| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 3.51 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O facto de o sol girar à volta da terra, ou a terra à volta
do sol, ou a lua à volta de ambos, não tem, aparentemente nada a ver
com psicologia, com educação, ou com psicologia educacional. Mas só
aparentemente, ou melhor, literalmente. Porque metaforicamente tem
tudo a ver com tudo. Isto é, se eu acredito que o sol gira à volta da
terra, eu vejo o mundo, o meu mundo de um determinado modo, tal como a
Antiga Grécia apreendia o seu mundo: o universo era finito e a
natureza das coisas era apreendida de uma forma táctil. O meu mundo
tem limites e é determinado por aquilo em que o meu corpo toca ou vê
ou ouve ou cheira. Mas se eu acredito que é a terra que gira à volta
do sol eu estou a acreditar naquilo que não vejo directamente. Tal
como o mundo ocidental depois da revolução de Copérnico, para mim o
universo é infinito e as coisas são percebidas de uma forma menos
táctil e mais abstracta. Posso ficar por aqui, mas também posso dar um
passo em frente e ver que há sempre mais um ponto de vista - que é o
da lua a girar à volta de ambos. Esta terceira metáfora sugere a importância da descentração do ponto de vista do próprio e coloca a
tónica no movimento relativamente ao observador. Tudo depende, afinal,
do observador.
Assim, a forma como o psicólogo, o educador, o psicólogo
educacional, ou o investigador apreendem a realidade e percepcionam os
fenómenos que estudam é essencial nestas disciplinas. Tal como o modo
como as crianças olham o mundo à sua volta - e que é um dos objectos
de estudo em psicologia educacional. Talvez mais importante - e mais
difícil - é a capacidade que o educador tem para se descentrar
duplamente, vendo as coisas do ponto de vista do educando e
proporcionando-lhe, simultaneamente, aquilo que motiva o seu
desenvolvimento, tendo em conta conteúdos, formas e processos. Importa
que o educador e/ou investigador saiba que a criança acredita que é o
sol ou a lua que giram à volta da terra que por sua vez giram à
volta do sol. Porque aquilo que lhe transmite ou investiga depende da
forma como a criança vê o real.
Tudo isto é ainda mais complicado quando pensarmos que
existem tantas "realidades" quantas as pessoas,o que quer dizer que
cada pessoa percebe e concebe a realidade de uma forma única e a
comunica de uma forma individualizada. O Individuo que a recebe
percebe-a à sua maneira, que é, ou pode ser, diferente da do
transmissor. Em suma, cada pessoa constrói a sua própria realidade,
comunica-a e interpreta-a dependendo da sua forma de construção. A
construção pessoal que o psicólogo, o educador e o investigador faz da
realidade, determina a forma como a comunica e o conteúdo que
comunica. Daí fazer sentido reflectir sobre a língua e a linguagem
enquanto mecanismos possibilitadores e reguladores desta construção. (...)
Descrição
Tese de mestrado em Ciências de Educação, apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1989
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1989 Metáfora Linguística cognitiva Psicologia educacional Crianças - educação
