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Orientador(es)
Resumo(s)
Com Lisboa transformada no “maior sítio arqueológico” do país, seja pelo número de intervenções
nela efectuadas nos últimos anos, pela dimensão das mesmas, ou pelos resultados conseguidos e
potencial informativo revelado, importa trazer as realidades históricas e patrimoniais assim obtidas
ao conhecimento de um público alargado.
É assim que, em boa hora, o protocolo assinado entre a Autarquia e a Sociedade de Geografia de
Lisboa vem concretizar-se, nomeadamente, na colaboração entre o Centro de Arqueologia de Lisboa
e a Secção de Arqueologia da SGL para a realização anual de um colóquio com o tema geral de
‘Fragmentos de Arqueologia de Lisboa’, acentuando aspectos da realidade arqueológica.
Entre os contextos que vêm sendo revelados, a presença de diversificado espólio relacionado
com uma das condicionantes mais determinantes para a condição humana – a Alimentação – dá
o sub-título a esta primeira realização. Com efeito, são vários os testemunhos que nos aportam
para os hábitos alimentares das populações que têm vivido no espaço geográfico que actualmente
pertence à cidade de Lisboa, desde a Pré-história até à actualidade: resíduos alimentares variados,
recipientes e/ou estruturas relacionadas com o consumo, a preparação e a produção de alimentos,
que diversas fontes documentais por vezes completam.
A publicação deste volume inicia assim uma coleção que, sob o título genérico de Fragmentos de
Arqueologia de Lisboa, trará ao domínio de um público alargado os resultados de cada encontro.
Começamos aqui com a importante síntese de João Luís Cardoso, As faunas de grandes e médios
mamíferos e a alimentação humana na região de Lisboa, do Paleolítico ao Bronze Final, a que o texto
de Nelson Almeida e colaboradores sobre a problemática das primeiras comunidades neolíticas, A
arqueofauna do Neolítico Antigo na Encosta de Sant’Ana Lisboa), dá seguimento.
O estudo de Susana Martínez, Sónia Gabriel e Jacinta Bugalhão 2500 anos de exploração de recursos
aquáticos em Lisboa. Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros faz a ponte para a História da
Alimentação nos primórdios da Lisboa-Cidade.
A importância da romanização e posterior percurso da Lisboa urbana conduzem-nos a sucessivamente
percorrermos:
- Com Clementino Amaro e Guilherme Cardoso, A alimentação em Lisboa na época romana através
das ânforas da Casa dos Bicos.
- Com António Rei e explorando fontes não-arqueológicas, os Elementos vegetais na alimentação
de al-Ušhbûna, entre os séculos X e XII.
- Maria João Valente e António Marques trazem-nos de volta à Arqueologia com Alimentação mudéjar
em Lisboa: a zooarqueologia da Casa da Severa (Mouraria, Lisboa), enquanto Rui Neves nos faz
percorrer Fernão Lopes para reflectir sobre O drama da fome sob o signo castelhano – 1384 e João
Pedro Gomes nos fala da Comida de rua na Lisboa Moderna (sécs. XVI e XVII).
- Prosseguindo na Época Moderna, Tânia Casimiro, Carlos Boavida, Cleia Detry e Simon Davis apresentam
uma primeira síntese de resultados do estudo do notável espólio obtido na intervenção no
Largo do Coreto em Carnide – Cozinhar e comer: Cerâmicas e alimentação em Carnide (1550-1650).
- Carlos Boavida aborda de seguida e numa interessante comunicação os até agora pouco estudados
artefactos metálicos utilizados para Preparar, servir e comer – Vestígios arqueológicos metálicos
do que se usava na cozinha e à mesa na Lisboa da Idade Moderna para, em seguida, nos falar
dos prazeres de Baco materializados Entre copos e garrafas – Os vidros do Largo de Jesus (Lisboa).
- Já no primeiro quartel do século XX, Ana Maria Prosépio leva-nos a revisitar o saudoso Diário de
Lisboa para reflectir sobre O património alimentar nas caricaturas do jornal vespertino “Diário de
Lisboa” (1921 a 1926).
Descrição
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Senna-Martínez, J. C., Martins, A. C., Melo, A. Á. d., Caessa, A., & Cameira, I. (Eds.). (2017). Diz-me o que comes... Alimentação antes e depois da cidade. Lisboa: CML/ DMC/ DPC/ CAL / SGL/ Secção de Arqueologia. ISBN 978-972-8543-41-9
Editora
Câmara Municipal de Lisboa/ Direcção Municipal de Cultura/ Departamento de Património Cultural/ Centro de Arqueologia de Lisboa Sociedade de Geografia de Lisboa/ Secção de Arqueologia
