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English as a lingua franca in Russia: a sociolinguistic profile of three generations of english users

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Resumo(s)

The current spread of English is closely associated with the acknowledgement of the language as a world lingua franca, having the processes of globalization and internatialization different implications for various communities, largely depending on the specific history, politics, culture, and language policy of the country. In Russia, such unprecedented spread, most frequently attributed to the status ensured to speakers of English in social, cultural, and economic spheres, manifests itself in a range of domains such as education, workplace, media, entertainment, advertising, creative and identity domains. In use both as a foreign language and, more widely, as a lingua franca, English in Russia builds links to the international community, and serves as a language of expression of national and cultural identity, being related to many Englishes, including such local varieties as Russian English, Runglish and/or Ruslish, depending on the level of proficiency of its users and the situation involved. This dissertation examines the presence of English in the particular national context of Russia by focusing on three generations of Russian users of English. The findings of the empirical research bring to the surface the attitudes towards the presence of English, its usages, models, variation, as well as its prospects in the national context. This survey suggests the need for significant readjustments in theoretical research, applied linguistics, and English teaching. Such changes include the reappraisal of the native versus non-native dichotomy, the notions of “standard” and “variation”, and domains of language use. In English language teaching, the reorientation involves the study of English in various contexts, teaching awareness and acceptance of other varieties besides standard ones, the shift from the monolingual to the pluricentric approach in language instruction, and the emphasis on the acquisition and development of communicative abilities.
Há muito que a língua inglesa ultrapassou as fronteiras das comunidades dos seus falantes nativos, sendo a sua expansão pelo mundo um fenómeno único e sem paralelo, intimamente associada ao seu reconhecimento como língua franca global. Este estatuto da língua inglesa como recurso universal e meio de comunicação internacional e intercultural justifica o crescente número de pessoas que usa esta língua: de facto, há, hoje em dia, mais gente a recorrer ao inglês como segunda língua e/ou como língua estrangeira do que há falantes nativos. Assim, a língua inglesa é actualmente um bem partilhado por milhões de indivíduos e comunidades, independentemente da sua identidade nacional ou geográfica. Neste quadro, considerando o caso particular da Rússia, verifica-se que o inglês, neste país, surge num vasto leque de domínios como a educação, o trabalho, os media, a publicidade e muitos outros, sendo esta sua utilização frequentemente atribuída ao prestígio de que gozam os falantes de inglês nas esferas social, cultural e económica. Sublinhe-se que, presentemente, a comunidade dos falantes de inglês na Rússia é maioritariamente composta por indivíduos para quem o inglês é uma língua estrangeira, no entanto, em função da proficiência e da situação envolvida, a língua inglesa aparece relacionada com realidades linguísticas diversas, incluindo variedades locais de inglês russo como o Runglish e o Ruslish. Porém, a penetração da língua inglesa na sociedade russa não é tão profunda como noutros países, dependendo as particularidades da situação do inglês no contexto nacional da política linguística que é, em grande medida, produto de estratégias políticas dentro e fora do país. Como a compreensão do corrente estatuto do inglês neste país será impossível sem uma descrição retrospetiva da forma como a língua se desenvolveu historicamente no contexto nacional russo, tendo em mente certos fatores condicionantes, a difusão do inglês na Rússia é apresentada neste trabalho numa perspectiva simultaneamente diacrónica e sincrónica, baseada em três períodos fundamentais da história russa moderna: a Guerra Fria (1947-1991), o período pós-Perestroika (1992-1999) e a Nova Rússia (a partir de 2000). O quadro teórico em que se desenvolve a investigação baseia-se numa conceptualização inovadora do inglês como língua internacional, ou língua franca, ultimamente considerado em largo uso nos países com comunidades de falantes não nativos de inglês. Este termo, vem sendo aplicável à língua, quando se verefica que o inglês passou a ser usado como meio de comunicação por um elevado número de indivíduos, para quem este, não sendo língua mãe, não pode ser visto como uma língua estrangeira, pois faz parte da sua vida quotidiana, ou é a língua utilizada em diversas situações. Esta dissertação revisita também abordagens anteriores desta questão, de um ponto de vista de uma nova ordem linguística, tendo em conta contextos emergentes de aquisição da língua, o seu presente uso e utilizadores, e novas funções e instâncias de interação. O cerne da reflexão, porém, é a maioria dos falantes da língua, que são predominantemente falantes não nativos. Sublinha ainda o facto de que os usos internacionais do inglês em novos contextos geográficos, históricos, comportamentais, linguísticos e sociolinguísticos acabam por resultar numa diminuição das diferenças entre falantes nativos e não-nativos. Uma vez que os processos de globalização e internalização têm implicações distintas para diferentes comunidades, dependendo largamente da história, politica, cultura e política linguística de cada país, o presente trabalho examina a presença do inglês num contexto nacional particular. Procura assim esclarecer o estatuto do inglês na Rússia e o modo como os russos são afetados pela sua presença, bem como a forma como a língua é adaptada ao contexto local, e como os indivíduos reagem ao seu uso. Devido à sua situação histórica peculiar e aos anos em que a Cortina de Ferro dominou a vida europeia, o desenvolvimento das relações anglo-russas viveu períodos de altos e baixos. Vale a pena mencionar que a Rússia procurou resistir à influência da língua inglesa na língua e na cultura russas durante a maior parte da sua história. Antes de 1985, não existiam praticamente contactos entre a União Soviética e o Ocidente; esta situação alterou-se com as reformas da Perestroika, trazendo uma abertura ao Ocidente na política externa, na economia e nos modos de vida. No entanto, mesmo hoje, quando o país parece ter finalmente completado a transição para uma ordem democrática numa perspetiva globalizada, a resistência politica, económica, cultural, social e linguística à influencia do inglês permanece forte. Esta característica da paisagem linguística russa deve-se a uma politica governamental orientada para a proteção da identidade nacional e cultural pelo reforço da posição da língua russa. A maior contradição, porém, é que, na Rússia atual, o inglês é reconhecido como língua franca universal, sendo a mais popular das línguas estrangeiras, aprendida em todos os níveis do sistema educativo. O trabalho inclui também uma pesquisa empírica focada em três gerações de falantes russos da língua inglesa que evidencia as atitudes perante a presença do inglês na Rússia, os seus usos, modelos e variações, bem como as suas perspetivas no contexto nacional. O levantamento pretende mostrar como as transformações na política linguística e na aprendizagem das línguas influenciaram as atitudes em relação ao inglês e ao seu desenvolvimento em ambientes específicos. Os resultados desta pesquisa revelam que a aprendizagem da língua tem efeitos significativos nas atitudes e perceções dos indivíduos face à língua inglesa, à sua aquisição e aos padrões de ensino. A maioria dos falantes de inglês na Rússia ainda se confronta com perceções estereotipadas, impostas por tradições pedagógicas; em consequência, avaliam a sua proficiência pela proximidade com os falantes nativos - na sua maioria, demonstrando a sua preferência pelo inglês britânico e proficiência equivalente à nativa. Defendendo o princípio de uma nova abordagem do inglês no quadro do seu ensino, acentua-se que, hoje em dia, o largo leque de domínios de uso do inglês torna problemático avaliar o lugar da Rússia no conjunto de países onde o inglês é ensinado e aprendido exclusivamente como língua estrangeira. A esta luz, um passo importante é a tentativa de estabelecer novos modelos e estratégias de ensino da língua inglesa, questionando os modelos tradicionais dos falantes nativos e as normas exonormativas do inglês como língua nativa, em favor da competência e eficiência comunicativa em contextos internacionais alargados. Os resultados desta pesquisa sugerem a necessidade de reajustamentos significativos na pesquisa teórica, em linguística aplicada e no ensino do inglês. Tais mudanças incluem uma reavaliação em termos de falantes de inglês, da dicotomia nativo versus não-nativo, das noções de padrão e de variação, e dos domínios do uso linguístico. Estudos recentes também sustentam uma reorientação do ensino do inglês como língua franca, envolvendo o estudo do inglês em vários contextos, a consciência pedagógica e a aceitação de variantes linguísticas para lado do padrão, a mudança de uma abordagem monolingue para pluricêntrica no ensino da língua, e a enfase na aquisição de aptidões comunicativas. Com este estudo, esperamos que as considerações e implicações teóricas aqui assinaladas para a linguística aplicada e o ensino da língua possam servir de base para pesquisas posteriores nestes campos e nos seus usos, no contexto específico da Rússia. Pesquisas mais abrangentes sobre o estudo da política e da ideologia linguísticas são também necessárias.

Descrição

Tese de doutoramento, Linguística (Linguística Inglesa), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2013

Palavras-chave

Língua inglesa - Rússia Língua inglesa - Estudo e ensino - Rússia Língua inglesa - Variação linguística - Rússia Teses de doutoramento - 2013

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