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Orientador(es)
Resumo(s)
O teatro na Grécia Antiga tinha funções pedagógicas, morais e cívicas na formação daquele povo que se tornou referência para as demais civilizações. Os festivais em honra ao deus Dionísio mobilizaram por vários dias os espectadores que aprendiam pelas palavras e pelas imagens cruéis dos mitos em cena, conforme construções dramatúrgicas de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, entre outros tragediógrafos pouco conhecidos daquele período. Esta manifestação cultural, conforme Nietzsche (1992), arrastava os olhos da multidão embevecida, que em delírio fitava as imagens e ouvia os horrores do mito pulsante em cena. Serra (2009) afirma que no teatro grego, a dor e a vulnerabilidade do homem eram postos em cena: ditos e percebidos pelos espectadores. Era olhando para os heróis (reis e guerreiros) que o homem aprendia a ser homem, cidaão grego. Mas se voltarmos a nossa lente para as heroínas, o que elas ensinavam? Elas ensinavam a mulher ser mulher naquele contexto? De que forma? Como elas aparecem nestas dramaturgias que evidenciam os feitos dos grandes homens? Eis as nossas questões. Para discuti-las voltamos a nossa lente para Ifigênia da obra Ifigênia em Áulis de Eurípedes (2012), Ismene e Antígo- na da obra Antígona de Sófocles (1998). O percurso dramatúrgico destas personagens, sobretudo as suas ações – sendo elas o mais importante para Aristóteles (2007) – permite-nos vislumbrar as nuances da mulher naquele contexto. Ifigênia, filha de Agamêmnon e Clitemnestra, virgem e supostamente prometida em casamento ao guerreiro Aquiles, representa o ideal de mulher, à sombra dos grandes homens; ao contrário de Ismene e Antígona, filhas de Édipo Rei e Jocasta, transgressoras deste ideal. Elas evadem-se do lar para o espaço público, ocupando espaços que cabiam somente aos homens, sobretudo Antígona, que no avançar da trilogia, resiste e enfrenta de forma irredutível às ordens do estado editadas por Creonte em defesa das leis divinas e eternas.
Descrição
Palavras-chave
Cidade Teatro Grego Dramaturgia Representação da Mulher
Contexto Educativo
Citação
In: Convocarte, nº12 (set. 2022): Arte e paideia, p. 201-217
Editora
Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
