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Orientador(es)
Resumo(s)
A filosofia tem sido objecto de contestações de vária ordem, não obstante a
sua disseminação por diversos países do mundo e diferentes regimes de ensino,
cujo panorama é traçado por Baas (1989, p. 820-826).
Em Portugal, a divergência quanto ao valor e orientação do ensino da
filosofia instaurou uma polémica à escala nacional, no âmbito da Reforma
educativa. Algumas das razões são extrínsecas, radicam numa filosofia da escola.
Outras são intrínsecas e nascem das escolas da filosofia. A imprensa da época
conserva a memória deste intenso e extenso debate que poderia ser resumido em
duas posições antitéticas: a filosofia não serve a escola que queremos, e a escola
que temos perverte a filosofia.
O primeiro litígio é provocada pela publicação dos Documentos
Preparatórios da Reforma em Novembro de 1987. O projecto de reorganização
curricular divulga um novo modelo de saber escolar para o Ensino Secundário,
repartido por quatro áreas de estudos: tecnológico-naturais, artísticas, económico-
-sociais e humanísticas. Suprime conteúdos do campo das ciências humanas e
introduz duas disciplinas na formação geral: História das Ideias e da Cultura e
Métodos Quantitativos. Simultaneamente, restringe a filosofia à área de estudos
humanísticos, podendo ainda assim ser substituída por uma disciplina opcional.
Não parece abusivo afirmar que o critério de utilidade soeial e feição
profissionalizante prevaleceram, quando nada fazia prever que assim fosse, uma
vez que a Lei de Bases consagra o princípio da pluralidade dos saberes e das
culturas (art. 3º, d).
O segundo litígio é de foro interno. Radica na fractura instalada entre a razão
clássica e pós-moderna e nasce com a apresentação de uma proposta de programa
em Fevereiro/Março de 1990. O programa era bem construído mas reducionista na
perspectiva filosófica, apesar da extensão (400 páginas). Significava um resgate
demasiadamente elevado e à revelia da tradição filosófica genuína subjacente na
nossa cultura, ao mesmo tempo que sem garantias de eficácia inovadora em termos
pedagógicos.
Do rescaldo emerge o actual Programa, adoptado com ligeiras modificações
no 10° ano, sugeridas ao longo da experiência pedagógica, e implementado
oficialmente no ano de 1993/94. A filosofia foi incluída na formação geral, com a
designação de Introdução à Filosofia, e na formação específica com a designação
de Filosofia.
No entanto, persistem algumas questões que merecem estudo e análise no
terreno, tais como: quais os objectivos que orientam a filosofia no Ensino
Secundário; que formas deve adoptar o seu ensino; que pensam e fazem os
professores. As manifestações mais espectaculares e a incidência na dimensão
substantiva do Programa não devem, pois, ocultar os problemas implicados no
ensino da filosofia e o que realmente ocorre na prática.
As peripécias que envolveram o novo Programa deram azo a que os
professores tivessem ocasião de se manifestar. Permitiram também evidenciar que
nem tudo ía bem no ensino da filosofia, quer por razões comuns ao ensino em
geral, quer por infidelidade ao seu próprio método problematizador e inquisitivo,
quer por falha de informação pedagógica adequada dos professores. Qual a
proposta de ensino do actual Programa de filosofia do 10° e 11° anos? E o actual
Programa gerador de uma nova dinâmica do ensino da filosofia, como é
pretendido? Que finalidades visa e que meios pedagógicos propõe para as
alcançar?
Não deverá ser repensada a própria concepção de Programa? O termo refere
de imediato um enunciado de conteúdos, mais ou menos prescritivos, conralgumas
orientações para os professores. O papel que o aluno veio a assumir na
aprendizagem e a variedade de processos que o termo ensino abarca, implicam
uma relação vinculativa entre programa e pedagogia, podendo afirmar-se com
Skilbeck (1992, p. 67) que todo o programa conduz necessariamente a uma
pedagogia e vice-versa, tal concepção de pedagogia supõe tal tipo de programa.
Um texto programático espelha, assim, uma concepção pedagógica e prefigura a
prática de ensino dos professores. Não vale só pelos conteúdos, significa um
projecto de formação, ao mesmo tempo que veicula processos que viabilizam a
consecução desse projecto. Como Joyce e Weil (1980) mostraram, a relação linear
professor/aluno deu origem, nos nossos dias, à diversificação de configurações
pedagógicas, que podem ser muito variadas e como os mesmos autores realçam
também, a forma como se aprende, vinculando professor e aluno num "espaço
compartido de valores", influencia decisivamente o aluno no seu desenvolvimento. (...)
Descrição
Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, Área de Análise e Organização do Ensino, 1994
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1994 Pedagogia Métodos pedagógicos Filosofia - Estudo e ensino Ensino secundário
