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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
As the Great Depression took its toll on commercial theater and the publishing industry, a wave
of Eastern writers moved to Los Angeles during the 1930s in order to work in the movies.
Penned by sometime scriptwriters who never found the work fulfilling, several Hollywood
novels of that decade denounced the dissolution of the American Dream. The film industry
itself being then largely seen by the literary world as one that had a disregard for genuine artistic
expression, this work analyzes and contextualizes the novelist’s response to Hollywood
through the cases of F. Scott Fitzgerald and Nathanael West. Those two writers having been
part of a group of intellectuals who, disillusioned with their country’s political system, came
to at one point see in communism a desirable path of development for the nation, F. Scott
Fitzgerald and Nathanael West’s disenchantment with America was also be discussed as part
of that wider trend. The first chapter of this work provides historical background on some
aspects of the development of the American identity, as it diverged from that of its early
European settlers. F. Scott Fitzgerald's The Great Gatsby, a novel that exposes the country's
egalitarian myth as illusory, was analyzed in this part of the text. In the second chapter, F. Scott
Fitzgerald’s perspective on America’s past and future was explored, as was his ambivalent
relationship with the idea of a communist future for the country. Budd Schulberg's The
Disenchanted was analyzed in this chapter, it having been selected for its description of studio
culture in 1930s Hollywood and its fictionalized depiction of F. Scott Fitzgerald. In the third
chapter, the focus shifted to Nathanael West and his Hollywood novel, The Day of the Locust.
The novel was analyzed, and its ending was interpreted in light of Nathanael West's political
stances.
Estando a população americana ainda a sofrer os efeitos da Grande Depressão, vários romances acerca da indústria cinematográfica americana dos anos trinta do século passado trataram a cidade de Los Angeles, e o seu subúrbio de Hollywood em particular, como um símbolo da dissolução do sonho americano. Neles são recorrentes motivos de artificialidade, distorção do tempo, disfunção sexual e falta de significado do trabalho. Muitas vezes escrito por guionistas que nunca encontraram satisfação no seu trabalho para os estúdios de cinema, entre os autores que deram o seu contributo para este tipo de produção literária estão Nathanael West, F. Scott Fitzgerald ou Horace McCoy. Sendo o cinema à altura considerado por muitos escritores uma arte menor, alguns foram, no entanto, atraídos para Hollywood por necessidade financeira, tendo a indústria cinematográfica interesse em contratar autores já consagrados. Tendo a elaboração desta dissertação sido motivada por um interesse em compreender o que levou um grupo de escritores americanos na década de trinta do século XX a perder fé na sociedade em que estavam inseridos, esta dissertação analisa e contextualiza a opinião do escritor seu assalariado relativamente à indústria cinematográfica e Hollywood, através dos casos de F. Scott Fitzgerald e Nathanael West, escritores que em Hollywood procuraram estabilidade financeira e lá encontraram confirmação para muitos dos estereótipos negativos que eram associados à indústria do cinema e ao local onde esta produzia o seu produto. Sendo que estes dois escritores a determinado ponto fizeram parte de um conjunto de intelectuais americanos que, insatisfeito com o rumo do país, era favorável à adoção nos Estados Unidos de alguma forma de comunismo, a descrença de F. Scott Fitzgerald e Nathanael West relativamente ao futuro da nação é discutida como parte desta mais vasta tendência. Esta dissertação foi organizada em três capítulos. No primeiro procedeu-se à análise do desenvolvimento de alguns aspetos da identidade americana, à medida que esta divergiu daquela que os colonos europeus trouxeram consigo do Velho Continente. Nesse âmbito, foi estudado o aparecimento e evolução da ideia de que a iniciativa individual seria um crucial fator de progresso e desenvolvimento, sendo o trabalho um veículo de ascensão social. Tendo a busca pela felicidade sido eventualmente incorporada no ideário norte-americano, o conceito de felicidade de Thomas Jefferson, que o inscreveu na declaração de independência dos Estados Unidos e que este partilhava com outras figuras ligadas à independência americana, foi explorado. Mais do que a obtenção de riqueza, este conceito privilegiava princípios de coragem, moderação e justiça. A meio do século XIX, Henry Thoreau viria, no entanto, a denunciar em Walden, obra que foi neste trabalho analisada, o que interpretava como um excessivo materialismo da sociedade americana do seu tempo. Thoreau recomenda um regresso a uma vida mais simples e em contacto com a natureza como forma de levar o indivíduo a reconsiderar as suas escolhas e aspirações, experiência que funcionaria como ritual de purificação. A ideia de que no contexto americano o indivíduo se podia regenerar, libertando-se do seu passado histórico, estando já presente no pensamento dos colonos puritanos que no século XVII se estabeleceram no continente, continuou patente na argumentação do período revolucionário, tendo também sido explorada de diferentes formas por vários escritores durante o século XIX. Tendo sido intenção dos puritanos continuar no continente americano a Reforma Protestante que acreditavam ter ficado incompleta na Europa, criando no Novo Mundo aquilo que consideravam ser uma sociedade modelo, analisado foi também como esse propósito se converteu num desígnio de conduzir o mundo rumo ao Reino Milenar descrito na Bíblia. A ideia de que os Estados Unidos beneficiavam de um ascendente moral sobre as demais nações, reforçada pelo processo revolucionário que levou à sua independência, eventualmente traduziuse naquela que ficou conhecida como doutrina do destino manifesto, uma crença segundo a qual, ao expandir as suas fronteiras em direção ao Pacífico, civilizando o resto da América do Norte à sua imagem, o país estaria a dar cumprimento a uma vontade divina. O pioneiro americano tornou-se no rosto dessa missão civilizadora. Outrora considerado um pária, o pioneiro, encapsulando o espírito americano, passou a ser tido como um exemplo de autossuficiência e audácia. Por fim, foi ainda examinada no primeiro capítulo deste trabalho como a rápida industrialização do país após a Guerra Civil, algo que esteve associado a um crescimento dos centros urbanos e do número de trabalhadores assalariados, desafiou a ideia de que o indivíduo teria à sua disposição os meios para ascender na hierarquia social. Se por um lado alguns procuraram aplicar o conceito de sobrevivência do mais apto, popularizado por Charles Darwin, à existência do indivíduo em sociedade, caracterizando a competição entre indivíduos por recursos como parte de uma lei da natureza que deveria ser respeitada, por outro, o movimento progressista procurou expor uma falta de correlação entre mérito e estatuto social. Denunciado era o facto de que, ao mesmo tempo que muitos viam os seus esforços para ascender na hierarquia social frustrados, grandes industriais conspiravam com o poder político e entre eles de forma a manter o seu estatuto e poder. O romance The Great Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, foi analisado pelo seu retrato da luta do indivíduo no sentido de obter independência financeira e felicidade, dois conceitos que se confundiam no imaginário americano do século XX. Tendo começado na pobreza, Jay Gatsby conseguiu assegurar a sua independência financeira. No entanto, tal não se traduziu em felicidade, uma vez que o classismo dos ricos impediu Gatsby de realizar os seus sonhos. Juntando-se a isto o facto de que Gatsby apenas havia conseguido sair da pobreza por meios menos legítimos, traída é nesta obra a ideia de uma sociedade americana igualitária, onde o trabalho era um veículo de ascenção social. No segundo capítulo deste trabalho, a perspetiva de F. Scott Fitzgerald relativamente à trajetória de desenvolvimento dos Estados Unidos foi explorada, tal como a sua postura ambivalente no que dizia respeito à adoção de um modelo de sociedade de inspiração comunista, sendo que alguns dos motivos que levaram outros escritores a associar-se à esquerda radical são também são discutidos. Estando a insatisfação de alguns destes intelectuais, Fitzgerald incluído, ligada à cultura de consumo que se havia instalado, e tendo esta como um dos seus principais símbolos a indústria cinematográfica, The Disenchanted de Budd Schulberg foi analisado neste capítulo, tendo este romance sido escolhido para tratamento nesta dissertação pelo retrato que faz da cultura corporativa e funcionamento dos estúdios de cinema americanos, sob ponto de vista do escritor. Publicada em 1950, esta obra, tendo por base a experiência do seu autor quando colaborou com F. Scott Fitzgerald na elaboração de um guião para o filme Winter Carnival em 1939, é tematicamente similar a outros romances acerca da indústria cinematográfica americana publicados durante os anos trinta. O terceiro capítulo teve como foco o romance The Day of the Locust, assim como o seu autor, Nathanael West. Nesta obra, West retrata o cinema como satisfazendo uma necessidade de dar esperança àqueles que, numa sociedade que o autor considera decadente, poucas possibilidades têm de concretizar os seus sonhos. Patente neste romance é uma artificialidade que vai da paisagem da cidade de Los Angeles à aparência e comportamento alguns dos seus habitantes. Membros da classe média que migraram da Região Centro-Oeste dos Estados Unidos, com o objetivo de usufruir de uma vida de lazer possibilitada pelas poupanças que acumularam ao longo de uma vida de trabalho árduo, à medida que começam a ver para além dessa fachada de artificialidade, julgam-se traídos. A vida pela qual trabalharam durante décadas revela-se vazia, contrastando negativamente com o padrão de vida que havia sido normalizado pelos filmes. Embora o final desta obra possa ser interpretado como um passo final rumo ao abismo para o qual a sociedade americana se encaminhava, a possibilidade de uma sociedade regenerada emergir da insurreição popular descrita nas suas páginas finais é deixada em aberto. Esta hipótese foi contextualizada, tendo em conta o posicionamento político de Nathanael West e traçando paralelos com o pensamento de outros intelectuais que durante os anos trinta do século XX foram atraídos pelas soluções que a esquerda radical apresentava.
Estando a população americana ainda a sofrer os efeitos da Grande Depressão, vários romances acerca da indústria cinematográfica americana dos anos trinta do século passado trataram a cidade de Los Angeles, e o seu subúrbio de Hollywood em particular, como um símbolo da dissolução do sonho americano. Neles são recorrentes motivos de artificialidade, distorção do tempo, disfunção sexual e falta de significado do trabalho. Muitas vezes escrito por guionistas que nunca encontraram satisfação no seu trabalho para os estúdios de cinema, entre os autores que deram o seu contributo para este tipo de produção literária estão Nathanael West, F. Scott Fitzgerald ou Horace McCoy. Sendo o cinema à altura considerado por muitos escritores uma arte menor, alguns foram, no entanto, atraídos para Hollywood por necessidade financeira, tendo a indústria cinematográfica interesse em contratar autores já consagrados. Tendo a elaboração desta dissertação sido motivada por um interesse em compreender o que levou um grupo de escritores americanos na década de trinta do século XX a perder fé na sociedade em que estavam inseridos, esta dissertação analisa e contextualiza a opinião do escritor seu assalariado relativamente à indústria cinematográfica e Hollywood, através dos casos de F. Scott Fitzgerald e Nathanael West, escritores que em Hollywood procuraram estabilidade financeira e lá encontraram confirmação para muitos dos estereótipos negativos que eram associados à indústria do cinema e ao local onde esta produzia o seu produto. Sendo que estes dois escritores a determinado ponto fizeram parte de um conjunto de intelectuais americanos que, insatisfeito com o rumo do país, era favorável à adoção nos Estados Unidos de alguma forma de comunismo, a descrença de F. Scott Fitzgerald e Nathanael West relativamente ao futuro da nação é discutida como parte desta mais vasta tendência. Esta dissertação foi organizada em três capítulos. No primeiro procedeu-se à análise do desenvolvimento de alguns aspetos da identidade americana, à medida que esta divergiu daquela que os colonos europeus trouxeram consigo do Velho Continente. Nesse âmbito, foi estudado o aparecimento e evolução da ideia de que a iniciativa individual seria um crucial fator de progresso e desenvolvimento, sendo o trabalho um veículo de ascensão social. Tendo a busca pela felicidade sido eventualmente incorporada no ideário norte-americano, o conceito de felicidade de Thomas Jefferson, que o inscreveu na declaração de independência dos Estados Unidos e que este partilhava com outras figuras ligadas à independência americana, foi explorado. Mais do que a obtenção de riqueza, este conceito privilegiava princípios de coragem, moderação e justiça. A meio do século XIX, Henry Thoreau viria, no entanto, a denunciar em Walden, obra que foi neste trabalho analisada, o que interpretava como um excessivo materialismo da sociedade americana do seu tempo. Thoreau recomenda um regresso a uma vida mais simples e em contacto com a natureza como forma de levar o indivíduo a reconsiderar as suas escolhas e aspirações, experiência que funcionaria como ritual de purificação. A ideia de que no contexto americano o indivíduo se podia regenerar, libertando-se do seu passado histórico, estando já presente no pensamento dos colonos puritanos que no século XVII se estabeleceram no continente, continuou patente na argumentação do período revolucionário, tendo também sido explorada de diferentes formas por vários escritores durante o século XIX. Tendo sido intenção dos puritanos continuar no continente americano a Reforma Protestante que acreditavam ter ficado incompleta na Europa, criando no Novo Mundo aquilo que consideravam ser uma sociedade modelo, analisado foi também como esse propósito se converteu num desígnio de conduzir o mundo rumo ao Reino Milenar descrito na Bíblia. A ideia de que os Estados Unidos beneficiavam de um ascendente moral sobre as demais nações, reforçada pelo processo revolucionário que levou à sua independência, eventualmente traduziuse naquela que ficou conhecida como doutrina do destino manifesto, uma crença segundo a qual, ao expandir as suas fronteiras em direção ao Pacífico, civilizando o resto da América do Norte à sua imagem, o país estaria a dar cumprimento a uma vontade divina. O pioneiro americano tornou-se no rosto dessa missão civilizadora. Outrora considerado um pária, o pioneiro, encapsulando o espírito americano, passou a ser tido como um exemplo de autossuficiência e audácia. Por fim, foi ainda examinada no primeiro capítulo deste trabalho como a rápida industrialização do país após a Guerra Civil, algo que esteve associado a um crescimento dos centros urbanos e do número de trabalhadores assalariados, desafiou a ideia de que o indivíduo teria à sua disposição os meios para ascender na hierarquia social. Se por um lado alguns procuraram aplicar o conceito de sobrevivência do mais apto, popularizado por Charles Darwin, à existência do indivíduo em sociedade, caracterizando a competição entre indivíduos por recursos como parte de uma lei da natureza que deveria ser respeitada, por outro, o movimento progressista procurou expor uma falta de correlação entre mérito e estatuto social. Denunciado era o facto de que, ao mesmo tempo que muitos viam os seus esforços para ascender na hierarquia social frustrados, grandes industriais conspiravam com o poder político e entre eles de forma a manter o seu estatuto e poder. O romance The Great Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, foi analisado pelo seu retrato da luta do indivíduo no sentido de obter independência financeira e felicidade, dois conceitos que se confundiam no imaginário americano do século XX. Tendo começado na pobreza, Jay Gatsby conseguiu assegurar a sua independência financeira. No entanto, tal não se traduziu em felicidade, uma vez que o classismo dos ricos impediu Gatsby de realizar os seus sonhos. Juntando-se a isto o facto de que Gatsby apenas havia conseguido sair da pobreza por meios menos legítimos, traída é nesta obra a ideia de uma sociedade americana igualitária, onde o trabalho era um veículo de ascenção social. No segundo capítulo deste trabalho, a perspetiva de F. Scott Fitzgerald relativamente à trajetória de desenvolvimento dos Estados Unidos foi explorada, tal como a sua postura ambivalente no que dizia respeito à adoção de um modelo de sociedade de inspiração comunista, sendo que alguns dos motivos que levaram outros escritores a associar-se à esquerda radical são também são discutidos. Estando a insatisfação de alguns destes intelectuais, Fitzgerald incluído, ligada à cultura de consumo que se havia instalado, e tendo esta como um dos seus principais símbolos a indústria cinematográfica, The Disenchanted de Budd Schulberg foi analisado neste capítulo, tendo este romance sido escolhido para tratamento nesta dissertação pelo retrato que faz da cultura corporativa e funcionamento dos estúdios de cinema americanos, sob ponto de vista do escritor. Publicada em 1950, esta obra, tendo por base a experiência do seu autor quando colaborou com F. Scott Fitzgerald na elaboração de um guião para o filme Winter Carnival em 1939, é tematicamente similar a outros romances acerca da indústria cinematográfica americana publicados durante os anos trinta. O terceiro capítulo teve como foco o romance The Day of the Locust, assim como o seu autor, Nathanael West. Nesta obra, West retrata o cinema como satisfazendo uma necessidade de dar esperança àqueles que, numa sociedade que o autor considera decadente, poucas possibilidades têm de concretizar os seus sonhos. Patente neste romance é uma artificialidade que vai da paisagem da cidade de Los Angeles à aparência e comportamento alguns dos seus habitantes. Membros da classe média que migraram da Região Centro-Oeste dos Estados Unidos, com o objetivo de usufruir de uma vida de lazer possibilitada pelas poupanças que acumularam ao longo de uma vida de trabalho árduo, à medida que começam a ver para além dessa fachada de artificialidade, julgam-se traídos. A vida pela qual trabalharam durante décadas revela-se vazia, contrastando negativamente com o padrão de vida que havia sido normalizado pelos filmes. Embora o final desta obra possa ser interpretado como um passo final rumo ao abismo para o qual a sociedade americana se encaminhava, a possibilidade de uma sociedade regenerada emergir da insurreição popular descrita nas suas páginas finais é deixada em aberto. Esta hipótese foi contextualizada, tendo em conta o posicionamento político de Nathanael West e traçando paralelos com o pensamento de outros intelectuais que durante os anos trinta do século XX foram atraídos pelas soluções que a esquerda radical apresentava.
