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A fronteira entre português antigo e clássico: português médio

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Assim como o conceito de nação não pode ser definido apenas pelos limites territoriais, também o conceito de língua não pode ser entendido em termos meramente linguísticos. Para a constituição de uma nação não basta a delimitação de fronteiras; é necessária a formação de uma identidade comum, que se alicerça no espaço geográfico mas também na história, na religião, na criação de heróis. Para que uma língua se torne um idioma nacional não basta a sua distanciação das línguas vizinhas; é necessário um complexo processo de elaboração e estandardização que combina a influência de variados fatores de ordem linguística e histórica, social, cultural e económica. Dito de outro modo: temos nação quando acreditamos nela; temos língua nacional quando temos consciência dela. Se nação e idioma nacional são resultado de processos intimamente relacionados, a emergência de um idioma nacional não deve ser analisada como um mero conjunto ordenado de mudanças linguísticas, aparentemente divorciadas da realidade social. A uma visão limitada da história enquanto sucessão linear de acontecimentos, baseada no princípio causa-efeito, corresponde, em linguística histórica, a imagem de uma evolução determinística, em que cada mudança na língua seria consequência de alterações estritamente linguísticas. É nesse sentido que a tradição tem utilizado os conceitos de história externa e história interna: duas vertentes de um mesmo fenómeno mas que são, geralmente, apresentadas como paralelas. Julgo limitada esta perspetiva e penso ser preferível, no estado actual dos conhecimentos, uma história da língua que não separe história e língua e que não esqueça a função primordial de qualquer língua: a comunicação entre os falantes.

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Citação

CARDEIRA, Esperança (2015): A fronteira entre português antigo e clássico: português médio. In: R. Mariño Paz & X. Varela Barreiro (eds.), Lingüística Histórica e edición de textos galegos medievais. Verba, Anexo 73. Santiago de Compostela: Universidade de Santiago de Compostela, 55-64.

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