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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Os estudos realizados nesta tese desenvolveram-se no âmbito do Projecto ESSA (Estudos Sociológicos da Sala de Aula), cujo objectivo central é encontrar prática(s) pedagógica(s) que altere(m) o aproveitamento diferencial dos alunos, criado por desigualdades sócio-culturais, sem diminuir o nível de exigência conceptual dos cursos. Em particular, o presente trabalho, realizado e duas Escolas do 2º Ciclo do Ensino Básico – situadas numa capital do distrito do interior do País e numa vila desse distrito – teve como principal objectivo comparar as populações dessas escolas através da análise dos seus conhecimentos científicos em função de características sociológicas. Mais concretamente, pretendia-se averiguar a influência do contexto social na prática pedagógica dos professores e no nível de desenvolvimento científico dos alunos.
A investigação teve como quadro conceptual de referência a Teoria de Bernstein em Sociologia da Educação e apoiou-se nos resultados obtidos e estudos empíricos realizados no âmbito desta teoria, nomeadamente, no de Morais (Domingos, 1984). Comparou-se, numa primeira fase, o grau de desenvolvimento científico dos alunos e o nível de exigência conceptual dos professores das duas escolas e, numa segunda fase, o posicionamento dos alunos e relação aos conhecimentos e práticas escolares, bem como o discurso pedagógico dos professores no contexto avaliativo e o grau de reprodução desse(s) discurso(s), através da determinação da orientação específica de codificação dos alunos das duas escolas. A partir das relações estudadas, procurou-se compreender as diferenças detectadas entre os alunos da classe trabalhadora das duas escolas e entre ao alunos da classe trabalhadora e da classe média e identificar características da prática pedagógica dos professores que favoreçam o aproveitamento escolar dos alunos dos grupos sociais desfavorecidos.
Os resultados obtidos permitiram confirmar que os alunos de classe média tinham, em geral, um desenvolvimento científico superior, um posicionamento mais elevado e reproduziam de forma mais eficaz o discurso pedagógico do professor, no contexto avaliativo, do que os alunos da classe trabalhadora. Confirmou-se ainda que os alunos da classe trabalhadora da escola localizada na capital de distrito têm um nível de conhecimento mais baixo do que os alunos da mesma classe social da escola situada num meio sociocultural mais desfavorecido e explicam-se algumas razões relacionadas com a prática pedagógica dos professores (escola) e outras relacionadas com características dos alunos (família). A análise dos dados permitiu encontrar relações significativas entre o posicionamento e a orientação específica de codificação e entre esta e o nível de desenvolvimento científico dos alunos. Observou-se ainda que a prática pedagógica do professor da primeira escola era, por um lado, mais exigente nas competências cognitivas estabelecidas para o seu curso e, por outro lado, conduzia a uma melhor compreensão, por parte dos alunos, dos seus critérios de avaliação e a um posicionamento mais elevado do que a prática pedagógica do professor da segunda escola. Em suma, o trabalho desenvolvido nesta tese permitiu verificar que o contexto social influencia a prática pedagógica dos professores, prática essa que se constitui como uma variável mediadora na relação entre a classe social e o aproveitamento diferencial dos alunos.
Descrição
Tese mestrado em Educação (Metodologia do Ensino das Ciências), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Ciências, 1993
Palavras-chave
Alunos Sociologia da educação Contexto social Desenvolvimento científico Práticas educativas Teses de mestrado - 1993
