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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O Coronel Frederico Ferreira de Simas (1872-1945), cuja formação decorreu na Escola do Exército, desempenhou, ao longo das quatro primeiras décadas do século XX, um importante conjunto de funções nos âmbitos militar, político e pedagógico. Durante a 1ª República foi senador, deputado e ministro, inclusive na pasta da Instrução Pública. Ao nível do campo pedagógico, participou activamente no intenso movimento associativo então florescente, designadamente como membro da Sociedade de Estudos Pedagógicos. Foi, ainda que por um curto período, director da Escola Normal Primária para o sexo feminino de Lisboa, professor na Escola do Exército e inspector pedagógico do Liceu Pedro Nunes, entre outros cargos.
Em 1919, o Coronel Ferreira de Simas foi nomeado director do Instituto Feminino de Educação e Trabalho (futuro Instituto de Odivelas), um internato escolar destinado às filhas de militares, no qual já desempenhava funções pedagógicas. Permaneceu nessas funções até 1941. Ferreira de Simas aprofundou o esforço, já anteriormente desencadeado, no sentido de transformar o Instituto numa escola de referência no panorama pedagógico nacional. Muitas das concepções e práticas associadas à Educação Nova conheceram aí alguma concretização, em particular no que se diz respeito à consecução do ideal de educação integral das jovens alunas, através da valorização da educação física, da educação artística e dos trabalhos manuais. Era, igualmente, cultivada uma relação próxima com a natureza, não só nos jardins do Instituto, mas, também, através dos inúmeros passeios realizados pelas alunas. A pedagogia experimental e o discurso higienista penetravam no Instituto por via da realização de “testes mentais”, da elaboração de uma “ficha sanitária” de cada aluna, do acompanhamento constante do seu “estado sanitário” e do rigor posto na preparação das refeições. No que diz respeito à educação moral, privilegiava-se, entre outras estratégias, a participação activa das alunas, o que conduziu à criação, sob o impulso do director, de associações mutualistas e cooperativas.
As concepções de Ferreira de Simas em relação à educação feminina enfatizam o seu carácter diferenciado, o que permite compreender a importância atribuída à chamada educação «ménagère”, tendo por finalidade preparar as alunas para serem boas mães e donas de casa competentes. Mesmo assim, a formação profissional não é esquecida, manifestando-se através da criação de vários cursos, sendo o carácter prático das aprendizagens uma constante.
A análise, que aqui se propõe, das concepções pedagógicas de Ferreira de Simas e da sua acção, entre 1919 e 1941, à frente do Instituto Feminino de Educação e Trabalho será aproveitada para reflectir historicamente sobre as virtualidades e os limites do projecto da Educação Nova, bem como sobre a complexidade de que se revestia a sua apropriação em contextos locais, combinando “tradição” e “inovação”. Utilizaremos, entre outras fontes, documentos elaborados por Ferreira de Simas que balizam ou expressam a actividade da instituição, tais como relatórios e discursos do director.
Descrição
Palavras-chave
Militares Educação nova Educação feminina
Contexto Educativo
Citação
Militares e educação em Portugal e no Brasil, 2010, pp. 17-43.
Editora
Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação
