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Orientador(es)
Resumo(s)
Este trabalho terá como preocupação central a questão da qualidade dos materiais escritos
para o Ensino a Distância.
A escolha do campo de trabalho - ensino a distância - e do objecto - materiais escritos -
tem sobretudo a ver com a minha actividade profissional actual e. portanto, com o facto de um e
outro, para além de serem preocupações quotidianas estarem facilmente acessíveis.
Algumas palavras para descrever o contexto em que o ensino a distância aparece e se
está a desenvolver na Marinha.
No fim da década de 80 a carreira militar começa a ser reequacionada de forma a responder
às necessidades de umas Forças Armadas (FA's) que necessitavam de se modernizar,
depois de 13 anos de uma guerra colonial e cerca de 15 anos passados sobre o 25 de Abril de
1974. A publicação de um novo Estatuto dos Militares das FA's, em 1990, veio dar forma a esta
necessidade, nomeadamente no que se refere às qualificações académicas exigidas para o prosseguimento
de carreira, as quais foram elevadas para níveis mais concordantes com os padrões
actuais na sociedade civil e a dignidade das funções desempenhadas.
A situação geral do pessoal dos quadros permanentes da Marinha, no que se refere às
habilitações académicas exigidas pela nova legislação, apresentava-se com um quadro bastante
escuro, determinado, por um lado, pelo próprio baixo nível de escolaridade do país, herdado do
regime anterior e, por outro lado, pela necessidade que as FA's tiveram de alargar a base de
recrutamento para satisfazer as exigências da guerra colonial. Havia que encontrar soluções
que respondessem ao mesmo tempo a uma série de questões e problemas:
• o pessoal não deveria ser prejudicado por determinações e exigências posteriores à sua entrada para a Marinha;
• a Marinha não podia prescindir da colaboração de numerosos profissionais experientes e
competentes, formados ao longo de muitos anos e imbuídos de uma cultura da organização
fundamental ao cumprimento das missões no mar;
• o pessoal teria de adquirir as habilitações académicas exigidas sem ser afastado do serviço
normal, isto é, não seria possível mandar o pessoal frequentar a escola durante dois ou três
anos sob o risco de paralizaçào dos meios operacionais;
• a solução para a recuperação do défice de habilitações académicas teria de ser acessível a
todo o pessoal a prestar serviço na Marinha e proporcionar condições de igualdade de oportunidades;
• o sistema de ensino a desenvolver teria de entrar em funcionamento a tempo de proporcionar
aos interessados a possibilidade de completarem o curso até 1996.
O ensino a distância por algumas das suas características foi a modalidade que desde o
início se perspectivou como a mais adequada para a distribuição do curso a desenvolver. A
Marinha detinha já alguns conhecimentos neste tipo de ensino pois, desde o fim da década de
70, tinha sido criado o Centro de Instrução por Correspondência (CIC), visando proporcionar a
elevação do nível de cultura geral do pessoal e ajudá-lo na preparação para a apresentação a
exames do ensino oficiai. Apesar dos objectivos limitados do CIC. que fizeram com que o
entusiasmo com que inicialmente foi acolhido arrefecesse passados dois ou três anos, muitos
alunos experimentaram o auto-estudo e o CIC acumulou muitos conhecimentos relativos às
características de estudo do pessoal e da organização da Marinha que permitiram encarar com
alguma confiança a adopção do modelo de ensino a distância para solucionar os problemas que
se colocavam. (...)
O presente trabalho tem, como se disse, por objectivo avaliar a qualidade dos
materiais escritos para o curso do 3º Ciclo do Ensino Básico na modalidade de ensino
a distância em funcionamento na Marinha, com o fim de a melhorar, a partir das informações
dos alunos que os utilizaram para fazer a sua aprendizagem. Para que este
objectivo possa ser alcançado temos também de demonstrar que as informações prestadas
pelos alunos são utilizáveis para esse fim.
Antes de avançarmos, toma-se necessário definir o que se entende por avaliar
e justificar o interesse e utilidade deste trabalho. De uma forma geral as questões que
se colocam quando se avaliam acções de formação são as seguintes
• O quê? Qual é o objecto da avaliação;
• Por quem ? Quem avaliará e qual o seu estatuto?
• Quando?
• Como? Que tipo de avaliação? Que métodos?
• Para quem ? A quem se destinam os resultados produzidos?
• Para que? Qual a finalidade da avaliação? Quais as suas funções?
As questões acima colocadas constituem fundamentalmente um ponto de partida
que servirá de base e ajuda ao avaliador para definir os campos e os métodos em
que irá centrar a sua actividade em função das finalidades e objectivos que se propõe atingir. (...)
Descrição
Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, área de Avaliação em Educação, apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1996
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1996 Processo educativo Processos de aprendizagem Modelos de aprendizagem Relações professor-aluno Avaliação
