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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Uma lista vermelha é uma lista das espécies cujo risco de
extinção foi avaliado para uma determinada região geográfica
através de uma metodologia padronizada e com
base na melhor informação disponível à data. Esta lista
sinaliza as espécies ameaçadas de extinção num determinado
momento, e inclui, para cada espécie, a sua categoria
de risco e a justificação da atribuição dessa categoria.
É o resultado de um processo de avaliação rigoroso
e objetivo, assente no sistema de critérios e categorias
da UICN (União Internacional para a Conservação da
Natureza), que é realizado sobre um grupo de espécies,
fornecendo informação atualizada sobre o estado de
conservação dessas espécies, a sua distribuição, o tamanho
da população, o habitat e a ecologia, as ameaças e
pressões a que estão sujeitas e as ações de conservação
que é necessário realizar para a sua preservação.
Neste volume apresenta-se a primeira Lista Vermelha
da Flora Vascular de Portugal Continental, fruto do processo
de avaliação do risco de extinção de 630 espécies
de plantas nativas de Portugal continental, realizado
entre 2016 e 2019, no âmbito de um projeto homónimo
(com a referência POSEUR-03-2215-FC-000013) coordenado
por duas associações científicas sem fins lucrativos
– Sociedade Portuguesa de Botânica e Associação
Portuguesa de Ciência da Vegetação (PHYTOS) –, em
parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e
das Florestas, IP, e com a colaboração essencial de um
vasto conjunto de voluntários de todo o país.
Além do processo de avaliação do risco de extinção das
plantas propriamente dito, durante o qual se produziram
fichas de avaliação para as 630 espécies, o projeto incluiu
uma componente prévia de compilação de dados históricos
de ocorrência das plantas, bem como um importante
trabalho de recolha de novos dados no terreno, relativos
ao estado atual dos núcleos populacionais de muitas espécies
e às pressões e ameaças que as afetam. No presente
volume são apresentados uma explanação detalhada
da metodologia usada durante os trabalhos, uma
análise global dos resultados obtidos e um resumo muito
sucinto das fichas de avaliação produzidas somente para
as espécies que se verificou estarem hoje ameaçadas ou
extintas no território continental português – ou seja,
apenas 400, das 630 que foram avaliadas. A versão integral
das fichas de avaliação de todas as plantas avaliadas
é disponibilizada apenas em suporte digital.
Os resultados da avaliação – que incidiu unicamente em
cerca de 1/₅ da flora vascular de Portugal continental –
são alarmantes: 381 espécies de plantas foram avaliadas
numa das três categorias de ameaça da UICN – Vulnerável
(VU), Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo
(CR) – e 19 espécies foram consideradas extintas em
Portugal, sendo que duas destas estão mesmo extintas
a nível mundial. Ainda mais alarmante é o facto de 84 das
espécies ameaçadas se enquadrarem na categoria de
ameaça mais grave [«Criticamente em Perigo (CR)»], o
que quer dizer que são espécies que estão mesmo à beira
da extinção em Portugal, e que, se as pressões e ameaças se mantiverem, irão provavelmente desaparecer no prazo
de poucos anos. Acresce que 14 destas espécies Criticamente
em Perigo não foram sequer reencontradas no
território durante os trabalhos de prospeção realizados,
podendo estar já extintas. De entre as espécies ameaçadas,
128 foram classificadas como «Em Perigo (EN)»
e 169 como «Vulnerável (VU)». Das restantes plantas
avaliadas, 106 espécies cabem na categoria «Quase
Ameaçada (NT)», 105 foram classificadas na categoria
«Pouco Preocupante (LC)» e para 19 espécies não se obtiveram
dados suficientes para proceder a uma correta
avaliação do seu risco de extinção, pelo que foram integradas
na categoria «Informação Insuficiente (DD)».
As causas deste cenário não surpreendem. A ação humana
direta, nas suas mais variadas vertentes, encabeça
a lista de ameaças identificadas que estão a contribuir
para o declínio e a extinção de muitas espécies da nossa
flora. São exemplos os desenvolvimentos urbano e de infraestruturas
(principalmente no litoral), a expansão da
agricultura industrial intensiva em larga escala (em vastas
áreas do Alentejo e do Algarve, mas também no Oeste e
Centro-Norte) e as más práticas de gestão da vegetação
(como o uso de herbicidas e as desmatações recorrentes).
Estas e outras ações humanas são responsáveis pela
destruição irreversível ou intensa degradação de vastas
áreas de habitats naturais ou seminaturais, dos quais muitas
das plantas ameaçadas dependem. O mais preocupante
é que, na generalidade dos casos, estas ameaças
tenderão a aumentar ainda mais no futuro como reflexo
do desenvolvimento económico de vários setores, pelo
que é fundamental tomar medidas ativas e urgentes, ao
nível do ordenamento, para as conter ou reverter.
Mas também as ameaças ditas «naturais» têm um papel
importante em várias espécies – «naturais» entre
aspas – porque, na realidade, a maioria é também um
reflexo da atividade humana. Destas, destacam-se as
alterações climáticas e a expansão de espécies exóticas
invasoras, que ameaçam alterar (ou já alteraram)
as condições ambientais e ecológicas de várias áreas
do país, provocando a regressão gradual do habitat de
muitas espécies, que levará, ou já levou, ao seu completo
desaparecimento. É nas altas montanhas e nas zonas
húmidas que se anteveem os impactos das alterações
climáticas em maior escala, devido ao aumento de eventos
de secas extremas e à diminuição da precipitação na
forma de neve. Já as espécies exóticas invasoras afetam
uma grande diversidade de ambientes, mas são principalmente
graves em zonas muito perturbadas pelo Homem,
como, por exemplo, em áreas sujeitas a incêndios
recorrentes ou sujeitas a atividade florestal intensiva, e
também em vastas extensões do litoral.
O cenário não é seguramente o melhor, mas as bases
para um futuro mais auspicioso foram lançadas com o
trabalho que aqui é apresentado. Mesmo tratando-se
de um trabalho parcial (por não ter incidido sobre toda
a flora do território português), aqui se identificam
claramente muitos casos em que é necessário e urgente agir e se propõem formas de o fazer. Por exemplo,
muitas das medidas identificadas como necessárias
para melhorar o estado de conservação das espécies
ameaçadas passam pela recuperação e gestão do habitat
(que pode incluir o controlo de espécies invasoras) e
pelo reforço da aplicação da legislação já existente. Há
também muitos casos que necessitam da definição de
novas áreas de proteção, o que é indicativo de que as
áreas que estão atualmente sob algum tipo de proteção
legal não são suficientes para garantir a persistência de
todas as espécies ameaçadas. Em paralelo com estas
medidas, muitos casos foram identificados em que se
recomenda a salvaguarda do património genético – no
fundo, uma espécie de «seguro de vida», caso não seja
possível atuar a tempo de travar os declínios observados
–, havendo também muitos casos que necessitam
de reforço populacional para contrariar ativamente o
seu declínio. Ficou também patente o desconhecimento
sobre a ecologia, a distribuição, o tamanho e as dinâmicas
da população, as pressões e ameaças e a biologia
de muitas espécies ameaçadas, o qual pode condicionar
o bom planeamento de medidas de conservação, pelo
que, em muitos casos, foram sugeridos estudos para
melhorar o conhecimento desses aspetos. Neste contexto,
mais de 100 espécies necessitam da elaboração
de um plano de conservação dedicado, o que mostra
que o estado atual dessas plantas é tão mal conhecido
que precisa de ser estudado em detalhe, sob várias vertentes,
para que se consiga almejar a sua conservação.
A principal conclusão que parece configurar-se é que,
na maioria dos casos, a coordenação entre as várias partes
interessadas – que está muito facilitada, agora que
existem dados sólidos, centralizados, sobre diversos
aspetos das plantas e suas ameaças – e o ordenamento
racional do território poderão garantir a conservação de
muitas espécies. Noutros casos, nomeadamente espécies
em situação de declínio populacional incontrolável,
é preciso agir em modo de resgate, mas um adequado
planeamento de prioridades e ações, aliado a uma boa
alocação de recursos, deverá permitir a salvaguarda
dessas plantas, e assim contribuir para travar a perda de
biodiversidade no planeta
Descrição
AUTORES DOS TEXTOS DAS FICHAS DE
AVALIAÇÃO
André Carapeto | Paulo Pereira | Carlos Aguiar | Miguel
Porto | Paulo Ventura Araújo | Jan Jansen | Ricardo Quinto-
-Canas | Anabela Amado | Sílvia Ribeiro | Udo Schwarzer |
Estêvão Portela-Pereira | Alexandre Silva | Mauro Raposo |
Rute Caraça | Catarina Meireles | Tiago Monteiro-
-Henriques | Paulo Alves | Ana Caperta | Joaquim Pessoa |
Susana Tápia | Ana Júlia Pereira | Sónia Malveiro | Adelaide
Clemente | Dalila Espírito-Santo | Duarte Silva | Sergio
Chozas | Cristina Tauleigne Gomes | Luís Brás | Manuel
João Pinto | Carlos Pinto Gomes | Sara Lobo Dias | Vasco
Silva | Carla Pinto Cruz | Isabel Marques | David Draper |
Duarte Frade | Ester Serrão | José Brites Monteiro | José
Carlos Costa | José Luís Vitorino | Luísa Borges | Maria
Cristina Duarte | Paula Canha | Francisco Barreto Caldas |
Paulo Silveira | António X. P. Coutinho | Carlos Vila-Viçosa |
Ivo Rodrigues | João Paulo Fonseca | Susana Neves |
Américo Pereira | Ana Francisco | Carlos Neto | João
Farminhão | João Neiva | Patricia María Rodríguez-
-González | Bruno Moreira | Cassiano Monteiro | Duarte Victorino Marques | Filipe Covelo | Francisco
Areias | Jael Palhas | José Manuel Rosa Pinto † |
Paulo Eduardo Cardoso | Henrique Nepomuceno Alves |
Jorge Paiva
Palavras-chave
flora vascular Portugal
Contexto Educativo
Citação
Carapeto A., Francisco A., Pereira P., Porto M. (eds.). (2020). Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Sociedade Portuguesa de Botânica, Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação – PHYTOS e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (coord.). Coleção «Botânica em Português», Volume 7. Lisboa: Imprensa Nacional, 374 pp
Editora
Sociedade Portuguesa de Botânica, Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação – PHYTOS, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, IP e Câmara Municipal de Lisboa
