Publicação
Quality of the relationship of youth in residential care with their friends and psychological functioning : the moderating role of individual and contextual variables
| datacite.subject.fos | Ciências Sociais::Psicologia | pt_PT |
| dc.contributor.advisor | Calheiros, Maria Manuela de Amorim, 1958- | |
| dc.contributor.advisor | Silva, Carla Sofia | |
| dc.contributor.author | Rodrigues, Ana Filipa da Glória | |
| dc.date.accessioned | 2024-06-17T12:23:21Z | |
| dc.date.available | 2024-06-17T12:23:21Z | |
| dc.date.issued | 2022 | |
| dc.date.submitted | 2022-10-16 | |
| dc.description | Dissertação de mestrado, Psicologia Clínica e da Saúde (Área de Especialização em Psicologia Clínica Cognitivo-Comportamental Integrativa), 2022, Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia | pt_PT |
| dc.description.abstract | The present study aims to analyze the association between the quality of the relationship of youth in residential care with their best friend and their psychological functioning, considering the moderator role of individual variables (youth sex and age) and the context of friendship (in or out-side care) in these associations. 752 youth (n = 46.4% females), from Portuguese Residential Care Settings (RCS), with ages between 11 to 25 years old (M =16.19, SD = 2.25), filled out the Network of Relationships Inventory – Relationship Quality Version (NRI-RQV) to evaluate their relationship quality with their best friend, and the main caregiver of each participating youth completed the Child Behaviour Checklist (CBCL) and a structured sociodemographic questionnaire. The findings show that youth’s perceptions of satisfaction and intimate self-disclosure in their relationship with their best friend were negatively associated with social and attention problems. Moreover, males with higher perceived companionship from a friend are described as having less internalizing and thought problems. Also, for males, higher satisfaction and emotional support from a friend are associated with less thought problems. Younger youths with higher levels of perceived emotional support from a best friend have fewer internalizing problems, compared to older ones. Additionally, for youth whose best friend is from the Residential Care Setting, a higher perception of companionship is associated with lower levels of social, thought and attention problems, and higher levels of emotional support and satisfaction are associated with fewer externalizing problems. Also, satisfaction is associated with less social problems for best friends from the RCS. These findings contribute to the literature evidencing the role of quality friendship relationships on psychological functioning, and the moderating role of sex, age and context of friendship, that should be acknowledged as important for adolescent mental health. | pt_PT |
| dc.description.abstract | Em Portugal, o acolhimento residencial (AR) continua a ser a principal forma de acolhimento para crianças que são retiradas das suas famílias (CASA, 2020). Neste contexto específico, muitas destas crianças enfrentam eventos stressantes no seu início de vida (Dozier et al., 2002; Simms et al., 2000). Especificamente, experiências precoces adversas de cuidado parental marcadas por separação, mau trato e negligência (Dozier & Rutter, 2016) criam um vi risco acrescido para o desenvolvimento de problemas psicológicos (Costa et al., 2020), nomeadamente, emocionais (Ferreira et al., 2020a) e comportamentais (Lino & Nobre-Lima, 2017). Assim, estes jovens revelam maior tendência para desenvolver problemas de internalização e externalização (Chesmore et al., 2017), e além disso têm maior dificuldade em desenvolver relações de confiança com os outros (Lino et al., 2016). Contudo, quando colocados em acolhimento residencial, estes jovens começam a desenvolver novas relações, como com os pares, dentro e fora da casa de acolhimento, estabelecendo relações de proximidade entre si (Stone et al., 2016). Estas ligações com os pares na adolescência são de extrema importância, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e social (Rocha et al., 2011), especificamente no contexto de acolhimento os pares são muitas vezes percebidos como principal fonte de suporte para os jovens (Emond, 2012; Pinchover & Attar-Schwartz, 2018). De acordo com literatura existente, estas relações com os pares, quando são de qualidade são importantes para o desenvolvimento de capacidades sociais, demonstram ser protetoras durante o seu desenvolvimento (e.g., Lino et al., 2016), e demonstram ter implicações positivas ao nível da saúde mental (e.g., Ferreira et al., 2020). Estudos empíricos revelam a existência de uma relação entre a qualidade das relações com os pares e o funcionamento psicológico (i.e., Erol et al., 2010; Simsek et al., 2007, Ferreira et al., 2020, Demaray & Malecki 2002a; Gearing et al., 2015; Kendrick et al. 2012; Licitra, Kleckler, & Waas 1993; Newman et al. 2007; Wilkinson, 2010). No entanto, no nosso entendimento o estudo desta relação necessita de maior investigação. Assim sendo, neste estudo tivemos como principal objetivo aprofundar esta relação em jovens em acolhimento residencial, em Portugal. Além disso, ambicionamos igualmente analisar a associação entre a qualidade das relações com os amigos e o funcionamento psicológico, tendo em conta o papel de variáveis individuais (i.e., idade e sexo) e o contexto da relação de amizade (dentro ou fora do acolhimento residencial). Estudos anteriores, têm revelado diferenças nas interações com os pares em função do sexo (Gorrese & Ruggieri, 2012) e da idade (e.g., Similarly, Pace et al. 2011, Gorrese & Ruggieri, 2012, Miething et al. 2016). Consideramos ainda a importância do contexto da amizade, uma vez que estas relações podem surgir de diferentes contextos que a criança frequenta, dentro e fora da casa de acolhimento. Desta forma, e tendo por base o enquadramento teórico e empírico referido, esperamos que níveis mais elevados de qualidades positivas nas relações com os amigos estejam associados a níveis mais reduzidos de problemas psicológicos (hipótese 1). Adicionalmente, esperamos que estas associações sejam moderadas por variáveis individuais e contextuais. Nomeadamente, espera-se que esta associação entre relações de qualidade e os problemas vii psicológicos seja mais significativa para as raparigas do que para rapazes (hipótese 2) e mais significativa quando a idade aumenta (hipótese 3). Finalmente, tendo em conta que para muitos adolescentes o grupo de casa é onde eles recebem mais atenção e conforto (Delgado, 2006), é esperado que a relação negativa entre a qualidade da amizade e os problemas psicológicos seja mais forte quando o contexto da amizade é em acolhimento residencial (hipótese 4). Este estudo, que se insere num projeto mais amplo, inclui 752 jovens (46.4% raparigas) que vivem em casas de acolhimento residencial em Portugal, as idades variam entre os 11 e 25 anos (M =16.19, SD = 2.25). Os jovens preencheram um questionário relativo à qualidade das relações que estabeleceram com o melhor amigo e a origem dessa amizade. As informações relativas ao funcionamento psicológico foram preenchidas pelo cuidador responsável por cada jovem, bem como as informações relativas às variáveis sociodemográficas e variáveis moderadoras. Os resultados foram de encontro à primeira hipótese, revelando que os jovens que descrevem perceções positivas de qualidade da amizade, como maior satisfação e autorrevelação íntima com o melhor amigo, tendem a ser positivamente influenciados em algumas dimensões do funcionamento psicológico, como ao nível dos problemas sociais e atenção. Estes resultados comprovam a importância da qualidade das relações enquanto fator protetor face a alguns problemas no funcionamento psicológico, sendo consistentes com estudos anteriores que revelam a existência de uma associação positiva entre o suporte recebido pelos pares e um funcionamento psicológico (Erol et al., 2010; Simsek et al., 2007). Relativamente às análises de moderação, em todas as variáveis (i.e., sexo, idade e contexto da amizade) foram encontrados efeitos de interação significativos. No papel moderador do sexo, os resultados revelaram que os rapazes que percecionam maior qualidade na sua amizade, nomeadamente quando existe maior perceção de companheirismo, são descritos pelos cuidadores como tendo menos problemas de internalização e pensamento, também a satisfação com a amizade está tendencialmente associada a menos problemas de pensamento. Estes resultados não suportam a segunda hipótese, era esperado encontrar mais relações positivas entre a qualidade das relações com os amigos nas raparigas, que iriam influenciar positivamente as dimensões do funcionamento psicológico, pois tipicamente estas têm uma maior proximidade emocional aos pares do que os rapazes (Costa et al., 2020). Considerando o papel da idade, foi encontrado um efeito significativo apenas para os mais novos, sendo que estes beneficiaram mais do suporte emocional dos amigos do que os mais velhos, este suporte diminui os problemas de internalização, o que também não corresponde à nossa terceira viii hipótese. Apesar das inconsciências na literatura (Gorrese, 2015), era esperado que os jovens mais velhos atribuíssem maior importância aos pares para a sua saúde mental (Wilkinson, 2006). Finalmente, relativamente ao contexto de amizade, os resultados revelaram que para os jovens cujo melhor amigo era do contexto de AR, níveis mais elevados de companheirismo estavam associados com menos problemas sociais, de pensamento e atenção. Além disso, também uma maior perceção de suporte emocional e satisfação com a amizade estavam tendencialmente associadas a menos problemas de externalização, para amizades em contexto de AR. Ainda, para este grupo de jovens, a satisfação contribui para menos problemas sociais. Estes resultados suportam a nossa quarta hipótese, isto pode ser explicado pelo facto de relações positivas com os pares em AR reduzirem as experiências de vitimização, promoverem o bem-estar psicológico (Ferreira et al., 2020) e reduzirem a probabilidade de solidão (Hodges et al., 1999). O presente estudo, contribui para o aumento da literatura sobre a qualidade das relações de amizade e o funcionamento psicológico, tendo em consideração a influencia de variáveis individuais e contextuais. No entanto, é importante identificar algumas limitações. Primeiramente, o estudo segue um design correlacional, que não permite realizar inferências causais. Além disso, foram apenas utilizadas algumas dimensões do CBCL, sendo que um espectro mais vasto poderia dar origem a mais associações entre as variáveis. Ainda, seria benéfico considerar outros aspetos associados à qualidade da amizade (i.e., duração da amizade), bem como bem como o contexto das amizades fora do AR, pois podem ser provenientes do contexto de risco, além disso devem ser considerados os efeitos de outros fatores ecológicos (i.e., tempo em acolhimento) (Costa et al., 2020). Por fim, a inclusão de outros significativos, poderá ser uma mais valia enquanto relações importantes, nomeadamente para as raparigas. Apesar das limitações, existiram igualmente forças na investigação. Nomeadamente, o tamanho elevado da amostra permitiu resultados mais robustos e generalizados. Além disso, foi possível recolher dados através de hétero-relato, recorrendo aos cuidadores, diminuindo a desejabilidade social. Os resultados permitiram delinear algumas implicações para a prática, salientando a importância da qualidade das amizades no funcionamento psicológico. Especificamente, delinear intervenções que envolvam todos os jovens da casa de acolhimento, no sentido de aumentar a coesão e proximidade entre o grupo. Além disso, a promoção de competências socio-emocionais poderá igualmente ser positiva na melhoria das interações sociais ao longo da vida (Blair, 2002; Ursache et al., 2012). Ainda, deve ser tida em consideração a maior ix vulnerabilidade das raparigas e o menor impacto das relações com os pares para as mesmas, sendo que poderão beneficiar de intervenções que integrem igualmente outras formas de suporte (i.e., pais, irmãos). Concluindo, os programas de intervenção com estes jovens poderão contemplar intervenções generalizadas de promoção de saúde mental em acolhimento, que poderão ser um fator promotor da melhoria do bem-estar psicológico nestes jovens. | pt_PT |
| dc.identifier.tid | 203540131 | |
| dc.identifier.uri | http://hdl.handle.net/10451/65042 | |
| dc.language.iso | eng | pt_PT |
| dc.subject | Amizade | pt_PT |
| dc.subject | Adolescência | pt_PT |
| dc.subject | Acolhimento residencial | pt_PT |
| dc.subject | Bem-estar psicológico | pt_PT |
| dc.subject | Dissertações de mestrado - 2022 | pt_PT |
| dc.title | Quality of the relationship of youth in residential care with their friends and psychological functioning : the moderating role of individual and contextual variables | pt_PT |
| dc.type | master thesis | |
| dspace.entity.type | Publication | |
| rcaap.rights | openAccess | pt_PT |
| rcaap.type | masterThesis | pt_PT |
| thesis.degree.name | Mestrado em Psicologia | pt_PT |
