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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O processo de escolarização desenvolvido no Ocidente europeu a partir dos
meados do século XVIII, com a criação de um ensino elementar obrigatório, e a posterior
institucionalização de um ensino secundário público, progressivamente autonomizado do
ensino universitário, constitui o elemento chave da caracterização do pensamento político
educativo moderno quer numa perspectiva quantitativa (extensão do fenómeno educativo),
quer qualitativa (organização pedagógica e transformação dos métodos e conteúdos). ( Ver
a este propósito, Vinao, 1982).
Na origem deste processo de escolarização encontram-se múltiplos factores
(que variam de país para país) e cuja relevância varia em função das diferentes perspectivas
com que têm sido estudados: razões militares (Prússia e França); solidificação da unidade
nacional (Estados Unidos); proselitismo religioso (nos países que aderiram à Reforma);
expulsão dos jesuítas (Rússia, Portugal, França, Espanha, Austria); industrialização e
urbanismo (nos países do Norte e Centro da Europa); condições político-administrativas
propícias (como foi o caso de Portugal, primeiro com Pombal e depois com a Revolução
liberal, e em Espanha, com a "normalização" que se seguiu à revolução liberal); "espírito
das luzes"; ideologia liberal; articulação com o processo de formação do Estado. (Cf. entre
outros, Durkheim, 1938; Cipolla, 1970; Vifiao, 1982; Petitat, 1982; Novoa, 1987; Green,
1990).
Andy Green (1990) na sua análise comparada sobre as relações entre a
Educação e o Estado na Inglaterra, França e Estados Unidos, considera que este processo
de escolarização está intimamente ligado à formação de um sistema nacional de educação
que se desenvolve na Europa e nos Estados Unidos, a partir do início do século XIX: « A
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forma clássica do sistema de educação pública, com o financiamento e regulação das
escolas pelo Estado e uma elaborada burocracia administrativa, ocorreu primeiro no
Continente [europeu], de uma maneira notável nos estados alemães, na França, Holanda
e Suiça. Todos estes países tinham estabelecido a forma básica do seu sistema público por
volta da década de 30 do século XIX, apesar de em França a frequência plena só ter sido
atingida cerca de 50 anos mais tarde. Os estados do Norte dos Estados Unidos desenvolvem
o seu sistema educativo, de acordo com o seu desenho mais descentralizado, no período
entre 1830 e a Guerra Civil [1860]. A Inglaterra, os Estados do sudoeste europeu e o sul
dos E.U.A. foram bastante mais devagar, em particular a Inglaterra em que o atraso no
completo estabelecimento de um sistema público integrado se prolongou até ao século
seguinte.» (p.3)
Com a criação deste sistema público de educação, a escola surge como uma
instituição formal destinada à socialização dos jovens, à manutenção da ordem social e à
promoção do desenvolvimento. «A criação de instituições deste tipo unicamente devotadas
à educação e envolvendo um monopólio putativo da aprendizagem formal e da formação
para diversas ocupações, assinala uma revolução no conceito e formas de educação e a
transformação nas relações entre escolarização, sociedade e o Estado. A educação não se
torna só, num fenómeno de massas; mas torna-se também numa dimensão essencial da
organização social.» (Green, 1990, p. 2). (...)
Descrição
Tese de doutoramento em Ciências da Educação (Organização e Análise do Ensino) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1993
Palavras-chave
Pedagogia Administração educacional Administração escolar Liceus - 1836-1960 Teses de doutoramento - 1993
