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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta tese propõe-se estudar o modo como os romances históricos escritos desde o início do século
XXI representam a relação entre histórias individuais e destinos coletivos. O trabalho divide-se em
três partes, sendo que as duas primeiras expõem questões teóricas e a terceira apresenta a análise
de três romances.
A primeira parte é dedicada ao campo dos Estudos de Memória e identifica as etapas que
conduziram à definição desta área de estudo. A escolha deste tópico resulta da constatação de que
a memória constitui um elemento fundamental na construção de identidades, tanto individuais
como coletivas. A obra de Maurice Halbwachs sobre memória coletiva, L’Histoire Collective (1925),
assinala o início do desenvolvimento deste campo de pesquisa, que culminou no chamado “boom”
da memória na década de 1980. Nesta tese, investiga-se a relação entre memória individual e
memória coletiva considerando a perspetiva sistematizada por Jan e Aleida Assmann. Em
particular, a obra Erinnerungsräume: Formen und Wandlungen des kulturellen Gedächtnisses (1999), de
Aleida Assmann, forneceu a base teórica para observar o modo como a literatura se articula com
outros fenómenos culturais no contexto da memória cultural, sublinhando o papel fundamental da
literatura na transmissão para o grande público de questões identitárias de grupos marginalizados,
que permaneceram silenciados pela chamada história oficial.
A segunda parte da tese centra-se no universo literário e analisa alguns dos principais aspetos que
caracterizam o romance histórico contemporâneo enquanto género narrativo. A primeira metade
desta secção sublinha a forma como os autores de romances históricos tendem a focar a sua atenção
na interação entre indivíduos e grupos sociais. Significativamente, os romances históricos
contemporâneos apresentam, na generalidade, narrativas que se enquadram nos conceitos de
micro-história (Carlo Ginzburg, 1976) e contra-história. Neste contexto, o termo contra-história
designa as narrativas que procuram revelar histórias que haviam sido ignoradas pelo poder
instituído. Para os escritores atuais, o questionamento do modo como o passado é lembrado no
quadro das políticas governamentais permite a discussão sobe a relação entre o passado e o
presente; ao mesmo tempo, a escolha destes temas pressupõe a assunção de uma dimensão política,
que se encontra inscrita no género do romance histórico desde a sua origem. Para esclarecer os
principais contornos da relação entre histórias individuais e destinos coletivos será comentado o
ensaio I Destini Generali (2015), de Guido Mazzoni. Na segunda metade esta secção é traçada uma
breve genealogia do género romance histórico nas últimas décadas. São brevemente discutidos os
estudos de Linda Hucheon, Historiographic Metafiction (1988), e de Amy Elias, Metahistorical Romance
(2001), ao mesmo tempo que se comenta o “New Historicism”, de Stephen Greenblatt (S.
Greenblatt, C. Gallagher, Practicing New Historicism, 2000), enquanto proposta crítica herdeira da
teorização de Hayden White (Metahistory, 1973). A partir da leitura elaborada por Greenblatt da teorização de Clifford Geertz (The Interpretation of Culture, 1973), muitos autores construíram uma
visão da ficção histórica como forma de “comunicação com os mortos”, uma espécie de
necromancia que parece imbuir muitas das narrativas históricas das últimas décadas, preocupadas
em refazer uma ligação entre o presente e as vozes do passado. Os autores destas obras usam
documentos de arquivo e fotografias de família para complementar as suas narrativas, e assim surge
a questão quanto à distinção entre factos e ficção, ou entre o acontecido e o ficcionado. O romance
histórico contemporâneo parece estar a marcar uma importante inflexão no sentido das narrativas
factuais ou não-ficcionais, criando espaço para formas híbridas como o “docu-drama”, a
metaficção ou a “facto-ficção”, em que as duas dimensões interagem de modo frutífero. Uma das
principais características deste género literário é a modulação da voz narrativa. Para apreciar esta
questão, serão comentados dois romances representativos de diferentes maneiras de jogar com as
vozes dos narradores: Les Bienveillantes (2006), de Jonathan Littell, e Le Variazioni Reinach
(2005/2015), de Filippo Tuena. Outro aspeto aqui analisado é a relação entre o romance familiar e
o romance histórico. Ambos os géneros parecem estar atualmente numa fase de renascimento,
ganhando o interesse tanto do público leitor e como da crítica especializada. Adicionalmente,
ambos os géneros se caracterizam por explorar o problema da relação com o passado, e implicam
o uso de processos estilísticos semelhantes, como a auto-ficção ou a definição de personagens em
busca de familiares desaparecidos com recurso a informação de arquivo. Ao identificar as relações
entre romances históricos e romances familiares, verifica-se em que medida os Estudos de Memória
podem ajudar a melhor compreender a presença deste tipo de narrativas, especialmente no
panorama literário europeu.
A terceira e última parte da tese contempla a análise de três romances: El Monarca de las Sombras, de
Javier Cercas (2017), Le rondini di Montecassino, de Helena Janeczek (2010), e 4321, de Paul Auster
(2017). A análise sublinha o modo como os autores desenvolveram estratégias narrativas destinadas
a criar uma ligação entre o passado histórico e o momento presente, e também entre as histórias
individuais e os destinos coletivos.
O primeiro romance analisado é El Monarca de las Sombras, de Javier Cercas. A narrativa acompanha
as tentativas do narrador, que se apresenta como uma versão ficcional do próprio Cercas, para
descortinar a história de vida de um seu antepassado; trata-se de um tio da sua mãe, chamado
Manuel Mena, que faleceu com apenas dezanove anos como combatente nacionalista durante a
Guerra Civil de Espanha. O romance é interpretado segundo a perspetiva da pós-memória, no
quadro da teorização proposta por Marianne Hirsch no início da década de 1990. Esta teoria
procura abordar o modo como o trauma de outras pessoas tem o poder de influenciar as vidas dos
indivíduos, mesmo muito tempo depois da ocorrência dos eventos traumáticos. O conceito de pósmemória
poderá ser usado para descrever as formas mediadas, muitas vezes artísticas, como o
conhecimento do trauma pode ser transmitido, inclusivamente por aqueles que não viveram na pele esse trauma. No caso do romance de Cercas, a pós-memória permite esclarecer a relação do
autor com a sua história de família.
O segundo romance estudado é Le rondini di Montecassino, de Helena Janeczek. A narrativa parte da
descoberta, pela autora, da mentira que lhe havia sido contada pelo pai durante toda a vida. Após
a morte deste, Janeczek descobre que o seu apelido é falso, e resulta de uma mentira contado pelo
seu pai a um oficial alemão durante a fuga da Polónia, para ocultar a sua origem judaica. Por outro
lado, a autora descobre também que o seu pai lhe havia mentido sobre a participação na Batalha
de Montecassino, durante a Segunda Guerra Mundial. No romance, Janeczek usa múltiplas vozes,
incluindo a sua própria, para criar uma contra-narrativa da Batalha de Montecassino, de maneira a
integrar as histórias daqueles que foram silenciados pelos relatos oficiais. Janeczek mistura a sua
voz com as vozes ficcionais de personagens construídas a partir de informação recolhida nos
arquivos. Essas personagens pertencem a minorias no âmbito do Exército Aliado, como sejam os
Maori da Nova Zelândia, ou os soldados polacos do general Anders. Ao adotar esta perspetiva, a
autora segue a proposta teórica apresentada por Michael Rothberg no seu ensaio Multidirectional
Memory (2009). Rothberg refere que a esfera pública tende a ver as diferentes memórias coletivas
como sendo opostas entre si, e estando numa luta por reconhecimento que necessariamente deixa
algum grupo na sombra. Ao propor a consideração da memória como um fenómeno
multidirecional, Rothberg procura alterar o quadro conceptual de forma a admitir a coexistência de
diferentes memórias coletivas: através da mistura e do encadeamento de memórias será possível
chegar a um melhor entendimento dos conflitos políticos e perceber como cada história está
implicada em todas as outras. No romance de Janeczeck, este objetivo concretiza-se através da
construção de uma voz metaficcional que vai refletindo, por um lado, sobre o modo como as
histórias individuais ecoam o grande panorama histórico e, por outro lado, sobre o papel da ficção
na elaboração narrativa da História.
O terceiro e último romance analisado é 4321, de Paul Auster (2017). Embora consideravelmente
diferente dos outros dois casos de estudo, este romance oferece um ponto de vista distinto e
relevante sobre o tópico em análise, a saber, a luta dos indivíduos para se afirmarem perante o devir
histórico. O romance de Auster constrói-se a partir de quatro versões diferentes da vida do mesmo
protagonista, Archie Ferguson, cuja evolução é apresentada da infância à idade adulta. A história
de Archie Ferguson começa de facto muito antes do seu nascimento: o romance abre com a
chegada do seu avô à América, no dia 1 de Janeiro de 1900, e embora a história de Ferguson termine
formalmente em 1971, a narrativa continua até 1974, e o romance fecha com a tomada de posse
de Ned Rockefeller como vice-presidente dos EUA. A principal questão abordada neste romance
prende-se com a representação do modo como as circunstâncias e os eventos inesperados
influenciam a construção de identidades individuais. Na categoria do inesperado estão os
acontecimentos históricos que ocorrem à revelia de qualquer controlo por parte dos indivíduos. No romance de Auster, todas as quatro vidas de Archie Ferguson decorrem paralelamente à
História e estão marcadas pela sua presença próxima. Embora Ferguson compreenda
perfeitamente o que está a acontecer à sua volta, escolhe não participar ativamente nos
acontecimentos históricos do seu tempo. Ao contrário das personagens dos romances de Cercas e
de Janeczek, o protagonista de Auster escolhe virar as costas aos grandes eventos que o rodeiam e
ser apenas um observador da história em curso.
A decisão de estudar o romance histórico contemporâneo decorre da convicção de que este género
suscita algumas das mais interessantes questões recentemente formuladas tanto no campo literário
como na esfera pública. Ao analisar romances históricos, discutem-se problemáticas tão diversas
quanto a dialética entre facto e ficção, o ressurgimento da narrativa épica, o papel da memória do
passado na perspetivação do futuro, ou o modo como a sociedade em geral pode lidar com as
legítimas preocupações das minorias.
Em conclusão, argumenta-se que o romance histórico como género está em evolução no sentido
de estabelecer uma relação cada vez mais empenhada com a esfera pública, contribuindo para
suscitar questões morais que obrigam o leitor a ponderar sobre a sua possibilidade de agir no
mundo real. Esta é inegavelmente uma perspetiva de particular relevância no contexto geopolítico
do mundo ocidental neste início do século XXI.
La tesi si propone di affrontare il modo in cui il romanzo storico degli anni Zero rappresenta il rapporto fra il singolo individuo e la collettività. Il lavoro è suddiviso in tre parti, le prime due di natura teorica e la terza dedicata all’analisi puntuale di tre romanzi. La prima parte è dedicata al tema dei Memory Studies e ripercorre i passi che hanno portato alla definizione di questo campo di studi. La scelta di approfondire questo tema nasce dalla valutazione dell’importanza della memoria nella formazione identitaria, tanto dei singoli quanto delle comunità. Partendo dal fondamentale lavoro di Maurice Halbwachs sulla memoria collettiva (1927), la tesi segue gli sviluppi della teoria che hanno portato, negli anni ’80 del Novecento, al cosiddetto memory boom. La connessione fra memoria individuale e memoria collettiva è stata indagata attraverso il lavoro di sistematizzazione proposto da Jan e Aleida Assmann; in particolare, la riflessione di quest’ultima sviluppatasi a partire dal testo Ricordare: Forme e mutamenti della memoria culturale (Erinnerungsräume: Formen und Wandlungen des kulturellen Gedächtnisses, 1999) ha fornito la base necessaria per osservare quale ruolo la letteratura occupi nel contesto della memoria culturale. In particolare, si nota come per Aleida Assmann la letteratura giochi un ruolo fondamentale nel trasmettere al grande pubblico le istanze identitarie dei gruppi le cui rivendicazioni sono state per anni messe a tacere dalla storia ufficiale. La seconda parte è dedicata all’analisi di alcune delle caratteristiche principali del romanzo storico del Terzo Millennio. Nel contesto della critica letteraria e della narrativa degli anni Zero si osserva la tendenza degli autori a prediligere storie che affrontano le possibili declinazioni del rapporto fra singolo e società con narrazioni inscrivibili nell’alveo della microstoria (Carlo Ginzburg, 1976) e della controstoria, intesa qui come prospettiva controegemonica che si oppone al discorso ufficiale. La volontà di recuperare la componente politica del genere storico emerge attraverso la ri-discussione e la ri-problematizzazione del rapporto con il passato, soprattutto quello traumatico del Novecento. Lo stato attuale di questa relazione fra la Storia e l’Oggi, e fra singolo e collettività, è discusso attraverso una riflessione generata dal saggio di Guido Mazzoni I Destini Generali (2015). Nella seconda parte del capitolo, per meglio contestualizzare le strategie narrative che oggi si vedono messe in atto all’interno del genere, se ne traccia una rapida genealogia soffermandosi in particolare sull’Historiographic Metafiction (Linda Hutcheon, 1988) e il Metahistorical Romance (Amy Elias, 2001). Partendo dalla ripresa della teoria di Hayden White (Metahistory, 1973), si prende in considerazione anche la scuola critica del New Historicism (Stephen Greenblatt, Catherine Gallagher, Practicing New Historicism, 2000). Da un’interpretazione data da Greenblatt del lavoro di Clifford Geertz (The Interpretation of Culture, 1973) il romanzo neostorico sembra portare avanti quello che viene da più parti definita pulsione negromantica, cioè la volontà di mettere in relazione il presente con la Storia attraverso il recupero delle voci dei morti. Il modo in cui gli autori di romanzi storici afferenti alla compagine del romanzo neostorico mettono in atto questo tipo di comunicazione passa attraverso il ricorso a fonti extraletterarie (ad esempio documenti degli archivi ufficiali ma anche fotografie famigliari). Il romanzo storico nella sua manifestazione più contemporanea tende a virare sempre più sul versante della realtà limitando al massimo l’influenza della finzione: in questa direzione vanno testi che si giocano sulla continua elisione della separazione fra il piano finzionale e quello fattuale, come dimostra il fiorire di forme ibride come docu-drama, meta-fiction storica, fact-fiction. Fra le strategie narrative più utilizzate nel romanzo storico del Terzo Millennio ci sono quelle che riguardano l’uso della voce (in particolare, si nota come sia frequentissimo il ricorso agli stilemi dell’autofinzione). Questo aspetto delle narrazioni storiche è approfondito tramite l’analisi di due romanzi ritenuti significativi, cioè Les Bienveillantes di Jonathan Littell (2006) e Le Variazioni Reinach di Filippo Tuena (2005/2015). Un altro aspetto esaminato perché ritenuto interessante è il rapporto fra romanzo storico e romanzo familiare: i due generi sono accomunati (oltre che da una recente fortuna critica) dal ricorso a strutture formali condivise fra le quali torna anche l’impiego dell’autofinzione. Gli intrecci fra i due generi sono sottolineati attraverso l’analisi di alcuni romanzi, dai quali emerge anche come i Memory Studies rappresentino un valido strumento per meglio contestualizzare la comparsa così massiccia di romanzo storico e familiare, soprattutto nel panorama europeo. La terza e ultima parte della tesi è dedicata all’approfondimento di tre romanzi: El Monarca de las Sombras di Javier Cercas (2017), Le rondini di Montecassino di Helena Janeczek (2010), e 4321 di Paul Auster (2017). I testi sono letti da una prospettiva orientata ad evidenziare come gli autori mettano in comunicazione la Storia con l’Oggi e i destini individuali con quelli collettivi. Il primo romanzo è El Monarca de las Sombras di Javier Cercas. Scritto nel 2017, racconta dei tentativi di un narratore (versione autofinzionale dell’autore stesso) di recuperare la storia di uno zio di sua madre, Manuel Mena, morto giovanissimo combattendo per Franco durante la Guerra Civile spagnola. Il romanzo è analizzato utilizzando la teoria della Postmemory postulata da Marianne Hirsch nei primi anni Novanta. La Postmemory è una modalità di relazione ad un trauma che non ci tocca direttamente ma è stato subito da chi ci ha preceduto. Partendo dalla sua esperienza personale, Hirsch ha ipotizzato la Postmemory come un sistema di trasmissione dell’impatto che il trauma vissuto da qualcuno a noi vicino ha avuto sulla nostra vita. Nel contesto del romanzo di Cercas, la Postmemory si è dimostrata uno strumento utile per illuminare il rapporto che lega l’autore alla storia familiare. Il secondo romanzo è Le rondini di Montecassino di Helena Janeczek. Il testo è costruito attorno alla scoperta di una doppia bugia: il padre dell’autrice ha mentito riguardo al loro cognome (Janeczek è un nome inventato per non rivelare l’identità ebraica e riuscire a fuggire dalla Polonia in Germania) e al fatto di aver combattuto nella Battaglia di Montecassino. L’analisi si concentra sull’impianto polifonico costruito dall’autrice, la quale intreccia la sua voce a quella di personaggi inventati ma basati su documenti reali appartenenti a quelle compagini dell’esercito Alleato che sono state silenziate dalla storia ufficiale. La prospettiva assunta da Janeczek per osservare la Battaglia di Montecassino, scontro nodale della Seconda Guerra mondiale, è, dunque, controegemonica e si pone in continuità con la teoria di Michael Rothberg sulla Memoria Multidirezionale. Secondo Rothberg (2009) la memoria collettiva dovrebbe essere strutturata non secondo un modello competitivo ma, appunto, multidirezionale, nel quale i ricordi delle esperienze di diversi gruppi coesistono entrando in risonanza reciproca. Janeczek inserisce la propria vicenda personale all’interno del panorama più ampio della storia mondiale attraverso un gioco metafinzionale che riflette, allo stesso tempo, sulla capacità della letteratura di raccontare la Storia. L’ultimo romanzo affrontato, infine, è 4321 di Paul Auster. Il testo, sebbene lontano dallo sperimentalismo formale dei due precedenti, può essere letto alla luce delle medesime riflessioni sul tentativo di posizionare il soggetto all’interno del quadro più ampio della Storia. Nel romanzo, Auster presenta quattro versioni di un unico personaggio, Archie Ferguson, di cui si segue l’evoluzione a partire da una leggenda familiare sull’arrivo del nonno ad Ellis Island il 1° gennaio 1900, fino alla prima età adulta. Il racconto della storia nel testo procede per sommari e copre un arco temporale che va dal 1900 al 1974, chiudendosi con Ned Rockefeller che presta giuramento come vice presidente degli Stati Uniti. Il problema principale affrontato da Auster in questo romanzo è rappresentare il modo in cui le circostanze, unite all’inatteso, giocano un ruolo fondamentale nel definire la direzione che può prendere la vita di ognuno. Fra le circostanze al di fuori del nostro controllo rientrano anche gli eventi storici che costellano la vita di tutti e quattro gli Archie Ferguson. Di fronte agli accadimenti di vasta portata che corrono paralleli alla sua vita, però, Ferguson decide sistematicamente di ritirarsi: se i personaggi di Cercas e Janeczek avevano deciso si immergersi nella Storia, Auster ne presenta al lettore uno che, invece, sceglie di limitare al massimo la sua partecipazione e rimanere un osservatore esterno. Come illustrato nella tesi, ho deciso di lavorare sul romanzo storico nella convinzione che in questa forma narrativa si concentrino alcuni dei nodi concettuali più stringenti emersi nel dibattito contemporaneo. Per quanto riguarda il campo letterario, il genere ha catalizzato discussioni molto interessanti come, ad esempio, quelle sul rapporto fra realtà e finzione o sulla riscoperta del modo epico. E, d’altra parte, trovano ampia rappresentazione in questa forma narrativa anche questioni che oltrepassano i confini della letteratura, per esempio la sopravvivenza della memoria dopo la scomparsa dei testimoni diretti o le rivendicazioni identitarie delle minoranze. L’ipotesi formulata in apertura del lavoro è che i romanzi storici del Terzo Millennio tendano verso la riscoperta di un impegno etico e morale della letteratura, espresso da testi costruiti attorno a domande ricorrenti quali ad esempio, “cos’avrei fatto io al loro posto?” e “qual è il mio posto nella Storia?”. A guidare la ricerca, quindi, è stato l’obiettivo (in parte raggiunto) di verificare come un selezionato ma rappresentativo numero di autori desse conto del rapporto dialettico fra Storia e Memoria nella scrittura di racconti che riconciliassero i destini individuali a quelli collettivi.
The thesis aims to address the way in which historical novels written in the 2000s stage the relationship between individual stories and collective destinies. The work is divided into three parts, the first two are concerned with theory and the third is dedicated to the analysis of three novels. The first part addresses the issue of Memory Studies and traces the steps that lead to the definition of this field of study. I choose to tackle this issue because of the paramount relevance accorded to memory in the construction of identity, both individual and collective. Maurice Halbwachs’ work on collective memory (1925), marks the beginning for the development of the studies that lead to the so-called memory boom in the ‘80s. In my work, the connection between individual and collective memory is being reviewed from the perspective of Jan and Aleida Assmann’s work. Notably, Aleida Assmann’s work Erinnerungsräume: Formen und Wandlungen des kulturellen Gedächtnisses, (1999) paved the way to examine how literature merges with other cultural enterprises in the sphere of cultural memory; her research focuses on the prominent role played by literature in transmitting to large audiences the issues concerning identity carried out by marginalized groups who went unnoticed by the so-called masterfiction. The second part of the thesis deals with literature and analyzes some of the most prominent aspects of the contemporary historical novel as a genre. The first half of the examination opens remarking how authors of historical novels seem to focus their attention on how individuals interact with collective groups. Remarkably, most historical novels seem to deal with narratives related to microhistory (Carlo Ginzburg, 1976) and counterhistory. In this context, the term counterhistory refers to narratives that seek to cast light on stories which have been ignored by those in power. For these authors, to question the way in which the past is remembered in the policies instructed by governments means to put into question the relationship between past and present; at the same time, this choice of topic aims at reclaiming the political element that is inscribed in the genre since its origin. In order to outline the status of the link between individual stories and collective destinies I discuss the essay I Destini Generali (2015) by Guido Mazzoni. The second half of the chapter is devoted to draw a brief genealogy of the historical novel genre in its most recent years. Linda Hucheon’s Historiographic Metafiction (1988) and Amy Elias’ Metahistorical Romance (2001) are shortly discussed, along with Stephen Greenblatt’s New Historicism (Greenblatt, Catherine Gallagher, Practicing New Historicism, 2000), a school born out of Hayden White’s Metahistory (1973). From Greenblatt’s interpretation of the work of Clifford Geertz (The Interpretation of Culture, 1973) many authors have derived a vision of historical fiction as a means of “communication with the dead”, a sort of necromancy which seem to imbue many of the narratives that are concerned with history in the last twenty years, aimed at reinstating a connection between the present and the past. The authors employ archive documents and family album photos to support their narratives, therefore raising the issue of the distinction between fact and fiction and between factual and fictional narratives. The contemporary historical novel seems to be marking a sharp turn toward factual or nonfictional narratives, thus creating space for hybrid forms like docu-drama, metafiction and factfiction where the two dimensions fruitfully interact with each other. One of the most prominent features in the genre is the modulation of the narrator’s voice. To address this issue directly I chose to consider two novels which I regard as representative of the ways in which authors play with the voices of their narrators, namely Jonathan Littell’s Les Bienveillantes (2006) and Filippo Tuena’s Le Variazioni Reinach (2005/2015). Another issue which I put under scrutigny is the relationship between family novel and historical novel. Both genres appear to be in a renaissance phase, gaining praise from audience and literary critics alike. Also, both genres deal with the problem of how to relate with the past; finally, both imply the use of similar stylistic features such as autofiction or characters tracing down long-lost relatives using archive information. In addressing the connection between historical and family novels I underline how Memory Studies can be used to contextualize the presence of these types of narratives, especially on the European literary scene. The third and last part of the thesis is devoted to the analysis of three novels, namely El Monarca de las Sombras by Javier Cercas (2017), Le rondini di Montecassino by Helena Janeczek (2010) and 4321 by Paul Auster (2017). The analysis highlights how the authors have put in place narrative strategies designed to create a link between history and the present, and between individual stories and collective destinies. The first novel I analyse is Javier Cercas’ El Monarca de las Sombras. It recounts the ordeals of the narrator, who is a fictionalized version of Cercas himself, to trace back the story of one of his ancestors, namely his mother’s uncle whose name was Manuel Mena, who died when he was only nineteenth fighting alongside Franco during the Spanish Civil War. I read the novel through the lens of Marianne Hirsch’s theory of Postmemory. The theory, proposed by Hirsch in the early 90s, aims to address the ways in which other people’s trauma has the power to inform our own lives long after it occurred. Hirsch’s Postmemory can be used to describe the mediated, often artistic, ways in which the knowledge of trauma can be transmitted also by those who have not lived it directly on their skin. In the context of Cercas’ novel, Postmemory is implied to cast a light on the relationship between the author and his family. The second novel is Le rondini di Montecassino, by author Helena Janeczek. The novel springs from the author’s discovery that she had been lied to by her father. After his death, Janeczek finds out that, for one thing, her own surname is a fake and that it was born out of a lie her father told to a German officer during his flee from Poland in order not to give away his Jewish origin; on the other hand, the author discovers that her father lied to her about having fought in the Battles of Montecassino during World War II. In the novel, Janeczek uses many different voices, including her own, to create a counternarrative of the Battle of Montecassino, one that includes the stories of those who have been silenced by official recounts. Janeczek intersects her own voice with those of other characters who are fictional but whose identities are based on documents retrieved from archives. Those characters belong to minorities in the ranks of the Allied Army, such as Maori from New Zealand and the Polish soldiers of General Anders. By adopting this perspective, Janeczek adheres to the theory proposed by Michael Rothberg in his essay Multidirectional Memory (2009). Rothberg addresses the fact that the public sphere usually sees different collective memories as opposed to each other and engaged in a struggle for recognition that is bound to leave someone in the shadow. By proposing that we envision memory as multidirectional he wishes to change the conceptual framework to allow different collective memories to coexist with each other: by the merging and interlacing of memories, Rothberg argues, we can achieve a better understanding of political conflicts and see how every history is implicated with the others. In Janeczek’s novel, this goal is achieved using a metafictional voice that reflects on the one hand on how individual stories resonates with the grand scheme of history and, on the other, on the role played by fiction in narrating History. The last novel I analyze is 4321 by Paul Auster. The novel differs greatly from the other two case studies, nonetheless it offers a different and relevant point of view on the same issue, namely the struggle for individuals to position themselves amongst the tides of history. The novel revolves around four different versions of the same protagonist, Archie Ferguson, whose evolution is traced from the early childhood to young adulthood. The story of Archie Ferguson actually starts long before his birth: the novel opens on the arrival of his grandfather in America on January 1st, 1900, and although Ferguson’s story formally ends in 1971, the narrator goes on until 1974 and the novel closes with Ned Rockefeller being sworn in as the vice president of the United States. The main issue tackled in the novel is how to represent the ways in which circumstances and unexpected accidents play an important part in shaping individual identities. Among the unexpected are historical events that happen outside of individual control: in the novel, all four of Archies’ lives run parallel with history and are marked by its impending presence. Although Archie Ferguson understands perfectly well the importance of what is happening around him, he chooses to not take active part in the historical events of his time. Contrary to what happens to Cercas’s and Janeczek’s character, Auster’s one chooses to turn his back to the big events around him and to be a simple observer of history in the making. My decision to work on historical contemporary novel sparks from the belief that this genre accommodates some of the most interesting questions recently formulated both in the literary circles and in the public sphere. Discussing historical novels, one could tackle issues as diverse as the dialectic between fact and fiction, the resurface of epic narratives, the role the memory of the past will play going forward or how society at large can deal with the legitimate concerns raised by minorities. In the end, I think the historical novel as a genre is moving toward a more engaged relationship with the public sphere by helping raise moral questions that compel the reader to reflect on her possibility to act in the real world. This is undoubtedly a stance of particular relevance in the context of the Western geopolitical reality in this early stage of the 21st century.
La tesi si propone di affrontare il modo in cui il romanzo storico degli anni Zero rappresenta il rapporto fra il singolo individuo e la collettività. Il lavoro è suddiviso in tre parti, le prime due di natura teorica e la terza dedicata all’analisi puntuale di tre romanzi. La prima parte è dedicata al tema dei Memory Studies e ripercorre i passi che hanno portato alla definizione di questo campo di studi. La scelta di approfondire questo tema nasce dalla valutazione dell’importanza della memoria nella formazione identitaria, tanto dei singoli quanto delle comunità. Partendo dal fondamentale lavoro di Maurice Halbwachs sulla memoria collettiva (1927), la tesi segue gli sviluppi della teoria che hanno portato, negli anni ’80 del Novecento, al cosiddetto memory boom. La connessione fra memoria individuale e memoria collettiva è stata indagata attraverso il lavoro di sistematizzazione proposto da Jan e Aleida Assmann; in particolare, la riflessione di quest’ultima sviluppatasi a partire dal testo Ricordare: Forme e mutamenti della memoria culturale (Erinnerungsräume: Formen und Wandlungen des kulturellen Gedächtnisses, 1999) ha fornito la base necessaria per osservare quale ruolo la letteratura occupi nel contesto della memoria culturale. In particolare, si nota come per Aleida Assmann la letteratura giochi un ruolo fondamentale nel trasmettere al grande pubblico le istanze identitarie dei gruppi le cui rivendicazioni sono state per anni messe a tacere dalla storia ufficiale. La seconda parte è dedicata all’analisi di alcune delle caratteristiche principali del romanzo storico del Terzo Millennio. Nel contesto della critica letteraria e della narrativa degli anni Zero si osserva la tendenza degli autori a prediligere storie che affrontano le possibili declinazioni del rapporto fra singolo e società con narrazioni inscrivibili nell’alveo della microstoria (Carlo Ginzburg, 1976) e della controstoria, intesa qui come prospettiva controegemonica che si oppone al discorso ufficiale. La volontà di recuperare la componente politica del genere storico emerge attraverso la ri-discussione e la ri-problematizzazione del rapporto con il passato, soprattutto quello traumatico del Novecento. Lo stato attuale di questa relazione fra la Storia e l’Oggi, e fra singolo e collettività, è discusso attraverso una riflessione generata dal saggio di Guido Mazzoni I Destini Generali (2015). Nella seconda parte del capitolo, per meglio contestualizzare le strategie narrative che oggi si vedono messe in atto all’interno del genere, se ne traccia una rapida genealogia soffermandosi in particolare sull’Historiographic Metafiction (Linda Hutcheon, 1988) e il Metahistorical Romance (Amy Elias, 2001). Partendo dalla ripresa della teoria di Hayden White (Metahistory, 1973), si prende in considerazione anche la scuola critica del New Historicism (Stephen Greenblatt, Catherine Gallagher, Practicing New Historicism, 2000). Da un’interpretazione data da Greenblatt del lavoro di Clifford Geertz (The Interpretation of Culture, 1973) il romanzo neostorico sembra portare avanti quello che viene da più parti definita pulsione negromantica, cioè la volontà di mettere in relazione il presente con la Storia attraverso il recupero delle voci dei morti. Il modo in cui gli autori di romanzi storici afferenti alla compagine del romanzo neostorico mettono in atto questo tipo di comunicazione passa attraverso il ricorso a fonti extraletterarie (ad esempio documenti degli archivi ufficiali ma anche fotografie famigliari). Il romanzo storico nella sua manifestazione più contemporanea tende a virare sempre più sul versante della realtà limitando al massimo l’influenza della finzione: in questa direzione vanno testi che si giocano sulla continua elisione della separazione fra il piano finzionale e quello fattuale, come dimostra il fiorire di forme ibride come docu-drama, meta-fiction storica, fact-fiction. Fra le strategie narrative più utilizzate nel romanzo storico del Terzo Millennio ci sono quelle che riguardano l’uso della voce (in particolare, si nota come sia frequentissimo il ricorso agli stilemi dell’autofinzione). Questo aspetto delle narrazioni storiche è approfondito tramite l’analisi di due romanzi ritenuti significativi, cioè Les Bienveillantes di Jonathan Littell (2006) e Le Variazioni Reinach di Filippo Tuena (2005/2015). Un altro aspetto esaminato perché ritenuto interessante è il rapporto fra romanzo storico e romanzo familiare: i due generi sono accomunati (oltre che da una recente fortuna critica) dal ricorso a strutture formali condivise fra le quali torna anche l’impiego dell’autofinzione. Gli intrecci fra i due generi sono sottolineati attraverso l’analisi di alcuni romanzi, dai quali emerge anche come i Memory Studies rappresentino un valido strumento per meglio contestualizzare la comparsa così massiccia di romanzo storico e familiare, soprattutto nel panorama europeo. La terza e ultima parte della tesi è dedicata all’approfondimento di tre romanzi: El Monarca de las Sombras di Javier Cercas (2017), Le rondini di Montecassino di Helena Janeczek (2010), e 4321 di Paul Auster (2017). I testi sono letti da una prospettiva orientata ad evidenziare come gli autori mettano in comunicazione la Storia con l’Oggi e i destini individuali con quelli collettivi. Il primo romanzo è El Monarca de las Sombras di Javier Cercas. Scritto nel 2017, racconta dei tentativi di un narratore (versione autofinzionale dell’autore stesso) di recuperare la storia di uno zio di sua madre, Manuel Mena, morto giovanissimo combattendo per Franco durante la Guerra Civile spagnola. Il romanzo è analizzato utilizzando la teoria della Postmemory postulata da Marianne Hirsch nei primi anni Novanta. La Postmemory è una modalità di relazione ad un trauma che non ci tocca direttamente ma è stato subito da chi ci ha preceduto. Partendo dalla sua esperienza personale, Hirsch ha ipotizzato la Postmemory come un sistema di trasmissione dell’impatto che il trauma vissuto da qualcuno a noi vicino ha avuto sulla nostra vita. Nel contesto del romanzo di Cercas, la Postmemory si è dimostrata uno strumento utile per illuminare il rapporto che lega l’autore alla storia familiare. Il secondo romanzo è Le rondini di Montecassino di Helena Janeczek. Il testo è costruito attorno alla scoperta di una doppia bugia: il padre dell’autrice ha mentito riguardo al loro cognome (Janeczek è un nome inventato per non rivelare l’identità ebraica e riuscire a fuggire dalla Polonia in Germania) e al fatto di aver combattuto nella Battaglia di Montecassino. L’analisi si concentra sull’impianto polifonico costruito dall’autrice, la quale intreccia la sua voce a quella di personaggi inventati ma basati su documenti reali appartenenti a quelle compagini dell’esercito Alleato che sono state silenziate dalla storia ufficiale. La prospettiva assunta da Janeczek per osservare la Battaglia di Montecassino, scontro nodale della Seconda Guerra mondiale, è, dunque, controegemonica e si pone in continuità con la teoria di Michael Rothberg sulla Memoria Multidirezionale. Secondo Rothberg (2009) la memoria collettiva dovrebbe essere strutturata non secondo un modello competitivo ma, appunto, multidirezionale, nel quale i ricordi delle esperienze di diversi gruppi coesistono entrando in risonanza reciproca. Janeczek inserisce la propria vicenda personale all’interno del panorama più ampio della storia mondiale attraverso un gioco metafinzionale che riflette, allo stesso tempo, sulla capacità della letteratura di raccontare la Storia. L’ultimo romanzo affrontato, infine, è 4321 di Paul Auster. Il testo, sebbene lontano dallo sperimentalismo formale dei due precedenti, può essere letto alla luce delle medesime riflessioni sul tentativo di posizionare il soggetto all’interno del quadro più ampio della Storia. Nel romanzo, Auster presenta quattro versioni di un unico personaggio, Archie Ferguson, di cui si segue l’evoluzione a partire da una leggenda familiare sull’arrivo del nonno ad Ellis Island il 1° gennaio 1900, fino alla prima età adulta. Il racconto della storia nel testo procede per sommari e copre un arco temporale che va dal 1900 al 1974, chiudendosi con Ned Rockefeller che presta giuramento come vice presidente degli Stati Uniti. Il problema principale affrontato da Auster in questo romanzo è rappresentare il modo in cui le circostanze, unite all’inatteso, giocano un ruolo fondamentale nel definire la direzione che può prendere la vita di ognuno. Fra le circostanze al di fuori del nostro controllo rientrano anche gli eventi storici che costellano la vita di tutti e quattro gli Archie Ferguson. Di fronte agli accadimenti di vasta portata che corrono paralleli alla sua vita, però, Ferguson decide sistematicamente di ritirarsi: se i personaggi di Cercas e Janeczek avevano deciso si immergersi nella Storia, Auster ne presenta al lettore uno che, invece, sceglie di limitare al massimo la sua partecipazione e rimanere un osservatore esterno. Come illustrato nella tesi, ho deciso di lavorare sul romanzo storico nella convinzione che in questa forma narrativa si concentrino alcuni dei nodi concettuali più stringenti emersi nel dibattito contemporaneo. Per quanto riguarda il campo letterario, il genere ha catalizzato discussioni molto interessanti come, ad esempio, quelle sul rapporto fra realtà e finzione o sulla riscoperta del modo epico. E, d’altra parte, trovano ampia rappresentazione in questa forma narrativa anche questioni che oltrepassano i confini della letteratura, per esempio la sopravvivenza della memoria dopo la scomparsa dei testimoni diretti o le rivendicazioni identitarie delle minoranze. L’ipotesi formulata in apertura del lavoro è che i romanzi storici del Terzo Millennio tendano verso la riscoperta di un impegno etico e morale della letteratura, espresso da testi costruiti attorno a domande ricorrenti quali ad esempio, “cos’avrei fatto io al loro posto?” e “qual è il mio posto nella Storia?”. A guidare la ricerca, quindi, è stato l’obiettivo (in parte raggiunto) di verificare come un selezionato ma rappresentativo numero di autori desse conto del rapporto dialettico fra Storia e Memoria nella scrittura di racconti che riconciliassero i destini individuali a quelli collettivi.
The thesis aims to address the way in which historical novels written in the 2000s stage the relationship between individual stories and collective destinies. The work is divided into three parts, the first two are concerned with theory and the third is dedicated to the analysis of three novels. The first part addresses the issue of Memory Studies and traces the steps that lead to the definition of this field of study. I choose to tackle this issue because of the paramount relevance accorded to memory in the construction of identity, both individual and collective. Maurice Halbwachs’ work on collective memory (1925), marks the beginning for the development of the studies that lead to the so-called memory boom in the ‘80s. In my work, the connection between individual and collective memory is being reviewed from the perspective of Jan and Aleida Assmann’s work. Notably, Aleida Assmann’s work Erinnerungsräume: Formen und Wandlungen des kulturellen Gedächtnisses, (1999) paved the way to examine how literature merges with other cultural enterprises in the sphere of cultural memory; her research focuses on the prominent role played by literature in transmitting to large audiences the issues concerning identity carried out by marginalized groups who went unnoticed by the so-called masterfiction. The second part of the thesis deals with literature and analyzes some of the most prominent aspects of the contemporary historical novel as a genre. The first half of the examination opens remarking how authors of historical novels seem to focus their attention on how individuals interact with collective groups. Remarkably, most historical novels seem to deal with narratives related to microhistory (Carlo Ginzburg, 1976) and counterhistory. In this context, the term counterhistory refers to narratives that seek to cast light on stories which have been ignored by those in power. For these authors, to question the way in which the past is remembered in the policies instructed by governments means to put into question the relationship between past and present; at the same time, this choice of topic aims at reclaiming the political element that is inscribed in the genre since its origin. In order to outline the status of the link between individual stories and collective destinies I discuss the essay I Destini Generali (2015) by Guido Mazzoni. The second half of the chapter is devoted to draw a brief genealogy of the historical novel genre in its most recent years. Linda Hucheon’s Historiographic Metafiction (1988) and Amy Elias’ Metahistorical Romance (2001) are shortly discussed, along with Stephen Greenblatt’s New Historicism (Greenblatt, Catherine Gallagher, Practicing New Historicism, 2000), a school born out of Hayden White’s Metahistory (1973). From Greenblatt’s interpretation of the work of Clifford Geertz (The Interpretation of Culture, 1973) many authors have derived a vision of historical fiction as a means of “communication with the dead”, a sort of necromancy which seem to imbue many of the narratives that are concerned with history in the last twenty years, aimed at reinstating a connection between the present and the past. The authors employ archive documents and family album photos to support their narratives, therefore raising the issue of the distinction between fact and fiction and between factual and fictional narratives. The contemporary historical novel seems to be marking a sharp turn toward factual or nonfictional narratives, thus creating space for hybrid forms like docu-drama, metafiction and factfiction where the two dimensions fruitfully interact with each other. One of the most prominent features in the genre is the modulation of the narrator’s voice. To address this issue directly I chose to consider two novels which I regard as representative of the ways in which authors play with the voices of their narrators, namely Jonathan Littell’s Les Bienveillantes (2006) and Filippo Tuena’s Le Variazioni Reinach (2005/2015). Another issue which I put under scrutigny is the relationship between family novel and historical novel. Both genres appear to be in a renaissance phase, gaining praise from audience and literary critics alike. Also, both genres deal with the problem of how to relate with the past; finally, both imply the use of similar stylistic features such as autofiction or characters tracing down long-lost relatives using archive information. In addressing the connection between historical and family novels I underline how Memory Studies can be used to contextualize the presence of these types of narratives, especially on the European literary scene. The third and last part of the thesis is devoted to the analysis of three novels, namely El Monarca de las Sombras by Javier Cercas (2017), Le rondini di Montecassino by Helena Janeczek (2010) and 4321 by Paul Auster (2017). The analysis highlights how the authors have put in place narrative strategies designed to create a link between history and the present, and between individual stories and collective destinies. The first novel I analyse is Javier Cercas’ El Monarca de las Sombras. It recounts the ordeals of the narrator, who is a fictionalized version of Cercas himself, to trace back the story of one of his ancestors, namely his mother’s uncle whose name was Manuel Mena, who died when he was only nineteenth fighting alongside Franco during the Spanish Civil War. I read the novel through the lens of Marianne Hirsch’s theory of Postmemory. The theory, proposed by Hirsch in the early 90s, aims to address the ways in which other people’s trauma has the power to inform our own lives long after it occurred. Hirsch’s Postmemory can be used to describe the mediated, often artistic, ways in which the knowledge of trauma can be transmitted also by those who have not lived it directly on their skin. In the context of Cercas’ novel, Postmemory is implied to cast a light on the relationship between the author and his family. The second novel is Le rondini di Montecassino, by author Helena Janeczek. The novel springs from the author’s discovery that she had been lied to by her father. After his death, Janeczek finds out that, for one thing, her own surname is a fake and that it was born out of a lie her father told to a German officer during his flee from Poland in order not to give away his Jewish origin; on the other hand, the author discovers that her father lied to her about having fought in the Battles of Montecassino during World War II. In the novel, Janeczek uses many different voices, including her own, to create a counternarrative of the Battle of Montecassino, one that includes the stories of those who have been silenced by official recounts. Janeczek intersects her own voice with those of other characters who are fictional but whose identities are based on documents retrieved from archives. Those characters belong to minorities in the ranks of the Allied Army, such as Maori from New Zealand and the Polish soldiers of General Anders. By adopting this perspective, Janeczek adheres to the theory proposed by Michael Rothberg in his essay Multidirectional Memory (2009). Rothberg addresses the fact that the public sphere usually sees different collective memories as opposed to each other and engaged in a struggle for recognition that is bound to leave someone in the shadow. By proposing that we envision memory as multidirectional he wishes to change the conceptual framework to allow different collective memories to coexist with each other: by the merging and interlacing of memories, Rothberg argues, we can achieve a better understanding of political conflicts and see how every history is implicated with the others. In Janeczek’s novel, this goal is achieved using a metafictional voice that reflects on the one hand on how individual stories resonates with the grand scheme of history and, on the other, on the role played by fiction in narrating History. The last novel I analyze is 4321 by Paul Auster. The novel differs greatly from the other two case studies, nonetheless it offers a different and relevant point of view on the same issue, namely the struggle for individuals to position themselves amongst the tides of history. The novel revolves around four different versions of the same protagonist, Archie Ferguson, whose evolution is traced from the early childhood to young adulthood. The story of Archie Ferguson actually starts long before his birth: the novel opens on the arrival of his grandfather in America on January 1st, 1900, and although Ferguson’s story formally ends in 1971, the narrator goes on until 1974 and the novel closes with Ned Rockefeller being sworn in as the vice president of the United States. The main issue tackled in the novel is how to represent the ways in which circumstances and unexpected accidents play an important part in shaping individual identities. Among the unexpected are historical events that happen outside of individual control: in the novel, all four of Archies’ lives run parallel with history and are marked by its impending presence. Although Archie Ferguson understands perfectly well the importance of what is happening around him, he chooses to not take active part in the historical events of his time. Contrary to what happens to Cercas’s and Janeczek’s character, Auster’s one chooses to turn his back to the big events around him and to be a simple observer of history in the making. My decision to work on historical contemporary novel sparks from the belief that this genre accommodates some of the most interesting questions recently formulated both in the literary circles and in the public sphere. Discussing historical novels, one could tackle issues as diverse as the dialectic between fact and fiction, the resurface of epic narratives, the role the memory of the past will play going forward or how society at large can deal with the legitimate concerns raised by minorities. In the end, I think the historical novel as a genre is moving toward a more engaged relationship with the public sphere by helping raise moral questions that compel the reader to reflect on her possibility to act in the real world. This is undoubtedly a stance of particular relevance in the context of the Western geopolitical reality in this early stage of the 21st century.
