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Beyond the point: discriminatory practices in selective policies towards skilled migrants in Canada and the United Kingdom

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Resumo(s)

This thesis aims to investigate the gender disparity in the outcomes of selective skilled migration policies in Canada and the United Kingdom between 2007 and 2017. The study will focus on identifying indirect discriminatory practices embedded within policy criteria, examining their intersection with gender, race, and class. This period was marked by the financial crisis and the increasing neoberalisation of immigration policies. I employ a qualitative content analysis of the policy criteria in a historical, economic, social and political context to uncover these practices and their impact on gendered outcomes.
O presente trabalho foca na desigualdade entre homens e mulheres no acesso às políticas para seleção de imigrantes altamente qualificados no Canadá e Reino Unido entre os anos de 2007 e 2017. Os imigrantes altamente qualificados que entram no Canadá e Reino Unido através de políticas de seleção específicas tem uma desproporcional distribuição, com números consistentes e persistentes. Homens representam em torno de 70% dos imigrantes altamente qualificados e mulheres em torno de 30%. Apesar de variações anuais, as políticas de seleção por pontos tendem a selecionar uma maioria masculina em ambos os países. A desproporcionalidade no acesso à estas políticas é centro de um debate académico que busca entender os mecanismos de perpetuação desta desigualdade inscritos nos critérios de seleção para altamente qualificados. O período selecionado, com pano de fundo da crise financeira global, revela como estes dois países lidaram com as crescentes tensões anti-imigratórias e moldaram mudanças sucessivas nas políticas de seleção em uma busca incessante – e talvez inalcançável – do imigrante ideal. A história da criação destas políticas remonta ao período do pós-segunda guerra mundial, com as mudanças normativas em torno das teorias de eugenia e da mobilização social contrária ao racismo de Estado com a força do movimento dos direitos civis e dos direitos humanos. Neste contexto, Canadá e Austrália criaram políticas que viriam a preencher o vazio deixado pelas antigas políticas discriminatórias que fundavam seu regime migratório no contexto da Commonwealth. Como colônias majoritariamente brancas do Império britânico, ambos países chegaram ao pós-segunda guerra com um vasto arcabouço de políticas racistas. A mudança das políticas com base em qualificações trazia uma ruptura com o discurso de racismo científico e adicionava um verniz de meritocracia que apaziguava os temores em torno das consequências das mudanças. A diversidade, fonte de grande ansiedade nestes países que forjaram sua construção nacional com base em políticas discriminatórias, se tornava menos controversa quando associada à alta qualificação como estratégia de seleção de imigrantes. Após décadas como particularidades do modelo canadiano e australiano, as políticas de seleção ganharam tração e popularidade com a mudança do perfil dos profissionais do mercado de trabalho no século XXI. A competitividade de setores ligados às novas tecnologias, fez com que os países se sentissem compelidos a atrair estes grupos para se manterem competitivos no mercado global. Havia também uma crescente tensão ao redor da imigração e uma maior hostilidade a imigrantes. Os imigrantes altamente qualificados, no entanto, sofriam menores retaliações da opinião pública e avanço das restrições políticas à imigração, o que os reforçava como modelo ideal de imigrante no discurso político. Um imigrante que contribui ao mercado de trabalho, não usufrui do mercado de bem-estar social nem é disruptivo para a vida social da comunidade imaginada das democracias liberais ocidentais. O presente estudo foca em uma análise de conteúdo qualitativa para trazer uma contextualização histórica, política, económica e social das políticas compreendidas no período entre 2007 e 2017 para entendermos quais práticas discriminatórias estão inscritas nestes mecanismos de seleção que expliquem a disparidade de género em seu acesso. O Canadá fez mudanças consideráveis durante o período e alterou o rumo de políticas conhecidamente liberais para um modelo misto baseado em critérios neoliberais de seleção cada vez mais restringentes. Reino Unido, no entanto, desenhou suas políticas apenas após a virada do século para competir com outros países que possuem políticas de atração para um mercado global de competição de talentos. Ambos viveram a crise financeira saindo de pontos de partida muito distintos, porém viveram uma convergência ao modelo neoliberal de políticas de imigração que os aproximou durante o período. A pergunta primária que guia este trabalho é: por que há uma desigualdade de género no acesso às políticas para imigrantes altamente qualificados? As perguntas secundárias, surgidas através de um mecanismo de indução através do diálogo com a literatura existente e a análise empírica dos dados, são: quais são os critérios destas políticas que poderiam explicar esta desigualdade de género? É possível observar igualdade objetiva e subjetiva nas políticas para imigrantes altamente qualificados? Como estas políticas informaram a mudança normativa em políticas migratórias durante este período? O passado colonial compartilhado marca a história destes dois países, mas o seu ponto de partida das políticas de seleção para os altamente qualificados é distinto. No entanto, a década entre 2007 e 2017 demonstra uma convergência de suas políticas para um modelo neoliberal que inscreve marcadores de sucesso de integração no mercado de trabalho como critérios de seleção para a admissão. Esta conexão entre políticas de integração e imigração abre as portas para políticas cada vez mais restritivas em que o imigrante ideal é constantemente reescrito e reinventado, alterando o objetivo de chegada do projeto migratório de homens e mulheres. As considerações de género, raça e classe são crucias para entendermos os obstáculos diversos que diferentes grupos enfrentam e o porquê da marcada desigualdade de género ocasionada por estas políticas. Através de uma análise meso-nível entre o Canadá e o Reino Unido, constrói-se uma teia de explicações para estas perguntas mobilizando uma perspectiva interdisciplinar. Com uma análise comparativa detalhada do contexto político, histórico, social e económico destes dois países, os principais argumentos desta tese emergem. Primeiro, estas políticas de seleção de imigrantes altamente qualificados são instrumentos para construção da alteridade entre os que estão dentro da narrativa do Estado nação e os que estão fora, ao mesmo tempo que serve para estratificação dos imigrantes em graus variados de desejabilidade. Segundo, as qualificações servem a este instrumento como um significante flutuante em que o conteúdo permanece opaco, maleável e ao mesmo tempo transmite signos claros de quem se insere dentro deste grupo privilegiado de imigrantes altamente qualificados. Terceiro, o conteúdo conferido às qualificações é alimentado através de uma conexão entre políticas de imigração e integração. Indicadores de mercado, de integração laboral, preditores de maiores níveis salariais, entre outros, são retirados como garantidores de uma potencial integração de sucesso e traduzidos em critérios de seleção para a entrada de novos imigrantes. Esta conexão imigração integração opera dentro de uma lógica neoliberalizante das políticas de imigração, o que nos leva ao quarto argumento. As políticas de seleção para altamente qualificados servem ao propósito da ideologia neoliberal que transforma a imigração em uma questão económica e de saúde do Estado, tornando-as em instrumento de biopolítica do Estado nação. A miríade de significados escondidos dentro de qualificações permite que estas políticas sejam um poderoso instrumento de legitimidade para políticas discriminatórias. A partir do momento que as desigualdades encontradas no mercado de trabalho que se traduzem em índices economicizantes - como é o caso das faixas salariais já amplamente discutidas como um marcador de desigualdades entre homens, mulheres, nativos e imigrantes – transforma as políticas de admissão em uma seleção por quem está mais protegido destas discriminações – profissionais jovens, homens, de áreas específicas do mercado de trabalho, com marcadores de capital cultural e económico mais próximos às classes médias dos países de destino. Este mecanismo reifica e justifica as discriminações enfrentadas por mulheres imigrantes como insucesso individual, não como forças estruturantes que são. Em contrapartida, o sujeito das políticas para altamente qualificados segue sendo aclamado como o sujeito imigrante ideal dentro deste modelo neoliberal e contra o qual os outros grupos são constantemente balizados. Esta dinâmica fortalece discursos anti-imigração e ataque aos imigrantes que não são vistos como benéficos para a sociedade e economia do país de destino. Por isso, entender como as qualificações e políticas de imigração podem ser instrumentos para o Estado nação em um período de grande hostilidade com a comunidade imigrante é também questionar a narrativa entre o bom e mau imigrante. É através deste olhar crítico, com uma perspectiva de raça, género e classe, que se pode desvencilhar das políticas de seleção para altamente qualificados seu verniz de meritocracia e neutralidade que vem servindo ao avanço da neoliberalização das políticas de imigração como um todo.

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Género Raça Classe Imigração altamente qualificada Práticas discriminatórias

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