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Projeto de investigação

Centre of Geographical Studies - University of Lisbon

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A importância da atualização dos inventários de movimentos de vertente na avaliação da suscetibilidade
Publication . Oliveira, Sérgio; Garcia, Ricardo A C; Zêzere, José; Melo, Raquel
Há pelo menos três décadas que os movimentos de vertente têm sido alvo de inúmeros estudos na região a Norte de Lisboa, dos quais têm resultado inventários sistematicamente atualizados (e.g. Ferreira et al., 1987; Zêzere, 1997; Garcia, 2012; Oliveira, 2012). Estes inventários são frequentemente desenvolvidos com base em fotointerpretação, na interpretação de elementos morfológicos a partir da topografia digital e em trabalho de campo. Os inventários de movimentos de vertente, que geralmente integram a tipologia do movimento, a sua configuração espacial e a data de ocorrência, sempre que a mesma seja conhecida, são depois utilizados como informação de base para a elaboração de estudos sobre suscetibilidade, perigosidade e risco. Um pressuposto aceite na comunidade científica é o de que futuros movimentos de vertente têm maior probabilidade de ocorrer sob condições idênticas às que originaram instabilidade no passado. Por outras palavras, é assumido que os movimentos não acontecem aleatoriamente, uma vez que resultam da interação entre processos físicos e leis mecânicas que determinam a estabilidade ou instabilidade. Neste contexto, é razoável questionar até quando deverá ser feita a atualização dos inventários, para uma mesma área de estudo. Assim, o presente trabalho pretende responder a duas questões: 1) a constante atualização dos inventários de movimentos de vertente proporciona uma considerável melhoria nos modelos subsequentes ou existe um limite a partir do qual essa melhoria se torna apenas residual? 2) a extensão da área em estudo desempenha um papel relevante na decisão de atualizar ou não os inventários? O trabalho é desenvolvido em três áreas de estudo distintas, com movimentos de vertente inventariados em vertentes naturais até 2010: a bacia da ribeira de Alenquer (130 km2; 480 movimentos); a bacia do rio Grande da Pipa (111 km2; 1029 movimentos); e as bacias do rio Silveira e da ribeira de Santo António (43 km2; 196 movimentos). A metodologia passa pela inventariação de novos movimentos de vertente, ocorridos entre 2010 e 2018, e a produção de novos mapas de suscetibilidade, por tipologia de movimento, de forma a responder às duas questões anteriormente colocadas.
Modelação da espessura do solo à escala da bacia hidrográfica
Publication . Melo, Raquel; Oliveira, Sérgio; Marques, Fernando; Fonseca, Rute; Zêzere, José
A espessura do solo – neste trabalho interpretada como a profundidade medida entre a superfície topográfica e a rocha mãe, ou como a profundidade medida até à primeira alteração significativa nas propriedades hidrológicas do terreno – é um fator reconhecido pela sua influência em muitos processos geomorfológicos. Porém, a variabilidade espacial da espessura do solo resulta de interações complexas entre diversos fatores (biológicos, climáticos, topográficos, químicos e físicos), pelo que é bastante difícil quantificar esta variável com exatidão para áreas extensas. O presente trabalho tem como principal objetivo a modelação da espessura do solo nas bacias do rio Grande da Pipa, do rio da Silveira e da ribeira de Santo António, localizadas na região Norte de Lisboa.
Produção de cartografia litológica detalhada em áreas com substrato de rochas brandas para avaliação da suscetibilidade a movimentos de vertente, com recurso a cartografia geológica de base e informação cartográfica auxiliar
Publication . Oliveira, Sérgio; Melo, Raquel; Marques, Fernando; Zêzere, José; Fonseca, Rute; Pimenta, Rita
A litologia é um dos fatores de predisposição mais relevantes para a ocorrência de movimentos de vertente. Esta expressa, para cada unidade de terreno, o tipo de afloramento rochoso presente (e.g., dúctil ou frágil, entre outras propriedades), e este, por sua vez, apresenta uma relação muito estreita com o tipo de instabilidade de vertente observado, sendo por isso crucial para a avaliação da suscetibilidade aos diferentes tipos de movimento de vertente (e.g., Henriques et al., 2015). A informação litológica em Portugal é frequentemente derivada das cartas geológicas de referência, nas escalas 1:50.000 e 1:25.000. Esta cartografia geológica, apesar de sustentada em registos de campo, fotointerpretação e análise laboratorial dos diferentes tipos de materiais observados numa dada região (e.g., características, distribuição e estrutura), não permite uma transformação direta para um mapa litológico detalhado. O fator idade dos terrenos é um dos elementos aglutinadores mais importantes em cada formação geológica e apesar da diferenciação litológica em cada uma das formações ser detalhadamente descrita na notícia explicativa, anexa a cada carta geológica, a sua distribuição espacial, em termos cartográficos, é, muitas vezes, inexistente. Como forma de ultrapassar esta limitação, tem-se procurado detalhar a cartografia geológica existente, mantendo-se agrupadas estratigraficamente as diferentes formações, mas diferenciando-se internamente os principais tipos litológicos. Nos trabalhos realizados para diferentes áreas da bacia do Rio Grande da Pipa (RGP) (e.g., Pimenta, 2011; Lajas, 2016), região norte de Lisboa, a cartografia litológica foi sustentada em fotointerpretação estereoscópica de fotografias aéreas antigas, em trabalho de campo, na revisão de literatura e, quando possível, na análise laboratorial de amostras. Na bacia do RGP, predominam as vertentes com declive suave a moderado (< 15º em 87,5% da área da bacia), as quais refletem uma forte relação com a presença de um complexo bastante espesso de argilas, argilitos e margas, com intercalações lenticulares de arenito micáceo (Complexo das Camadas de Abadia – aproximadamente 60% da área da bacia). Neste contexto particular, dominado pela presença de rochas brandas (argilitos e margas), declive suave a moderado e intensa atividade agrícola, os afloramentos lenticulares de rochas mais resistentes (arenito micáceo) encontram-se frequentemente cobertos por depósitos superficiais ou foram removidos para potenciar a utilização agrícola dos terrenos (Pimenta, 2011). Acresce ainda que a sua reduzida espessura dificulta a sua identificação e delimitação cartográfica. Atendendo a estas particularidades, o principal objetivo deste trabalho passa por explorar informação cartográfica auxiliar para inferir a posição e limite das unidades litológicas de rocha mais resistente, mas de fraca espessura (1-2 m), em todas as formações geológicas da área de estudo onde predomina a intercalação de rochas brandas com rochas mais resistentes. Para o efeito, é utilizado um mapa de declive gerado a partir de um modelo topográfico à escala 1:10.000, com curvas de nível com equidistância de 5 m, bem como a cartografia de ravinas e sulcos gerados por escoamento superficial (procedimento já testado por Pimenta, 2011), interpretados com base em fotografias áreas do voo de 1983, à escala 1:15.000, da Força Aérea Portuguesa. A validação das novas unidades litológicas é efetuada através de trabalho de campo e de cartografia litológica/litoestratigráfica de pormenor desenvolvida para as bacias da Lage e Salema por Pimenta (2011), para as bacias de Monfalim e Louriceira por Lajas (2016) e para as bacias localizadas no extremo sudeste da área de estudo por Fonseca (em curso). A relevância do mapa litológico produzido neste trabalho será definida por comparação com o mapa geológico de base, através de validação sensitiva com o inventário histórico de movimentos de vertente para a bacia do Rio Grande da Pipa.
Avaliação da exposição e perdas potenciais de edifícios a deslizamentos superficiais e profundos com base em informação censitária
Publication . Oliveira, Sérgio; Alves, Carlos; Melo, Raquel; Garcia, Ricardo A C; Tavares, Alexandre Oliveira; Zêzere, José; Pereira, Susana; Santos, Pedro Pinto
Definição de tempos de evacuação e áreas seguras num cenário de ocorrência de escoadas de detritos
Publication . Melo, Raquel; Zêzere, José; Oliveira, Sérgio; Garcia, Ricardo A C; Oliveira, Sandra; Pereira, Susana; Piedade, Aldina; Santos, Pedro Pinto
Os primeiros relatos, documentados, sobre a ocorrência de escoadas de detritos na região de Manteigas e do vale do Zêzere (Serra da Estrela, Portugal) remontam ao séc. XIX, numa altura em que as vertentes, que circundam a vila de Manteigas, se encontravam desprovidas de vegetação. Em 1804, a vila foi afetada por uma escoada de detritos que destruiu cerca de 20 casas e provocou a morte a um igual número de pessoas, tendo sido este o único evento, até à data, onde se verificaram vítimas mortais. Contudo, uma compilação de registos elaborada por Freitas (1989) sugere a recorrência de escoadas de detritos nesta área. O último evento de magnitude considerável teve lugar em outubro de 2005, apenas 2 meses após a deflagração de incêndios florestais no vale do Zêzere. Considerando este evento, Melo et al. (2018) aplicaram um modelo dinâmico, a 2D, com o objetivo de simular, por retroanálise, o comportamento reológico das escoadas de detritos desencadeadas em 2005 e, posteriormente, elaborar cenários de propagação, à escala da bacia hidrográfica, num contexto de ausência de vegetação. O referido modelo, que simula os processos de iniciação, erosão, propagação e deposição de fluxos de uma fase, sobre superfícies topográficas irregulares, permitiu a estimativa da velocidade do fluxo, do volume, da espessura dos depósitos e da extensão da propagação das escoadas de detritos. Adicionalmente, os cenários obtidos revelaram-se consistentes com os registos históricos de escoadas na área de estudo. Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo a comparação do resultado obtido no worst-case scenario (Melo et al., 2018) com o edificado atualmente existente e a população exposta. Pretende-se, assim, determinar as rotas seguras e o tempo de evacuação necessário, de acordo com as características dos residentes e com o declive encontrado ao longo do percurso, desde as suas habitações até aos locais definidos como ponto de encontro seguro.

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6817 - DCRRNI ID

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UID/GEO/00295/2019

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