de doutoramento pretende desvendar como podem as potências criativas do corpo através de processos artísticos informar a emergência de conhecimento e o processo criativo. Procura-se argumentar em prol de um conceito de corpo para além de um mero recipiente de execução de ideias para ser entendido enquanto uma entidade dinâmica capaz de servir como ponto focal para um processo epistemológico emergente e criativo. Defender-se à, portanto, que a se a criatividade participa na produção de conhecimento e que se essa produção se faz com o corpo, é necessário compreender as suas formas particulares, singulares e específicas de criar conhecimento ou de conhecer criativamente. Partindo de uma base teórica ancorada na Filosofia da Ciência e da Arte e as relações que se podem estabelecer com os estudos das Artes Performativas, procura-se explorar através de uma investigação interdisciplinar a interconexão tripartida dos tópicos de corpo, conhecimento e criação. Um foco que percorra um caminho para além da Filosofia, seja ela da ciência ou da Arte, e a articule com as Artes performativas é necessário para pensar a produção criativa incorporada emergente de conhecimento porque é nestes que o corpo criativo é estudado como produtor do novo, de conhecimentos próprios, modos que podem informar o atual debate filosófico centrado no corpo, criatividade e conhecimento. Se não podemos escapar dos nossos corpos, isso significa que, por exemplo, um cientista deveria compreender como o seu corpo o pode auxiliar na produção criativa de conhecimento e como o pode treinar para promover inovação na ciência. Poderemos estar a desperdiçar um precioso conhecimento criativo porque não damos a devida atenção ao conhecimento criativo dos artistas. Esta tese procura fazer essa ligação entre mundos: Artes performativas, conhecimento, corpo e criação. Este é um passo necessário para a integração do conhecimento incorporado dos artistas performativos na ciência e na aquisição de conhecimento em geral. Considerando que os estudos, metodologias e práticas das Artes performativas oferecem diversas formas de conhecer criativamente o corpo, e que todo conhecimento depende do corpo, é pertinente explorar como a Filosofia da Ciência e da criação se pode envolver nesses contributos. Quando a Arte performativa se torna um tema de investigação em qualquer Filosofia da Ciência, epistemologia e Filosofia da criação, abrem-se questões pertinentes que exploramos na tese: O que pode um corpo fazer para informar o processo criativo? Como desvendar as potências criativas do corpo que podem informar a emergência do conhecimento e dos processos artísticos e criativos? Como é que as teorias e conceitos dos autores estudados nos diferentes campos da Filosofia da Ciência, da Arte, da tecnologia, da sociedade e das Artes nos ajudam a pensar o corpo performativo como um corpo potente, vivo e sensível de conhecimento e criação? Pode o conhecimento incorporado de algumas práticas improvisação de movimento das Artes performativas ajudar-nos a obter uma compreensão mais profunda do potencial do corpo para conhecer e criar? O que define a criatividade incorporada emergente? Estas perguntas não podem ser completamente enfrentadas pela Filosofia de modo isolado sem o contributo dos estudos das Artes performativas, visto serem estes aqueles que mais intensamente procuram compreender práticas corporais na produção criativa e expressiva de conhecimento. A nossa tese pretende defender o papel da criatividade do corpo no conhecimento no debate epistemológico, destacando a importância de investigar como os artistas performativos criam conhecimento com os seus corpos, improvisando e gerando o novo a cada movimento em resposta ao imprevisível do corpo, do mundo e do projeto artístico que os envolve. Enriquecendo assim as áreas da Filosofia da Ciência, da criatividade, do corpo e da Arte. Se o teatro e a dança têm o poder transformador de mudar a nossa compreensão da função criativa do corpo no que diz respeito à aquisição de conhecimento, e se o conhecimento se faz sempre num corpo, então podem revelar potencial para pensar o papel da criatividade do corpo no conhecimento. Propomos assim investigar em detalhe esse potencial através da análise de estudos de caso que se focam na produção de conhecimentos incorporados inerentes aos métodos e práticas criativas de improvisação de movimento: O primeiro é “Contacto Improvisação” desenvolvido por Steve Paxton acompanhado pela análise do objeto que o mesmo criou - “Material para a coluna”; E o segundo estudo de caso é – “Teatro Social de Presença” desenvolvido por Arawana Hayashi no Presencing Institute|MIT. Os estudos de caso têm um propósito que vai além da ilustração de conceitos já defendidos por filósofos ou cientistas. Os artistas performativos têm formas próprias de saber que podem comprovar através da prática e da técnica o que dizem os cientistas e filósofos, mas, porque se movem no reino da não-conceitualidade, para além da linguagem, é necessário prestar atenção, sentir, experimentar, investigar e procurar dizer algo que capture, mesmo que parcialmente, como os seus corpos pensam em movimento. Os estudos de caso são a parte fundamental da tese porque é onde se evidencia a tensão entre palavra e corpo. O contexto, onde as palavras emergem através da expansão da consciência das sensações de determinados corpos e movimentos corporais que revelam como o corpo conhece criativamente. Se a Arte pensa, como afirmam Deleuze e Guattari no livro “O que é Filosofia” (1996), devemos sentir e observar como os performers pensam com os seus corpos. A possibilidade de sentir e observar tal pensamento incorporado tem o potencial de abrir caminhos para áreas não artísticas usarem os seus corpos não apenas para criar ou saber, mas para saber criativamente, porque os artistas fazem exatamente isso: eles fazem do corpo um instrumento para conhecer criativamente. A partir da Filosofia da Ciência, a tese foca-se nas contribuições de Spinoza, Deleuze, Guattari, Massumi, Varela, Gendlin, e Shusterman com sua a teoria de somaestética para pensar as relações entre corpo, conhecimento e criatividade. Num foco mais específico na Filosofia da Arte partimos de Aristóteles, Bachelard, Benjamin, Jaspers, Kant, Manning, Massumi, Sartre e Tavares, que pensaram igualmente sobre as implicações do corpo no ato criativo. Veremos como os conceitos de Afeto, Sensação, Percepto, Enação, Emergence, Kination e Felt-sense podem contribuir para a nossa compreensão do corpo pensante em movimento, desafiando-nos a examinar as suas potencialidades e capacidades. A abordagem filosófica é posteriormente enriquecida com os Estudos da Performance, nomeadamente através de Bigé, Blau, Bleeker, Cull, Cvejić, Hayashi, Lutterbie, Novack, Paxton, Spatz e Zarrilli, que auxiliam na compreensão do papel do corpo e técnica de criação e movimento nas Artes Cênicas. Keith Sawyer, no seu livro “Explaining Creativity” (2012), afirma que o teatro improvisado tem sido amplamente ignorado por aqueles que estudam a criatividade. No que diz respeito ao campo de estudos da criatividade, os editores Gaut e Kieran (2018) da antologia, Creativity and Philosophy da Routledge, afirmaram que o interesse em desenvolver o conhecimento na Filosofia da Criatividade surgiu apenas nos últimos quinze anos. Contudo, mesmo nos estudos da criatividade, do teatro e da performance, o conceito de criatividade incorporada ainda é visto como um assunto subdesenvolvido, como foi afirmado por Marius M. Stanciu (2015). Não só os estudos do teatro e da performance não são tidos em conta em estudos sobre a criatividade, como o próprio papel do corpo na produção de criatividade e o seu papel no conhecimento permanecem uma área por explorar. Além disso, até ao presente, embora comece a ser absorvido por diferentes campos como a Educação, Artes, Tecnologia, Desporto, Inteligência Artificial, Psicologia e Ciências Cognitivas, não parece haver qualquer estabilização da definição de criatividade incorporada. A investigação sobre criatividade incorporada pode ajudar-nos a compreender melhor o impacto que as atividades físicas podem ter no pensamento criativo, facilitando o desenvolvimento de novas técnicas dedicadas a promover, em troca, a produção criativa de conhecimento. Procura-se, finalmente, neste trabalho colmatar a lacuna existente no estado da Arte da investigação relativa à criatividade incorporada de conhecimento com o objetivo de formular um quadro conceptual que defina e explore o conceito de ‘Criatividade Incorporada Emergente’, uma contribuição original desta tese de doutoramento. Defendendo a tese de que a criatividade incorporada emergente pode ser um evento dinâmico em que a criação e o processo criativo se dão a partir de conhecimentos incorporados emergentes. Em última análise, um movimento académico que pretende contribuir para a expansão do nosso entendimento sobre este evento dinâmico e tornar visível como o corpo tem um potencial criativo emergente presente nos processos por vezes invisíveis subjacentes aos atos de conhecer e criar.
In recent times, immersed in the fast pace of living and processing information, it is easy to forget the body, making it harder to attune to its creative potencies. Given the profound connection between thinking and our sensory capacities, it is crucial to explore how we can enhance our potential to know and create. This thesis intends to unveil the body's creative powers that can inform the emergence of knowledge and artistic and creative processes. It proposes an interdisciplinary investigation that builds its theoretical foundation on the Philosophy of Science and Art in relation to Performing Arts. We investigate what a body can do for knowledge, aesthetics, insight, art, creation and embodied creativity. Our aim is to focus on and explore the interconnection of the tripartite themes of body, knowledge, and creation. To assist this goal, we analyse case studies drawing from the field of Performing Arts that manifest embodied knowledge inherent in the creative methods and practices of movement improvisation: Contact Improvisation, created by Steve Paxton and Social Presencing Theater developed by Arawana Hayashi at the Presencing Institute|MIT. Overall, this doctoral thesis tries to offer a unique look into creative embodied knowledge, considering that while artificial Intelligence (AI) has made significant strides in mimicking some human cognitive processes, there are still aspects of the full spectrum of creativity and embodied knowledge that elude even the most sophisticated AI systems. This underscores the importance of dedicating further attention to understanding and cultivating this uniquely human potency. This thesis integrates the contribution of emerging fields like somaesthetics and demonstrates how artistically embodied knowledge can pragmatically enhance creative movement forces that may shape the future. We seek to address the existing research gap concerning embodied creativity and, in conjunction with interdisciplinary inquiry, to formulate and propose a conceptual framework that defines and explores the concept of emergent embodied creativity, an original contribution of this doctoral thesis. Defending the thesis that emergent embodied creativity can be a dynamic event in which creation and the creative process take place from emerging embodied knowledge. Ultimately, an academic movement that aims to contribute to the expansion of our understanding of this dynamic event and to make visible how the body has an emerging creative potential present in the somewhat invisible processes underlying the acts of knowing and creating.

Descrição

Tese de doutoramento, Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade, na especialidade de Arte e Ciência, 2025, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes

Palavras-chave

Philosophy Performing Arts Embodied knowledge Creativity Emergent Embodied Creativity Filosofia Artes Performativas Conhecimento incorporado Criatividade Criatividade incorporada

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