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Orientador(es)
Resumo(s)
Ainda que escassa, a investigação científica tem demonstrado alterações cognitivas, emocionais e comportamentais significativas no psicoterapeuta a nível profissional e pessoal ao longo da formação e prática clínica (Carvalho & Matos, 2011a; Kottler, 2010; Norcross & VandenBos, 2018; Radeke & Mahoney, 2000). Ademais, contrariamente à crença presente na sociedade em geral, e inicialmente na investigação desta temática, os psicoterapeutas não estão isentos a problemas e desafios pessoais (Norcross & Prochaska, 1986; Norcross & VandenBos, 2018; Tyskø & Lorås, 2017). O presente estudo, de natureza exploratória e qualitativa, visa explorar qual a visão de psicoterapeutas portugueses em relação ao impacto que ser psicoterapeuta tem nas relações pessoais. Para tal recorreu-se a entrevistas semiestruturadas a 15 psicólogos portugueses que tivessem ou estivessem a ter formação específica em psicoterapia e exercessem a atividade de psicoterapia. Os dados recolhidos foram analisados através da análise temática e com recurso ao software QSR NVivo 12 permitindo criar um sistema hierárquico de categorias. Os resultados obtidos mostram que os psicoterapeutas reconhecem consequências positivas e negativas originadas pela formação profissional, pelo acesso às experiências de vida dos pacientes e pelos constrangimentos da prática da psicoterapia em pelo menos um tipo de relação pessoal seja familiar, amorosa ou de amizade. Há consciência da necessidade da diferenciação entre o “eu pessoal” e o “eu profissional” embora a maioria não o faça por completo. No geral, para lidar com as implicações negativas na vida pessoal fruto de serem psicoterapeutas, adotam estratégias ativas e estas englobam, maioritariamente, estratégias de autocuidado. Por último, os resultados espelham a perceção destes psicoterapeutas de que a sociedade idealiza as relações pessoais dos psicoterapeutas e não diferencia a pessoa do profissional. A maioria dos participantes tendem a desmistificar essas conceções e a responder com humor. Apresentam-se ainda as limitações do presente estudo e sugestões para investigação futura.
Ainda que escassa, a investigação científica tem demonstrado alterações cognitivas, emocionais e comportamentais significativas no psicoterapeuta a nível profissional e pessoal ao longo da formação e prática clínica (Carvalho & Matos, 2011a; Kottler, 2010; Norcross & VandenBos, 2018; Radeke & Mahoney, 2000). Ademais, contrariamente à crença presente na sociedade em geral, e inicialmente na investigação desta temática, os psicoterapeutas não estão isentos a problemas e desafios pessoais (Norcross & Prochaska, 1986; Norcross & VandenBos, 2018; Tyskø & Lorås, 2017). O presente estudo, de natureza exploratória e qualitativa, visa explorar qual a visão de psicoterapeutas portugueses em relação ao impacto que ser psicoterapeuta tem nas relações pessoais. Para tal recorreu-se a entrevistas semiestruturadas a 15 psicólogos portugueses que tivessem ou estivessem a ter formação específica em psicoterapia e exercessem a atividade de psicoterapia. Os dados recolhidos foram analisados através da análise temática e com recurso ao software QSR NVivo 12 permitindo criar um sistema hierárquico de categorias. Os resultados obtidos mostram que os psicoterapeutas reconhecem consequências positivas e negativas originadas pela formação profissional, pelo acesso às experiências de vida dos pacientes e pelos constrangimentos da prática da psicoterapia em pelo menos um tipo de relação pessoal seja familiar, amorosa ou de amizade. Há consciência da necessidade da diferenciação entre o “eu pessoal” e o “eu profissional” embora a maioria não o faça por completo. No geral, para lidar com as implicações negativas na vida pessoal fruto de serem psicoterapeutas, adotam estratégias ativas e estas englobam, maioritariamente, estratégias de autocuidado. Por último, os resultados espelham a perceção destes psicoterapeutas de que a sociedade idealiza as relações pessoais dos psicoterapeutas e não diferencia a pessoa do profissional. A maioria dos participantes tendem a desmistificar essas conceções e a responder com humor. Apresentam-se ainda as limitações do presente estudo e sugestões para investigação futura.
Ainda que escassa, a investigação científica tem demonstrado alterações cognitivas, emocionais e comportamentais significativas no psicoterapeuta a nível profissional e pessoal ao longo da formação e prática clínica (Carvalho & Matos, 2011a; Kottler, 2010; Norcross & VandenBos, 2018; Radeke & Mahoney, 2000). Ademais, contrariamente à crença presente na sociedade em geral, e inicialmente na investigação desta temática, os psicoterapeutas não estão isentos a problemas e desafios pessoais (Norcross & Prochaska, 1986; Norcross & VandenBos, 2018; Tyskø & Lorås, 2017). O presente estudo, de natureza exploratória e qualitativa, visa explorar qual a visão de psicoterapeutas portugueses em relação ao impacto que ser psicoterapeuta tem nas relações pessoais. Para tal recorreu-se a entrevistas semiestruturadas a 15 psicólogos portugueses que tivessem ou estivessem a ter formação específica em psicoterapia e exercessem a atividade de psicoterapia. Os dados recolhidos foram analisados através da análise temática e com recurso ao software QSR NVivo 12 permitindo criar um sistema hierárquico de categorias. Os resultados obtidos mostram que os psicoterapeutas reconhecem consequências positivas e negativas originadas pela formação profissional, pelo acesso às experiências de vida dos pacientes e pelos constrangimentos da prática da psicoterapia em pelo menos um tipo de relação pessoal seja familiar, amorosa ou de amizade. Há consciência da necessidade da diferenciação entre o “eu pessoal” e o “eu profissional” embora a maioria não o faça por completo. No geral, para lidar com as implicações negativas na vida pessoal fruto de serem psicoterapeutas, adotam estratégias ativas e estas englobam, maioritariamente, estratégias de autocuidado. Por último, os resultados espelham a perceção destes psicoterapeutas de que a sociedade idealiza as relações pessoais dos psicoterapeutas e não diferencia a pessoa do profissional. A maioria dos participantes tendem a desmistificar essas conceções e a responder com humor. Apresentam-se ainda as limitações do presente estudo e sugestões para investigação futura.
Descrição
Tese de mestrado, Psicologia (Área de Especialização em Psicologia Clínica e da Saúde - Psicoterapia Cognitiva-Comportamental e Integrativa), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2019
Palavras-chave
Psicoterapeuta Relações pessoais Formação Treino Teses de mestrado - 2019
