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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A presente dissertação de Mestrado em História, História Marítima pela
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Escola Naval, intitula-se
“Shipwrecks of the “Carreira da Índia” (1595-1623) – Sources for the Study in
Portuguese Maritime History” procura encontrar e analisar os fatores que causaram
perda de embarcações da Carreira da Índia entre 1595 e 1623. Apesar da administração
do comércio e navegação luso-asiático estar formalmente separada do império
Habsburgo durante a União das Duas Coroas Ibéricas (1580-1640), as políticas hispanoeuropeias
e, particularmente, em relação às Províncias Unidas e aos Países Baixos,
influenciaram a vertente Portuguesa.
Os naufrágios, seja na fase da viagem de ida ou de volta, ocorreram desde os
primeiros dias da Carreira da Índia mas, o aparecimento das duas companhias privadas
europeias, a Companhia Holandesa das Índias Orientais (fundada em 1602) e a
Companhia Inglesa das Índias Orientais (fundada em 1600), pelas suas características de
concorrência e luta pela supremacia do comércio de especiarias eurasiático, fez com que
as perdas de embarcações portuguesas resultassem também de operações militares
planeadas.
Centrada na área geográfica do Canal de Moçambique, onde os naufrágios
ocorreram, a presente dissertação combina uma abordagem historiográfica nacional e
internacional com dados obtidos por arqueologia subaquática, comparando e analisando
questões relacionados com o ambiente político e as operações militares planeadas que
os envolveram; debruça-se também sobre as causas de perda de embarcações, através da
observação da construção naval e suas modificações e sobre os efeitos relacionados com
padrões económicos, tais como fluxos monetários na fase da ida da Carreira da Índia no
período em análise.
Construindo o discurso da dissertação (entre 1595 e 1623) pela cronologia dos
acontecimentos históricos dos finais do século XVI e início do século XVII, a mesma
começa com a primeira viagem de uma companhia privada holandesa com base nas
informações recolhidas e fornecidas por Jan Hyugen van Linschoten sobre a navegação
portuguesa no Índico, terminando em 1623, ano do massacre de Amboina, que teve
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como consequência o fim da aliança militar europeia. A escolha da área geográfica, o
Canal de Moçambique, a passagem entre terra firme do continente africano e a ilha de
Madagáscar, na época em estudo chamada São Lourenço, prende-se com os seguintes
motivos: desde o início da Carreira da Índia, a ilha de Moçambique era um dos mais
importantes entrepostos da navegação portuguesa ao longo da rota do cabo no qual,
durante o século XVI, foram construídos uma feitoria, um hospital e sistemas
defensivos como a fortaleza de São Sebastião. Aqui, os navios podiam ser abastecidos
com água e alimentos e invernar quando o regime de monção não permitia uma
continuação da viagem de ida ou volta. Da mesma forma, ao longo do período de 1497
até 1650, cerca de 25 por cento dos naufrágios portugueses ocorreram no Canal de
Moçambique.
Estruturado em cinco capítulos, o discurso começa com uma observação
genérica do Estado da Índia até 1580 e o aparecimento das duas companhias privadas da
Europa do norte, a holandesa e a inglesa, centrando-se em assuntos dos princípios da
navegação e das embarcações utilizadas.
A segunda parte analisa a época dos finais do século XVI e dos inícios do século
XVII através de ângulos históricos, historiográficos e políticos. Caracterizado pelos
seguintes eventos históricos, o discurso é separado em três fases: de 1595 até 1609 pela
primeira viagem holandesa em águas asiáticas, as primeiras operações militares
planeadas em águas moçambicanas (1604, 1607 e 1608) até às Tréguas de Doze Anos
entre Portugal e os Países Baixos. Durante esse período (1609-1621) não se registaram
perdas devido ao chamado corso neerlandês mas a Carreira da Índia, a ligação por meio
marítimo entre Lisboa, a metrópole do império português e Goa, a capital do Estado da
Índia, sofreu perdas pela navegação e comércio de uma nova companhia privada da
Europa do norte, a Companhia Inglesa. Planos e tentativas para fundir as duas
companhias privadas em apenas uma falharam mas, uma colaboração formal entre as
companhias, através da constituição das chamadas frotas de defesa, impediu o
prolongamento das tréguas entre os Portugueses e Holandeses procuradas pelos últimos.
Entre 1621 e 1623, a última fase em análise, foram retomadas as operações militares
planeadas no Índico Ocidental causando a perda de três naus portuguesas no ano de
1622. Os desacordos entre ambas as companhias pela supremacia do comércio asiático,
que resultaram no massacre holandês contra os ingleses estacionados na feitoria
partilhada de Amboina em 1623, impediram a execução de um novo ataque das forças
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combinadas em águas moçambicanas, contudo, parte da armada portuguesa de 1623,
que invernava na Ilha de Moçambique, perdeu-se devido a uma tempestade em Janeiro
de 1624.
O capítulo três “Underwater Archaeology” explica as formações geográficas
subaquáticas do Canal de Moçambique focando-se em fatores hidrográficos e
oceanográficos como baixos, correntes e bancos de areia, que condicionaram a
navegação luso-asiática, apresentando seis vestígios arqueológicos subaquáticos, cinco
da navegação portuguesa e um da navegação holandesa em águas moçambicanas,
observados e parcialmente escavados pela Arqueonautas Worldwide, Arqueologia
Subaquática S.A., uma companhia privada de arqueologia marítima.
Nos capítulos quatro e cinco, “Naus of the Carreira da Índia the first half of the
17th century” and “Monetary flows of the Portuguese outward bound armadas during the
first quarter of the 17th century”, a análise composta pelos métodos de pesquisa
historiográfica e dados arqueológicos recolhidos, trata assuntos e questões da
construção dos meios do transporte marítimo português, as naus, apresentando uma
comparação entre as teorias da construção naval portuguesa e a reconstrução baseada
em dois vestígios arqueológicos, a Nossa Senhora dos Mártires, que se perdeu em 1606
perto de São Julião de Barra, Portugal, e a Nossa Senhora da Consolação, que se perdeu
em 1608 perto da Ilha de Moçambique. Relativamente aos fluxos monetários das
armadas de ida que transportavam não só o dinheiro e o cabedal destinados à compra de
especiarias mas também o dinheiro destinado à administração do Estado da Índia, a
dissertação não só mostra a quantidade de dinheiro enviado, como apresenta a dimensão
do comércio luso-asiático com a dependência e procura de prata originada no Novo
Mundo e transportado pelas armadas espanholas. O caso da perda de várias
embarcações espanholas nas Caraíbas e a falta de moedas de prata, os reales, serve
como exemplo para o processo de preparação da armada portuguesa da Carreira da
Índia no ano seguinte. Incluído neste capítulo encontra-se uma estimativa da quantidade
de cabedal da armada de 1622 que, até agora, nunca tinha sido apresentada por ausência
de dados documentais explícitos.
Usando os factos conhecidos das investigações de historiadores nacionais e
internacionais e, através de uma nova interpretação baseada em documentos
contemporâneos à qual foi acrescentada a componente de arqueologia naval e marítima,
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a presente dissertação apresenta uma nova perspetiva relacionada com as causas e
efeitos de naufrágios da Carreira da Índia em águas moçambicanas entre 1595 e 1623.
Abstract: The present thesis Shipwrecks of the “Carreira da Índia” (1595-1623) – Sources for the Study in Portuguese Maritime History deals with factors which caused losses of ships of the Carreira da Índia which linked the European metropolis Lisbon with its Goa based Estado da Índia between 1595 and 1623. Although Portuguese-Asiatic shipping was formally separated from the Habsburg Empire during the Union of the Two Iberian Crowns (1580-1640), the European policies of the Spanish Kings, especially towards the United Provinces and the Netherlands had its influence and effects on the Portuguese side. Shipwrecks, either on the outward bound or homeward bound voyages had occurred for various reasons since the early days of the Carreira da Índia yet the emergence of the two private European Companies, the Dutch United East India Company (founded in 1602) and the British East India Company (founded in 1600) were a new momentum by which’s characteristics of concurrence and struggle for supremacy of the European-Asiatic spice trade, losses of Portuguese ships were caused by planned and executed military operations as well. Focusing on the geographical region of the Mozambique Channel in which the losses have taken place, the thesis combines a historiographical approach with records of underwater archaeology analyzing questions related to the political environment and planed military operations in which shipwrecks have occurred as well as causes of shipwrecks observing ship building and design modifications and effects related to economic patterns such as the monetary flows of the Portuguese outward bound shipping during the period of observation.
Abstract: The present thesis Shipwrecks of the “Carreira da Índia” (1595-1623) – Sources for the Study in Portuguese Maritime History deals with factors which caused losses of ships of the Carreira da Índia which linked the European metropolis Lisbon with its Goa based Estado da Índia between 1595 and 1623. Although Portuguese-Asiatic shipping was formally separated from the Habsburg Empire during the Union of the Two Iberian Crowns (1580-1640), the European policies of the Spanish Kings, especially towards the United Provinces and the Netherlands had its influence and effects on the Portuguese side. Shipwrecks, either on the outward bound or homeward bound voyages had occurred for various reasons since the early days of the Carreira da Índia yet the emergence of the two private European Companies, the Dutch United East India Company (founded in 1602) and the British East India Company (founded in 1600) were a new momentum by which’s characteristics of concurrence and struggle for supremacy of the European-Asiatic spice trade, losses of Portuguese ships were caused by planned and executed military operations as well. Focusing on the geographical region of the Mozambique Channel in which the losses have taken place, the thesis combines a historiographical approach with records of underwater archaeology analyzing questions related to the political environment and planed military operations in which shipwrecks have occurred as well as causes of shipwrecks observing ship building and design modifications and effects related to economic patterns such as the monetary flows of the Portuguese outward bound shipping during the period of observation.
Descrição
Tese de mestrado, História Marítima, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2014
Palavras-chave
Portugal - História naval - séc.16-17 Rotas comerciais - Ásia - 1595-1623 Naufrágios - Oceano Índico - 1595-1623 Portugal - Comércio - Índia - 1595-1623 Índia - Comércio - Portugal - 1595-1623 Teses de mestrado - 2014
