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Compreensão e recordação de frases metafóricas e literais em crianças dos 8 aos 11 anos : um estudo exploratório

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Resumo(s)

O facto de o sol girar à volta da terra, ou a terra à volta do sol, ou a lua à volta de ambos, não tem, aparentemente nada a ver com psicologia, com educação, ou com psicologia educacional. Mas só aparentemente, ou melhor, literalmente. Porque metaforicamente tem tudo a ver com tudo. Isto é, se eu acredito que o sol gira à volta da terra, eu vejo o mundo, o meu mundo de um determinado modo, tal como a Antiga Grécia apreendia o seu mundo: o universo era finito e a natureza das coisas era apreendida de uma forma táctil. O meu mundo tem limites e é determinado por aquilo em que o meu corpo toca ou vê ou ouve ou cheira. Mas se eu acredito que é a terra que gira à volta do sol eu estou a acreditar naquilo que não vejo directamente. Tal como o mundo ocidental depois da revolução de Copérnico, para mim o universo é infinito e as coisas são percebidas de uma forma menos táctil e mais abstracta. Posso ficar por aqui, mas também posso dar um passo em frente e ver que há sempre mais um ponto de vista - que é o da lua a girar à volta de ambos. Esta terceira metáfora sugere a importância da descentração do ponto de vista do próprio e coloca a tónica no movimento relativamente ao observador. Tudo depende, afinal, do observador. Assim, a forma como o psicólogo, o educador, o psicólogo educacional, ou o investigador apreendem a realidade e percepcionam os fenómenos que estudam é essencial nestas disciplinas. Tal como o modo como as crianças olham o mundo à sua volta - e que é um dos objectos de estudo em psicologia educacional. Talvez mais importante - e mais difícil - é a capacidade que o educador tem para se descentrar duplamente, vendo as coisas do ponto de vista do educando e proporcionando-lhe, simultaneamente, aquilo que motiva o seu desenvolvimento, tendo em conta conteúdos, formas e processos. Importa que o educador e/ou investigador saiba que a criança acredita que é o sol ou a lua que giram à volta da terra que por sua vez giram à volta do sol. Porque aquilo que lhe transmite ou investiga depende da forma como a criança vê o real. Tudo isto é ainda mais complicado quando pensarmos que existem tantas "realidades" quantas as pessoas,o que quer dizer que cada pessoa percebe e concebe a realidade de uma forma única e a comunica de uma forma individualizada. O Individuo que a recebe percebe-a à sua maneira, que é, ou pode ser, diferente da do transmissor. Em suma, cada pessoa constrói a sua própria realidade, comunica-a e interpreta-a dependendo da sua forma de construção. A construção pessoal que o psicólogo, o educador e o investigador faz da realidade, determina a forma como a comunica e o conteúdo que comunica. Daí fazer sentido reflectir sobre a língua e a linguagem enquanto mecanismos possibilitadores e reguladores desta construção. (...)

Descrição

Tese de mestrado em Ciências de Educação, apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1989

Palavras-chave

Teses de mestrado - 1989 Metáfora Linguística cognitiva Psicologia educacional Crianças - educação

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