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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Em Novembro de 2019, A Mulher Canhota (1978), de
Peter Handke, Phoenix (2014), de Christian Petzold,
e Vitalina Varela (2019), de Pedro Costa, integraram
a programação da Medeia Filmes para o Teatro
Campo Alegre, no Porto. Distanciando-se em diversos
pontos, estes filmes partilham, no entanto, elementos
centrais: todos são protagonizados por mulheres;
todos versam sobre os complexos relacionamentos
que estas mantêm ou mantiveram com os maridos;
e todos acompanham, finalmente, um processo de
emancipação do estatuto de esposa e a simultânea
conquista de uma vida nova e independente.
Deste modo, os três filmes são feministas —
sem que se associem, no entanto, a nenhuma
corrente programática —, e entroncam na vasta
tradição do woman’s film, a qual eles reactualizam
de acordo com as poéticas do cinema moderno e
contemporâneo em que se inserem.
Dados o vigor e a intensidade dos retratos que
os filmes traçam das suas protagonistas, o espectador
abandona a sala de cinema com uma sensação de
assombro, isto é, sai do filme assombrado. Para
isso contribui o facto de as três protagonistas
comportarem uma assinalável dose de mistério,
proporcional ao seu poder de fascinação. As suas
histórias terminam sem que saibamos exactamente
quem elas são, nem as razões do efeito hipnótico que
têm sobre nós. Mulheres de poucas palavras, elas
escondem, por debaixo da expressividade dos seus
rostos e dos seus corpos, um mundo de ideias ao qual
não nos é possível aceder inteiramente.
Marianne, Nelly e Vitalina são, simultaneamente,
mulheres e símbolos, e os seus dramas pessoais
permitem a Peter Handke, Christian Petzold e Pedro
Costa reflectir, também, sobre o novo existencialismo
burguês dos anos 70, as tensões profundas na
Alemanha do pós-guerra, e a rota de destroços
deixada pelo colonialismo português.
Descrição
Palavras-chave
Petzold, Christian Costa, Pedro Handke, Peter, 1942- - Crítica e interpretação
