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Tecnologia e Estado Novo : os cimentos e a materialização do corporativismo português
Publication . Bolas, Isabel; Saraiva, Tiago Figueiredo; Cardoso, José Luís
Esta tese contribui para a compreensão do processo de co-construção que existiu entre a Fábrica de Cimento de Maceira-Liz e o regime corporativo do Estado Novo. A fábrica, inaugurada em 1923 – bem como as tecnologias que a distinguem no panorama português, os fornos rotativos - é um objeto histórico que, não só é importante para compreender a materialização deste regime por meio das obras publicas, mas também a sua obra social e religiosa. Recorrendo sobretudo às fontes primárias do Arquivo Histórico Fábrica Maceira-Liz, segui as propostas da história da tecnologia e centrei-me no uso da inovação tecnológica, o forno rotativo, no lugar onde foi introduzida pela primeira vez em Portugal, a Gândara, onde foi contruída a fábrica. Através da tecnologia que, não só mobilizou em torno de si engenheiros, técnicos, capitais, laboratórios, operários e famílias, organizados segundo a Doutrina Social da Igreja, mas também ministros e sacerdotes, conseguem identificar-se as profundas alterações às paisagens material, social e moral em que foi introduzida. Compreende-se sobretudo o papel que a tecnologia acabou por ter na construção dos imaginários políticos e culturais do período estudado. Particularmente inesperado foi o significado simbólico mais profundo que o forno rotativo assumiu, enquanto elemento unificador de tecnologia e religiosidade. A qualidade do cimento produzido em Maceira-Liz através do forno rotativo, um cimento homogéneo, não deu apenas resposta à construção de grande parte da obra do Estado Novo. A Fábrica constituiu-se como um espaço de experimentação de políticas sociais e económicas do regime corporativo, sendo simultaneamente indissociável do desígnio de recristianizar Portugal. Tanto através da forma como contribuiu para que a indústria do cimento se organizasse face ao condicionamento industrial, elemento central da política económica do novo regime, o qual acabaria por permitir criar a primeira Federação das Caixas de Previdência; como através da conceção do conjunto fabril e social, um espaço de experimentação social em que foram construídos e testados um conjunto de equipamentos, em forma de "projeto-piloto", de soluções corporativas, que acabaram por ser implementadas no território português (um Bairro de Pessoal, uma Capela, e ainda a primeira “Casa do Povo” do regime). Os atores de Maceira-Liz, monárquicos e católicos, com afinidades estabelecidas através de laços familiares e de redes informais constituídas, criaram ligações ao poder económico e político, e, procurando conjugar capital e trabalho segundo a doutrina social da Igreja Católica, convergiram na criação de uma elite técnica de cariz aristocrático, cuja participação no desenvolvimento económico do país permite compreender de outra forma a afirmação do regime do Estado Novo.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

SFRH

Número da atribuição

SFRH/BD/90060/2012

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