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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O reconhecimento da palavra falada. O fenómeno talvez mais saliente ao ouvir fala em situações
quotidianas é que se percebem significados e não propriamente sons:
a nossa experiência consciente segue a intenção semântica do
interlocutor (Castro, 1992). Esta admirável capacidade de
compreensão da fala depende, sem dúvida, da eficácia e da rapidez
com que podemos reconhecer as palavras no léxico mental. O
reconhecimento da palavra falada não apresenta problemas evidentes
para os interlocutores, uma vez que somos capazes de o fazer sem
esforço aparente. Estas capacidades constituem grandes dificuldades
para quem, como os psicolinguistas, as pretende elucidar e
compreender. Os problemas que temos que resolver para conseguir um
rápido e preciso reconhecimento de palavras têm sido evidenciados
através das dificuldades sentidas pelos cientistas cognitivos ao
tentarem simular em computador as capacidades de reconhecimento
da palavra falada (cf. por ex: Cooper, Gaitenby e Nye, 1984). Estes
problemas são fundamentalmente de três tipos (cf. por ex: Pisoni,
1985; Frauenfelder e Tyler, 1987; Frauenfelder, 1991):
1) o problema da categorização: a fala é variável; cada palavra
pode tomar uma forma fonológica diferente cada vez que ó produzida
devido, por exemplo, ao contexto, à velocidade com que se fala, às
características do próprio falante, etc. A partir destes diferentes
exemplares de uma palavra somos, no entanto, capazes de estabelecer uma relação unívoca com uma única entrada no léxico mental ("many-to-
one-mapping");
2) o problema da segmentação: para além de variável, a fala é
também contínua. Com efeito, e ao contrário do que ocorre com a
escrita, não existem espaçamentos sistemáticos, ou períodos de
silêncio, que indiquem o fim de uma palavra ou o início da seguinte.
Esta característica contínua da fala levanta o problema do
estabelecimento de uma relação entre entradas (o discurso)
contínuas e unidades representadas de um modo discreto no léxico
mental ("continuous-to-discrete-mapping");
3) o problema da resolução de ambiguidade: a fala é ambígua; o
facto das palavras serem constituídas a partir de um número
relativamente restrito de fonemas e de sílabas pode levar à
ocorrência de palavras encastradas no interior de outras palavras
(por exemplo, as palavras "croque", "roc", "ode" e "code" estão
encastradas na palavra "crocodile") e de palavras que "atravessam"
duas outras palavras (por exemplo, a sequência de palavras 'un grand
ami" contém a palavra "tami"). Esta ambiguidade de uma dada cadeia
de fonemas no que diz respeito à sua adequada interpretação lexical
vem complicar ainda mais os processos de reconhecimento da fala,
uma vez que o estabelecimento de uma relação entre uma dada cadeia
sonora e uma dada entrada lexical não garante, por si só, que essa
entrada tenha sido realmente produzida ("one-to-many-mapping").
Dada esta complexidade do estímulo fala, o reconhecimento de
palavras poderia surgir como algo extremamente difícil, se não
mesmo impossível. No entanto, não experimentamos qualquer dificuldade em aceder ao significado a partir deste padrão de
estimulação complexo.
Os três tipos de problemas mencionados são, em parte,
responsáveis pelo facto dos esforços dos investigadores terem
incidido, sobretudo, sobre o reconhecimento da palavra escrita. Têm
surgido, no entanto, mais recentemente, diversos trabalhos relativos
ao reconhecimento da palavra falada, tendo sido propostos,
inclusivamente, diversos modelos teóricos (cf. por exemplo: Marslen-
Wilson. 1984, 1987; 1990; McClelland e Elman, 1986; Klatt, 1980,
1989; para uma revisão cf. por exemplo: AItmann, 1990). (...)
Descrição
Tese de de Mestrado em Psicologia (Psicologia Cognitiva), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1995
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1995 Psicologia experimental humana Processos perceptivos Segmentação da palavra
