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Simultaneidades e sincronismos na modernidade portuguesa (1915-1918)

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O início da I Guerra em 1914 veio interromper de forma drástica o percurso artístico de vários artistas estrangeiros que na altura residiam em Paris, como os portugueses Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), Eduardo Viana (1881-1967) e José Pacheco (1885-1934), que assim se viram obrigados a um regresso forçado a Portugal. Durante o período da guerra, as poucas actividades em torno das artes na Europa surgiam perifericamente: no ano de 1916, Amadeo de Souza-Cardoso expôs no Porto e em Lisboa; e Sonia (1885-1979) e Robert De- launay (1885-1941) expuseram na Escandinávia. As deslocações forçadas abriram espaço à criação de novas relações e a novas dinâmicas artísticas, como é o caso da chegada a Portugal do casal Delaunay em 1915. Foi neste país, no extremo da Europa, que eles exploraram a simultaneidade na pintura de forma mais intensiva, ao observarem os aspectos visíveis da teoria do contraste das cores no Minho rural. Esta ruralidade, culturalmente rica, reflectiu-se não só na pintura dos Delaunay, com um regresso à figuração e com novos temas, como nas obras de Eduardo Viana e de Amadeo de Souza-Cardoso. A permanência do casal em Portugal, até 1917, permitiu que se criasse uma «relação do cubismo órfico com a situação portuguesa [...] notória do ponto de vista dos resultados inter-culturais» (Ferreira, 1990: 166). Para Almada Negreiros (1893-1970), que apenas iria a Paris em 1919, estava reservado o fenómeno único da vanguarda artística a vir ao seu encontro, que aconteceu com a chegada do casal Delaunay, que representavam um «símbolo vivo de uma vanguarda francesa» (Ibidem). A visita a Lisboa da companhia de bailado Ballets Russes de Serge Diaghilev (1872-1929), entre dezembro de 1917 e março de 1918, iria trazer a Almada um estímulo acrescido, que se manifestaria noutro acontecimento ímpar. Nesse ano, ele apresentaria ao público o primeiro bailado português pensado em termos de arte total, sob um programa de mecenato cultural privado proveniente da aristocracia lisboeta. Através de Sonia Delaunay, Almada teria a revelação de que não havia separação entre arte maior ou menor, ao serem aplicados os princípios da simultaneidade em tudo. Ambos partilhavam de um gosto pela performance estética: ela, usando os seu «vestido simultâneo» como uma obra de arte em movimento, combinada com o ambiente circundante; ele, nos teatrais manifestos futuristas e na balletomania. O convívio com os Delaunay e com a companhia de Diaghilev iria estimular em Almada uma evolução na sua produção artística — na passagem de uma actividade literária e performativa para a criação de bailados —, visível no seu trabalho para figurinos.

Descrição

Palavras-chave

Modernismo Sonia Delaunay Almada Negreiros Simultaneísmo Ballets Russes

Contexto Educativo

Citação

In: Convocarte, nº15 (dez. 2023): Arte e mobilidade, p. 111-138

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Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa

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