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Impact of sleep related respiratory disorders on psychosocial stress factors of patients with chronic pain

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Resumo(s)

Os distúrbios respiratórios do sono estão entre os distúrbios do sono mais prevalentes, constituindo uma grande preocupação clínica. A apneia obstrutiva do sono (AOS) é o distúrbio respiratório mais comum, com uma prevalência que varia entre os 9% e os 38% na população em geral. A AOS está associada a várias alterações fisiológicas, incluindo hipóxia intermitente, ativação simpática, fragmentação do sono e desregulação metabólica. Pensa-se que todas estas alterações são responsáveis por desencadear os sintomas típicos da apneia, como a sonolência diurna excessiva, o stress ou a depressão. O ressonar, além de ser um dos principais sintomas de pacientes com AOS, pode também apresentar-se independentemente de um diagnóstico de apneia, sendo referido como ronco primário ou habitual. Neste caso, representa um fenómeno que se gera nas vias respiratórias áreas superiores sem a ocorrência de eventos respiratórios do sono, sendo considerado no espetro dos distúrbios respiratórios do sono como a forma mais leve. A prevalência do ronco primário na população em geral é relativamente alta mas variável, com estudos a reportarem uma variação entre os 10% e os 60% na ausência de AOS. Nos últimos anos tem sido demonstrado que a AOS e o ronco primário estão associados a perturbações cognitivas, comportamentais e psicossociais, influenciando negativamente a qualidade de vida do paciente. De facto, a relação entre o sono e o bem-estar (físico, mental e social) é altamente reconhecida, ainda para mais na sociedade atual, onde os distúrbios do sono e o stress psicossocial muitas vezes coexistem. O stress psicossocial refere-se a um estado de transtorno emocional que engloba uma diversidade de fatores psicológicos (e.g., sintomas depressivos e ansiedade), traços de personalidade (e.g., raiva) e fatores externos (e.g., apoio social, situações stressantes). Consequentemente, a avaliação do impacto da qualidade do sono no paciente deve ter em conta os outcomes biopsicossociais que possam coexistir, de forma a que a sua avaliação seja o mais completa e adequada possível. A abordagem de fatores psicossociais é relevante para indivíduos que não só sofram de distúrbios respiratórios do sono, como outras condições, nomeadamente dor orofacial. A avaliação do impacto de distúrbios respiratórios do sono e fatores psicossociais em populações de dor tem-se tornado um foco de estudo, embora ainda pouco explorada. Assim, são várias as ferramentas psicométricas que têm sido desenvolvidas para avaliar indícios biopsicossociais, tais como a depressão e a ansiedade, que podem ser usadas para complementar a avaliação clínica dos pacientes. O WISE, uma ferramenta de avaliação de sintomas interdisciplinar online que foi concebida, construída e implementada para fornecer avaliações biopsicossociais em vários cenários clínicos, combina uma checklist de sintomas que englobam diversos domínios com questionários psicométricos validados que servem como instrumentos de case-findings, reportando ainda características de dor, género, idade, índice de massa corporal (IMC) e estatuto ocupacional do paciente. Neste âmbito, o principal objetivo deste trabalho foi investigar as associações entre a presença de distúrbios respiratórios provocados pelo sono e as variáveis psicométricas usadas como indicadores de stress psicossocial e de bem-estar associado num estudo de natureza observacional transversal usando dados extraídos da plataforma WISE, aplicada a pacientes que reportaram a uma clínica de dor orofacial na Suíça. Num estudo observacional, transversal, com 415 doentes (WISE, Universidade de Zurique, Suíça) procedeu-se a uma caracterização da amostra do ponto de vista demográfico, da presença de distúrbios respiratórios de sono e da sua relação com variáveis psicométricas obtidas através de questionários validados para a população suíça, nomeadamente IPQ, DCQ, GAD-7, IEQ, PCS, PHQ-4, PHQ-9 e PHQ-Str. A influência de fatores confundidores como idade, sexo e condição laboral foi, também, avaliada. A amostra populacional foi estudada através da aplicação de uma análise estatística descritiva inicial, seguida de uma análise da variância e de modelos de regressões múltiplas para determinar as associações entre as variáveis em estudo. Toda a análise estatística foi desenvolvida com um nível de significância definido a 5%. Os resultados obtidos indicaram que a maioria dos pacientes que reportaram alguma forma de distúrbio respiratório durante o sono eram do sexo feminino (N=57; 62.6%), trabalhadores (N=56; 61.5%), de meia-idade (N=49; 53.9%), maioritariamente de peso normal (N=54; 59.3%). Considerando as avaliações psicométricas, a percentagem de pacientes que atingiram um score clinicamente relevante para todos os domínios foi maior no grupo de pacientes com distúrbios respiratórios, exceto para o domínio de preocupação dismórfica. Propusemo-nos ainda analisar a relação entre a presença/ausência de distúrbios respiratórios com as variáveis psicométricas, acrescentando o estudo do efeito do género, faixa etária, situação socioeconómica e IMC na avaliação psicométrica. Para tal, uma primeira análise de variância foi desenvolvida para perceber o efeito destes fatores nos scores psicométricos para toda a amostra do estudo. Segundo os nossos resultados, o género apenas teve um impacto estatisticamente significativo para o domínio da ansiedade avaliado pelo teste General Anxiety Disorder 7, com scores médios mais elevados para mulheres do que homens, algo esperado uma vez que a relação entre ansiedade e AOS está descrita na literatura como mais prevalente nas mulheres. Não se observou um efeito significativo da idade, exceto o facto de pacientes com idade superior a 70 anos registarem um menor score para o domínio do stress comparando com pacientes de idades compreendidas entre os 20-59 anos. Ainda, scores indicativos de um maior nível de stress, ansiedade, depressão, experiência de injustiça, perceção de doenças, e catastrofização e perceção relacionadas com a dor foram particularmente elevados em pacientes incapacitados (pacientes que sofreram de uma doença ou acidente no passado que os impossibilidade de trabalhar e afeta as suas atividades diárias). No entanto, o impacto da situação socioeconómica no nível de stress psicossocial ainda carece de mais evidências na literatura. A presença de distúrbios respiratórios (ressonar ou apneia durante o sono) mostrou ter um impacto estatisticamente significativo nos scores dos testes relativos aos domínios de ansiedade, depressão e experiência de injustiça (GAD-7, PHQ-4, IEQ, General Anxiety Disorder 7, Patient Health Questionnaire 4 e Injustice Experience Questionnaire, respetivamente). Surpreendentemente, o IMC não teve efeitos significativos nos scores psicométricos. No entanto, estes resultados devem ser interpretados tendo em conta a população de estudo, que corresponde a uma população clínica que reportou a uma clínica de dor na Suíça. Relativamente à exploração de possíveis relações entre as variáveis em estudo com os vários domínios psicométricos avaliados pelos questionários aplicados, desenvolveu-se uma análise através de regressões múltiplas, observando pelos respetivos coeficientes de regressão a relação positiva ou negativa existente. O principal resultado obtido foi que a presença de algum tipo de distúrbio respiratório estava positivamente associado com todos os domínios, exceto para o domínio de preocupação dismórfica, sendo um preditor estatisticamente significativo para os testes relativos ao domínio de ansiedade, depressão e experiência de injustiça acima referidos. Estes resultados suportam a relação descrita na literatura em estudos epidemiológicos prévios, que têm consecutivamente demonstrado a associação entre distúrbios respiratórios do sono com a depressão e a ansiedade. De notar que os resultados apresentados para os modelos de regressão efetuados dependem não só do número da amostra para cada questionário, como também da parametrização usada no software de análise estatística. Além disso, o impacto negativo da presença de padrões respiratórios anormais durante o sono no bem-estar dos pacientes deve ser interpretado considerando os fatores confundidores deste estudo, como a idade e o género. Em conclusão, a análise estatística desenvolvida ao longo deste trabalho mostrou que cerca de 22% dos pacientes avaliados reportaram alguma forma de distúrbio respiratório durante o sono, sendo a maioria dos pacientes mulheres de meia-idade, empregados, tendo correspondido às nossas expetativas iniciais. Os nossos dados apontam também para a estreita relação entre a presença de distúrbios respiratórios e as variáveis de stress psicossociais, realçando a importância de uma avaliação mais detalhada dos distúrbios do sono em ambiente clínico. Assim, embora tenhamos trabalhado com uma avaliação subjetiva do sono, estes resultados suportam o desenvolvimento de um módulo no WISE que permita uma avaliação mais compreensiva de distúrbios do sono complementada com a avaliação psicométrica.
Sleep-related breathing disorders (SRBD) are among the most common sleep disorders, constituting a major public health concern. Obstructive sleep apnea (OSA) is the most common breathing disorder with a prevalence ranging from 9% to 38% in the general population. OSA is associated with several physiological alterations, including intermittent hypoxia, sympathetic activation, sleep fragmentation and metabolic dysregulation. These pathways are thought to trigger typical symptoms such as excessive daytime sleepiness, stress, or depression. Aside from being indicative of the presence of OSA, snoring can present by itself, being referred to as primary or habitual snoring. Habitual snoring is highly prevalent in the general population, with a reported prevalence ranging from 10% to 60% in the absence of OSA. A growing body of work has demonstrated that OSA and habitual snoring are associated with cognitive, behavioural and psychosocial problems, thus negatively influencing patient’s quality of life. The relationship between sleep and well-being is well-recognized, even more in in today’s society where sleep problems and psychosocial stress often co-exist. Accordingly, the consideration of biopsychosocial outcomes when assessing the impact of poor quality of sleep has evoked a great deal of attention among the scientific community over the last years. This assessment may be extended to several clinical populations, such as patients experiencing orofacial pain. The relation between sleep breathing conditions and wellbeing in such populations is yet to be understood. Hence, several psychometric tools have been developed to screen for multiple associated biopsychosocial burdens, such as depression or anxiety, offering an opportunity to complement the clinical assessment of patients. WISE is a web-based interdisciplinary symptom evaluation tool which was designed, constructed, and technically implemented to provide biopsychosocial evaluations in a variety of clinical settings. It combines a symptom checklist which encompasses several domain with validated psychometric questionnaires that serve as case-findings, further reporting pain characteristics, gender, age, body mass index (BMI) and employment status of the patient. Within this framework, the main goal of this work was to explore associations between the respiratory distress caused by self-reported sleep breathing conditions and psychometric variables as indicators of psychosocial stress and associated wellbeing in a cross-sectional observational study using data extracted from the WISE platform, applied to patients reporting to an orofacial pain clinic in Switzerland. In this cross-sectional study with 415 patients (WISE, University of Zurich, Switzerland), the sample was characterized from a demographic perspective, of the presence of self-reported sleep-disordered breathing and its relation with psychometric variables obtained through validated questionnaires for the Swiss population, namely IPQ, DCQ, GAD-7, IEQ, PCS, PHQ-4, PHQ-9 e PHQ-Str. The effect of confounders such as gender, age, BMI, typical pain intensity and employment status on the psychometric evaluations was also analysed. The population sample was studied by applying an initial descriptive statistical analysis, followed by an analysis of variance and multiple regression models to determine the associations between the variables under study. For all analyses, the statistical significance was set at p ≤ 0.05. From the patients who responded to the screening question “During the last 4 weeks, how much have you been bothered by any of the following problems: snoring/apnea during sleep?” (N=415), most were female (N=57; 62.6%) and more than half were 40-59 years old (N=49; 53.9%). Most patients reporting snoring or sleep apnea were workers (N=56; 61.5%) and retired people reported the second highest prevalence (N=15; 16.5%), reflecting the underlying factor of age. For all the assessed domains (depression, anxiety, injustice experience, illness perception, dysmorphic concern, distress, and pain-related catastrophizing), the percentage of patients reaching a clinically relevant score was higher for the group with self-reported respiratory distress, except for dysmorphic concern. Concerning the multiple regression analyses performed, the key finding was that respiratory distress was positively associated with all domains except dysmorphic concern, being a statistically significant predictor of GAD-7, IEQ and PHQ-4. For all analyses, the statistical significance was set at p ≤ 0.05. In conclusion, our study has important practical implications as they highlight the importance of assessing sleep variables in clinical evaluations. Even though we worked with a subjective assessment of snoring and sleep apnea, the findings herein presented support the relation described in previous epidemiologic studies, which have consistently demonstrated that sleep disordered breathing is associated with depression and anxiety symptoms.

Descrição

Tese de mestrado, Neurociências, Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina, 2021

Palavras-chave

Apneia do sono Ronco Stress psicossocial Depressão Ansiedade Teses de mestrado - 2021

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