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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Na primeira secção deste trabalho, traçam-se as linhas gerais da perspetiva biolinguística, incluindo a ideia de que a comunicação, ‘um elemento da externalização’, ‘não é a função chave da linguagem humana’. Sendo antes um instrumento de ajuda ao pensamento interno, a comunicação é um ‘later by-product’, que não constitui o objeto de estudo da biolinguística. Confronta-se esta perspetiva com a dos teóricos da comunicação, para quem a comunicação é de relevância central no desenvolvimento dos estudos linguísticos. Apesar da controvérsia, ainda nos anos 50, Chomsky introduz a transformação de ênfase (Temph) e, nos anos 70, contempla aspetos de comunicação ao tratar formalmente construções de topicalização, foco e wh. Nas últimas décadas, têm-se multiplicado os estudos sobre fatores sintático-discursivos implicados em determinadas estruturas, nomeadamente de tópico e de foco, tendo surgido várias propostas de periferias esquerdas (domínio-CP/Split-CP), a chamada cartografia, para tratar estes fenómenos. Nesta secção, são ainda introduzidos os conceitos tópico, foco e avaliativo, e algumas reflexões no âmbito da gramática generativa e da gramática tradicional. Termina-se com uma síntese dos objetivos do trabalho.
A segunda secção é dedicada à descrição e análise dos aspetos sintáticos, semânticos e pragmáticos envolvidos na derivação e interpretação destas construções. O estudo foi norteado por interrogações: serão as definições de tópico e foco em termos de informação nova e informação velha (tema – rema em outra terminologia) o que está realmente implicado em tópico e foco? Ou será que estes termos escondem outros valores não detetados ainda? Se sim, quais são esses valores? Haverá outros fatores pragmáticos que concorrem para cada um destes conceitos? O que é o realce? O que é a ênfase? O que são efeitos estilísticos?
À análise presidiram duas preocupações: (i) sistematicidade no escrutínio e testagem dos dados; (ii) criação de contextos de comunicação falante-ouvinte de forma a perceber o que o falante tem em mente que quer que o ouvinte compreenda. A ordem dos elementos SVO, a ordem V_CL ou CL_V, a atitude do falante, captada através de efeitos sintático-semânticos e prosódicos, a aplicação do teste pergunta-resposta, a inserção de elementos lexicais na estrutura foram fatores que nos permitiram chegar a conclusões ainda parcelares (as seis combinações possíveis dos elementos SVO, por exemplo, foram testadas, no entanto as conclusões não esgotam todo o universo de construções possíveis).
Na secção três, apresentamos o quadro teórico adotado e definimos os conceitos com os quais operaremos e, na secção quatro, o estado da arte. As partes seguintes (quinta e sexta secções) trazem os resultados da investigação realizada no âmbito da abordagem teórica adotada: o programa minimalista. Depois de tecer algumas considerações teóricas, apresentamos os resultados da investigação sobre as consequências da teoria minimalista nas derivações.
Na secção sete, deixamos em aberto algumas hipóteses para investigação futura, comparando construções abordadas neste trabalho com as suas equivalentes em outras línguas, norteadas pelo estudo de objeto nulo e de sujeito nulo.
Explorando a interface sintaxe-discurso, e assumindo que há uma codificação das propriedades discursivas na sintaxe, pretendemos derivar as estruturas em estudo à luz de um quadro teórico económico. Vamos assumir a teoria delineada por Chomsky e trabalhar com o conceito de derivação por fase. Adotamos também princípios de minimalidade e de localidade (cf. Chomsky 1995 e Rizzi 2001). Achamos que um quadro teórico tão explícito e restritivo irá ajudar na resolução de alguns problemas cruciais na análise sintática destas construções.
Descrição
Palavras-chave
Língua portuguesa - Sintaxe Língua portuguesa - Semântica Pragmática Teses de doutoramento - 2023
