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Repositório Científico de Acesso Aberto da ULisboa

Repositório Institucional da Universidade de Lisboa

 

Entradas recentes

A Casa de D. Mariana Vitória de Bourbon (1718-1781) : Espaços, servidores e patrocinato
Publication . Borges,Mariana Inácio; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Lourenco,Maria Paula Marcal
A 27 de dezembro de 1727, a infanta espanhola D. Mariana Vitória de Bourbon casase com o príncipe português D. José. Esta união concretizou a vontade dos países ibéricos em voltar a aliar-se por laços familiares fortes, após vários anos das Guerras da Restauração. Quando chega a Portugal, a princesa do Brasil encontra um imenso conjunto de pessoas ao seu dispor, que acaba por aumentar quando se torna rainha consorte, em 1750 e, quando a sua sogra morre, em 1754. E é, precisamente, sobre os diferentes ofícios que compunham a Casa das Rainhas, que este estudo pretende debruçar-se, estudando-os. A Casa de D. Mariana Vitória de Bourbon (1718-1781). Espaços, servidores e patrocinato é o nosso tema de investigação com vista a identificar como estes oficiais – homens e mulheres – se relacionavam a nível familiar, como se posicionavam hierarquicamente na organização da instituição e quais os cargos que desempenharam, anteriormente, nesta ou noutras estruturas palatinas. Além de se explorar várias áreas da Casa das Rainhas, acompanhamos, primeiramente, a trajetória vivida pela consorte de D. José que, apesar de não ser tão conhecida quanto outras rainhas, viveu momentos decisivos e de significado relevante da História de Portugal, ao longo do século XVIII.
Como pode a frequência da passada influenciar os fatores de risco para a síndrome da banda iliotibial em atletas femininas de trail?
Publication . Rangel,André Filipe Coelho; Faculdade de Motricidade Humana; Cabral,Sílvia Arsénio Rodrigues
A síndrome da banda da iliotibial é uma das lesões mais comuns entre corredoras, especialmente em atletas de trail running, sendo influenciada por fatores biomecânicos como a carga mecânica e os padrões de movimento durante a corrida. O objetivo deste trabalho foi analisar a relação entre a frequência da passada e dos fatores de risco biomecânicos, nomeadamente a carga cumulativa e os ângulos intersegmentares da anca e joelho. Participaram sete atletas femininas de trail running, que realizaram testes de corrida num terreno irregular com sensores inerciais e palmilhas de pressão para recolha de dados cinemáticos e dinâmicos. Os resultados não encontraram correlação significativa entre a frequência da passada e a carga cumulativa, nem com os ângulos articulares analisados. A literatura sugere que uma menor frequência da passada pode aumentar o risco de lesões devido à maior carga cumulativa e alterações biomecânicas, mas os resultados deste trabalho não comprovam essa hipótese. A limitação da amostra e a variabilidade do terreno podem ter influenciado os dados
Intervenção Psicomotora na STEp Unit
Publication . Pereira,Susana Filipa Ferro; Faculdade de Motricidade Humana; Espadinha,Ana Cristina Guerreiro
Relatório desenvolvido no âmbito do estágio de mestrado de Reabilitação Psicomotora, para apresentar o trabalho realizado na STEp Unit, unidade de desenvolvimento humano, que intervém com indivíduos entre os 2 e os 45 anos, em regime de terapia e coterapia. No relatório apresentam-se dois casos. O primeiro é uma criança com dificuldades ao nível da atenção e do comportamento, que iniciou intervenção psicomotora, revelando posteriormente melhorias ao nível do comportamento, relatadas pelos pais e professora e evidenciando melhorias ao nível do equilíbrio. O segundo caso é de um adolescente, diagnosticado com perturbação da atenção e défice da atenção e referenciado por dificuldades na regulação do comportamento. Este jovem com o decorrer da intervenção foi demonstrado estar mais consciente de si, com mais capacidade para controlar os seus impulsos e comportamentos. No final é apresentado um programa composto por sessões individuais direcionadas aos padrastos/madrastas onde estes expõem as suas situações, são promovidas atividades de autorreflexão e roleplay; sessões de grupo com pares em situações semelhantes e onde os participantes tem a oportunidade de partilhar experiências e onde são propostas atividades inspiradas no sociodrama; e sessões com os enteados, onde são promovidas atividades que visam estabelecer uma relação prazerosa entre os intervenientes
Rage, Class, and the "Inconvenience of Other People" : Analyzing Beef through the Lens of Affective Politics
Publication . Silva,Marcela Polo Minguete e; Universidade de Lisboa; Faculdade de Letras; Mendes,Ana Cristina Ferreira
Esta dissertação analisa a série da Netflix Beef (Treta, 2023), criada por Lee Sung Jin, à luz da teoria do afeto e, em particular, do pensamento de Lauren Berlant. O objetivo principal é explorar de que modo a série dramatiza o conceito de inconvenient sociality e, em paralelo, como as trajetórias das personagens refletem tensões culturais e políticas mais amplas no contexto do neoliberalismo contemporâneo. A partir desta perspetiva, Beef não é lida apenas como um objeto narrativo ou estético, mas como um texto afetivo que torna visível as formas como ideologias dominantes — sobretudo as promessas de sucesso e prosperidade associadas ao Sonho Americano— estruturam vidas, relações e afetos de maneira precária e insustentável. Beef é uma minissérie de dez episódios produzida pela A24 e lançada em abril de 2023, protagonizada por Steven Yeun e Ali Wong (também produtores executivos). O ponto de partida é aparentemente banal: um incidente de trânsito num parque de estacionamento entre Danny Cho e Amy Lau que rapidamente se transforma numa espiral de obsessão e vingança. Inspirada por uma experiência pessoal do criador, a série combina humor ácido e drama psicológico, explorando temas como raiva, identidade, frustração e desconexão. Através das suas personagens centrais, a série encena as contradições da vida sob o neoliberalismo. Danny, um empreiteiro falido, está obcecado em construir uma casa para os pais como prova de sucesso e de respeito familiar. Amy, empresária de sucesso em vias de vender a sua empresa de bem-estar, procura na ascensão social e no controlo pessoal uma saída para a sua exaustão. Ambos são movidos por formas de um otimismo cruel (Cruel Optimism, Berlant, 2011): apegam-se a desejos e objetos — casa, família, carreira, estabilidade — que parecem garantir uma boa vida, mas que na prática se tornam obstáculos à sua realização e, por vezes, ameaças à sua própria sobrevivência. O encontro acidental entre ambos não gera apenas conflito; transforma-se numa espécie de vínculo, uma ligação inconveniente que os arrasta para uma espiral de raiva e dependência mútua. A partir de Berlant, compreender Beef não significa apenas decifrar a mensagem que a série transmite enquanto media, mas perceber como esta reflete as condições do presente. Como lembra Ingraham, Berlant é menos uma teórica de media do que uma intérprete da mediação enquanto processo através do qual os muitos objetos de atenção ou fixação de uma vida adquirem a sua força afetiva (Ingraham, 2023, p. 156). Isto sugere que Beef deve ser lida como encenação de atmosferas afetivas do presente histórico, mostrando como certas fantasias — sucesso, mobilidade social, respeito — moldam não só o que desejamos, mas também o modo como sentimos os nossos desejos. Danny e Amy não representam patologias individuais, mas exemplos de como sujeitos racializados e precarizados navegam as pressões sistémicas que configuram o seu mundo. Neste enquadramento, a dissertação centra-se em duas questões fundamentais: de que modo Beef dramatiza a inconvenient sociality de Berlant? E como é que as trajetórias emocionais das personagens refletem tensões culturais e políticas mais amplas? Estas questões foram trabalhadas através de uma análise detalhada da série, apoiada numa revisão crítica da teoria do afeto e numa leitura atenta das narrativas, performances e atmosferas de Beef, articulando autores como Raymond Williams (1977) e a sua noção de structures of feeling, Brian Massumi (2002, 2015) sobre a diferença entre afeto e emoção, Ben Anderson (2009) sobre atmosferas afetivas e Anna Tsing (2024) sobre fricção. No plano teórico, Berlant fornece as principais ferramentas. O conceito de inconvenient sociality (2022) remete para a experiência quotidiana de viver com outros em condições de proximidade não soberana: o incómodo constante de ajustar-se, resistir, acomodar e negociar a coexistência. Em Beef, esta inconveniência é dramatizada na insistência de Danny e Amy em permanecer ligados pelo conflito: uma ligação tóxica, mas que dá energia e forma às suas vidas. Os capítulos da dissertação foram estruturados em torno de cinco categorias afetivas centrais que organizam o campo emocional da série: despossessão e precariedade, suicidation (processo suicidário sob pressão estrutural) e dissociação, raiva, melancolia racial e planura. Estas categorias permitem mapear o modo como os afetos em Beef não são apenas individuais, mas respostas incorporadas a estruturas de desigualdade. A despossessão e a precariedade revelam-se nas condições materiais instáveis de Danny e na pressão de Amy para corresponder às expectativas do mercado e da família. A suicidation e dissociação surgem em momentos de retraimento psíquico, como no episódio inicial em que Danny pondera o suicídio através do monóxido de carbono. A raiva torna-se força central, destrutiva e ao mesmo tempo vital, interrompendo a anestesia da rotina. A melancolia racial a expõe a posição ambígua das personagens asiático-americanas perante o mito da assimilação: a promessa de inclusão na branquitude nunca se cumpre plenamente, gerando ressentimento e alienação. Por fim, a planura é analisada como uma forma de expressão emocional minimalista que funciona tanto como sobrevivência num contexto que exige legibilidade afetiva, como como recusa da normatividade emocional. Outro eixo conceptual é o de morte lenta (Berlant, 2007), que descreve a erosão quotidiana da vida sob condições estruturais de exploração e negligência. Tanto Danny como Amy vivem formas distintas de morte lenta: ele na exaustão física e económica de trabalhos precários e mal pagos, ela na alienação espiritual de um estilo de vida de “morte da alma” (soul killing, Berlant, 2007), centrado na produtividade e na performance de bem-estar. A referência a Henry David Thoreau e a sua ideia de “vidas de silencioso desespero” (2021, p. 3) ajuda a contextualizar historicamente esta crítica, mostrando que a frustração e o desgaste da vida sob capitalismo não são fenómenos novos, mas adquirem contornos específicos em cada época. É neste contexto que a dissertação articula Beef com o Sonho Americano. Desde James Truslow Adams (1931), que o definiu como a promessa de uma vida melhor e mais plena para todos mediante o esforço individual, este sonho tem moldado a cultura política e social dos Estados Unidos. Contudo, como nota Berlant, trata-se de uma forma popular de otimismo político, que exige que os indivíduos invistam no trabalho e na família com a expectativa de que a nação lhes assegurará dignidade e valor (1997, p. 4). O problema é que esta promessa depende da ocultação das instabilidades do capitalismo e das desigualdades estruturais. Assim, o Sonho Americano funciona como uma espécie de otimismo cruel: um objeto de desejo que mantém as pessoas ligadas a uma fantasia que obstrui a possibilidade de prosperar (Berlant, 2011, p. 2). Danny e Amy encarnam esta crueldade de formas diferentes. Danny deseja restaurar o prestígio da família, provar-se competente e respeitável; Amy aposta no empreendedorismo e na ascensão social através da proximidade à riqueza e à branquitude. Ambos acreditam que o esforço, o sacrifício e a obediência aos códigos sociais trarão estabilidade e felicidade. Mas o que encontram é frustração, exaustão e alienação. A sua disputa é, assim, também um espelho do conflito com o próprio sonho americano, que lhes exige continuamente mais investimento sem nunca cumprir as suas promessas. O episódio final da série torna-se central para esta leitura. Após um acidente violento, Danny e Amy ficam juntos num estado de vulnerabilidade física e emocional. O diálogo que se segue, fragmentado entre memórias, pensamentos e brincadeiras, recusa qualquer fecho narrativo convencional. Não há reconciliação nem rutura definitiva, mas um processo de metabolização do afeto, em que hostilidade, ternura, exaustão e reconhecimento coexistem sem resolução. Trata-se de um momento de suspensão em que a convivência com a inconveniência do outro se torna condição de sobrevivência. Na análise final, Beef encena a inconvenient sociality como sintoma e contraponto do otimismo cruel. Sintoma, porque emerge da frustração e das falhas que o sonho americano produz; contraponto, porque através do atrito (friction, Tsing, 2005) gera momentos de conexão que escapam às vias convencionais do trabalho, da família e da respeitabilidade. Estes momentos são precários e instáveis, mas oferecem uma densidade afetiva ausente nas fantasias de mobilidade social. O conflito, a raiva e a proximidade incômoda tornam-se, paradoxalmente, fontes de vitalidade. Deste modo, a dissertação contribui para o debate académico sobre afeto, raça e precariedade neoliberal, mostrando como a cultura popular pode funcionar como meio de mediação do presente histórico. Através da leitura de Beef, é possível perceber como as narrativas audiovisuais contemporâneas encenam a experiência de viver em condições em que a promessa de prosperidade está sempre adiada, mas onde a fricção e a inconveniência das relações continuam a oferecer possibilidades, ainda que frágeis, de vida em comum.
Relatório de estágio em futebol realizado na equipa de sub-15 do Vitória Sport Clube
Publication . Veloso,Paulo Jorge da Cunha; Faculdade de Motricidade Humana; Brito,Ângelo Miguel Pedregal de
O presente relatório de estágio foi elaborado no âmbito do Mestrado em Futebol na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, onde estão documentadas todas as tarefas desenvolvidas numa equipa de formação do Vitória Sport Clube na época desportiva 2023/2024. Tem o propósito de relatar as atividades desenvolvidas durante o estágio e refletir criticamente sobre o impacto destas na formação profissional. Está dividido em duas áreas principais, a Área 1, que relata a forma como a Gestão do Processo de Treino e Competição foi realizada, através da apresentação do contexto competitivo, planeamento e controlo de treino, ferramentas de monitorização da evolução dos atletas e o modelo de jogo adotado. Na área 2 está presente a proposta do projeto de inovação no departamento de futebol do clube e um projeto que envolveu a comunidade de treinadores do escalão sub-15 dos clubes presentes na Serie A do Campeonato Nacional de Sub-15 I Divisão. Este documento procura integrar as aprendizagens e práticas realizadas durante o estágio curricular, proporcionando uma visão da realidade vivida no futebol de formação e numa das melhores academias de formação de atletas do país